sábado, 4 de julho de 2026

X-MEN97 SEASON 2 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Days of Past Future [***]
02 A Force to Be Reckoned With [***]
03 Rise of Apocalypse I [***]
04 Rise of Apocalypse II [***1/2]

05 Weapon X , Lies & DVDs [*]
06 Danger.Exe [**]
07 Stange Land, Savage Heart [**]

08 The Dead Mans Hand [**]
09 Survival of the Fittest [**]

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ANÁLISE

A segunda temporada de X-Men 97 apresenta uma divisão fascinante entre a avaliação inicial (especificamente referente a sequência do primeiro ao quarto episódio que até que manteve viva a esperança da audiência no próprio cumprimento do massivo cliffhanger da temporada anterior) e o distanciamento progressivo do público (iniciado com o inexplicavelmente e supremamente desconectado de tudo: episódio 05). Enquanto o primeiro ano se consolidou como um fenômeno cultural ao ancorar a nostalgia em um drama maduro, esta nova fase sofre de uma síndrome crônica de sequência. A narrativa expande o seu escopo para extremos cósmicos e temporais (acoplada a inclusão de um número risivelmente excessivo de personagens), mas esse avanço implacável cobra um preço altíssimo (impagável na prática!) da intimidade dos personagens e da profundidade emocional da obra.

No centro dessa crise estrutural encontra-se a saída abrupta de Beau DeMayo pouco antes da estreia do programa. O idealizador original deixou como herança um planejamento ambicioso que envolvia três linhas do tempo simultâneas, uma trama centrada em Apocalypse (não trivialmente mitológica) e uma expansão mastodôntica do elenco de mutantes (incluindo a X-Force de Cable e a X-Factor de Valerie Cooper)... A nova equipe de produção, supervisionada por Matthew Chauncey (vindo da esquecível série What if...?), precisou executar essa visão colossal em modo de controle de danos sem o conhecimento enciclopédico e a sensibilidade dramática necessários para conectar tantas peças e tantos níveis narrativos. O resultado é um material que soa mecanicamente montado, priorizando a engrenagem do roteiro em detrimento da jornada humana. Hora falta conhecimento do material original, hora falta coração, hora faltam ambos. Reencontramos X-Men 97 como uma série NITIDAMENTE MEDIOCRIZADA.

Essa transição criativa manifesta-se na tela como um paradoxo frustrante de superficialidade e superlotação. A introdução acelerada de figuras inéditas, somada às maquinações de Apocalypse (e diminuída da falta delas!), cria uma confusa teia de eventos tão densa e tão contraditória que asfixia o tempo de tela do núcleo principal (a vai minando a boa vontade do público). Os heróis são reduzidos a ferramentas narrativas desenhadas apenas para empurrar a história até a próxima grande cena de ação (basicamente frustração dramática de manual, diriam alguns!). O "luto" em múltiplos níveis (Genosha , Gambit , Wolverine , Magnus , Nathan etc.) que deveria servir como a âncora temática do ano, acaba frequentemente atropelado pela urgência em resolver paradoxos confusos (uma escolha MUITO ruim!).

Nenhum arco exemplifica melhor essa pressa prejudicial do que a recuperação física de Wolverine. O material base dos quadrinhos, especificamente a fase Fatal Attractions, tratou a perda do metal de seu esqueleto como um golpe devastador que alterou a sua identidade de forma profunda. A adaptação animada, porém, desesperada para devolver o seu rosto mais famoso (nas telonas!) ao campo de batalha, ignora completamente essa vulnerabilidade. O trauma do mutante é resolvido com a facilidade de um reparo automotivo, esvaziando todo o peso dramático de uma mutilação quase fatal... Esta velha Castanha pensou ter perdido um episódio (ou mais) de tão inacreditável que foi tal desenvolvimento.

Quando colocada lado a lado com o atual cenário de produções asiáticas de ponta, as fragilidades deste formato ocidental como exemplificadas aqui tornam-se incontornáveis. As grandes animações japonesas contemporâneas dominam o uso do respiro narrativo, dedicando tempo ao silêncio, à contemplação e às consequências reais de cada conflito. Em contraste, a estrutura desta saga mutante opera como uma lista de tarefas, tentando ticar momentos icônicos das revistas de forma apressada. A série trocou o seu coração pulsante por um espetáculo genérico, perdendo a capacidade de competir com narrativas mais bem organizadas.

(Essa comparação é muito tópica pois a animação original dos X-Men foi em um certo sentido a primeira clara resposta ocidental ao combo Mangá/Anime do Oriente... Com efeito: Mais do que uma simples resposta estética aos produtos orientais, a adaptação de 1992 foi o primeiro produto americano a dominar a engrenagem asiática de transposição de linguagem. Tratando os quadrinhos de Claremont e cia. da mesma forma que os estúdios japoneses tratavam os seus mangás, a obra abraçou arcos longos, "luto" e consequências permanentes. Essa escolha estabeleceu os mutantes quase como o primeiro "Anime do Ocidente", operando em uma maturidade seriada que, com o devido respeito naquele contexto, ofuscava o modelo de vilão da semana adotado por outros ícones da animação daquela década.)

O nono e último episódio, Survival of the Fittest, funciona como uma síntese absoluta de todos os defeitos acumulados ao longo da temporada: personagens demais literalmente brigando para caber no quadro , confuso entendimento sobre o que está em jogo em termos de Gambit X Apocalypse , banalização da ressureição (algo que costuma irritar esta Castanha!) , banalização adicional da ressureição se considerarmos o caso ANJO X Gambit , banalização adicional da ressurreição se considerarmos Gambit completamente perfeito ao final do episódio (uma caixa de vermes imensa para todo o Universo Marvel sem uma linha de explicação sequer!) , o arco de Nathan terminando e deixando a impressão de algo deveras incompleto (para dizer o mínimo!) , a banalização do uso de um Celestial , etc. ... 

Como esperamos ainda menos das sequências, não retornaremos para uma terceira temporada de 97 e além... Continuamos recomendando a série clássica pelo desconcertante pioneirismo noventista e ainda a brilhante primeira temporada de 2024 realizada por DeMayo.

PS: Os quadrinhos dos X-Men da fase Claremont (1975-1991) são muito especiais para esta Castanha desde sempre. Be Forever!

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