domingo, 1 de março de 2026
WEAPONS (2025)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
SINNERS (2025)
------------
------------
SINNERS (2025) [137'] [2.39:1] [★★★½]
Em Sinners, Ryan Coogler realiza um desvio fascinante em sua trajetória, ainda que mantenha vivas as preocupações centrais de seu cinema. Se em Fruitvale Station ele examinava a fragilidade da vida negra diante da violência institucional, e nas franquias Creed e Pantera Negra explorava o peso do legado e a construção de identidades dentro de estruturas opressoras, aqui o diretor migra para o território do horror gótico e do sobrenatural sem jamais abandonar o chão histórico. O longa representa um ponto de virada em sua filmografia justamente por fusionar gêneros populares com uma pesquisa de época meticulosa, resultando em algo que transcende o mero entretenimento. Coogler sempre demonstrou habilidade para extrair dramaticidade de contextos específicos, mas Sinners amplia essa lente ao inserir o fantástico como ferramenta para discutir a apropriação cultural e a resistência negra no sul dos Estados Unidos durante a Grande Depressão. Lançado em um momento em que o cinema mundial redescobre o potencial político do horror, a obra se alinha com as de Jordan Peele, que utilizam o gênero para escancarar tensões raciais e de gênero, mas avança ao propor uma reflexão sobre a própria natureza da criação artística como território de disputa. Mais do que nunca, Coogler afirma-se como um contador de histórias que recusa fronteiras entre o popular e o erudito, o comercial e o autoral, construindo pontes entre o passado traumático e as ansiedades contemporâneas sobre quem tem direito à narrativa e à memória.
A história de Sinners se desenrola em 1932 no coração do Delta do Mississippi, onde os gêmeos Elijah Smoke Moore e Elias Stack Moore (ambos interpretados por Michael B. Jordan em um tour de force de atuação) retornam à cidade natal depois de anos envolvidos com o crime organizado em Chicago. Carregam consigo não apenas dinheiro sujo, mas o sonho ambicioso de abrir um "juke joint", um estabelecimento clandestino onde a comunidade negra local possa finalmente dançar, beber e ouvir blues sem a vigilância constante dos brancos. Ao lado do primo adolescente Sammie Moore (Miles Caton), um guitarrista prodigioso cuja habilidade parece desafiar qualquer explicação racional, os irmãos enfrentam a desconfiança do pai do rapaz, o pastor Jedidiah (Saul Williams), que enxerga no blues a trilha sonora da perdição espiritual. A comunidade que se forma em torno do bar inclui figuras memoráveis como a cozinheira Annie (Wunmi Mosaku), ex-esposa (ou ainda atual?) de Smoke que pratica rituais herdados dos ancestrais para proteção, o pianista Delta Slim (Delroy Lindo) cujas músicas carregam a memória de gerações, e a jovem (casada e infeliz) cantora Pearline (Jayme Lawson), por quem Sammie desenvolve uma paixão que mistura admiração artística e desejo adolescente. O conflito central, entretanto, irrompe quando o vampiro irlandês Remmick (Jack O'Connell) emerge das sombras acompanhado por sua horda de criaturas pálidas, atraído irresistivelmente pelo poder sobrenatural contido nas composições de Sammie. Inicia-se então um cerco noturno ao juke joint em sua noite inaugural, forçando os sobreviventes a defender não apenas suas vidas físicas, mas sua cultura, sua música e sua memória coletiva. Os vampiros aqui representam figurativamente algo mais sinistro que a simples sede de sangue: desejam sugar a própria alma criativa da comunidade, transformando sua arte em mercadoria vazia, despojada de significado e contexto... Remmick por sua vez (e dentro da trama) procura se reconectar com seu próprio passado e ancestrais através da música, e busca transformar a comunidade local em um exército de mortos-vivos sob seu controle.
A orquestração técnica de Sinners eleva o material a patamares impressionantes, começando pela fotografia de Autumn Durald Arkapaw, rodada em celuloide de 65mm e câmeras IMAX, que confere ao quadro uma textura quase tátil. A sujeira sob as unhas dos personagens, o brilho do suor em suas peles, a poeira que dança nos raios de luz que penetram pelas frestas da madeira, tudo adquire presença física na tela, criando uma imersão sensorial que poucos filmes de gênero alcançam. A paleta cromática é meticulosamente construída para operar em nível psicológico: os personagens negros emergem de fundos terrosos, ocres e acinzentados que evocam resistência e enraizamento, enquanto os vampiros são banhados em azuis gelados e fluorescentes que sugerem desumanização e esterilidade espiritual, com o vermelho surgindo apenas em momentos precisos como prenúncio de violência iminente. A montagem de Michael P. Shawver, colaborador frequente de Coogler, equilibra com precisão cirúrgica os momentos de tensão contida e as explosões de horror visceral, particularmente na sequência antológica em que a música de Sammie invoca, sem que os próprios personagens compreendam plenamente o fenômeno, espectros de músicos negros do passado e do futuro. Por breves instantes, vemos desfilar figuras que remetem a Robert Johnson, Muddy Waters, Jimi Hendrix e até mesmo um DJ contemporâneo com seus toca-discos, numa declaração visual contundente sobre a ancestralidade que atravessa gerações e a natureza cíclica da opressão cultural. A trilha sonora de Ludwig Göransson, outro parceiro habitual do diretor, merece análise à parte: ela transita com naturalidade impressionante do gospel rural ao blues do Delta, da música celta trazida pelos imigrantes irlandeses ao industrial do século XXI, construindo uma tapeçaria sonora que não apenas acompanha, mas frequentemente conduz a experiência emocional do espectador. A direção de Coogler demonstra segurança absoluta ao orquestrar esses elementos, extraindo de Jordan duas performances complementares que acentuam as tensões entre impulsividade e razão, entrega ao destino e luta pela autonomia. Caton, como Sammie, carrega nos ombros frágeis o peso simbólico de toda uma tradição musical, enquanto Lindo e Mosaku oferecem contrapontos de sabedoria ancestral que ancora o fantástico no reconhecível. A cena climática, em que o violão de Sammie é literalmente usado como arma contra Remmick e seus seguidores, sintetiza com elegância brutal a tese central do filme: a arte não é apenas expressão, mas instrumento de resistência e sobrevivência física e espiritual.
Sinners conclui sua trajetória oferecendo um veredicto complexo e deliberadamente ambíguo sobre os temas que mobiliza. O racismo não é apresentado como força puramente externa e violenta, mas também como sedução perigosa que promete imortalidade e reconhecimento em troca da submissão cultural completa. Quando Remmick oferece a liberdade eterna a Sammie, declarando explicitamente "Quero suas histórias, suas canções, sua alma!" ele verbaliza a dinâmica de apropriação que o filme denuncia sem jamais recorrer ao didatismo simplificador. Os personagens principais enfrentam seus conflitos de forma trágica e inescapável: Smoke sacrifica-se heroicamente para proteger o irmão e a comunidade, enquanto Stack, transformado em vampiro contra sua vontade, sobrevive através dos séculos carregando o peso insuportável da culpa e da memória do irmão. No epílogo situado sessenta anos depois, em 1992, encontramos Sammie transformado em um músico idoso e consagrado (interpretado com dignidade pelo lendário guitarrista Buddy Guy), agora capaz de compreender plenamente os eventos sobrenaturais que marcaram sua juventude. Quando Stack e Mary (Hailee Steinfeld), sua companheira de maldição (e também presente na fatídica noite), reaparecem para oferecer-lhe a mesma imortalidade que outrora recusara, Sammie escolhe conscientemente a finitude humana, compreendendo que é precisamente a mortalidade que confere significado e urgência à criação artística. É uma conclusão que reafirma a vida diante da eternidade vazia, a comunidade diante do individualismo predatório, a memória viva diante da apropriação morta. Na filmografia de Ryan Coogler, Sinners representa o passo mais ousado em direção a um cinema de gênero com densidade intelectual e emocional comparável aos grandes clássicos do horror alegórico, provando que é perfeitamente possível conceber blockbusters originais que dialogam profundamente com o passado e o presente sem jamais fazer concessões à complexidade. Mais do que um simples filme de vampiros, a obra revela-se uma meditação profunda sobre o que significa criar, lembrar e resistir quando o mundo ao redor deseja sugar tudo de você, transformando sua dor em entretenimento e sua história em produto. Coogler consolida-se assim como um dos cineastas mais importantes de sua geração, capaz de unir entretenimento de massa e reflexão social com rara felicidade expressiva.
------------
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
NOSFERATU (2024)
domingo, 29 de outubro de 2023
TERROR (1931-)
003. Dr. Jekyll and Mr. Hyde (Rouben Mamoulian , 1931) GF2500
004. Frankenstein (James Whale , 1931) GF1000
005. The Island of Lost Souls (Erle C. Kenton , 1932) GF2000
006. The Old Dark House (James Whale , 1932) GF2000
007. Freaks (Tod Browning , 1932) GF1000
008. The Invisible Man (James Whale , 1933) GF3500
009. King Kong (Merian C. Cooper & Ernest B. Schoedsack , 1933) GF1000
010. The Black Cat (Edgar G. Ulmer , 1934) GF1000
011. Bride of Frankenstein ( James Whale , 1935) GF1000
012. Cat People (Jacques Tourneur , 1942) GF1000
013. I Walked with a Zombie (Jacques Tourneur , 1943) GF1000
014. The Seventh Victim (Mark Robson , 1943) GF1000
015. Dead of Night (Alberto Cavalcanti e outros , 1945) GF3000
016. Les Diaboliques (Henri-Georges Clouzot , 1955) GF1000
018. Dracula (Terence Fisher , 1958) GF1000
019. Black Sunday (Mario Bava , 1960) GF1000
020. Eyes Without a Face (Georges Franju , 1960) GF1000
021. Peeping Tom (Michael Powell , 1960) GF1000
022. Psycho (Alfred Hitchcock , 1960) GF1000
023. The Innocents (Jack Clayton , 1961) GF1000
024. What Ever Happened To Baby Jane? (Robert Aldrich , 1962) GF1500
026. The Birds (Alfred Hitchcock , 1963) GF1000
028. Onibaba (Kaneto Shindô , 1964) GF1500
029. Kwaidan (Masaki Kobayashi , 1964) GF1000
030. Repulsion (Roman Polanski , 1965) GF1000
031. The Devil Rides Out (Terence Fisher , 1968) GF2500
032. Hour of the Wolf (Ingmar Bergman , 1968) GF1000
033. Night of the Living Dead (George A. Romero , 1968) GF1000
034. Rosemary's Baby (Roman Polanski , 1968) GF1000
035. The Devils (Ken Russell , 1971) GF1000
036. The Last House on the Left (Wes Craven , 1972) GF4000
038. The Exorcist (William Friedkin , 1973) GF1000
039. The Wicker Man (Robin Hardy , 1973) GF1000
040. Don’t Look Now (Nicolas Roeg , 1973) GF1000
041. Black Christmas (Bob Clark , 1974) GF3000
043. Phantom of the Paradise (Brian De Palma , 1974) GF1000
044. The Texas Chainsaw Massacre (Tobe Hooper , 1974) GF1000
045. Salò, or the 120 Days of Sodom (Pier Paolo Pasolini , 1975) GF1000
046. Deep Red ( Dario Argento , 1975) GF1000
047. The Omen (Richard Donner , 1976) GF2000
049. The Tenant (Roman Polanski , 1976) GF1000
050. Carrie (Brian De Palma , 1976) GF1000
051. EraserHead (David Lynch , 1977) GF1000
053. Martin (George A. Romero , 1977) GF2500
054. Halloween (John Carpenter , 1978) GF1000
055. Dawn of the Dead (George A. Romero , 1978) GF1000
056. Nosferatu the Vampyre (Werner Herzog , 1979) GF1500
057. Arrebato ( Iván Zulueta , 1979) GF1000
058. Cannibal Holocaust (Ruggero Deodato , 1980) GF2000
061. Inferno (Dario Argento , 1980) GF1000
062. The Shining (Stanley Kubrick , 1980) GF1000
063. An American Werewolf in London (John Landis , 1981) GF1000
065. The Beyond (Lucio Fulci , 1981) GF1500
066. Possession (Andrzej Zulawski , 1981) GF1000
067. Poltergeist (Tobe Hooper , 1982) GF2000
070. A Nightmare on Elm Street (Wes Craven , 1984) GF2000
072. Re-Animator (Stuart Gordon , 1985) GF2000
073. HellRaiser (Clive Barker , 1987) GF1500
075. Near Dark (Kathryn Bigelow , 1987) GF1000
076. The Vanishing (George Sluizer , 1988) GF1000
077. Dead Ringers (David Cronenberg , 1988) GF1000
078. Jacobs Ladder (Adrian Lyne , 1990) GF1000
080. Dracula (Francis Ford Coppola , 1992) GF1500
083. Twin Peaks: Fire Walk with Me (David Lynch , 1992) GF1000
084. Ed Wood (Tim Burton , 1994) GF1000
085. Scream (Wes Craven , 1996) GF1500
087. Cure (Kiyoshi Kurosawa , 1997) GF1000
088. The Ring (Hideo Nakata , 1998) GF2000
089. The Sixth Sense (Shyamalan , 1999) GF1500
091. Audition (Takashi Miike , 1999) GF1000
092. The Others (Alejandro Amenabar , 2001) GF3500
093. Pulse (Kiyoshi Kurosawa , 2001) GF1500
094. The Devil's Backbone (Guillermo del Toro , 2001) GF1500
095. Trouble Every Day (Claire Denis , 2001) GF1000
096. 28 Days Later (Danny Boyle , 2002) GF2000
098. The Descent (Neil Marshall , 2005) GF3000
099. Inland Empire (David Lynch , 2006) GF1000
100. REC (Jaume Balagueró & Paco Plaza , 2007) GF4000
101. The Orphanage (J. A. Bayona , 2007) GF3500
102. Let the Right One In (Tomas Alfredson , 2008) GF1000
103. Antichrist (Lars Von Trier , 2009) GF2500
104. It Follows (David Robert Mitchell , 2014) GF2500
106. The Witch (Robert Eggers , 2015) GF3500
107. The Wailing (Na Hong-jin , 2016) GF5000
108. Raw (Julia Ducournau , 2017) GF2000
109. Get Out (Jordan Peele , 2017) GF1000
110. Hereditary (Ari Aster , 2018) GF3500
111. Midsommar (Ari Aster , 2019) GF2500
112. Saint Maud (Rose Glass , 2019) GF4500
113. Titane (Julia Ducournau , 2021) GF1500

_poster.jpg)
