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(I) O refrão de Circunstances e a última fala de DS9...
(II) E se Apolo, Dionísio, um Vorlon e um Shadow entrassem num bar...
Esta curiosa secção ganhou vida própria e um artigo próprio que você pode conferir: aqui .
Podem conferir agora mesmo que a gente espera o seu retorno (E não deixem de conferir atentamente a letra completa de Hemispheres quando estiverem por lá!).
(III) De Cervantes até The Expanse e passando por um buraco negro no meio do caminho...
Para contextualizar esse último absurdo título (III), devemos falar da saga de "Cygnus X-1" como um todo. O seu primeiro TOMO (ou LIVRO) fala da constelação e do buraco negro titulares, especialmente da viagem do seu anônimo protagonista até o seu inevitável fim ao tentar atravessar tal singularidade gravitacional.
A nave do explorador é chamada de Rocinante. A letra de "Cygnus X-1 Book I: The Voyage" [do clássico álbum anterior A Farewell to Kings de 1977] confirma isso...
O nome Rocinante é uma referência direta ao fiel e magro cavalo de Dom Quixote, no romance clássico de Miguel de Cervantes. Isso estabelece o explorador como uma figura quixotesca, embarcando em uma jornada impossível e idealista em direção ao desconhecido.
A segunda parte dessa história cobre todo o lado A do álbum seguinte (Hemispheres 1978), o lendário titular épico progressivo em seis partes: "Cygnus X-1 Book II: Hemispheres". A quinta parte é que realmente conta o que aconteceu com o explorador após ele atravessar o buraco negro [ Com direito até a flashbacks sonoros do "livro anterior", da sua jornada através do buraco negro! É ouvir para crer! ]... Tendo seu corpo físico destruído, ele reentra na narrativa como uma espécie de "alma errante". Ele emerge no Olimpo e testemunha (agora sob a perspectiva divina) o conflito entre os deuses Apolo (Razão) e Dionísio (Emoção) e o seu reflexo na humanidade.
Sua intervenção com voz interior, um "grito silencioso" de agonia diante de tamanho desequilíbrio, é tão poderosa que faz os deuses guerreiros repensarem sua luta. Para garantir que uma estabilidade seja possível e o conflito não se repita ciclicamente/indefinidamente, os deuses então reconhecem o explorador (inclusive levando em conta todo o extraordinário que o trouxe até alí) como uma nova divindade e o nomeiam simplesmente: "Cygnus, o Deus do Equilíbrio".
Portanto, a jornada do herói outrora anônimo termina com seu renascimento e apoteose, recebendo o nome da própria constelação e do buraco negro que o engoliu, simbolizando sua nova identidade como a personificação do equilíbrio entre forças opostas.
(OBS: Notem como abundam similaridades com os eventos da vida de John Sheridan em Babylon 5. Especialmente os episódios de 03X22:"Z'ha'dum" até 04X06:"Into the Fire".)
O segundo TOMO termina com sua sexta parte retornando ao seio da humanidade com uma singela canção folk... As palavras de Peart aqui se mostram excepcionalmente bem escolhidas, terminando com uma nota de esperança de que o que eram dois possam se tornar apenas um.
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E eis que as palavras de Peart encontraram novamente ecos paralelos, agora em mais um série SCIFI espacial: The Expanse (2015-2022)...
O nome Rocinante (a nave líder da série) foi escolhido por James Holden, protagonista e o capitão da nave, que é um grande fã do romance clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, desde a infância. No livro, Rocinante é o nome do cavalo do protagonista. Holden rebatiza a nave com esse nome após ele e sua tripulação assumirem o controle dela.
A Rocinante era originalmente uma fragata da Marinha da República Congressional Marciana (MCRN). Sua classe é de uma "Corvette-class light frigate", ou fragata ligeira classe Corveta, um navio de guerra rápido e versátil, capaz de desempenhar múltiplos papéis em combate, como lançador de torpedos e transporte para equipes de abordagem. Antes de se chamar Rocinante, a nave era conhecida como MCRN Tachi (ECF 270).
Ela era uma nave auxiliar, uma escolta de frota, que ficava estacionada a bordo da nave capitânia da Marinha Marciana, a gigantesca couraçada MCRN Donnager. Quando a Donnager foi atacada e afundada, a Tachi foi usada como nave de fuga por Holden e sua então tripulação da nave Knight (nave auxiliar e única sobrevivente da destruição da nave geleira Canterbury), que haviam sido resgatados pela Donnager. Eles conseguiram escapar a bordo da Tachi antes da destruição total da nave-mãe. Holden então reivindicou a nave como "salvamento legítimo" e a rebatizou.
A interpretação, digamos, "original" de James Holden sobre Dom Quixote é deveras particular. Ele cresceu lendo o livro e, quando criança, "se imaginava como um cavaleiro" e "achava que tudo era muito engraçado". Ele via a história como uma espécie de comédia, um idealista atabalhoado em aventuras tolas. No entanto, a mãe de Holden comenta que "nunca teve coragem de dizer a ele que o livro é, na verdade, uma tragédia". Esta visão inocente e idealista reflete-se diretamente na personalidade de Holden. Ele é frequentemente descrito como ingênuo, impulsivo e excessivamente idealista em sua busca por ações justas e cavalheirescas. A palavra "quixotesco" é usada para descrever seu comportamento, e tanto outros personagens quanto os fãs associam Holden à ideia de "tilting at windmills" (lutar contra moinhos de vento, ou seja, embarcar em batalhas impossíveis ou fúteis). Para Holden, sua nave não é apenas uma ferramenta; ela representa a elevação de um veículo humilde (ou, neste caso, uma nave de guerra roubada) a um símbolo de seus ideais, assim como Dom Quixote via seu cavalo magro como um nobre corcel.
Por fim, é interessante notar que, na série de TV The Expanse, a nave Rocinante carrega três drones de reconhecimento, que foram nomeados em homenagem aos membros da banda Rush: "Peart", "Lee" e "Lifeson"...
E sim os autores de The Expanse são fãs de Rush e tinham total ciência dessa "Conexão Rocinante"... E sim as duas Rocinantes são inspiradas independentemente pelo mesmo pangaré de Cervantes e basicamente pelo mesmo motivo.
(Observação: Holden também encontrou durante a série objetos que de certa forma pareciam buracos negros, ou mais precisamente buracos de minhoca. E ainda teve que lidar com o legado de seres que caminharam/caminham pelo universo como Deuses... Mas isso é outra história!)
(IV) O quarto ato de uma Trilogia Professoral...
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