sexta-feira, 24 de julho de 2026

THE ODYSSEY (2026)

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THE ODYSSEY (2026) [172'] [1.43:1] [★★★]

A chegada de The Odyssey às telas, em julho de 2026, representa o mais ambicioso empreendimento de Christopher Nolan mesmo comparado a Oppenheimer que lhe conferiu o Oscar de melhor direção e consagrou sua abordagem do cinema como experiência total. Se naquela ocasião o cineasta britânico mergulhou na consciência torturada do físico que desvendou o átomo, aqui ele transpõe para a Antiguidade grega uma indagação similar: o que faz um homem que concebeu uma arma de destruição em massa – no caso, o Cavalo de Troia – quando percebe que sua engenhosidade condenou inocentes e redefiniu os parâmetros da guerra para sempre? O filme, portanto, não é uma adaptação convencional do poema de Homero, mas antes um diálogo tenso e por vezes contraditório entre a épica milenar e as obsessões que atravessam a filmografia de Nolan desde Memento: a fragmentação do tempo, a memória como prisão, a culpa como motor da ação e a impossibilidade de retornar ao estado anterior de inocência. The Odyssey se distingue de Interstellar, A Origem e Dunkirk porque sua estrutura não-linear não serve a um enigma científico ou a uma estratégia de suspense, mas à erosão gradual da identidade de seu protagonista. Ao mesmo tempo, o filme reforça os vieses autorais do diretor ao transformar a jornada de Odisseu em uma espiral de flashbacks e relatos contraditórios, nos quais o herói se revela um narrador de confiança duvidosa, intoxicado por narcóticos do esquecimento e assombrado pela certeza de que suas escolhas aniquilaram não apenas seus companheiros, mas também a própria ordem civilizatória que julgava defender... Nesse sentido, a obra se insere no mundo de 2026 como uma reflexão sobre o fim das certezas – o ocaso de uma era que se autodenominava civilizada e que, como a Grécia micênica retratada na tela, assiste à ruína de suas leis fundamentais. Nolan, ao escolher como tema central a chamada “Lei de Zeus”, o princípio sagrado da hospitalidade (xenia) que Odisseu viola ao introduzir o Cavalo de Troia, estabelece um paralelo inquietante com o momento contemporâneo: o ardil que venceu uma guerra também corrompeu o código ético que sustentava a comunidade humana, e o filme se pergunta se é possível reconstruir qualquer coisa sobre os escombros de uma trapaça que manchou para sempre o conceito de honra. Essa interrogação, porém, ganha contornos menos filosóficos do que poderiam sugerir as pretensões do diretor, pois o tratamento dado aos deuses – reduzidos a aparições esparsas de Atena (Zendaya) e a menções vagas a Zeus e Poseidon – esvazia o poema de sua dimensão sobrenatural e transfere todo o peso dramático para a psique atormentada de um único homem, tornando a épica mais modesta e, paradoxalmente, mais dependente do carisma de seu intérprete principal do que da grandeza cósmica que o texto original inspira.

A trama, tal como Nolan a concebe, inicia-se não no fim da guerra de Troia, mas em Ítaca, vinte anos após a partida do rei Odisseu (Matt Damon), com a mansão real invadida por pretendentes que "devoram os bens" do monarca ausente enquanto a rainha Penélope (Anne Hathaway) tece e destece um sudário para ganhar tempo, e o filho Telêmaco (Tom Holland), agora um jovem adulto, tenta, com a impetuosidade própria da idade, expulsar em vão os usurpadores. É a partir desse presente estagnado que o filme desdobra, em sucessivos analepses, a odisseia propriamente dita – uma sucessão de episódios que o roteiro encadeia com a urgência de quem teme não dar conta do relato: o encontro com o Ciclope Polifemo, cuja cegueira provocada por Odisseu enfurece o seu pai Poseidon; o confronto com os Laestrigônios, gigantes antropófagos que destroem a frota; a passagem pela ilha de Circe (Samantha Morton), feiticeira que transforma os homens em porcos e que, depois de subjugada, orienta Odisseu ao Hades; a descida ao mundo subterrâneo dos mortos, onde o herói encontra o profeta Tirésias e os fantasmas dos camaradas caídos, incluindo Sinon (Elliot Page), o soldado cujo sacrifício montando guarda no cavalo de madeira ainda o atormenta; o canto das Sereias, que o herói enfrenta tapando os ouvidos de sua tripulação com cera (e se amarrando ao mastro); a passagem entre Cila e Caríbdis, na qual seis homens são devorados; o extermínio do gado sagrado de Apolo por seus comandados famintos, que provoca a ira divina e a destruição final da última nau restante; e, por fim, o longo cativeiro na ilha de Calipso (Charlize Theron), onde flores de lótus apagam suas memórias até que a ninfa, por razões que o filme nunca esclarece completamente, o ajuda a recordar e a retomar a viagem. Em Ítaca, já disfarçado de mendigo, Odisseu reencontra Telêmaco, tramam juntos o massacre dos pretendentes e, no clímax, o rei verga o arco que nenhum outro consegue entesar e desfere a flecha que atravessa doze machados, sinal para o banho de sangue que se segue. O filme, contudo, não termina na reconquista do trono: após matar os usurpadores (usurpadores que não se ajoelham bem entendido!), Odisseu conclui que violou novamente a lei de Zeus ao derramar sangue de hóspedes em seu próprio lar, e, em um gesto que Nolan apresenta como expiação voluntária, entrega o cetro a Telêmaco e parte para o Ocidente com Penélope, navegando em direção ao pôr do sol para honrar os companheiros que pereceram e cumprir uma tradição ancestral da jornada heroica – o exílio auto imposto como preço pela consciência culpada... Os temas principais do longa são, portanto, a culpa do sobrevivente, a fragilidade da memória como testemunha fiel e o colapso dos códigos morais que sustentam a civilização; Odisseu, longe do astuto e eloquente rei homérico, é aqui um homem taciturno e vacilante, cujos conflitos interiores – entre o dever de voltar para casa e o horror de encarar sua própria imagem – o paralisam repetidamente, enquanto Penélope, confinada ao papel de espera e resistência passiva, e as demais figuras femininas (Circe, Calipso, Atena, Helena) funcionam menos como personagens plenas do que como espelhos ou obstáculos para a angústia masculina, com a notável exceção de Circe, cujo segmento de terror corporal oferece a única inflexão verdadeiramente original da narrativa.

É precisamente nesse segmento, que ocupa cerca de vinte minutos da metade final do filme, que a linguagem audiovisual de Nolan atinge seu ponto mais alto e mais perturbador. A sequência em que Circe, interpretada por Samantha Morton com uma intensidade que destoa do registro contido do restante do elenco, estende a mão sobre os homens de Odisseu e os transforma em suínos não se vale de efeitos digitais ostensivos, mas de uma coreografia de metamorfose tátil, na qual a pele dos atores parece derreter e remodelar-se sob a pressão invisível da magia, enquanto a câmera de Hoyte van Hoytema, operando com as novas câmeras IMAX 70mm de peso reduzido, enquadra o processo em primeiríssimos planos que amplificam o horror e a estranheza do instante. Morton, cuja performance foi descrita pelo próprio Nolan como o fulcro sobre o qual o filme viveria ou morreria, imprime a Circe uma ambiguidade fascinante – uma feiticeira que não é nem vilã nem salvadora, mas uma figura de sabedoria antiga e amargurada que enxerga, antes do próprio Odisseu, a podridão moral que ele carrega, e que o submete a uma provação de humilhação e reconhecimento que nenhum outro episódio da jornada oferece. Esse trecho, no entanto, expõe também as limitações impostas pela escolha técnica do diretor: as câmeras IMAX, embora proporcionem uma nitidez e uma profundidade de campo impressionantes nas paisagens escocesas, islandesas e marroquinas, revelam-se desajeitadas nas sequências de ação mais dinâmicas, como o ataque dos Laestrigônios ou a batalha final no salão de Ítaca, onde os movimentos de câmera parecem constrangidos pelo tamanho e pelo ruído dos equipamentos, e a montagem de Jennifer Lame, forçada a recorrer a cortes mais rápidos e fragmentados para disfarçar as limitações de tomada, compromete a fluidez coreográfica que se esperaria de um épico de espada e sandália... A fotografia de van Hoytema, todavia, compensa em parte esses tropeços com seu tratamento da luz natural – o crepúsculo dourado sobre o mar Egeu, a penumbra opressiva da caverna do Ciclope, o negrume vulcânico das praias de Hades – e a trilha sonora de Ludwig Göransson, composta sem orquestra tradicional e baseada em instrumentos da Idade do Bronze, como aulos e gongos de metal, cria uma textura sonora arcaica e áspera que raramente se impõe sobre a imagem, mas que nos melhores momentos (a chegada a Circe, a travessia do Estige) evoca um mundo de rituais e presságios que o roteiro, infelizmente, não sustenta com a mesma convicção... As atuações, de modo geral, refletem o que se poderia chamar de “síndrome do elenco de figurinhas carimbadas”: Matt Damon, robusto e grave, transita com competência entre a vulnerabilidade e a ferocidade, mas seu Odisseu parece mais um veterano do Afeganistão perdido em uma fantasia grega do que um rei micênico; Tom Holland, como Telêmaco e certamente um elo mais fraco aqui, esforça-se para abandonar a sombra do Homem-Aranha, mas sua adolescência tardia soa mais contemporânea do que heroica; Robert Pattinson, no papel do pretendente Antínoo, entrega uma maldade de manual, com sorrisos sarcásticos e olhares de desdém que funcionam melhor no cartaz do que na tela; Anne Hathaway, contida e digna, tem pouco a fazer além de reprimir lágrimas e tecer olhares significativos; e Charlize Theron, como Calipso, parece ter saído diretamente de um anúncio de perfume de luxo, pairando sobre a praia com uma indiferença que beira a autoparódia. Apenas Morton, com sua Circe de movimentos felinos e voz de cetro, escapa ao aplainamento generalizado e confere ao filme a centelha de imprevisibilidade que o restante da produção, por mais suntuosa que seja, raramente alcança.

Ao final de suas quase três horas de duração, The Odyssey de Christopher Nolan deixa no espectador a sensação ambígua de ter testemunhado um espetáculo grandioso e, ao mesmo tempo, insuficientemente habitado – uma catedral de imagens cujos vitrais contam uma história que o diretor parece não querer ou não conseguir abraçar por completo. O veredicto do filme sobre seus temas principais é melancólico e resignado: a culpa não se redime, a memória é um fardo que se carrega para o exílio e a civilização, uma vez corrompida por seu próprio ardil, não pode ser restaurada, apenas transmitida a uma nova geração (Telêmaco) que talvez cometa os mesmos erros. Odisseu, ao partir para o Ocidente, não encontra a paz, mas uma trégua negociada com seu passado, e Penélope, ao segui-lo, abdica do trono que preservou por duas décadas para compartilhar uma penitência que não lhe pertence – um desfecho que, se por um lado honra a tradição das jornadas heroicas que terminam em despedida, por outro frustra a expectativa de recompensa emocional que o arco do personagem parecia prometer. O longa, portanto, impacta a obra de Nolan menos como um coroamento do que como uma encruzilhada: é seu filme mais pessoal e também seu mais desigual, aquele em que a ambição temática e a experimentação técnica colidem com as limitações de um material que resiste à psicologização moderna e com as escolhas de um elenco que, por mais talentoso que seja, nunca se despe de suas identidades contemporâneas para vestir a pele de deuses e heróis... O legado de The Odyssey provavelmente será duplo: para o grande público, permanecerá como a adaptação definitiva do poema homérico para as telas IMAX, um marco visual que redefine o que se pode fazer com a película 70mm; para os cinéfilos mais exigentes, ficará como um testemunho das fronteiras do cinema de Nolan, um diretor cuja obsessão pelo controle narrativo e pela integridade física da imagem encontra, justamente na matéria-prima mais arcaica da literatura ocidental, o seu limite mais revelador – porque, no fim, nem a mais poderosa das câmeras nem a mais intrincada das montagens podem substituir a simplicidade de um herói que, ao chegar em casa, descobre que o verdadeiro monstro sempre foi ele mesmo. É essa descoberta, contudo, que Nolan filma com uma honestidade sombria, e é por ela – e pela feitiçaria inesquecível de Samantha Morton – que o filme merece suas três estrelas, ainda que o caminho até elas seja tão tortuoso e acidentado quanto a viagem de seu protagonista.

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THE GHOST IN THE SHELL S1 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Prologue + Super Spartan i [***]
02 Super Spartan ii + Junk Jungle i [***]
03 Junk Jungle ii + Megatech Machine i + ii [***]
04 Robot Rondo [***]
05 Phantom Fund [***]
06 Dumb Barter [***]

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STRANGE NEW WORLDS S4 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Valles Marineris [**]
02 The Griffin Incident [**1/2]
03 Human Best Friend [ZERO ESTRELA]
04 A Case of Chiaroscuro [ZERO ESTRELA]
05 Level-Five Transporter Accident []
06 Off-Hour []
07 Like Chronitons Through the Hourglass []
08 Orders of Magnitude []
09 Once La'An a Time []
10 Tomorrow's Enterprise []

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CASTANHADAS

--- 04X01 ---

Vários meses atrás, com a divulgação do teaser do presente episódio, já nos era óbvio o loop temporal. Alguém da produção pensou o mesmo e inseriu um recheio pelo menos dez vezes mais insano nessa facilmente antecipável superestrutura. Tudo isso para funcionar nos seus termos precisa de muita ciência ruim ("Dentro e fora do universo Trek") e de uma importância auto imposta que borbulha antipatia (Isso é um ponto importante: "Síndrome de universo pequeno" nem começa a explicar o besteirol que acontece aqui.).

Outras coisas: Saffron Burrows é a melhor coisa do episódio (apesar do seu modelito no melhor estilo de SPACE:1999 e da ciência desta semana idem) ; Promoção esperada de UNA ; Spock & Laan ainda juntos (!?) ; Pelia insuportável como sempre (e com ainda mais uma referência  sem sentido a Doctor Who) ; A introdução da insuportável estagiária clichê de Uhura ; Scotty e Ortegas postos a faiscar (esperamos que não seja sinal de ainda mais um relacionamento) e O começo do arco obrigatório sobre o real motivo de se colocar sobrenome tão ilustre em Jornada em Laan.

Em tempo #01: Será que esse "DNA Marciano" (ou mesmo o dos insetóides) vai dar as caras por aí em alguma história?

Em tempo #02: Existe ainda algo que nos escapou em um primeiro momento sobre a história do longa-baseado-em-serial Quatermass and The Pit (1967): "A origem da humanidade: A grande revelação da história é que, há 5 milhões de anos, insetos marcianos altamente evoluídos vieram à Terra e alteraram geneticamente os macacos primitivos. Eles fizeram isso para dar um "salto" na evolução humana, inserindo inteligência e habilidades psíquicas nos terráqueos para que o legado de Marte continuasse vivo após a extinção de seu próprio planeta."

--- 04X02 ---

Como na temporada passada (com os Vezdas e cia.), vemos aqui mais uma vez Star Trek tendo um flerte com o Terror Cósmico (flertes esses que ocorrem desde 1966 com o segundo piloto de TOS: Where no Man Has Gone Before). O episódio tenta equilibrar o registro típico do Terror (Cósmico), que normalmente repele exposições e explicações em geral, com o de Star Trek, que parece necessitar desesperadamente delas (*). Eventualmente o primeiro registro se faz dominante, estabelecendo economicamente os conflitos culposos dos três: Kirk se vendo incapaz de participar da vida de David , Spock percebendo-se cada vez mais distante da sua herança lógica Vulcana e Laan sendo confrontada com o medo de falhar na proteção de sua família adotiva ou, pior ainda, ser o próprio agente causador dessa destruição. Valendo comentar ainda que o ponto focal da coisa toda parece mesmo ter sido a paranoia latente de Harper [Ainda que o episódio não explicite claramente nenhuma travessia para além do limiar como foi feito em Where no Man Has Gone Before.]. Enfim, como estamos falando de um episódio de Star Trek apesar de tudo, temos enormes coletas de lixo com cada um dos três ao apagar das luzes, diluindo a experiência. ... O episódio perde pontos também por ser muito derivativo afinal, estabelecer uma (mal refletida) divisão da Frota Estelar especializada no paranormal (!?) e mais uma vez se alongar demais em geral.

(Finalmente vimos os episódios lançados da nova série de Ghost In The Shell nesta semana, franquia essa famosa por não fazer exposições/explicações e tomar/retomar a ação in media res... Posto isso, ficamos chocados com a exposição que puseram na boca de Laan sobre a Divisão 12.)

Em tempo #01: Obviamente a presença de Kirk é novamente absurda mas inevitável dentro do atuais objetivos dos showrunners, como já discutimos anteriormente.

Em tempo #02: O registro base geral de Doctor Who é SIM o de uma série de ficção científica espaço-temporal de aventura/exploração PORÉM motorizada dramaticamente como uma série de Terror (como bem disse certa vez o showrunner Steven Moffat sobre a série: (idealmente) "... a mais assustadora possível história para crianças ..."). Em particular a sua típica atitude de sempre trazer o paranormal/sobrenatural do alienígena vem de Quatermass (que aliás mencionamos no episódio anterior de SNW) [Em Doctor Who são comuns: um certo Gótico (Tecnológico) Explicado e um certo Terror Corporal Explicado.] ... Posto isso, é fácil (e até natural) entender a utilização de Buffy como referência base para modernizar Doctor Who em 2005 (Meio que Terror pedindo conselho para Terror, ainda que a típica atitude quanto a origem do paranormal de Quatermass/DoctorWho não se aplique necessariamente a Buffy.).

--- 04X03 ---

Strange New Worlds apresentou o seu pior episódio de todos os tempos nesta semana... O problema central aqui é o impossível RESORT em que todo mundo fica chapado 24/7 sem suporte médico e sem segurança. Esse lugar impossível é que permite que o episódio se desenrole nos seus termos, mas, sem a mínima consistência de representação dramática, nada aqui pode ser levado a sério, especialmente o humor... Contribuem ainda para a negatividade de verossimilhança: as atitudes incompreensíveis de PIKE (de levar todo o seu Turno Alfa para ficar LITERALMENTE doidão no planeta impossível às vésperas de uma missão diplomática), a absoluta falta de comunicação com a nave durante tal "folga", e depois de volta a Enterprise: a falta de um mero pedido de adiamento da cerimônia inaugural , a incapacidade da (usualmente) mágica enfermaria "restaurar" um bando de amaconhados E a inutilidade de Ortegas, incapaz de apertar um botão na parede, invocar alerta vermelho e o esquadrão antibombas... O episódio assim se torna tedioso, interminável e sem propósito e apesar dos irrepreensíveis créditos técnicos da diretora Yana Gorskaya (em montagem e em direção), o andamento do segmento é horroroso, se movendo aos solavancos, cheio de falsas paradas e dependendo muito da colagem de esquetes.

Adendo #01: A historinha de Scotty & Ortegas, baseada em uma certa EMPATIA PARA INICIANTES, é infantil e sobrecozida. Ela apresenta ainda a Enterprise como uma dama frágil, mas 60 anos de franquia contam outra história. Esta caracterização juvenil de Scotty apresentada como fazendo parte da continuidade de TOS é absolutamente lamentável.

(Pelo menos a Pélia sumiu!)

Adendo #02: Impossível não notar uma proximidade com o registro de Star Trek: Lower Decks no presente segmento... Os detalhes não serão dados aqui, apenas diremos que: Chapel foi usada para canalizar a doutora T'Ana de LD (reparem na postura de quatro apoios de vários personagens na sequência do bingo, por exemplo), Spock foi de certa forma T'Lyn e Pike meio que fez um Ransom. Boimler e Mariner foram projetados em Scotty e Ortegas obviamente. E Laan foi algo como o Bajoriano Shaxs, chefe de segurança da Cerritos. Entre outros paralelos possíveis. 

Adendo #03: E parece (e isso é apenas um palpite) que Kathryn Lyn escreveu em formato sitcom como um episódio duplo (como se fosse mesmo para Lower Decks)... O ponto de quebra parece ser lá pelos 23' que fica justamente no instante: da ida de Ortegas-Scotty para irem se encontrar com Laan e do retorno do KIRK real, cujo diálogo com Spock inclusive alude ao título do episódio de SNW.

(E tivemos ainda mais uma participação absurda de KIRK, algo que já parece fazer parte da intenção cômica do staff de roteiristas, pelo menos aqui. Depois do artificial elo mental entre os dois para pilotar a nave no episódio 3X10, chegamos as confidências de Spock fora de câmera. Drama Orientado aos Personagens, a gente NÃO VÊ por aqui!)

--- 04X04 ---

Com a aproximação do já tão temido "episódio dos marionetes", a série corre o risco de cravar uma "Trilogia sem Estrelas" na sua penúltima temporada... Esta Castanha dormiu em sua primeira tentativa de assistir ao segmento desta semana e confessamos que completar tal ato foi uma tarefa árdua...

Para uma velha Castanha, fanática pelo recorte NOIR clássico, encarar esse preto e branco sem vergonha, aparentemente sem preparação alguma em pré produção e com um irritante "difuso vapor de luz" em cena (algo bastante irônico se levarmos em conta o título do episódio), foi deveras difícil (daí explicando o sono imediato)...  A recente série Spider Noir teve SIM preparação em pré produção (e mesmo na produção) para conversar melhor com o período clássico mas, apesar de resultados MUITO superiores comparativamente, ainda percebemos nela um certo ar de "Noir de Shopping", muito limpo e artificial... Por isso dizemos que o preto e branco atrapalha o episódio de SNW desta semana, sendo no mínimo uma distração e no máximo uma versão tosca e descuidada da estética alvo... O PB atrapalha e/ou limita inclusive a própria estética retro futurista quarentista (desavergonhadamente humana) apresentada no episódio (um certo Diesel Punk marcado pelo desvio histórico da sobrevida dos dirigíveis). Mas, infelizmente para o episódio, existem CENTENAS de experimentos estéticos análogos feitos (via IA) por fãs no YouTube (alguns até bem interessantes).

Para a trama funcionar nos seus termos: UNA tem que ser idêntica (idêntica capaz  de enganar biometria SCIFI) a colaborada chefe da ocupação de KOR que é ao mesmo tempo a chefe da resistência local (contra essa mesma ocupação) E ser capaz de enganar "partindo a frio e sem preparação de nenhuma espécie" ambos os lados (além da original ter coincidentemente acabado de morrer e o seu cadáver estar dentro de uma bio câmara no seu escritório). O que parece uma MUITO CÍNICA INVOCAÇÃO  do conceito de Dopellganger do NOIR (do Gótico, do Terror, do Expressionismo)... Além disso a outra parte mais trabalhosa da trama é resolvida com um falso ato falho de KOR na frente da Uhura... Então o que deveria ser um roteiro complexo e de pesada construção de mundo precisou de uma trama B a bordo da Enterprise, TAMBÉM RETRATADA EM PRETO E BRANCO, para compor uma hora televisiva.

(O assim chamado arco de Laan foi destruído pela amalucada reordenação dos episódios, a correta é 1-3-4-2, assim fica até difícil de comentar... Terminamos com pelo menos: uma estagiária vulcana quebrando a cadeia de comando , um (a) capitão estelar e Chapel cometendo fraude , Laan prevaricando , Pike fazendo a egípcia para tudo isso I e MBenga casualmente confessando ainda mais um massacre. Além de Una ("UNA LATERALMENTE") provocando uma revolução num planeta sob domínio Klingon e Pike fazendo a egípcia para tudo isso II ... Grande dia para a Frota Estelar... Grande dia para a produção de SNW.)

( Confiram a nossa pré-lista de filmes NOIR aqui . )

( Para o melhor exemplo NOIR em Star Trek confiram o podcast de Necessary Evil aqui .)

( Para a cena do Clássico Casablanca que foi assassinada no episódio confiram aqui . )

( Para a cena da obra prima La Grande Illusion que inspirou a de Casablanca: aqui . )

( Para uma melhor versão do episódio do planeta em preto e branco e feita por fãs: aqui . )

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sábado, 11 de julho de 2026

O QUE RUSH , DS9 , B5 & THE EXPANSE TEM EM COMUM?

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O QUE RUSH , DS9 , B5 & THE EXPANSE TEM EM COMUM?

O presente texto responde (em seu todo) a essa inusitada questão, o que objetiva disparar uma singela homenagem SCIFI ao (falecido) baterista/letrista da banda de rock progressivo canadense RUSH: o genial Neil Peart!

As referências são principalmente da obra-prima Hemispheres de 1978:


Todo o lado A do álbum é composto pela faixa título Hemispheres, cujo análise domina a maior parte desse tributo... O lado B é composto: pela canção Circunstances (que trata das dificuldades de Peart em construir na cara e na coragem uma carreira musical na Londres do início dos anos de 1970 e é referenciada na nossa Parte I e além logo abaixo) , pela canção The Trees (que fala de uma aparentemente tola e inocente noção de um conflito entre duas variedades de árvores: os Carvalhos e os Bordos) e pela colossal instrumental La Villa Stangiato (que procura traduzir musicalmente e livremente os pesadelos recorrentes que o guitarrista Alex Lifeson tinha durante as turnês da banda na época)... As quatro faixas são individualmente icônicas obras-primas, testemunhas de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos em estado de absoluta iluminação.

(Note que o RUSH é um trio formado por Peart , Lifeson e o vocalista/baixista/tecladista: Geddy Lee.)

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O restante desse artigo se organiza assim:

O item (I) conta como encontramos uma muito familiar citação Rushiana como fala final da série Star Trek: Deep Space Nine (DS9) [1993-1999].

O item (II) contrasta criticamente a história contada pela faixa Hemispheres e o conflito milenar dos Vorlons X Shadows retratado na série Babylon 5 (B5) [1993-1998], coincidentemente uma espécie de "rival" de DS9 nos anos de 1990... Esse item cresceu tanto de tamanho durante a sua escrita que teve que ser exportado para um artigo próprio.

O item (III) conta dos surpreendentes paralelos entre a nave de Hemispheres e a nave titular da série The Expanse [2015-2022]. Ambas chamadas:  Rocinante.

O item (IV) retoma frontalmente a citação do item (I) e falamos então sobre o assombroso monólogo que encerra a série The Expanse (pelo menos até onde os livros já foram adaptados).

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(I) O refrão da canção Circunstances e a última fala de DS9...

Lembramos de 1982, ano do renascimento da Niteroiense Rádio Fluminense FM (94.9 MHz) como A Maldita, o principal canal de divulgação da música rock no Brasil por mais de uma década. Rádio infinitamente revolucionária, com locução 100% feminina e programação 110% Rock and Roll até 1994.

Nesse ano também tivemos o primeiro contato com a banda Rush, isso se deu com a canção Red Barchetta (na sua versão ao vivo do álbum Exit Stage Left de 1981) justamente na Maldita. Canção que ficou "eternamente" gravada (ao lado de inúmeras e diversas outras) numa fita cassete scotch transparente na época... Ainda em 1982, compramos o álbum Hemispheres (que não foi o nosso primeiro de direito mas definitivamente o nosso primeiro de fato). A edição nacional do álbum era muito boa, com uma capa em duas folhas incluindo: fotos dos integrantes , créditos detalhados e todas as letras. A lembrança do disco tocando, a capa de um lado e um dicionário do outro é muitíssimo querida... 

O marcante refrão da canção Circunstances é o seguinte:

All the same, we take our chances
Laughed at by time
Tricked by circumstances
Plus ca change
Plus c'est la meme chose
The more that things change
The more they stay the same

A citação em francês nas linhas 4 e 5 (do escritor, crítico e jornalista: Jean-Baptiste Alphonse Karr em 1849) e repetida em inglês nas linhas 6 e 7 é que nos interessa aqui (um trecho que nos fascina tremendamente faz mais de 44+ anos). Em português: "...quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas...". Peart dialoga com essa citação tanto (na primeira estrofe) se referindo à época da sua frustrante/frustrada tentativa de carreira em Londres (cerca de 18 meses em 1970-1972) quanto (na segunda estrofe) se referindo ao presente de 1978 e o seu sucesso já atingido então com o Rush... 

A frase de Karr tornou-se um clichê cultural justamente porque ressoa com uma verdade universal e atemporal sobre a condição humana.

Ela captura a sensação de "frustração cíclica" que muitos experimentam: a ideia de que a história se repete, que os problemas sociais persistem apesar das revoluções, e que as pessoas, individualmente, muitas vezes lutam para mudar seus próprios padrões de comportamento.

Por essa razão, a citação é frequentemente usada em contextos políticos e sociais para comentar sobre como, apesar de novas tecnologias, leis ou líderes, os mesmos problemas fundamentais parecem perdurar.

No entretenimento, ela aparece recorrentemente... Para além do Rush, ela continua a ser usada em títulos de músicas, álbuns, letras e como um bordão em séries, filmes e na literatura em geral, sempre que um autor ou personagem deseja expressar essa sensação de déjà-vu histórico e/ou pessoal. Sua popularidade vem da sua capacidade de, em poucas palavras, descrever uma das mais persistentes e desconcertantes observações sobre a vida.

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Anos mais tarde, em 1999, acompanhávamos com atenção os episódios finais da série DS9. Especulávamos sobre o seu episódio final em particular, especialmente sobre qual seria a sua última fala. Eis que coube ao personagem Quark citar a famosa frase de Karr (falando com  o personagem Morn). Uma linda surpresa pessoal na época e uma resolução lindíssima desde então...

Pelo valor de sua face no contexto, a citação parece falar da imutabilidade do personagem Quark (algo sublinhado nos últimos episódios da série) mesmo com tudo se modificando drasticamente ao seu redor [e também da cena logo antes com a personagem Kira que ecoa uma cena análoga dos dois no piloto da série]... Por outro lado, como a série de fato entregou tantas reais mudanças micro e macro, a citação pode também ser lida simbolicamente como negação, a primeira fase do luto [de vários personagens que permaneceram na estação e da própria audiência]. E de fato, vemos na sequencia dessa última fala: Kira e Jake lidando com as perdas de Odo (o amor de Kira) e Sisko (o pai de Jake) (*). E finalmente, num zoom exterior reverso e infinito, vemos a estação DS9 se transformar em um ponto menor do que qualquer astro no firmamento... FIM.

(*) [Jake e Kira observam, por uma janela da estação, uma inesperada/inexplicável abertura do buraco de verme estável/local ... Tal buraco de verme é uma estrutura/morada construída por seres não lineares que os nativos daquele sistema estelar, Bajorianos como Kira, tratam como Deuses e os chamam de "Profetas" (chamando ainda o buraco de verme em si de "Templo Celestial"). Sisko se descobriu parte Profeta ao longo da série, se juntando a eles ao fim da sua missão corpórea ali. ... Por outro lado, a mesma passagem leva a um distante quadrante da galáxia, morada dos principais antagonistas da série: Os "Fundadores" (que são o povo de Odo). O fim da guerra com eles (das últimas temporadas) foi em grande medida condicionado ao retorno de Odo ao "Grande Elo" (Que é um verdadeiro oceano vivo formado por todos os Fundadores em seu estado gelatinoso natural) (Os Fundadores são metamorfos do mais alto grau e tratados como divindades rotineiramente.) ... De um certo modo: Sisko e Odo "voltaram para casa" para "contar sobre nós".]

( Observação: Ron Moore foi um roteirista em DS9 e que alguns anos depois produziu uma série SCIFI espacial que parecia ter a citação de Karr no seu DNA: BatleStar Galactica (2003-2009) )

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(II) E se Apolo, Dionísio, um Vorlon e um Shadow entrassem num bar...

Esta curiosa secção ganhou vida própria e um artigo próprio que você pode conferir: aqui .

Podem conferir agora mesmo que a gente espera o seu retorno (E não deixem de conferir atentamente a letra completa da épica Hemispheres do Rush quando estiverem por lá!).

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(III) De Cervantes até The Expanse e passando por um buraco negro Rushiano no meio do caminho...

Para contextualizar esse último absurdo título (III), devemos falar da saga de "Cygnus X-1" como um todo. O seu primeiro TOMO (ou LIVRO) fala da constelação e do buraco negro titulares, especialmente da viagem do seu anônimo protagonista até o seu inevitável fim ao tentar atravessar tal singularidade gravitacional.

A nave do explorador é chamada de Rocinante. A letra de "Cygnus X-1 Book I: The Voyage" [do clássico álbum anterior do Rush: A Farewell to Kings de 1977] confirma isso...

O nome Rocinante é uma referência direta ao fiel e magro cavalo de Dom Quixote, no romance clássico de Miguel de Cervantes. Isso estabelece o explorador como uma figura quixotesca, embarcando em uma jornada impossível e idealista em direção ao desconhecido.

A segunda parte dessa história cobre todo o lado A do álbum seguinte (Hemispheres 1978), o lendário titular épico progressivo em seis partes: "Cygnus X-1 Book II: Hemispheres". A quinta parte é que realmente conta o que aconteceu com o explorador após ele atravessar o buraco negro [ Com direito até a flashbacks sonoros do "livro anterior", da sua jornada através do buraco negro etc. É ouvir para crer! ]... Tendo seu corpo físico destruído, ele reentra na narrativa como uma espécie de "alma errante". Ele emerge no Olimpo e testemunha (agora sob a perspectiva divina) o conflito sem fim entre os deuses Apolo (Razão) e Dionísio (Emoção) e o seu reflexo na humanidade.

Sua intervenção com voz interior, um "grito silencioso" de agonia diante de tamanho desequilíbrio, é tão poderosa que faz os deuses guerreiros repensarem sua luta. Para garantir que uma estabilidade seja possível e o conflito não se repita ciclicamente/indefinidamente, os deuses então reconhecem o explorador (inclusive levando em conta todo o extraordinário que o trouxe até alí) como uma nova divindade e o nomeiam simplesmente: "Cygnus, o Deus do Equilíbrio".

Portanto, a jornada do herói outrora anônimo termina com seu renascimento e apoteose, recebendo o nome da própria constelação e do buraco negro que o engoliu, simbolizando sua nova identidade como a personificação do equilíbrio entre forças opostas.

(OBS: Notem como abundam similaridades com os eventos da vida de John Sheridan em Babylon 5. Especialmente nos episódios de 03X22:"Z'ha'dum" até 04X06:"Into the Fire".)

O segundo TOMO termina com sua sexta parte retornando ao seio da humanidade com uma singela canção folk... As palavras de Peart aqui se mostram excepcionalmente bem escolhidas, terminando com uma nota de esperança de que o que eram dois possam se tornar apenas um.

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E eis que as palavras de Peart encontraram novamente ecos paralelos, agora em mais um série SCIFI espacial: The Expanse (2015-2022)...

O nome Rocinante (a nave líder de tal série) foi escolhido por James Holden, protagonista e o capitão da nave, que é um grande fã do romance clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, desde a infância. No livro, Rocinante é o nome do cavalo do protagonista. Holden rebatiza a nave com esse nome após ele e sua tripulação assumirem o controle dela.

A Rocinante era originalmente uma fragata da Marinha da República Congressional Marciana (MCRN). Sua classe é de uma "Corvette-class light frigate", ou fragata ligeira classe Corveta, um navio de guerra rápido e versátil, capaz de desempenhar múltiplos papéis em combate, como lançador de torpedos e transporte para equipes de abordagem. Antes de se chamar Rocinante, a nave era conhecida como MCRN Tachi (ECF 270).

Ela era uma nave auxiliar, uma escolta de frota, que ficava estacionada a bordo da nave capitânia da Marinha Marciana, a gigantesca couraçada MCRN Donnager. Quando a Donnager foi atacada e afundada, a Tachi foi usada como nave de fuga por Holden e sua então tripulação da nave Knight (nave auxiliar e única sobrevivente da destruição da nave geleira Canterbury), que haviam sido resgatados pela Donnager. Eles conseguiram escapar a bordo da Tachi antes da destruição total da nave-mãe. Holden então reivindicou a nave como "salvamento legítimo" e a rebatizou.

A interpretação, digamos, "original" de James Holden sobre Dom Quixote é deveras particular. Ele cresceu lendo o livro e, quando criança, "se imaginava como um cavaleiro" e "achava que tudo era muito engraçado". Ele via a história como uma espécie de comédia, um idealista atabalhoado em aventuras tolas. No entanto, a mãe de Holden comenta que "nunca teve coragem de dizer a ele que o livro é, na verdade, uma tragédia". Esta visão inocente e idealista reflete-se diretamente na personalidade de Holden. Ele é frequentemente descrito como ingênuo, impulsivo e excessivamente idealista em sua busca por ações justas e cavalheirescas. A palavra "quixotesco" é usada para descrever seu comportamento, e tanto outros personagens quanto os fãs associam Holden à ideia de "tilting at windmills" (lutar contra moinhos de vento, ou seja, embarcar em batalhas impossíveis ou fúteis). Para Holden, sua nave não é apenas uma ferramenta; ela representa a elevação de um veículo humilde (ou, neste caso, uma nave de guerra roubada) a um símbolo de seus ideais, assim como Dom Quixote via seu cavalo magro como um nobre corcel.

Por fim, é interessante notar que, em The Expanse, a nave Rocinante carrega três drones de reconhecimento, que foram nomeados em homenagem aos membros da banda Rush: "Peart", "Lee" e "Lifeson"... 


E sim os autores de The Expanse são fãs de Rush e tinham total ciência dessa "Conexão Rocinante"... E sim as duas Rocinantes são inspiradas independentemente pelo mesmo pangaré de Cervantes e basicamente pelo mesmo motivo.  

(Observação: Holden também encontrou durante a série objetos que de certa forma pareciam buracos negros, ou mais precisamente buracos de minhoca. E ainda teve que lidar com o legado de seres que caminharam/caminham pelo universo como Deuses... Mas isso é uma  outra história!)

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(IV) O quarto ato de uma Trilogia Professoral...

Alguns anos depois... E ainda mais uma vez... Uma série SCIFI espacial do coração estava para terminar... The Expanse (2015-2022)... [A existência talvez devesse pagar royalties ao Monsieur Karr.]

Coube a personagem Naomi Nagata o (de fato) monólogo final da série:

"Você fez (a coisa certa).
Você seguiu sua consciência na esperança de que outros seguissem a deles.
Você não fez isso por uma recompensa ou um tapinha nas costas.
O universo nunca nos diz se fizemos certo ou errado.
É mais importante tentar ajudar as pessoas do que saber que você ajudou.
Mais importante que a vida de outra pessoa melhore do que você se sentir bem consigo mesmo.
Você nunca sabe o efeito que pode ter sobre alguém, não realmente.
Talvez uma coisa essencial que você disse os assombre para sempre.
Talvez um momento de bondade lhes dê conforto ou coragem.
Talvez você tenha dito a única coisa que eles precisavam ouvir.
Não importa se você jamais venha a saber...
Você só precisa tentar."

Esse monólogo é um dos momentos mais filosóficos e comoventes de toda a série The Expanse. Naomi está falando não apenas sobre a última ação de Holden (a quem ela se refere na frase inicial do monólogo) e sua busca incessante por fazer o que é certo, mas também sobre uma filosofia de vida que ela mesma adotou... E nesse ponto devemos também confessar uma proximidade pessoal com Holden e a sua filosofia... 

Conduzidos por uma linda melodia de violoncelo, nos despedimos de Nagata e Holden... Numa vista externa vemos a valente Rocinante uma última vez, se afastando cada vez mais... Até desaparecer no infinito.

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Dedicado ao genial Neil Ellwood Peart (1952-2020)

Dedicated to the brilliant Neil Ellwood Peart (1952-2020)

Dédié au génial Neil Ellwood Peart (1952-2020)

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Confiram nossas 21+12 séries SCIFI de todos os tempos: aqui

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

APOLO & DIONÍSIO VS. VORLONS & SHADOWS

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(Imagem abstrata e meramente ilustrativa.)
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APOLO & DIONÍSIO VS. VORLONS & SHADOWS (*)

A epopeia progressiva de 18+ minutos da banda Canadense Rush, "Cygnus X-1 Book II: Hemispheres" (1978) [ letra completa do baterista Neil Peart aqui ], e o conflito milenar entre Vorlons e Shadows na clássica série televisiva SCIFI Babylon 5 (1993-1998) são capítulos notáveis de uma mesma tradição filosófica na ficção científica. Longe de qualquer relação de influência direta, eles são expressões artísticas paralelas que celebram uma ideia central: a de que o progresso verdadeiro não vem da vitória de uma força sobre a outra, mas da síntese equilibrada entre opostos fundamentais.

Conflito Central: Razão vs. Emoção / Ordem vs. Caos

Ambas as obras constroem seu drama em torno de um conflito entre duas forças primordiais que, sozinhas, são incapazes de guiar a humanidade (ou as "raças jovens") para um futuro melhor.

Em Hemispheres, o palco é um mundo mitológico onde os deuses Apolo (Razão) e Dionísio (Amor/Emoção) travam uma batalha eterna para governar o destino da Humanidade. A letra descreve como a humanidade, sob a influência exclusiva de Apolo, constrói cidades e prospera materialmente, mas acaba perdendo o sentido de propósito. Quando segue apenas Dionísio, vive em harmonia e alegria, mas se torna vulnerável e despreparada para os desafios do mundo, como o inverno que a pega de surpresa.

Em Babylon 5, o conflito é entre duas das mais antigas raças da galáxia, os "Primeiros". Os Vorlons representam a Ordem, acreditando que o caminho para o avanço das raças jovens é através da lei, disciplina e cooperação. Sua pergunta fundamental é "Quem é você?", que incentiva a reflexão sobre o papel de cada um na sociedade. As Sombras são a personificação do Caos, acreditando que a evolução e o progresso vêm do conflito e da luta pela sobrevivência. Sua pergunta é "O que você quer?", que estimula a ambição e o egoísmo.

A Natureza do Conflito: Deuses e seus Peões

Em ambas as narrativas, o conflito cósmico tem um impacto devastador sobre os mortais, que se tornam peões em uma guerra que não compreendem plenamente.

Em Hemispheres, a guerra entre os deuses segrega a humanidade: "As pessoas estavam divididas / Cada alma, um campo de batalha". O mundo é "despedaçado em hemisférios vazios", e as pessoas, perdidas e sem rumo, "apenas seguiam umas às outras".

Em Babylon 5, os Vorlons e as Sombras usam as raças mais jovens como peões em sua guerra filosófica. Tão envolvidos em seu próprio debate, eles "perderam o caminho", falhando em seu papel como mentores e criando um ciclo interminável de conflitos.

A Busca pela Síntese: O Equilíbrio como Resolução

A resolução em ambas as obras é notavelmente semelhante: a resposta para o conflito não é a vitória de um lado, mas a busca por um terceiro caminho, uma síntese equilibrada.

Em Hemispheres, o herói viajante (Cygnus) chega ao Olimpo e, após contar sua história, faz com que os deuses guerreiros parem e reflitam. Ele é então coroado como "Cygnus, o Deus do Equilíbrio". A mensagem final do épico é a união do coração e da mente: "Com o Coração e Mente unidos em uma única esfera perfeita", guiados por uma "sensibilidade, armada com senso e liberdade".

Em Babylon 5, a série argumenta que tanto os Vorlons quanto as Sombras estão "certos e errados". A verdadeira sabedoria está em responder a ambas as perguntas ("Quem é você?" e "O que você quer?"), integrando a responsabilidade social com a ambição pessoal. A conclusão é que uma galáxia verdadeiramente justa deve abraçar tanto a ordem quanto o caos, permitindo que as raças jovens cresçam por si mesmas, livres do dogma extremo de seus antigos mestres.

Ecos de Ideias Anteriores

A beleza dessa convergência é que ambas as obras bebem de fontes filosóficas e literárias muito mais antigas, criando um diálogo intercultural que transcende seus próprios meios.

Mitologia Grega: A base de Hemispheres é a rivalidade entre Apolo e Dionísio, que o filósofo Friedrich Nietzsche, em O Nascimento da Tragédia, descreveu como forças opostas da civilização: a razão apolínea e a paixão dionisíaca. A jornada em busca de equilíbrio ecoa o ideal grego de sophrosyne (moderação).

Filosofia de Nietzsche: A influência de Nietzsche é citada diretamente nas letras do Rush. A ideia de que o conflito e a luta são motores do progresso (defendida pelas Sombras) ressoa com o conceito de "vontade de poder" e a crítica de Nietzsche à moralidade que sufoca a vida.

Ficção Científica Clássica: O conflito Vorlon/Sombra em Babylon 5 foi deliberadamente concebido como uma "refutação" do embate entre os Arisianos (ordem benevolente) e os Eddorianos (caos maligno) da série Lensman de E.E. "Doc" Smith, dos anos 1930 e 1940. O criador de Babylon 5, J. Michael Straczynski, quis ir além do maniqueísmo da ficção científica pulp, mostrando que ambos os lados tinham se tornado dogmáticos e perigosos.

Em suma, Hemispheres e o arco dos Vorlons e Shadows em Babylon 5 são celebrações da mesma verdade filosófica: que o extremismo, seja ele da razão ou da emoção, da ordem ou do caos, é uma armadilha. A verdadeira sabedoria, e o verdadeiro progresso, residem na complexidade, na integração e na busca por um equilíbrio dinâmico que honre tanto a mente quanto o coração, o indivíduo e a comunidade.

(*) Texto expandido a partir de uma secção de um pequeno tributo SCIFI a Neil Peart que aparecerá em breve no BLOG... A comparação em si sempre foi óbvia desde que vimos B5 pela primeira vez.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

(1960-1967: SEGUNDA FASE DOS FILMES SCIFI) [SCIFI]

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(1960-1967: SEGUNDA FASE DOS FILMES SCIFI)

FILMES DE 011 A 026 AQUI

A segunda fase da nossa revisão, que abrange os filmes de 011 a 026 da nossa lista, promete uma expansão radical dos horizontes da ficção científica, levando o gênero para territórios até então inexplorados pela primeira fase. Se os anos de 1950 foram dominados pelo medo do invasor externo e pela alegoria política da guerra fria, a década de 1960 trouxe uma sofisticação narrativa e uma ousadia formal que transformaram a ficção científica em um laboratório para as mais vanguardistas experimentações cinematográficas... O pontapé inicial vem com Last Year at Marienbad (1961), de Alain Resnais, uma obra-prima do cinema moderno que, embora raramente classificada como ficção científica [Mas não na nossa lista!], é uma perturbadora exploração do tempo, da memória e da realidade, um quebra-cabeças surreal que desafia qualquer noção convencional de narrativa... Em contraste, The Day the Earth Caught Fire (1961), novamente de Val Guest, retorna ao terreno mais familiar do desastre ecológico, mas com uma ambição que prenuncia o cinema catástrofe, utilizando o jornalismo investigativo como fio condutor para uma trama sobre as consequências climáticas da guerra nuclear... E então surge La Jetée (1962), de Chris Marker, um dos filmes mais originais/influentes já feitos, construído quase inteiramente com fotos estáticas, que conta uma história de amor e viagem no tempo em uma Paris pós-apocalíptica, provando que a ficção científica pode ser tão econômica quanto poética... A segunda fase não teme o hibridismo: The Manchurian Candidate (1962), de John Frankenheimer, é um thriller político sobre lavagem cerebral que funciona como uma ficção científica sombria sobre a manipulação da mente humana, enquanto The Damned (1962), de Joseph Losey, produzido pela Hammer Films, é uma obra estranha e subestimada (Muito subestimada!) que mistura drama, horror e ficção científica em uma conclusão desoladora sobre a Guerra Fria.

A diversidade da segunda fase é o seu maior trunfo... Icarus XB-1 (1963), do tcheco Jindrich Polák, é uma joia meio esquecida [Mas não por nós!] do leste europeu que (em certo sentido) antecipa a estética de 2001: A Space Odyssey com sua nave especiosa, tripulação internacional e uma jornada interestelar que confronta os legados destrutivos do século XX... Ao mesmo tempo, o cinema B americano sessentista encontra talvez o seu auge em X: The Man with the X-ray Eyes (1963), de Roger Corman, uma pérola do terror cósmico sobre um médico que adquire visão de raio-X e descobre verdades que a mente humana não deveria jamais contemplar... O ano de 1964 é talvez o mais extraordinário da década para o gênero, com dois filmes que encaram a ameaça nuclear de ângulos opostos e complementares. Doctor Strangelove (1964), de Stanley Kubrick, é a comédia sombria definitiva sobre a absurda lógica da dissuasão nuclear, um tratado de humor ácido que transforma a sala de guerra em um manicômio e o apocalipse em uma piada de mau gosto. Fail-Safe (1964), de Sidney Lumet, é o seu reverso sombrio: um drama documental e tenso sobre um erro mecânico que desencadeia um ataque nuclear acidental, onde não há vilões, apenas seres humanos falíveis e as máquinas que construíram. Juntos, esses dois filmes formam um díptico indispensável sobre a paranoia nuclear que definiu a Guerra Fria... A segunda fase ainda reserva surpresas em 1965: The War Game (1965), de Peter Watkins, um falso documentário tão brutal e realista sobre os efeitos de uma bomba nuclear na Inglaterra que foi banido pela BBC por mais de vinte anos; Alphaville (1965), de Jean-Luc Godard, que transforma uma Paris noturna em uma distopia tecnocrática governada por um computador que aboliu a poesia e o amor; e Planet of the Vampires (1965), de Mario Bava, uma obra inesquecível do terror gótico espacial que prenuncia (Para dizer o mínimo!) o visual sombrio de Alien, com suas naves fantasmagóricas e uma ameaça extraterrestre que manipula os corpos dos astronautas... Em 1966, o gênero alcança novos patamares de ambição existencial com Seconds (1966), de John Frankenheimer, uma parábola sobre um homem de meia-idade que aceita uma cirurgia plástica radical para recomeçar a vida, apenas para descobrir que a fuga de si mesmo é impossível; The Face of Another (1966), de Hiroshi Teshigahara, uma meditação filosófica sobre identidade e alienação, onde um homem com o rosto desfigurado usa uma máscara perfeita e perde o contato com sua própria humanidade; e Fahrenheit 451 (1966), de François Truffaut, a adaptação visual e melancólica do romance de Ray Bradbury sobre uma sociedade que queima livros... Para encerrar esta nossa segunda fase temos uma obra maiúscula do terror arqueológico/cósmico, Quatermass and the Pit (1967), dirigido por Roy Ward Baker (no lugar de Val Guest!) para a Hammer Films, que leva agora o professor Bernard Quatermass a uma escavação em Londres que desenterra uma nave alienígena alí há milhões de anos, revelando que a própria evolução humana foi moldada por uma inteligência exterior parasita e "demoníaca" (no sentido de "...ter dado origem a.."), um épico de ficção científica que sintetiza o medo da herança genética e a manipulação das origens, fechando com chave de ouro (e no seu auge) a trilogia do icônico cientista que começou com The Quatermass Xperiment em 1955.

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domingo, 5 de julho de 2026

(1950-1960: PRIMEIRA FASE DOS FILMES SCIFI) [SCIFI]

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(1950-1960: PRIMEIRA FASE DOS FILMES SCIFI)

FILMES DE 001 A 010 AQUI

A década de 1950 inaugurou no cinema de ficção científica uma era de maturidade temática e formal que encontrou no medo da Guerra Fria o seu combustível mais potente. A revisão crítica que iniciamos com os dez primeiros filmes desta lista não se limitou a catalogar obras que já conquistaram o desafio do tempo, mas sim a desenhar um mapa da ansiedade humana diante do apocalipse atômico e da perda de centralidade no cosmos... O ponto de partida, The Thing from Another World (1951), de Christian Nyby (com a sombra tutelar de Howard Hawks), estabeleceu o paradigma do invasor vindo dos céus, um ser de corpo vegetal e inteligência letal que devia ser combatido com a união de militares e cientistas, capturando a paranoia de uma América recém-saída da guerra e já imersa na suspeita contra o outro... Poucos meses depois, Robert Wise ofereceu uma antítese radical com The Day the Earth Stood Still (1951), substituindo o monstro sanguinário por um emissário interestelar chamado Klaatu, cuja advertência pacifista invertia a lógica belicista: a verdadeira ameaça não vinha das estrelas, mas da incapacidade humana de superar o tribalismo e a violência. Juntos, esses dois filmes de 1951 já anunciavam os limites do espectro completo sobre o qual a ficção científica da década se debruçaria: o medo do ataque externo e o temor de que a humanidade fosse seu próprio algoz.

Em 1953, The War of the Worlds, dirigido por Byron Haskin e produzido por George Pal, levou essa dualidade ao paroxismo do espetáculo tecnológico. Adaptando H.G. Wells para a paisagem suburbana da Califórnia, Haskin substituiu os tripés vitorianos por máquinas voadoras pairando sobre cidades americanas, cujas armas de calor reduziam tanques e aviões a cinzas com a mesma indiferença com que a guerra nuclear vaporizara Hiroshima. O filme condensou em suas sequências mais aterrorizantes a impotência do poderio militar: o exército atira, os mísseis são lançados, até a bomba atômica é detonada sobre os invasores, e tudo falha, revelando que a única salvação viria de um acidente biológico, os microrganismos terrestres para os quais os marcianos não tinham defesa. Essa resolução irônica, que devolvia ao planeta uma vitória involuntária, carregava um pessimismo profundo sobre a arrogância científica humana, ecoando a desconfiança que os testes nucleares no Pacífico já despertavam na opinião pública. A recusa do Pentágono em colaborar com a produção, por considerar que a representação de um exército derrotado equivalia a uma admissão de fraqueza ante o comunismo, apenas sublinhou o quanto o filme tocava em nervos expostos. Mais do que um mero filme de monstro, The War of the Worlds serviu como um prelúdio grandioso para as metáforas atômicas que viriam, preparando o público para a chegada de Godzilla no ano seguinte, que levaria essa mesma angústia para o outro lado do Pacífico com uma potência alegórica ainda mais visceral e trágica.

A escalada da corrida armamentista e os testes nucleares no Pacífico encontraram em Godzilla (1954), de Ishirô Honda [e um dos "dois corações" desta nossa primeira fase], a sua mais devastadora transfiguração artística. Mais do que um filme de monstro, a obra de Honda é um réquiem visual pelo Japão pós-Hiroshima, uma nação que via o terror atômico reavivado pelo incidente do Lucky Dragon 5, e o diretor, veterano de guerra, canalizou essa dor coletiva em uma metáfora multifacetada onde o réptil radioativo era ao mesmo tempo a bomba, a hybris científica e a natureza vingativa contra a arrogância humana... Em contraponto a essa dimensão trágica e oriental, o cinema britânico, com The Quatermass Xperiment (1955) e Quatermass II (1957), ambos dirigidos por Val Guest, trouxe uma abordagem documental e realista, ancorando o horror espacial em cenários prosaicos e na figura do cientista ambíguo, cuja hybris (ao seu modo) ameaçava/salvava a civilização... Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, Invasion of the Body Snatchers (1956), de Don Siegel, transformava a paranóia macarthista em uma alegoria perturbadora sobre a perda da individualidade e a invasão silenciosa do conformismo, um filme que os próprios criadores insistiram não ser político, mas que se tornou um documento involuntário e poderoso de sua época... E, como se o gênero buscasse constantemente elevar sua ambição intelectual, Forbidden Planet (1956), de Fred M. Wilcox [e o nosso "outro coração" aqui], surgiu como um oásis de sofisticação, substituindo as ameaças externas por um mergulho nas cavernas do inconsciente freudiano, onde o verdadeiro monstro era o id do Dr. Morbius, materializado por uma tecnologia alienígena incompreendida.

O final dos anos 1950 aprofundou essa tendência de interiorização do terror, e The Incredible Shrinking Man (1957), de Jack Arnold, com roteiro de Richard Matheson, levou a ficção científica para o território mais íntimo e desolador: o próprio corpo do protagonista. O encolhimento progressivo de Scott Carey, desencadeado por uma névoa radioativa, não era apenas uma alegoria do pânico nuclear, mas uma tragédia doméstica e pessoal sobre a dissolução do casamento, da carreira e da própria humanidade diante de forças cósmicas indiferentes... A mesma vertente britânica que Val Guest inaugurara encontrou em Quatermass II uma expansão da conspiração para escala nacional, onde o Estado britânico se revelava infiltrado por uma inteligência extraterrestre, uma parábola política sobre a opacidade burocrática e a cumplicidade das instituições que deveriam proteger a população... E, fechando este primeiro ciclo com chave de ouro, Village of the Damned (1960), de Wolf Rilla, levou ao extremo a ideia de que o inimigo poderia estar dentro de casa, utilizando os ventres das mulheres inglesas como incubadoras para uma prole de olhos prateados e inteligência inumana, um reflexo distorcido das ansiedades de uma nação que via seus valores tradicionais sendo questionados por forças que não compreendia [Notem as referências dos três últimos filmes a: indivíduo , família e Estado]... Esses dez filmes, que cobrem de 1951 a 1960, não apenas definiram os arquétipos do gênero, mas também provaram que a ficção científica era o veículo mais poderoso para o cinema pensar a si mesmo e ao seu tempo, um legado que agora se prepara para ser expandido e subvertido na segunda fase desta jornada.

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sábado, 4 de julho de 2026

THE BEAR S5 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Soda [**1/2]
02 Lamb [**1/2]
03 Mint [***]
04 Ribs [***]
05 Raspberries [***]
06 Focaccia [***1/2]
07 Caramel [****]
08 The Original Beef of Chicagoland [****]

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ANÁLISE

A quinta temporada de The Bear, exibida originalmente em junho de 2026, representa o ponto final de uma das jornadas mais celebradas da televisão contemporânea, e seu lugar na filmografia de seu criador, Christopher Storer, é o de uma obra que consolida suas obsessões temáticas ao mesmo tempo que as resolve com uma maturidade narrativa antes apenas vislumbrada. Storer, que construiu sua carreira em projetos de tom indie e intimista, como a comédia dramática Ramy e a série de antologia Electric Dreams, sempre demonstrou um fascínio por personagens à beira do colapso emocional, mas nunca antes ele havia orquestrado um desfecho tão cuidadosamente equilibrado entre a tensão visceral e a catarse silenciosa... A temporada final, composta por oito episódios que se desenrolam quase integralmente em um único dia, reforça a predileção do criador por estruturas narrativas comprimidas e ambientes claustrofóbicos, ecoando a urgência frenética da primeira temporada, mas abandonando a experimentação formal por vezes dispersiva das terceira e quarta temporadas, que se perderam em digressões conceituais e convidados ilustres em detrimento do núcleo emocional da trama. Se aqueles ciclos anteriores pareciam buscar uma identidade própria através do excesso e da fragmentação, esta leva final retorna à essência do que tornou a série um fenômeno: o retrato cru e inescapável do trabalho em equipe sob pressão máxima, onde cada erro na cozinha ecoa feridas pessoais não cicatrizadas. A grande novidade, contudo, reside na inversão de expectativas em relação ao protagonista: Carmen “Carmy” Berzatto (Jeremy Allen White), antes o eixo nervoso em torno do qual toda a dinâmica girava, ocupa aqui um papel deliberadamente periférico, uma escolha ousada que transfere o peso dramático para o conjunto da brigada e, principalmente, para Sydney Adamu (Ayo Edebiri), cuja ascensão ao comando não é apenas uma progressão lógica de arco, mas uma declaração de princípios sobre a natureza do legado e da liderança. Ao fazer isso, Storer e sua equipe de roteiristas, incluindo a co-showrunner Joanna Calo, não apenas prestam homenagem à trajetória da personagem, mas também subvertem a tradição do gênio torturado que dominava a narrativa, substituindo-a por uma visão mais coletivista e, de certa forma, mais esperançosa do sucesso. Esta abordagem ressoa profundamente com o momento cultural de seu lançamento, no qual discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho, a sustentabilidade de negócios em meio a crises econômicas e a redefinição de masculinidade ganharam novos contornos, fazendo de The Bear um espelho não apenas da indústria hoteleira, mas de uma geração inteira lidando com o esgotamento e a busca por propósito. Para a televisão como um todo, a temporada final serve como um lembrete contundente de que as séries mais duradouras são aquelas que conseguem evoluir sem perder sua identidade central, equilibrando o apelo popular com a integridade artística, e The Bear, ao encerrar sua jornada no auge de sua forma, oferece um antídoto contra a tendência contemporânea de prolongar narrativas além de seu ponto de saturação, provando que, às vezes, a melhor maneira de honrar uma história é saber quando servir o prato final.

A trama da quinta temporada, que se passa integralmente no dia seguinte ao chocante anúncio de Carmy sobre sua saída do mundo da gastronomia, é uma aula magistral de construção de suspense em tempo real, onde cada minuto que passa na tela corresponde a uma fração de segundo na vida dos personagens, intensificando a sensação de que o destino do restaurante The Bear pende por um fio... A temporada começa com Sydney Adamu (Ayo Edebiri), Richard “Richie” Jerimovich (Ebon Moss-Bachrach) e Natalie “Sugar” Berzatto (Abby Elliott) processando a notícia de que Carmy abandonou a cozinha, deixando-os não apenas com a responsabilidade de comandar o serviço, mas também com a missão quase impossível de salvar o negócio da falência iminente, já que o investidor (e "tio" dos Berzattos) Jimmy Kalinowski (Oliver Platt) estabeleceu um prazo final para que o restaurante se tornasse lucrativo (além não não ter mais reservas MESMO!). Para piorar a situação, uma tempestade torrencial atinge Chicago, causando alagamentos na cozinha, queda de energia e uma sobrecarga no sistema de reservas que lota o estabelecimento além de sua capacidade, enquanto a equipe luta contra a escassez de ingredientes e a (compreensível) deserção de alguns funcionários. A estrutura narrativa, algo similar a série The Pitt, comprime os primeiros sete episódios em um único e extenuante expediente, transformando cada refeição servida em uma batalha tática e cada erro em uma potencial sentença de morte para o sonho da estrela Michelin (pois acreditam piamente que um crítico está no salão justo naquela noite!?)... É neste caldeirão de adversidades que os temas centrais da temporada emergem com força brutal: a natureza do legado, a passagem do bastão entre gerações, a redenção através do serviço e a dolorosa, porém necessária, arte de deixar ir. O conflito de Sydney, que sempre oscilou entre a admiração por Carmy e o desejo de afirmar sua própria visão culinária, atinge seu clímax quando ela é forçada a assumir o papel de capitã, não apenas gerenciando a brigada, mas também tomando decisões cruciais que definirão o caráter do restaurante. Sua jornada é a espinha dorsal emocional da temporada, e sua transformação de sous-chef ansiosa a líder confiante é um dos arcos mais bem realizados da série, culminando em uma cena de quieta celebração com Carmy no episódio final, quando eles descobrem (de uma forma bem diferente do que imaginavam) que o restaurante não apenas conquistou uma, mas duas estrelas Michelin, um feito que valida anos de sacrifício e trabalho árduo. Paralelamente, Richie, que começou a série como um anti-herói abrasivo e desajustado, completa sua gloriosa redenção ao se consolidar como o gerente de salão impecável, cuja dedicação e habilidade interpessoal se tornam tão vitais para o sucesso do The Bear quanto qualquer prato assinado por Sydney. Seu arco pessoal, que culmina com um convite para um seminário internacional de hospitalidade no Japão e o florescimento de seu romance com a expeditora Jessica (Sarah Ramos), é um testemunho do poder da transformação pessoal quando aliada a um senso de propósito, provando que Richie sempre foi um excelente pai e um profissional em potencial, mesmo nas horas mais sombrias. A temporada também reserva espaço para desfechos igualmente satisfatórios para o restante da turma: Marcus (Lionel Boyce), o padeiro outrora inseguro, consolida sua parceria criativa com o mentor Luca (Will Poulter) e se torna um pilar da equipe, enquanto Tina (Liza Colón-Zayas), que mal sabia o básico sobre culinária no início da série, ascende ao posto de chef de cuisine por mérito próprio, uma progressão que emociona pela sinceridade com que retrata o crescimento profissional e pessoal. Ebraheim (Edwin Lee Gibson), por sua vez, finalmente apresenta sua ideia de franquear o The Original Beef of Chicagoland, a antigo sanduicheria da família Berzatto, com o apoio do mentor Albert Schnurr, criando uma ponte entre o passado humilde e o futuro ambicioso do grupo, enquanto a matriarca Donna Berzatto (Jamie Lee Curtis), cuja presença sempre foi sinônimo de caos e trauma, encontra uma forma de redenção silenciosa, sugerindo que o luto e a culpa que assombravam a família podem finalmente começar a se dissipar... É neste caldeirão de resoluções que os episódios sete e oito, respectivamente intitulados Caramel e (obviamene) The Original Beef of Chicagoland, se destacam como obras-primas de narrativa televisiva, com o primeiro entregando uma das horas mais tensas e emocionalmente devastadoras da série, onde a equipe enfrenta um serviço quase impossível sob uma chuva torrencial, e o segundo funcionando como um epílogo agridoce que amarra todas as pontas soltas com uma elegância que raramente se vê em finais de série. A despedida de todos os personagens, incluindo a consolidação de Sydney como a nova capitã, a redenção de Richie no amor e na profissão, a franquia nascente de Ebra, a homenagem ao falecido Rob Reiner através da icônica frase “as you wish” dita por Ebra ao telefone, e a decisão de Carmy de permanecer sob o comando de Sydney, formando com Marcus (que fica com os diários originais pessoais de cozinha de Carmy) o trio que garantirá a reputação crítica do restaurante e seu futuro, transformam o final não apenas em um ponto de chegada, mas em um novo começo para todos eles.

A realização técnica da quinta temporada de The Bear é um testemunho da maestria com que Christopher Storer e sua equipe utilizaram a linguagem audiovisual para amplificar a tensão narrativa e a profundidade emocional dos personagens, criando uma experiência imersiva que transcende a simples representação do trabalho em uma cozinha. A direção, assinada majoritariamente pelo próprio Storer, opta por uma abordagem visual mais contida e madura em comparação com a energia frenética das temporadas iniciais, trocando os movimentos de câmera erráticos e os cortes rápidos por planos mais longos e composições estáticas que refletem o estado de espírito de uma equipe que, embora ainda sob pressão, já não está à beira do colapso nervoso, mas sim no limiar de uma conquista monumental. A fotografia, assinada por Andrew Wehde, colaborador de longa data de Storer, adota uma paleta mais escura e granulada, com luzes refletidas que funcionam como metáforas visuais para a esperança em meio à escuridão, iluminando os rostos suados dos personagens com um brilho quase sagrado que transforma cada prato preparado em um ato de fé. Esta escolha estética, que se afasta do naturalismo cru das primeiras temporadas para um estilo mais pictórico e expressionista, confere à temporada uma qualidade onírica e universal, como se estivéssemos testemunhando não apenas um serviço de jantar, mas um ritual de passagem. A montagem, por sua vez, é um dos aspectos mais brilhantes da temporada, alternando entre o ritmo alucinante dos momentos de pico no expediente, onde os cortes se aceleram e a trilha sonora original de Christian Lundberg, produzida por Hans Zimmer, pulsa com uma urgência quase palpável, e a quietude quase contemplativa das cenas de preparação e reflexão, onde os silêncios e os planos detalhe dos ingredientes e das mãos dos cozinheiros convidam o espectador a uma pausa para respirar. A decisão de abandonar as canções licenciadas que caracterizaram as temporadas anteriores em favor de uma partitura original contínua é uma escolha ousada que unifica a experiência sonora da temporada, criando uma paisagem auditiva coesa que acompanha a ascensão e queda da tensão dramática sem recorrer a atalhos emocionais fáceis. As atuações do elenco, já consagradas por prêmios e aclamação crítica, atingem novos patamares de sutileza e poder expressivo nesta despedida, com Jeremy Allen White entregando uma performance contida e dolorosamente humana de um homem que finalmente aprende a deixar o controle, enquanto Ayo Edebiri rouba a cena com uma interpretação de Sydney que equilibra a vulnerabilidade de uma jovem chef sobrecarregada com a determinação feroz de uma líder nata, uma atuação que merece todos os elogios que recebeu. Ebon Moss-Bachrach, no entanto, é talvez o destaque máximo, pois sua transformação de Richie, de um personagem inicialmente antipático a um pilar de maturidade e compaixão, é canalizada através de gestos mínimos e olhares que carregam o peso de cinco temporadas de evolução, consolidando-o como o coração emocional da temporada. A direção de arte, que recria meticulosamente o caos controlado de uma cozinha profissional, utiliza cada panela, cada faca e cada mancha de gordura como extensões da psicologia dos personagens, enquanto a iluminação, ora dura e implacável sob os refletores da cozinha, ora suave e difusa nos momentos de pausa, reforça a dualidade entre o inferno do serviço e o paraíso da criação culinária, fazendo com que cada frame seja carregado de intenção narrativa.

Ao arrematar a jornada de cinco temporadas, a temporada final de The Bear, criada por Christopher Storer e estrelada por Jeremy Allen White, Ayo Edebiri e Ebon Moss-Bachrach, entre outros, oferece um veredicto comovente sobre seus temas centrais e o destino de seus personagens, consolidando-se como uma das conclusões mais satisfatórias da história recente da televisão. O grande triunfo da temporada reside em sua capacidade de reconciliar as duas forças aparentemente opostas que sempre moveram a série: o caos e a ordem, o individualismo e o coletivo, o trauma e a cura. Ao colocar Sydney no comando e permitir que Carmy encontre a paz fora da cozinha, a narrativa propõe que o verdadeiro legado não está na fama ou nos prêmios, mas na capacidade de cultivar uma nova geração de talentos e confiar a eles o futuro, uma ideia que ressoa além do universo da gastronomia e se aplica a qualquer campo criativo ou empresarial. A redenção de Richie, que passa de um coadjuvante irritante a um líder respeitado e um pai dedicado, é um dos arcos mais inspiradores já escritos para a televisão, pois mostra que o crescimento pessoal é possível mesmo para aqueles que parecem condenados pela própria natureza, e sua jornada, coroada pelo amor e pelo reconhecimento profissional, serve como um lembrete de que o valor de uma pessoa não é definido por seus erros passados, mas por sua disposição em mudar. A homenagem ao falecido Rob Reiner, que interpretou o mentor Albert Schnurr na quarta temporada, através da frase “as you wish” dita por Ebra, é um momento de rara beleza que transcende a ficção e se torna um tributo genuíno à memória de um artista, conectando o universo da série ao mundo real de uma forma que poucas produções ousam fazer. O impacto da temporada, e da série como um todo, sobre sua audiência e sobre a televisão é imensurável, pois The Bear não apenas elevou o padrão do que uma comédia-drama pode alcançar em termos de intensidade emocional e realismo, mas também popularizou uma estética e um ritmo narrativo que influenciaram inúmeras outras produções, provando que o público está ávido por histórias que tratem o trabalho e as relações humanas com seriedade e profundidade. Para o mundo em geral, a série serviu como um espelho das ansiedades contemporâneas, especialmente no que diz respeito à saúde mental, à busca por propósito em meio ao caos e à importância da comunidade como antídoto contra o isolamento, temas que se tornaram ainda mais urgentes na paisagem pós-pandêmica em que a série foi gestada e cresceu. Em última análise, a quinta temporada de The Bear não é apenas um final adequado, mas uma obra que justifica plenamente a nota de três estrelas e meia que lhe atribuímos, pois, embora não atinja a consistência das duas primeiras temporadas, ela entrega uma conclusão que honra cada personagem, cada sacrifício e cada momento de beleza encontrado no meio do caos, deixando o espectador com a sensação de que, ao fim de tudo, a família que escolhemos e o trabalho que amamos são, de fato, as únicas coisas que realmente importam. A decisão de Storer de encerrar a série no auge de sua forma, sem se esticar além do necessário, é um ato de coragem criativa que raramente se vê na era do streaming, e o resultado é uma obra que será lembrada não apenas como um marco da televisão da década de 2020, mas como um exemplo luminoso de como contar histórias com integridade, emoção e um toque de perfeição culinária.

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