Como na temporada passada (com os Vezdas e cia.), vemos aqui mais uma vez Star Trek tendo um flerte com o Terror Cósmico (flertes esses que ocorrem desde 1966 com o segundo piloto de TOS: Where no Man Has Gone Before). O episódio tenta equilibrar o registro típico do Terror (Cósmico), que normalmente repele exposições e explicações em geral, com o de Star Trek, que parece necessitar desesperadamente delas (*). Eventualmente o primeiro registro se faz dominante, estabelecendo economicamente os conflitos culposos dos três: Kirk se vendo incapaz de participar da vida de David , Spock percebendo-se cada vez mais distante da sua herança lógica Vulcana e Laan sendo confrontada com o medo de falhar na proteção de sua família adotiva ou, pior ainda, ser o próprio agente causador dessa destruição. Valendo comentar ainda que o ponto focal da coisa toda parece mesmo ter sido a paranoia latente de Harper [Ainda que o episódio não explicite claramente nenhuma travessia para além do limiar como foi feito em Where no Man Has Gone Before.]. Enfim, como estamos falando de um episódio de Star Trek apesar de tudo, temos enormes coletas de lixo com cada um dos três ao apagar das luzes, diluindo a experiência. ... O episódio perde pontos também por ser muito derivativo afinal, estabelecer uma (mal refletida) divisão da Frota Estelar especializada no paranormal (!?) e mais uma vez se alongar demais em geral.
(Finalmente vimos os episódios lançados da nova série de Ghost In The Shell nesta semana, franquia essa famosa por não fazer exposições/explicações e tomar/retomar a ação in media res... Posto isso, ficamos chocados com a exposição que puseram na boca de Laan sobre a Divisão 12.)
Em tempo #01: Obviamente a presença de Kirk é novamente absurda mas inevitável dentro do atuais objetivos dos showrunners, como já discutimos anteriormente.
Em tempo #02: O registro base geral de Doctor Who é SIM o de uma série de ficção científica espaço-temporal de aventura/exploração PORÉM motorizada dramaticamente como uma série de Terror (como bem disse certa vez o showrunner Steven Moffat sobre a série: (idealmente) "... a mais assustadora possível história para crianças ..."). Em particular a sua típica atitude de sempre trazer o paranormal/sobrenatural do alienígena vem de Quatermass (que aliás mencionamos no episódio anterior de SNW) [Em Doctor Who são comuns: um certo Gótico (Tecnológico) Explicado e um certo Terror Corporal Explicado.] ... Posto isso, é fácil (e até natural) entender a utilização de Buffy como referência base para modernizar Doctor Who em 2005 (Meio que Terror pedindo conselho para Terror, ainda que a típica atitude quanto a origem do paranormal de Quatermass/DoctorWho não se aplique necessariamente a Buffy.).
--- 04X03 ---
Strange New Worlds apresentou o seu pior episódio de todos os tempos nesta semana... O problema central aqui é o impossível RESORT em que todo mundo fica chapado 24/7 sem suporte médico e sem segurança. Esse lugar impossível é que permite que o episódio se desenrole nos seus termos, mas, sem a mínima consistência de representação dramática, nada aqui pode ser levado a sério, especialmente o humor... Contribuem ainda para a negatividade de verossimilhança: as atitudes incompreensíveis de PIKE (de levar todo o seu Turno Alfa para ficar LITERALMENTE doidão no planeta impossível às vésperas de uma missão diplomática), a absoluta falta de comunicação com a nave durante tal "folga", e depois de volta a Enterprise: a falta de um mero pedido de adiamento da cerimônia inaugural , a incapacidade da (usualmente) mágica enfermaria "restaurar" um bando de amaconhados E a inutilidade de Ortegas, incapaz de apertar um botão na parede, invocar alerta vermelho e o esquadrão antibombas... O episódio assim se torna tedioso, interminável e sem propósito e apesar dos irrepreensíveis créditos técnicos da diretora Yana Gorskaya (em montagem e em direção), o andamento do segmento é horroroso, se movendo aos solavancos, cheio de falsas paradas e dependendo muito da colagem de esquetes.
Adendo #01: A historinha de Scotty & Ortegas, baseada em uma certa EMPATIA PARA INICIANTES, é infantil e sobrecozida. Ela apresenta ainda a Enterprise como uma dama frágil, mas 60 anos de franquia contam outra história. Esta caracterização juvenil de Scotty apresentada como fazendo parte da continuidade de TOS é absolutamente lamentável.
(Pelo menos a Pélia sumiu!)
Adendo #02: Impossível não notar uma proximidade com o registro de Star Trek: Lower Decks no presente segmento... Os detalhes não serão dados aqui, apenas diremos que: Chapel foi usada para canalizar a doutora T'Ana de LD (reparem na postura de quatro apoios de vários personagens na sequência do bingo, por exemplo), Spock foi de certa forma T'Lyn e Pike meio que fez um Ransom. Boimler e Mariner foram projetados em Scotty e Ortegas obviamente. E Laan foi algo como o Bajoriano Shaxs, chefe de segurança da Cerritos. Entre outros paralelos possíveis.
Adendo #03: E parece (e isso é apenas um palpite) que Kathryn Lyn escreveu em formato sitcom como um episódio duplo (como se fosse mesmo para Lower Decks)... O ponto de quebra parece ser lá pelos 23' que fica justamente no instante: da ida de Ortegas-Scotty para irem se encontrar com Laan e do retorno do KIRK real, cujo diálogo com Spock inclusive alude ao título do episódio de SNW.
(E tivemos ainda mais uma participação absurda de KIRK, algo que já parece fazer parte da intenção cômica do staff de roteiristas, pelo menos aqui. Depois do artificial elo mental entre os dois para pilotar a nave no episódio 3X10, chegamos as confidências de Spock fora de câmera. Drama Orientado aos Personagens, a gente NÃO VÊ por aqui!)
--- 04X04 ---
Com a aproximação do já tão temido "episódio dos marionetes", a série corre o risco de cravar uma "Trilogia sem Estrelas" na sua penúltima temporada... Esta Castanha dormiu em sua primeira tentativa de assistir ao segmento desta semana e confessamos que completar tal ato foi uma tarefa árdua...
Para uma velha Castanha, fanática pelo recorte NOIR clássico, encarar esse preto e branco sem vergonha, aparentemente sem preparação alguma em pré produção e com um irritante "difuso vapor de luz" em cena (algo bastante irônico se levarmos em conta o título do episódio), foi deveras difícil (daí explicando o sono imediato)... A recente série Spider Noir teve SIM preparação em pré produção (e mesmo na produção) para conversar melhor com o período clássico mas, apesar de resultados MUITO superiores comparativamente, ainda percebemos nela um certo ar de "Noir de Shopping", muito limpo e artificial... Por isso dizemos que o preto e branco atrapalha o episódio de SNW desta semana, sendo no mínimo uma distração e no máximo uma versão tosca e descuidada da estética alvo... O PB atrapalha e/ou limita inclusive a própria estética retro futurista (desavergonhadamente humana e referida ao início do século vinte) apresentada no episódio (um certo Diesel Punk marcado pelo desvio histórico da sobrevida dos dirigíveis). Mas, infelizmente para o episódio, existem CENTENAS de experimentos estéticos análogos feitos (via IA) por fãs no YouTube (alguns até bem interessantes).
Para a trama funcionar nos seus termos: UNA tem que ser idêntica (idêntica capaz de enganar biometria SCIFI) a colaborada chefe da ocupação de KOR que é ao mesmo tempo a chefe da resistência local (contra essa mesma ocupação) E ser capaz de enganar "partindo a frio e sem preparação de nenhuma espécie" ambos os lados (além da original ter coincidentemente acabado de morrer e o seu cadáver estar dentro de uma bio câmara no seu escritório). O que parece uma MUITO CÍNICA INVOCAÇÃO do conceito de Dopellganger do NOIR (do Gótico, do Terror, do Expressionismo)... Além disso a outra parte mais trabalhosa da trama é resolvida com um falso ato falho de KOR na frente da Uhura... Então o que deveria ser um roteiro complexo e de pesada construção de mundo precisou de uma trama B a bordo da Enterprise, TAMBÉM RETRATADA EM PRETO E BRANCO, para compor uma hora televisiva.
(O assim chamado arco de Laan foi destruído pela amalucada reordenação dos episódios, a correta é 1-3-4-2, assim fica até difícil de comentar... Terminamos com pelo menos: uma estagiária vulcana quebrando a cadeia de comando , um (a) capitão estelar e Chapel cometendo fraude , Laan prevaricando , Pike fazendo a egípcia para tudo isso I e MBenga casualmente confessando ainda mais um massacre. Além de Una ("UNA LATERALMENTE") provocando uma revolução num planeta sob domínio Klingon e Pike fazendo a egípcia para tudo isso II ... Grande dia para a Frota Estelar... Grande dia para a produção de SNW.)
( Confiram a nossa pré-lista de filmes NOIR
aqui . )
( Para o melhor exemplo NOIR em Star Trek confiram o podcast de Necessary Evil
aqui .)
( Para a cena do Clássico Casablanca que foi assassinada no episódio confiram
aqui . )
( Para a cena da obra prima La Grande Illusion que inspirou a de Casablanca:
aqui . )
( Para uma melhor versão do episódio do planeta em preto e branco e feita por fãs:
aqui . )
--- 04X05 ---
Discutivelmente o pior episódio de toda a Era Kurtzman de Star Trek. Uma espécie de "Cérebro de Spock Pós Moderno" (TM). Algo que algum funcionário da produção poderia tentar defender cinicamente como uma análise psicológica do personagem mas que é meramente um MEME (ou uma FONTE DE CORTES) tamanho família... Nada mais do que um velho esquete de TV de menos de 10 minutos (no máximo!) esticado para inacreditáveis 54+... O episódio SEQUER tem a competência/decência de estabelecer propriamente o adormecer e o despertar de Spock (e rastrear o POV do personagem)... A ironia maior é que os caras (Goldsman e cia.) tem (talvez!) um dos CINCO MAIS ICÔNICOS PERSONAGENS DA HISTÓRIA DA TV e a única coisa que eles pensam em fazer com ele é reciclar a trama do polígono amoroso (WTF!? Que fixação!) e sempre a ela retornar de alguma forma (*) ... O cara alucinou em três dos últimos 4 episódios, terminou com a Laan neste e antes do reset button do "tudo era um sonho" ele já tinha cometido um beijo francês com a Pupet'pring (!!!). Esse filho do Sarek é incorrigível mesmo (risos)...
(*) (E sabemos que pedimos por um payoff dos acontecimentos da Griffin e aqui tivemos: Laan termina com Spock e Spock reata com T'Pring... Parece sacanagem!)
E ainda:
- Lamentamos a infantilização de Scotty que parece ser filho de Kirk em SNW (apesar disso contradizer a continuidade adotada explicitamente!);
- Lamentamos a sobrevida de Pelia;
- Lamentamos a pavorosa retroprojeção estática logo quando Spock chega ao Hangar. Idem para o desaparecimento do resto da tripulação da Enterprise (menos da Pelia);
- Se os bonecos não respiram, como eles falam? E se eles falam por esse método indeterminado, o que modifica as suas vozes em relação as originais?
- E mais uma vez a cena da morte de Spock é assassinada em Live Action!
PFV => Projeções futuras Vulcanas:
O que falta para o velho "Orelha Pontuda"? Spock e Kirk no bromance hetero afetivo (obviamente!) na cama? As três (Chapel , Laan e TPring) comentando sobre o pênis verde (será?) do Spock? O encosto da Griffin ser "real" (e ter aderido ao boneco do Scotty) e precisar de um exorcismo Vulcano? ... E quem sabe até roubarem o cérebro do Vulcano para ter o seu corpo acéfalo telecomandado por um monte de Amazonas Gostosas (risos)?
--- 04X06 ---
Talvez o melhor episódio da temporada até aqui, o que não quer dizer muita coisa, vide a reinante baixa qualidade dessa quarta leva de aventuras... O liquidificador pós moderno da terceira era de Star Trek aqui bateu (junto com o leitinho da estética da série 24) momentos desastrosos da história da franquia: de Court Martial até Threshold, passando por ST:TMP, Disaster e Starship Down (entre outros), o que garante a animação dos trabalhos mas as costuras feitas são deveras visíveis e feitas com linhas bem grossas.
(O uso da forma de 24 acaba sendo deletério para o episódio em questão pois sublinha que pode ser feita SIM a síntese das suas influências, consistente e dramaticamente motivada, sem rebarbas, de maneira específica e claramente identificável como algo NOVO... Além de tal utilização ser uma distração aqui obviamente!)
O ritmo do segmento é atrapalhado por: Pélia, conveniências de trama, ciência ruim e/ou inconsistente, além (é claro!) da partícula bombril que enche o tanque da Enterprise ao mesmo tempo que costura homens serrados ao meio (*) ... O episódio é motorizado por uma certa pornografia de competência, especialmente estrelando: Scotty e Chapel. O engenheiro recebe uma inusitada "história de origem" que colide com a sua aqui inconsistente caracterização em continuidade como tenente júnior (entre outras coisas). É dito que a enfermeira decide ficar a bordo da NCC1701 pelos eventos do episódio, o que não parece ser a história contada lá em What Are Little Girls Made Of?.
(*) (Episódios de Desastre não são normalmente fortes em caracterização e aqui não é diferente, ficando na superficialidade... Tais episódios também não funcionam muito bem com personagens com armadura de trama, condição aqui extremada por se tratar de uma série precursora da TOS... A velha falsa encrenca e falta de consequência de sempre, infelizmente... M'Benga deveria ter morrido aqui e o "Procedimento Chapel" utilizado na sua ressureição quase arrancou umas risadas cínicas dessa veterana Castanha.)
E ainda:
* Brian Markinson aqui interpreta o extremamente sisudo Doutor Boyce (aquele mesmo de The Cage agora curiosamente retornando a Enterprise). Para os Niners, Markinson é carinhosamente lembrado como o Doutor Elias Giger do clássico episódio In The Cards da quinta temporada de DS9. Será que foram os "Desalmados Minions da Ortodoxia" que sabotaram a Enterprise (risos)?
(Os Niners ainda poderiam observar que o episódio se passa quase todo com a Enterprise dentro de um wormhole sob uma torrente sem fim de neutrinos!)
* E é claro que a lesão de M'Benga lembra INSTANTANEAMENTE o monumental episódio Subway da sexta temporada da série Homicide... Tal episódio de 29+ anos é frequentemente considerado um dos momentos mais marcantes da história da televisão. A trama acompanha o detetive Frank Pembleton (Andre Braugher), que é chamado para investigar o caso de um homem chamado John Lange (Vincent D'Onofrio), acidentalmente ou propositalmente empurrado e que acaba preso entre um vagão e a plataforma do metrô. Como Lange sofrerá ferimentos fatais e morrerá assim que o trem for movido, Pembleton passa as horas finais da vida da vítima ao seu lado, tentando não apenas descobrir quem cometeu o crime e entender o que aconteceu, mas também lidar com a dura realidade de confortar um homem que lentamente aceita seu destino inevitável. O episódio se destaca pelo seu tom quase em tempo real, atmosfera claustrofóbica e um debate profundamente filosófico e emocional, impulsionado pelas atuações brilhantes que constroem uma conexão inesquecível entre o detetive e a vítima antes do seu trágico desfecho.
--- 04X07 ---
Ao chegarmos ao sétimo capítulo desta quarta temporada infernal, assistimos a algo como o episódio dos fantoches (AKA o "Cérebro de Spock da Terceira Era"), onde a sua apresentação dramática (!?) não entra sequer em registro de suspensão de descrença. Ele é completamente (e cinicamente) auto consciente em ser um produto televisivo. Se aparecessem microfones e câmeras em campo não piscaríamos um olho sequer.
Curioso eles darem continuidade a história de Juliet (a filha de Pike e Batel da vida vivida criada pela última no episódio 3X10), aquela mesma da tal "Cozinha Interior"... Algo que gerou então um Trauma Miojo e particularmente cruel (em excesso) para o nosso topetudo capitão (em mais uma morte de criança/adolescente para a série!). De fato foi um episódio 100% melodramático e mesmo já nesses termos ainda atirando para todos os lados (ou dimensões)... Compondo a cruel ironia da coisa toda, provavelmente os produtores ficaram com medo de encarar o touro do melodrama pelo chifre para uma sequência nesses termos tão extremos e usaram o conceito de soap opera americana para suavizar os trabalhos até certo ponto... A confusão foi tanta que nem a direção e nem Mount souberam o que fazer na última cena do segmento (que felizmente é o menor da temporada até aqui).
(Estrategicamente/Espertamente eles atacaram somente a Soap Opera Americana e não o Gênero Melodrama como um todo.)
(*) O próprio episódio (pela boca de Spock) diz para não levarmos nada do que aconteceu a sério. Quem somos nós para contrariar... MBenga recuperado e de saída... Laan também parece que sim (e talvez de saída do próprio serviço) [O episódio 4X01 parecia sugerir finalmente um payoff com relação ao seu nome de família. Mas até agora o interesse da temporada parece ser apenas pelo seu relacionamento com Spock!]
(*) Uma piada do nosso fanfic pessoal: Os El-Aurianos são os tutores das crianças Q. E os Borgs são fruto de um projeto de ciências de um deles que deu muito errado (Ou de um livro de Perry Rhodan fora de lugar/hora!)
(*) Uma Conselheira de Bordo nessa era de Star Trek lembra (mais uma vez!) Star Tek Continues... E foi uma chance perdida não usar Boyce na função.
(*) IMPORTANTE: A Conselheira Chivers estrelará o grande SWING da quinta temporada de SNW, uma apaixonada homenagem a série Batman 1966 (aquela mesma de Adam West) porém utilizando protagonistas com gêneros trocados e uma estética "eletro-futurista" dotada de veículos/dispositivos projetados e fabricados pelas indústrias MUSK (Uma participação, ao menos vocal, da cantora Cyndi Lauper, guardada a sete chaves até o momento, também é dada como certa!) : um trailer avançado ainda carente de pós produção está disponível
aqui .
--- 04X08 ---
Existe uma manufatura extrema na trama usada aqui, algo que fere o episódio: Pike e Una descem em missão, e logo um lendário almirante chega em uma nave auxiliar (somente com sua ordenança) e (além da Enterprise ser a nave mais próxima do almirante nesse momento crítico em que ele precisa agir imediatamente) estão a bordo JUSTAMENTE: James Kirk, Sam Kirk e M'Benga (George Kirk, dentre todas as almas, foi o primeiro oficial do almirante na principal, mais heroica e mais misteriosa batalha da guerra klingon e M'Benga, sempre ele, era o médico de bordo)... Aí o almirante faz, dentre todas as almas a bordo, James Kirk de primeiro oficial, alguém que ele conhece apenas de nome e que nem é da tripulação da Enterprise no momento (!?). James Kirk é ainda o primeiro oficial de outra nave estelar (!?) e estava ali só para paquerar a Laan (!?)... E eis que a Enterprise simplesmente se manda em uma missão secreta deixando Pike e cia. incomunicáveis no planeta.
[ A Laan não era mais antiga do que o Spock? Não tinha nenhum outro tenente comandante ou superior na Enterprise? Cadê a Pélia quando precisamos dela (risos)? ]
O episódio sugere fortemente ser uma antecipação de Balance of Terror (reparem no mapa!), o que é razoável. Por outro lado, cinco milhões de mortos já deveriam ter recebido: menções por parte dos personagens da Enterprise e uma completa força tarefa federada para investigar... Além disso, parece haver uma versão da história com todos a bordo e em continuidade com o que o Pike já sabe sobre os romulanos nos próximo anos da cronologia de Star Trek.
(Alguns comentaristas da Internet apontaram semelhanças do episódio com o filme Crimson Tide, algo que esta Castanha nota como algo secundário na análise aqui. Existe recriação de cenas do longa, o que não é bom. Mas achamos que existem problemas ainda maiores.)
O almirante da vez é meio que o capitão Maxwell de The Wounded da TNG (incluindo a ironia dramática do seu final: ambos estavam de certa forma corretos!) mas com uma história sobretramada para incluir os TRÊS Kirks e o M'Benga, o que deixa as coisas meio gordurosas. Parecem dois episódios em um, fora a esquecível trama secundária. E o fato de M'Benga (ainda na metade do episódio!) não contar a história toda do almirante de uma vez para o primeiro oficial em exercício (e já claramente perturbado com a implementação da OG24 por parte do almirante) é no mínimo uma conveniência de roteiro.
A trama secundária parece ter saído daquela gaveta Trek das histórias reusadas... Uhura faz jus ao seu treinamento obtido assistindo ao VHS de Star Trek II, implementando um bom subterfúgio acústico mas exagera no Kirk-Fu (e chega a levar um tiro e não desmaiar!). A desconexão emocional desta Castanha com tudo que ocorre nesta história B é absoluta. E a última cena colide tonalmente com as últimas cenas da história A como um desastre de trens.
Obviamente o episódio terá uma continuação... Esperamos!
Outros pontos:
(*) Vocês notaram que o episódio não tem um Recap? Ele tem um KIRKCap!
(*) O cargueiro iria emitir um pulso sensor que poderia refletir na Enterprise e a nave camuflada poderia captar? O temor era esse?
(*) E se a base fosse subterrânea, a Ordem Geral 24 teria algum efeito? ... Aqui o almirante já fazia aritmética simples com os números das vítimas, neste ponto, mais tripulantes, além de Kirk, já deveriam ter começado a reclamar em voz alta... O Pike enviou uma missão ao planeta depois?
(*) Afinal, alguém mandou uma mensagem para o PADD de Kirk ou não?
(*) Obviamente a OG24 leva "Um tempo de Shinzon" (TM) para ser disparada. E depois de um tempão de preparação eis que só então o almirante manda redirecionar a força da DOBRA ESTELAR para os feisers... "Tema atual", sem dúvidas.
(*) E finalmente tivemos a cena de Kirk-pai e Scotty-filho. Lamentável!
(*) Kirk tentou mandar a mensagem para o Comando da Frota Estelar na cara do almirante para ser destituído, podemos supor (devido ao absurdo da coisa toda!). Por que ele não tentou também mandar de um outro jeito?
--- 04X09 ---
Episódio muito cansativo de se assistir e confessamos pelos menos três cochilos durante todo o esforço... Tentando resumir (essa sequência ABSOLUTAMENTE não pedida do pior episódio da primeira temporada): É como se fosse um segmento de alguma suposta/hipotética série de fantasia pré-adolescente (7-12 anos) projetado em Star Trek: Strange New Worlds. Existem vários marcadores disso... Não existe de fato suspense/mistério (pois afinal não podemos assustar e nem deixar ansiosas as crianças), M'Benga conta expositivamente/didaticamente para todos (dentro e fora da série) e antes da sequência da abertura (apesar da incompreensível logística usada, vinda do anterior da temporada 01) o propósito do episódio, que é realizar um rito de auto aceitação e auto (re) conciliação para Laan... Assim fica posta a nossa dificuldade em terminar tal árdua tarefa: não existe tensão e (enquanto apresentação dramática) não existe propósito.
Outros marcadores afins identificados: o próprio livro (inexplicavelmente escrito por Benny Russell), o lobisomem fofo que tem alergia a cães, o príncipe todo enrolado que é introduzido fazendo pose de apresentação em super slow motion (!) (com a face de Kirk que o planeta apropria da mente de Laan ou algo assim) (*), Spock como um Warlock farmador de aura (ou algo assim) e Pike como um covarde de bom coração.
(*) O real Kirk aparece no final do episódio para um encontro com Laan (pós auto reconciliação e agora mãe adotiva de uma carismática cachorra que na vida real pertence a própria atriz) a bordo da Enterprise por motivos que apenas a série compreende... E para quem ainda não percebeu: não existe frontalidade (para dizer o mínimo) na questão do sobrenome da oficial de segurança.
E claro que existem contra marcadores (em que ainda assim os ralizadores tentam fazer algum graça apesar da premissa que eles mesmo escolheram): A absurda batalha dos dois decotes , a gracinha da "chave da porta dos fundos" com Kirk dando risada , o selinho lésbico que não sabemos de onde veio (Benny Russell + Rejoined!? Foi isso!? WTF!?) , o Pike soltando a franga alucinadamente no melhor estilo BirdCage (que bate DE GOLEADA todos os bloopers de canastrice de Shatner dos tempos da TOS)... Entre outros.
Em suma, mais um candidato a pior episódio da série. E um roteiro, que mais uma vez, parece um primeiro rascunho.
--- 04X010 ---
INTRODUÇÃO
Esta quarta temporada das aventuras de Pike e cia. chega ao seu fim recheada: (i) de big swings (um sabor dos high concepts de outrora agora com ênfase em uma variação brusca de gênero, episódio a episódio, e que rotineiramente prioriza as convenções da vez sobre o entendimento acumulado da identidade de uma franquia de 60+ anos) e (ii) de call aheads (noções dentro dos episódios que apontam o que um personagem será e/ou estará fazendo no período da TOS, sendo ele um personagem da TOS ou não)... O mais grave é que eles parecem ter sempre uma versão rústica do big swing e do call ahead para cada segmento, porém parecem produzir apenas um rascunho de roteiro e já encaminham essa versão para produção, sem necessários refinamentos e polimentos... O resultado líquido de tudo isso feriu de morte a série SNW e o seu legado.
Então, sem mais delongas, bem vindos ao review...
"TODOS OS BONS SWINGS..."
O título Tomorrow's Enterprise (além de remeter a um famoso/celebrado episódio da TNG) parecia sugerir alguém vivo que não deveria estar e uma trama de linha temporal modificada que deveria ser então resetada com uma "morte" trágica (justo do alguém fornecido pelo setup)... Esse, como tanto gosta de dizer esta Castanha, é o: Star Trek Plot Twist. ... Mas esse não foi o caminho adotado aqui.
A mais clara influência de fato presente é a do episódio final da TNG... Mas, infelizmente, em comparação, este aqui é no máximo uma versão promocional daquele. Uma espécie de [Não importando a quantidade de Viagra disponível.]: "Todos os bons Swings... (Devem acabar um dia.)"
(No fim do dia, parece ser um roteiro da quinta temporada para a Uhura que eles anabolizaram para servir de 4X10... Supomos que eles salvaram coisas não usadas aqui para o 5X06, episódio final da série que chega em 2027... Por isso que esse episódio é tão esquisito... Supomos...)
Ficamos então com uma versão simplória de All Good Things com duas Uhuras defasadas temporalmente de um ano se comunicando (pelo fone de ouvido) (*) ao invés de um único Picard com a consciência saltando entre três distintos momentos (especialmente escolhidos para serem) significativos e separados por décadas... Isso é só um exemplo do abismo de carpintaria dramática entre as duas obras... Indo além, o episódio faz comentários meta linguísticos sobre AGT como a sua insistência com o jogo de pôquer e Kirk discutindo se deve estar mais ou menos próximo dos seus comandados (o que soa deveras desconectado).
O centro emocional do episódio nunca chega de forma clara, causando sonolência ao espectador. A promessa de salvamento de Scotty é estabelecida de forma confusa e é apoiada em uma caprichosa/incompreensível mecânica temporal para funcionar (E o que Uhura estava fazendo sozinha numa nave auxiliar nos limites de um buraco negro?) (Sem falar na forma que esse episódio trata a física em geral!).
(Podemos acreditar que de fato aconteceu alguma coisa ruim com Laan após o reset da linha temporal com a sobrevida de Scotty?)
(O namoro de Uhura e Scotty não sai de lugar algum, além de um filme ruim, após o investimento da série no emparelhamento de Scotty e Ortegas. Obviamente tal relacionamento não poderia servir de lastro para o presente episódio.)
A falta de atitude de ambas as tripulações frente a INEXPLICÁVEL permuta física das Uhuras é inacreditável, mas o pior ainda estava por vir...
Depois de uma pífia e confusa investigação (Por exemplo, a escultura na parede e uma espécie de Pedra de Roseta?), eis que descobrimos que as tais luzes cantoras são parteiras (!) e as duas anomalias espaço temporais são uma espécie de vaginas espaciais (!) e de algum modo estão conectadas (!). Descobrimos ainda que os pulsos são contrações (!) de um bebê espacial (!) que por algum motivo transcendental está em posição pélvica (!)...
E obviamente as duas Uhuras tem que se juntar para "virar o bebê" e permitir o nascimento, em uma espécie de manipulação sem fio do abstrato (uma vez que não existem informações sobre coisa alguma aqui) virtualmente impossível de se conectar.
E, sem surpresas, os super seres envolvidos, que partilham inúmeras características com os Profetas de Bajor, apertam um literal reset sobre tudo que ocorreu, preservando apenas as memórias das duas Uhuras. E é assustador como esse recurso de apagamento de memória tem sido usado em SNW.
(A omissão, sobreposta ao ponto do inaudível a uma música, do nome dos alienígenas, segue a atitude brincalhona com relação a Trelane. O que querem dizer com isso?)
(A reversão do filme para ilustrar tal reset e a montagem final do pôquer e da refeição compartilhadas parece ser um artefato de quando o segmento ainda era o fim da série e não apenas o fim da temporada.)
Sem um bom roteiro não existe catarse/culminância e o final (apesar dos belos visuais) é desprovido de sentido e de significado... O Swing da vez é modesto (em comparação) e não deve incomodar por si só aos fãs mais tradicionais... E o Call Ahead para os primeiros dias da Enterprise de Kirk é também discreto e pouco impactante (a já grande familiaridade da audiência com essa versão de Kirk não ajuda esse ponto). Reescritas são uma possibilidade mas é digno de nota a total ausência daqueles "momentos de arrepios" que episódios de linha temporal alterada costumam trazer.
(*) Para quem quiser investir mais nos aspectos de swing do episódio olhe aqui .
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