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terça-feira, 28 de novembro de 2023

NOVA ONDA AMERICANA (1967-1980)

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001. Bonnie and Clyde (Arthur Penn , 1967) GF1000
002. Don't Look Back (D.A. Pennebaker , 1967)
GF1000
003. The Graduate (Mike Nichols , 1967) GF1000
004. Point Blank (John Boorman , 1967) GF1000
005. Portrait of Jason (Shirley Clarke , 1967) GF1000
006. Titicut Follies (Frederick Wiseman , 1967) GF1000
007. Wavelength (Michael Snow , 1967) GF1000
008. In the Heat of the Night (Norman Jewison , 1967) GF1000
009. 2001: A Space Odyssey (Stanley Kubrick , 1968) GF1000
010. Planet of the Apes (Franklin J. Schaffner , 1968) GF1000
011. Faces (John Cassavetes , 1968) GF1000
012. If…. (Lindsay Anderson , 1968) [UK] GF1000
013. Night of the Living Dead (George A. Romero , 1968) GF1000
014. The Party (Blake Edwards , 1968) GF1000
015. The Producers (Mel Brooks , 1968) GF1000
016. Rosemary's Baby (Roman Polanski , 1968) GF1000
017. Symbiopsychotaxiplasm: Take One (William Greaves , 1968) GF1000
018. Butch Cassidy and the Sundance Kid (George Roy Hill , 1969) GF1000
019. Diaries, Notes and Sketches (Jonas Mekas , 1969) GF1000
020. Easy Rider (Dennis Hopper , 1969) GF1000
021. Kes (Ken Loach , 1969) [UK] GF1000
022. Midnight Cowboy (John Schlesinger , 1969) GF1000
023. Salesman (A. Maysles & D. Maysles & C. Zwerin , 1969) GF1000
024. The Wild Bunch (Sam Peckinpah , 1969) GF1000
025. Patton (Franklin J. Schaffner, 1970) GF1000
026. El Topo (Alejandro Jodorowsky, 1970) GF1000
027. Mash (Robert Altman, 1970) GF1000
028. The Ballad of Cable Hogue (Sam Peckinpah, 1970) GF1000
029. Beyond the Valley of the Dolls (Russ Meyer , 1970) GF1000
030. Five Easy Pieces (Bob Rafelson , 1970) GF1000
031. Gimme Shelter (A. Maysles & D. Maysles & C. Zwerin , 1970) GF1000
032. Husbands (John Cassavetes , 1970) GF1000
033. Performance (Nicolas Roeg & Donald Cammell , 1970) [UK] GF1000
034. Wanda (Barbara Loden , 1970) GF1000
035. Zabriskie Point (Michelangelo Antonioni , 1970) GF1000
036. Zorns Lemma (Hollis Frampton , 1970) GF1000
037. Klute (Alan J. Pakula, 1971) GF1000
038. Straw Dogs (Sam Peckinpah, 1971) GF1000
039. A Clockwork Orange (Stanley Kubrick , 1971) [UK] GF1000
040. The Devils (Ken Russell , 1971) [UK] GF1000
041. Dirty Harry (Don Siegel , 1971) GF1000
042. The French Connection (William Friedkin , 1971) GF1000
043. Harold and Maude (Hal Ashby , 1971) GF1000
044. The Last Picture Show (Peter Bogdanovich , 1971) GF1000
045. McCabe & Mrs. Miller (Robert Altman , 1971) GF1000
046. A New Leaf (Elaine May , 1971) GF1000
047. La Région centrale (Michael Snow , 1971) GF1000
048. Two-Lane Blacktop (Monte Hellman , 1971) GF1000
049. Wake in Fright (Ted Kotcheff , 1971) GF1000
050. Walkabout (Nicolas Roeg , 1971) [AUS] GF1000
051. The Gateway (Sam Peckinpah , 1972) GF1000
052. Cabaret (Bob Fosse , 1972) GF1000
053. Deliverance (John Boorman , 1972) GF1000
054. Fat City (John Huston , 1972) GF1000
055. The Godfather (Francis Ford Coppola , 1972) GF1000
056. Pink Flamingos (John Waters , 1972) GF1000
057. Sleeper (Woody Allen, 1973) GF1000
058. Charley Varrick (Don Siegel, 1973) GF1000
059. The Sting (George Roy Hill , 1973) GF1000
060. Badlands (Terrence Malick , 1973) GF1000
061. Don't Look Now (Nicolas Roeg , 1973) [UK] GF1000
062. The Exorcist (William Friedkin , 1973) GF1000
063. The Holy Mountain (Alejandro Jodorowsky , 1973) GF1000
064. The Last Detail (Hal Ashby , 1973) GF1000
065. The Long Goodbye (Robert Altman , 1973) GF1000
066. Mean Streets (Martin Scorsese , 1973) GF1000
067. O Lucky Man! (Lindsay Anderson , 1973) GF1000
068. Paper Moon (Peter Bogdanovich , 1973) GF1000
069. Pat Garrett and Billy the Kid (Sam Peckinpah , 1973) GF1000
070. The Wicker Man (Robin Hardy , 1973) [UK] GF1000
071. The Parallax View (Alan J. Pakula, 1974) GF1000
072. California Split (Robert Altman , 1974) GF1000
073. Blazing Saddles (Mel Brooks , 1974) GF1000
074. The Fortune (Mike Nichols , 1974) GF1000
075. Bring Me the Head of Alfredo Garcia (Sam Peckinpah , 1974) GF1000
076. Chinatown (Roman Polanski , 1974) GF1000
077. The Conversation (Francis Ford Coppola , 1974) GF1000
078. Female Trouble (John Waters , 1974) GF1000
079. The Godfather Part II (Francis Ford Coppola , 1974) GF1000
080. Phantom of the Paradise (Brian De Palma , 1974) GF1000
081. The Texas Chainsaw Massacre (Tobe Hooper , 1974) GF1000
082. A Woman Under the Influence (John Cassavetes , 1974) GF1000
083. Young Frankenstein (Mel Brooks , 1974) GF1000
084. Love and Death (Woody Allen, 1975) GF1000
085. Nightt Moves (Arthur Penn, 1975) GF1000
086. Barry Lyndon (Stanley Kubrick , 1975) [UK] GF1000
087. Dog Day Afternoon (Sidney Lumet , 1975) GF1000
088. Grey Gardens (D. Maysles & A. Maysles & E. Hovde & M. Meyer , 1975) GF1000
089. The Man Who Would Be King (John Huston , 1975) GF1000
090. Monty Python and the Holy Grail (Terry Gilliam & Terry Jones  , 1975) [UK] GF1000
091. Nashville (Robert Altman , 1975) GF1000
092. One Flew Over the Cuckoo's Nest (Milos Forman , 1975) GF1000
093. Picnic at Hanging Rock (Peter Weir , 1975) [AUS] GF1000
094. Welfare (Frederick Wiseman , 1975) GF1000
095. The Outlaw Josey Wales (Clint Eastwood , 1976) GF1000
096. The Man Who Fell to Earth (Nicolas Roeg, 1976)
GF1000
097. All the President's Men (Alan J. Pakula , 1976) GF1000
098. Assault on Precinct 13 (John Carpenter , 1976) GF1000
099. Carrie (Brian De Palma , 1976) GF1000
100. Harlan County, U.S.A. (Barbara Kopple , 1976) GF1000
101. The Killing of a Chinese Bookie (John Cassavetes , 1976) GF1000
102. Mikey and Nicky (Elaine May , 1976) GF1000
103. Network (Sidney Lumet , 1976) GF1000
104. Taxi Driver (Martin Scorsese , 1976) GF1000
105. The Duellists (Ridley Scott, 1977) GF1000
106. Sorcerer (William Friedkin, 1977) GF1000
107. 3 Women (Robert Altman , 1977) GF1000
108. Annie Hall (Woody Allen , 1977) GF1000
109. Eraserhead (David Lynch , 1977) GF1000
110. Killer of Sheep (Charles Burnett , 1977) GF1000
111. Opening Night (John Cassavetes , 1977) GF1000
112. Dawn of the Dead (George A. Romero , 1978) GF1000
113. Days of Heaven (Terrence Malick , 1978) GF1000
114. The Deer Hunter (Michael Cimino , 1978) GF1000
115. Halloween (John Carpenter , 1978) GF1000
116. Alien (Ridley Scott , 1979) GF1000
117. All That Jazz (Bob Fosse , 1979) GF1000
118. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola , 1979) GF1000
119. Being There (Hal Ashby , 1979) GF1000
120. Manhattan (Woody Allen , 1979) GF1000
121. Monty Python's Life of Brian (Terry Jones , 1979) [UK] GF1000
122. The Blues Brothers (John Landis , 1980) GF1000
123. The Big Red One (Samuel Fuller, 1980) GF1000
124. Stardust Memories (Woody Allen, 1980) GF1000
125. Bad Timing (Nicolas Roeg, 1980) GF1000
126. Airplane! (J. Abrahams & D. Zucker & J. Zucker , 1980) GF1000
127. The Elephant Man (David Lynch , 1980) GF1000
128. Gloria (John Cassavetes , 1980) GF1000
129. Heaven's Gate (Michael Cimino , 1980) GF1000
130. Raging Bull (Martin Scorsese , 1980) GF1000
131. The Shining ( Stanley Kubrick , 1980) GF1000
 
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quarta-feira, 13 de junho de 2007

THE GODFATHER (1972)

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THE GODFATHER I (1972)[175'][1.85:1][****]

The Godfather é o mais influente filme sobre crime organizado (especialmente sobre a Máfia - nome nunca usado no roteiro) de todos os tempos. Poucos filmes criaram elementos tão reconhecíveis na cultura popular e foram tão citados, imitados, copiados e parodiados desde então, quanto este. Sua influência vai desde pérolas de diálogo (como "eu vou fazer um proposta que ele não poderá recusar") até os traços físicos dos atores coadjuvantes (tipos de corpos e de faces). Mesmo pessoas que nunca viram tal filme, conseguem identificar claramente múltiplos elementos originários dele. Ele é TÃO influente assim.

Deixando a sua história completamente contida no universo da Máfia e nos fazendo julgar todos os personagens nos termos de tal universo, The Godfather produz um convite à experiência cinematográfica e possibilita a abstração de ideias tão necessária a um grande épico (enfim servindo como uma parábola sobre o sonho americano sob o ponto de vista da experiência imigratória e da corrupção institucional, borrando a linha divisória entre o "legal" e o "ilegal")... Transcendendo qualquer estereótipo de melodrama sobre imigrantes Italianos, o filme se baseia fortemente em temas atemporais como vingança, lealdade, responsabilidade para com a família, necessidade de autoafirmação, legado paterno, corrupção pelo poder etc. Sendo uma tragédia épica de proporções quase Shakesperianas. Para completar tal quadro, cada aspecto da produção do filme é (essencialmente) perfeito, nunca deixando fugir o encanto do espectador.

A história é bem conhecida. Don Vito Corleone (Marlon Brando) é um dos chefes da Máfia de New York e New Jersey. Ele tem cinco filhos: Sonny (James Caan) (brigão e mulherengo), Tom Hagen (Robert Duvall) (filho adotivo, advogado e conselheiro da Família), Fredo (John Cazale) (simplório e fraco, mas no fundo com bom coração), Connie (Talia Shire) (única filha, cujo casamento, com o Carlo de Gianni Russo, abre o filme) e Mike (Al Pacino) (o caçula, um veterano de guerra que tenta viver a parte dos negócios da família e o de fato protagonista de toda a saga). Vito também possui dois sócios de longa data: Clemenza (Richard S. Castellano) e Tessio (Abe Vigoda). Após a Segunda Guerra (1945), as outras Famílias da Máfia querem abraçar o tráfico de drogas na região. Quando Don Vito se mostra contrário à ideia, ele sofre um atentado. Quando a vida de seu pai jaz por um fio numa cama de hospital, Mike decide recorrer a todos os meios necessários para proteger a sua família. Esta é a história das trágicas consequências de tal decisão.

The Godfather também é famoso por momentos de grande violência. De fato, existem inúmeros momentos extremos neste sentido, os quais são produzidos e inseridos com precisão cirúrgica ao longo do filme (sempre servindo a história e sempre indo direto ao ponto): a cabeça do cavalo de Woltz (John Marley) em sua cama, a morte de Luca Brasi (Lenny Montana), o atentado a vida de Don Vito, a morte de Paulie (John Martino), Mike matando McCluskey (Sterling Hayden) (um capitão de polícia corrupto) e Sollozzo (Al Lettieri) (um Turco, traficante Internacional de drogas - responsável pelo atentado a vida de Don Vito) no restaurante, Sonny espancando Carlo, a violência doméstica de Connie e Carlo, o fuzilamento de Sonny, a morte de Appolonia (a jovem esposa italiana de Michael vivida por Simonetta Stefanelli), toda a famosa sequência do batismo (uma obra-prima do Cinema por si só - em que Michael torna-se o "padrinho" em mais de um sentido, se vingando definitivamente dos demais "chefões") e finalmente a morte de Carlo. Todos são intensos e breves e todos traduzem um assustador balanço entre ação e reação que serve para guiar a história.

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O filme (como já dito) é sobre Michael Corleone, personagem que atravessa o caminho de um herói de guerra e caçula da família (namorando para casar a senhorita Kay Adams de Diane Keaton) que o pai queria poupar da vida de crime, até tomar o lugar do pai, como o novo Don Corleone ao final do filme (aliás uma criatura muito mais brutal do que o pai jamais foi). Assim como de seu personagem, o filme é (em grande parte) de Al Pacino, com uma atuação incrivelmente densa e contida (fãs do ator de anos mais recentes, em que ele costumeiramente "espana cenário para todo lado", tem uma grande dificuldade de reconhecer tal estilo contido com o do ator e mesmo reconhecer o físico de Pacino neste filme) (enfatizamos: atuação e personagem dentre os melhores de todos os tempos). O momento da virada do personagem é na célebre sequência do hospital em que Mike percebe que se ele não fizer algo e rápido, o seu pai (em coma após o atentado contra a sua vida) vai ser morto. Ele diz então ao velho desacordado: "estou com o senhor agora". Seguindo um caminho sem retorno. Na cena da escadaria, em que fingem ser seguranças de Don Vito para enganar os assassinos enviados para dar cabo do velho, Enzo treme como um louco, enquanto Mike calmamente acende o cigarro do padeiro.

Depois Mike tem o maxilar quebrado por McCluskey, sugerindo sutilmente (aproximando-o fisicamente do seu pai!) que ele seria o novo "Don" e mata esse capitão de polícia, algo que nunca havia sido feito antes, mesmo apontando uma inteligente manobra de controle de danos usando a imprensa (o "show com os olhos" de Pacino na cena do restaurante, antes de cometer o mencionado duplo homicídio é indescritível - É ver pra crer!). Refugiado na Sicília, casa com Appolonia (a ama perdidamente, mas não deixa de amar e pensar em Kay o tempo todo) e tenta fazer o melhor da situação. Mas a morte de seu irmão mais velho Sonny e da sua esposa (a figura mais inocente do filme) tinham que ter uma resposta. Ele não poderia deixar a sua família/família desmoronar (e ele acaba se casando com Kay no seu retorno a América).

O curioso é como os elementos de sua vingança se apresentam. O fato de Fredo ter sido maltratado por Moe Greene (Alex Rocco) (elemento que é vendido mais por subtexto do que por qualquer outra coisa) em Vegas aponta para o fim de Moe. Eis que temos a cena CRUCIAL PARA TODA A SAGA em que Mike diz a Fredo para que ele "nunca fique contra os interesses da família (qual?) de novo", a face impenetrável de Michael (já reconstruída) é um monumento de poder e completamente opaca com relação aos seus planos e pensamentos (como um "Don" deve ser). Barzini (Richard Conte) é revelado finalmente como o grande vilão (de uma forma com bastante estilo e via subtexto) e tem o seu destino, juntamente com os demais "Dons" que foram coniventes com as suas manobras. Tessio, cada vez mais pressionado, trai Mike. Também recebendo a vingança batismal do novo "Don".

O tratamento da traição de Carlo (plantada sutilmente pelo roteiro) foi o mais representativo quanto à mentalidade da família. Ele trouxe Carlo para dentro dos negócios para mantê-lo feliz, como se tudo tivesse passado, mesmo concordando em batizar o seu filho (no fundo, obtendo um álibi perfeito) e ao final mata o cunhado e mente fria e descaradamente para a sua irmã e para a sua (segunda) esposa Kay sobre o seu envolvimento em tal morte. Tudo pela família (qual?).

A atuação de Brando (um dos grandes atores de todos os tempos) é simplesmente mitológica. É um completo mistério como ele consegue falar e ser levado a sério ("dentro" e "fora" do Filme) mesmo com uma prótese dentária que o deixa (literalmente) com a "cara de um buldogue". Sua escolha de interiorizar todo o poder do "Don" é igualmente fantástica. O detalhado gestual do seu personagem é um show à parte de composição, com direito até a um gato que ele achou perdido dentro dos estúdios da Paramount. Sua expressão quando Vito finalmente pede o "tal favor" (que ao contrário do que a cena inicial do filme deixa no ar não é nenhuma maldade) ao agente funerário Bonasera (Salvatore Corsitto) é comovente. A cena da morte do seu personagem (largamente improvisada) é tão bela quanto singela. Brilhante! Mestre dos Mestres!

Impressionante é a paciência de Coppola em manter um passo constante e vigoroso e ao mesmo tempo colocar um sem-número de detalhes em cada sequência. O andamento do filme é tão consistente e seguro que ele passa muito rápido, mesmo com quase 3 horas de duração (!). Isto sem falar na inesquecível fotografia sombria de Gordon Willis (que partiria também para uma bem sucedida parceria com Woody Allen) e na infinitamente tocante trilha de Nino Rota (de vários trabalhos com Fellini). A reconstituição de época também é maravilhosa. O elenco é excepcional (especialmente levando em conta o grande número de atores). Ainda que existam problemas isolados (Al Martino como Johnny Fontaine é obviamente um deles), raramente o pensamento de que alguém está "atuando" passa pela cabeça do espectador, tendo em Pacino e Brando os seus maiores destaques. As mulheres são intencionalmente escritas de uma maneira unidimensional, como parte do universo retratado. Shire e especialmente Keaton são obviamente capazes de muito mais.

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APOCALYPSE NOW (1979)

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APOCALYPSE NOW (1979)[153'][2.35:1][****]

O capitão Willard (Martin Sheen), em uma rápida reunião com o general Corman (G.D. Spradlin), o coronel Lucas (Harrison Ford) e um civil de nome Jerry (Jerry Ziesmer), recebe uma missão confidencial, matar o coronel Kurtz (Marlon Brando), um dos mais condecorados soldados do exército Americano. Kurtz enlouqueceu na selva, se tornando uma espécie de figura messiânica para os montanheses Cambojanos, que agora formam o seu exército particular, ajudando-o a promover atrocidades que beiram o inacreditável. Willard e Kurtz são das forças especiais. Willard é literalmente um agente da C.I.A usando um uniforme.

Willard pega uma carona, rio Nung acima, de um pequeno barco patrulha, comandado pelo chefe Philips (Albert Hall) e com mais três tripulantes: o maquinista Hicks (Frederic Forrest) (um cozinheiro especialista em molhos), o armeiro Johnson (Sam Bottoms) (um surfista campeão) e o também armeiro Miller (Laurence Fishburn) (um pivete). Durante a viagem eles consomem fartas quantidades dos mais diversos tipos de droga, ouvem rock e mesmo esquiam na água. Willard serve como os olhos da audiência nesta viagem rio acima, que se mostra eficiente para criar antecipação pelo encontro com Kurtz. Willard lê o relatório sobre o coronel à medida que mergulha mais e mais na loucura que vitimou aquele militar.

Willard e cia. precisam da ajuda do tenente coronel Kilgore (Robert Duvall) (comandante de uma "cavalaria de helicópteros") para atravessar um ponto do rio em que o barco não pode passar. Eles o encontram pacificando uma aldeia, alvo do seu último ataque, e são objeto de uma equipe de reportagem (formada por Coppola e companhia, aliás). Kilgore (que distribui "cartas de baralho da morte" sobre as suas vítimas, como uma "assinatura pessoal") não está muito interessado em ajudar Willard, até que descobre que o tal local do rio é um excelente ponto para prática do surf. Apesar de ser um local bem guardado com artilharia antiaérea ele ordena o ataque, "por que Charlies não surfam".

Ai que acontece a sequência mais marcante do filme, um ataque a base inimiga ao som da "Cavalgada das Valquírias" de Wagner. Após chegar ao solo, Kilgore ordena que alguns dos seus homens testem as ondas AINDA sob fogo inimigo. Querendo também entrar na água, ele ordena um ataque com napalm sobre a floresta. Após a brutal ofensiva ele respira fundo e diz: "Adoro cheiro de napalm pela manhã".

Seguindo viagem, a tripulação do barco patrulha ainda encontra: um tigre durante uma inocente colheita de mangas (reparem na fotografia que mostra Willard e Hicks infinitamente pequenos diante da natureza), um show (que termina em confusão) de coelhinhas da playboy para os soldados de um posto militar de abastecimento, a trivial revista de um barco que termina com o massacre de uma inteira família de inocentes e a última parada na ponte de Do-Lung (que é destruída e reconstruída todos os dias, com soldados que lutam completamente no piloto automático sem saberem ao menos quem é responsável pelo lugar - muitos pedem uma desesperada carona ao barco). Aqui Johnson se droga e fica doidão até o final. A partir deste ponto do rio, só restava mesmo Kurtz.

Ataques iniciais com armas de fogo e flechas (e lanças) vitimam Miller (ao som de uma fita gravada por sua mãe) e Phillips (que ainda tenta levar Willard junto com ele) respectivamente. Finalmente os restantes chegam ao seu destino. Um estranho templo povoado por uma multidão de nativos, alguns militares Americanos (até mesmo o soldado que foi enviado anteriormente para tentar fazer o serviço agora aos cuidados de Willard, um certo capitão Colby vivido por Scott Glenn) e um fotojornalista (Dennis Hopper) (que acaba servindo como um enlouquecido "bobo da corte" para Kurtz). O tal "santuário" é decorado por corpos, corpos decapitados e cabeças.

Finalmente (com quase duas horas de filme) Willard encontra Kurtz, após uma breve conversa Willard fica preso por um bom tempo. Kurtz continua estudando o capitão e em certo momento deixa a cabeça de Hicks de presente no colo de Willard. Durante este tempo, Kurtz conta sobre o evento que o colocou pela primeira vez em contato com "O horror...".

Ele (com sua equipe das forças especiais) havia inoculado um vilarejo contra a poliomielite. Para pouco tempo depois ouvir os gritos desesperados de um velho e ver a pilha de pequenos braços arrancados pelo inimigo. Foi neste momento, em que Kurtz percebeu até que ponto os "Viet Congs" estavam dispostos a chegar para vencer o conflito, que ele entendeu pela primeira vez o citado "Horror...".

Eventualmente Willard se torna "de casa". Ele pode ficar ou partir. Fica claro que Kurtz não consegue mais viver e que ele viu algo em Willard que o qualifica para o "trabalho". O capitão volta ao barco pega um facão e se esgueira até o interior do templo onde massacra Kurtz ao mesmo tempo em que os nativos também massacram uma vaca em um ritual. Quando deixa o templo, Willard é saudado como seu novo Messias, pelos montanheses, mas não se interessa pelo cargo e toma Johnson pelo braço e segue rio abaixo, com a lembrança. "O horror... O horror... O horror...".

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Curiosamente o mais popular filme sobre a Guerra do Vietnam (e o melhor se quisermos realmente inclui-lo neste "nicho"), utiliza tal conflito primariamente como um meio para explorar os mais sombrios aspectos da alma humana (que chega a dialogar com o Terror Cósmico por exemplo). Ele parece dizer que somos afortunados o bastante se nunca experimentarmos o tal "horror" em nossas vidas. Desta forma nunca nos damos conta do quanto estamos sempre próximos a um abismo sem fundo. Como andamos sempre sobre uma fina linha de paralelepípedos ladeada pela escuridão sem fim. Kurtz conseguiu tal "iluminação" e ainda foi mais além tentando usar tal "conhecimento" para "cumprir melhor a sua missão". Mas as coisas não funcionaram e em um certo ponto tudo que restou foi mesmo o "Horror", com lampejos da mais pura e brutal lógica (o que torna tudo ainda mais assustador). Ao final, Willard se transforma em um instrumento da própria natureza, que expurga tal "deformidade". Ao final, com o que sobrou de sua humanidade, ele abre mão de tal poder, deixando para trás um lugar que nenhum homem deveria jamais visitar.

Ao contrário do que disse várias vezes o seu idealizador (Francis Ford Coppola), "Apocalypse Now" não parece de forma alguma um compromisso entre visão artística e arrecadação nas bilheterias. Pelo contrário. O filme é um épico de tal magnitude e escopo que encontra par apenas entre as melhores obras de um seleto e pequeno grupo de outros ilustres idealizadores (entre eles Eisenstein, Tarkovsky, Lean e Kurosawa).

O que mais impressiona na direção de Coppola é a sua paciência em criar imagens absolutamente marcantes e belíssimas à medida que a simples história toma o seu curso, sem se apressar, fazendo de CADA cena um grande momento por si só. Detalhando a viagem e continuamente surpreendendo a audiência com um aparentemente interminável arsenal de tomadas criativas e uma sensibilidade a toda prova. A atmosfera vai se tornando cada vez mais densa à medida que a história progride até a sua cena final. As composições em múltiplas camadas não se perdem em um virtuosismo estéril. Elas são uma das marcas registradas do diretor. Da mitológica cena de abertura até a emblemática visão de Willard aparecendo de dentro do pântano para matar Kurtz no final, o filme parece uma colagem de grandes momentos do Cinema. BRAVO!

A fotografia (Oscarizada) do mestre Vittorio Storaro é um primor, assim como um som excepcional (também Oscarizado). A junção de músicas já existentes (como a canção "The End" do grupo The Doors que abre e fecha o filme) e uma envolvente trilha incidental (de Carmine Coppola & Francis Ford Coppola & Mickey Hart) é genial e perfeita. Os outros valores de produção também funcionam bem, a atmosfera do filme é ABSOLUTAMENTE espetacular. Além disto, nenhuma atuação deixa a desejar. A de Sheen é excelente, mas eclipsada por um trio de peso. O temperamental Brando (com uma voz - recitando poesia - e uma linguagem corporal de dar medo - sempre nas sombras), o frenético Hopper (cujo personagem descreve o de Brando de forma inesquecível como um "legitimo guerreiro poeta") e Duvall, o melhor de todos aqui, projetando uma aura de invulnerabilidade que se presta perfeitamente ao seu personagem (aquele mesmo que adora o cheiro de Napalm pela manhã).

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