sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DEATH (1991-1999)

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ÁLBUNS

01 (1991) Death: Human [****]
02 (1993) Death: Individual Thought Patterns [****]
03 (1995) Death: Symbolic [****]
04 (1998) Death: The Sound Of Perseverence [****]
05 (1999) Control Denied: The Fragile Art Of Existence [****]
 
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PESSOAL

Voz: Chuck Schuldiner (01-04) , Tim Aymar (05). 
 
Guitarra: Chuck Schuldiner.
 
Guitarra: Paul Masvidal (01) , Andy LaRocque (02) , Bobby Koelble (03) , Shannon Hamm (04 , 05).
 
Bateria: Sean Reinert (01) , Gene Hoglan (02, 03) , Richard Christy (04, 05).
 
Baixo: Steve DiGiorgio (01, 02, 05) , Kelly Conlon (03) , Scott Clendenin (04).

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ANÁLISE HISTÓRICA (1991-1999)

Era o início dos anos noventa e o death metal, ainda uma criatura jovem e feroz, já mostrava sinais de que poderia ser muito mais do que uma torrente de distorção e sons guturais. Enquanto o thrash metal das grandes bandas de São Francisco e Nova Iorque começava a conquistar estádios, o underground extremo fervilhava na Flórida, na Suécia e em outros cantos do mundo. Em meio a esse caldeirão, um músico de estatura incomparável, Chuck Schuldiner, preparava a transformação mais radical de sua carreira. O ano de 1991 não apenas viu o lançamento de um álbum que redefiniria o gênero, mas também marcou o início de uma década em que Chuck, talvez um dos cinco maiores compositores da história do heavy metal, deixaria um legado que transcenderia tal brutalidade. O período que vai de 1991 a 1999 abrange os trabalhos de suas duas bandas, Death e Control Denied, e testemunha a evolução de um artista que nunca se contentou com a repetição... Para entender o impacto desse momento, é preciso voltar um pouco antes, logo após o lançamento de Spiritual Healing do Death, em 1990. Chuck sentia-se insatisfeito com as limitações do death metal bruto de então que ele mesmo ajudara a criar. Ele queria mais técnica, mais melodia, mais complexidade. Assim, demitiu o guitarrista James Murphy e foi atrás de jovens promessas que ouviam fusion e jazz. Encontrou Paul Masvidal e Sean Reinert, ambos do Cynic, e também chamou o baixista Steve DiGiorgio, um virtuoso do baixo sem trastes. Esse quarteto entraria no estúdio Morrisound, em Tampa, e produziria algo assombroso.

A virada técnica e artística se materializou em Human, de 1991, mas a história dos bastidores daquele álbum revela o perfeccionismo que orbitava a personalidade forte de Chuck. Durante a mixagem, Steve DiGiorgio ficou furioso com o volume baixo de seu instrumento na mesa de som. O produtor Scott Burns insistia em sua visão, até que DiGiorgio, num acesso de ira criativa, tomou o console e ajustou os níveis ele mesmo. O resultado final foi um compromisso tenso, e as fitas mestras originais acabaram perdidas, o que décadas depois levaria a um remix completo. Esse tipo de anedota pontua a atmosfera de busca incessante pela perfeição que rondava Chuck... Enquanto isso, o cenário do rock mundial vivia a ascensão do grunge com Nirvana e Pearl Jam, e o metal se fragmentava. O Pantera dominava com o groove metal, o Metallica lançava o Black Album, atingindo um público mainstream pela primeira vez, enquanto outras bandas grandes sonhavam com o mesmo. No extremo oposto, o death metal técnico ganhava corpo com obras primas como Unquestionable Presence, do Atheist, e Focus, do Cynic (ainda inédito). O Death, porém, estava à frente de todos. Chuck não apenas influenciou essas bandas, mas também foi influenciado por elas e por grupos de prog metal como Watchtower e Queensrÿche (entre tantas outras). A partir de 1991, o Death se tornaria a referência máxima para o que se chamaria de death metal técnico e, mais adiante influenciaria o death metal melódico (de forma indireta e estrutural, vide o álbum HeartWork 1993 do Carcass, por exemplo)... 

Os três bateristas que passaram pela banda nesse período são capítulos à parte. Sean Reinert, com apenas vinte anos em 1991, revolucionou a bateria no metal extremo ao trazer uma abordagem inspirada no jazz fusion de Billy Cobham e Tony Williams (e uma "leveza de toque" completamente inédita no metal). Seus fills criativos e o uso dinâmico dos pratos abriram caminho para uma geração de músicos que queriam tocar death metal com a precisão de um conservatório. Ele influenciou desde bateristas como Thomas Haake (por existir e estruturalmente com as suas contra melodias rítmicas) até o seu próprio sucessor na banda, Gene Hoglan... Hoglan, que entrou em 1993, era conhecido como o Relógio Atômico por sua precisão robótica e sua velocidade estonteante com os pés. Sua passagem pelo Death resultou em dois álbuns monumentais e sua influência ecoa em praticamente todo baterista de metal progressivo/técnico/extremo que veio depois (mais do que lendário no gênero!), de Dirk Verbeuren a Mario Duplantier... Já Richard Christy, o terceiro grande nome, assumiu as baquetas em 1998 e trouxe uma mistura de potência bruta e complexidade rítmica que desafiaria a compreensão até dos músicos mais experientes. Christy, que mais tarde se tornaria uma personalidade do rádio nos Estados Unidos, também deixou sua marca no Control Denied... Paralelamente, o baixo sem trastes de Steve DiGiorgio se tornou uma assinatura sonora. O timbre cantante e os glissandos (slides) característicos do instrumento deram ao Death uma atmosfera progressiva e melancólica que nenhuma outra banda conseguia reproduzir. DiGiorgio é, até hoje, uma das maiores influências para baixistas de metal que buscam romper com o papel meramente rítmico do instrumento.

A jornada de 1991 a 1999 é pontuada por momentos marcantes e por uma sombra que começaria a se alongar no final da década... Em 1993, com Individual Thought Patterns, Chuck trouxe o guitarrista neo clássico Andy LaRocque, do King Diamond, para as guitarras, e a banda soou ainda mais técnica e melódica (menos jazzista e mais metálica do que o álbum anterior). Em 1995, o lançamento de Symbolic foi recebido com hostilidade por parte dos fãs mais radicais, que achavam o som melódico e limpo demais. Gene Hoglan recorda que receberam cartas de ódio perguntando o que haviam feito com a banda favorita deles. A ironia do destino fez com que, anos depois, Symbolic fosse aclamado como um dos maiores álbuns de todos os tempos no gênero... Chuck, porém, já olhava para frente. Desde pelo menos 1993, ele falava em entrevistas sobre o desejo de ter um vocalista poderoso no estilo de Rob Halford ou Ronnie James Dio. Esse sonho começou a se materializar em 1995, quando ele compôs riffs específicos para um projeto paralelo que chamaria de Control Denied. A ideia era fazer um metal melódico e progressivo com vocais limpos, deixando o Death em hiato. A gravadora Roadrunner Records, porém, não via com bons olhos a mudança, e o relacionamento se desgastou. Chuck então assinou com a Nuclear Blast e colocou eventualmente o plano em ação. Reuniu o guitarrista Shannon Hamm, o baterista Richard Christy, o baixista Steve DiGiorgio (de volta) e o vocalista de ofício Tim Aymar. O resultado foi The Fragile Art of Existence, lançado em maio de 1999 (mas notem que o Death ainda lançou, um ano antes, The Sound Of Perseverence, pela NB, outro clássico!)... Na mesma semana do lançamento de 1999, no dia treze de maio, Chuck completava trinta e dois anos e recebia um diagnóstico devastador: um glioma de alto grau, um tumor cerebral maligno e agressivo localizado no tronco cerebral. A notícia caiu como uma bomba na comunidade do metal. Chuck não tinha plano de saúde, e os custos do tratamento, que incluíam radioterapia e cirurgias, eram astronômicos. Imediatamente, uma campanha de arrecadação de fundos foi organizada por fãs e amigos, com shows beneficentes em várias partes do mundo. A doença não o impediu de continuar compondo e até mesmo de planejar um segundo álbum do Control Denied, que infelizmente nunca seria finalizado. Chuck Schuldiner faleceu em treze de dezembro de 2001, deixando um vazio imenso. Sua obra, porém, jamais será esquecida. Ele não foi apenas o Pai do Death Metal – título que ele próprio recusava, preferindo dar crédito nisso ao Possessed – mas sim um compositor de estatura clássica, cuja música transcende rótulos e gerações. O legado que ele deixou entre 1991 e 1999 é a prova viva de que a evolução artística e a integridade criativa podem coexistir com a mais pura violência sonora... Dez anos para mudar o mundo!

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DISCOGRAFIA (1991-1999)

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Death: Human (1991)

O primeiro grande marco desse período é o álbum Human, lançado em outubro de 1991. O mundo do rock vivia um momento de transição. O thrash metal (cada vez mais massageado) atingia seu auge comercial com o Metallica e o Megadeth, enquanto o grunge explodia com Nevermind, do Nirvana, e Ten, do Pearl Jam. No underground, o death metal ainda era visto como uma curiosidade mórbida... Foi nesse cenário que Chuck Schuldiner, insatisfeito com a direção puramente brutal do gênero, decidiu contratar músicos que pensavam como ele. Chuck, Paul Masvidal e Sean Reinert, do Cynic, e Steve DiGiorgio, um baixista que ousava usar um instrumento sem trastes no meio da distorção (!), entraram em estúdio. O resultado foi um álbum que soa como uma declaração de princípios... A faixa de abertura, Flattening of Emotions, já começa com um riff técnico e uma bateria que não se limita a acelerar protocolarmente e sim a criar camadas rítmicas. A letra fala sobre o controle das emoções, um tema introspectivo que contrastava com o horror gore dos primeiros discos. Lack of Comprehension tornou-se um clássico instantâneo, com seu refrão melódico e um belo solo de guitarra que mostrava a influência do rock progressivo. A música Suicide Machine, com sua letra angustiada sobre o vício e a autodestruição, prossegue trazendo uma sensação de catarse. Mas é na faixa instrumental Cosmic Sea que o baixo sem trastes de DiGiorgio brilha de fato, criando atmosferas que lembram o fusion (Return to Forever, talvez?). A produção, ainda que um tanto limitada, conseguiu capturar a energia de uma banda que estava redefinindo os limites do metal extremo. Cada música do Human tem uma identidade própria. Secret Face explora ritmos assimétricos enquanto Together as One é uma explosão de dois minutos de concisão pedagógica. O álbum, que dura pouco mais de meia hora, é denso e direto ao ponto. Chuck dividiu os vocais entre guturais mais rasgados e alguns momentos quase limpos, antecipando o que viria nos anos seguintes. A recepção da crítica foi curiosamente positiva, mas muitos fãs antigos torceram o nariz, sentindo falta da brutalidade crua de Leprosy (por exemplo). O tempo, porém, mostrou que Human era um divisor de águas. Ele influenciou diretamente o surgimento do death metal técnico e abriu as portas para bandas como Atheist, Pestilence e, mais tarde, Opeth e Gojira. O legado de Human está em cada banda que, nos anos seguintes, decidiu que o metal extremo podia ser tão complexo quanto a música clássica ou o jazz. Sean Reinert, com sua atitude de "Dave Weckl tocando Death Metal", foi revolucionário,  tornando-se uma referência para todos que queriam tocar metal extremo com EXTREMA musicalidade nos anos vindouros. E Chuck, mais uma vez, provou que não se curvaria às expectativas de ninguém... Dez anos para mudar o mundo!

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Death: Individual Thought Patterns (1993)

Dois anos depois, em junho de 1993, o Death lançou Individual Thought Patterns. O cenário do rock havia mudado. O grunge estava no auge, mas o metal começava a se ramificar. O Pantera lançara Vulgar Display of Power, e o groove metal e afins dominavam as rádios. No underground, o death metal melódico começava a dar seus primeiros passos na Suécia com bandas como In Flames e At the Gates. Chuck, porém, não estava interessado em seguir modas. Ele reformulou completamente a formação. Paul Masvidal e Sean Reinert saíram para se dedicar ao Cynic, e Chuck trouxe dois monstros sagrados: o guitarrista Andy LaRocque, conhecido por seu trabalho no King Diamond, e o baterista Gene Hoglan, que vinha do Dark Angel e era apelidado de Relógio Atômico por sua precisão cirúrgica. Steve DiGiorgio retornou ao baixo, e sua mixagem foi elevada no estúdio, dando ao som sem trastes um protagonismo inédito... O álbum começa com Overactive Imagination, uma música que alterna passagens ultrarrápidas com momentos de calma enganosa. A letra fala sobre a mente que não para, e a música reflete essa agitação. In Human Form explora a desumanização da sociedade, com riffs que parecem se dobrar sobre si mesmos. Jealousy é um turbilhão de mudanças de andamento e solos de guitarra que duelam entre si. A faixa-título, Individual Thought Patterns, é um hino à liberdade de pensar por si mesmo, e seu refrão melódico ficou gravado na mente de uma geração. Destiny, com sua introdução quase jazzística no baixo, mostra a influência de músicos como Jaco Pastorius. Out of Touch trapaceia com o ouvinte através de compassos ímpares. The Philosopher é talvez a música mais famosa do álbum, com seu riff principal inconfundível e uma letra que critica a arrogância intelectual. Gene Hoglan entrega uma performance estonteante, com fills de bateria que parecem desafiar a gravidade. Andy LaRocque e Chuck trocam solos que combinam velocidade e melodia de uma forma que poucas bandas de death metal conseguiram igualar. A produção, a cargo de Scott Burns e do próprio Chuck, deu ao álbum um som mais limpo e definido que o do Human, permitindo que cada detalhe fosse ouvido. Individual Thought Patterns foi recebido com entusiasmo pela cena underground, mas não alcançou o sucesso comercial que a gravadora esperava. Ainda assim, sua influência foi imensa. O uso do baixo sem trastes se tornou uma marca registrada do death metal técnico, e a abordagem de Hoglan inspirou virtualmente todos os bateristas do gênero. O álbum também mostrou que Chuck não tinha medo de deixar o metal de lado por alguns segundos para explorar harmonias mais suaves. A faixa instrumental Cosmic Sea, do álbum anterior, era um prenúncio; aqui, a faixa The Philosopher tem um solo de baixo que poderia estar em um disco de fusion. Individual Thought Patterns consolidou o Death como a banda mais inovadora do gênero e preparou o terreno para a obra-prima que viria a seguir... Dez anos para mudar o mundo!

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Death: Symbolic (1995)

Março de 1995 trouxe Symbolic, um álbum que, ironicamente, foi odiado por muitos fãs no momento de seu lançamento. Gene Hoglan recorda que as cartas de ódio chegavam aos montes. A acusação era sempre a mesma: o Death havia ficado melódico demais, limpo demais, traindo as raízes do death metal. O contexto musical externo, porém, era outro. O rock dos anos noventa vivia a era do pós-grunge, com bandas como Bush e Candlebox, enquanto o metal alternativo de bandas como Korn e Deftones começava a ganhar força. O metal tradicional parecia em declínio. Chuck, porém, seguiu seu caminho. Ele montou uma nova formação: o guitarrista Bobby Koelble, o baixista Kelly Conlon e o retorno de Gene Hoglan na bateria. A produção ficou a cargo de Jim Morris, que deu ao som uma clareza e uma riqueza de detalhes que nenhum outro álbum do Death havia tido... A faixa de abertura, Symbolic, é um hino melódico que começa com um riff de guitarra limpa antes de explodir em distorção. A letra fala sobre a perda da inocência e a passagem do tempo, um tema que ressoaria profundamente após a morte prematura de Chuck. Zero Tolerance é uma das músicas mais diretas do álbum, com um refrão que gruda na cabeça e um solo de guitarra que mescla técnica e sentimento. Empty Words começa com uma linha de baixo marcante e constrói uma atmosfera sombria antes de desabar em peso. Crystal Mountain é frequentemente citada como uma das melhores músicas de toda a carreira de Chuck. Seu riff principal é instantaneamente reconhecível, e a letra, que critica o fanatismo religioso, é das mais afiadas que ele escreveu. Misanthrope, com seus quase seis minutos, é um estudo sobre a misantropia e o isolamento, com mudanças de andamento que desafiam o ouvinte a acompanhar. Perennial Quest encerra o álbum de forma épica, com uma introdução de guitarra acústica e uma melodia que parece flutuar acima da brutalidade. As outras faixas, como Without Judgment e 1.000 Eyes, mantêm o nível altíssimo, com letras que exploram a alienação e a vigilância social. Cada música do Symbolic tem algo único a oferecer. A produção de Jim Morris destacou cada nuança do baixo, cada virada da bateria de Hoglan e cada harmonização de guitarras. A voz de Chuck, ainda gutural, ganhou um tom mais compreensível e expressivo. A recepção negativa inicial não impediu que o álbum, com o passar dos anos, fosse reavaliado. Hoje, Symbolic é unanimemente considerado um dos maiores álbuns de death metal de todos os tempos, e muitos o colocam no mesmo patamar de obras-primas como Master of Puppets e Reign in Blood. Sua influência se estendeu para além do metal extremo, alcançando bandas de rock progressivo e até de pós-rock. O uso da melodia como ferramenta de expressão, em vez de mero adorno, tornou-se uma lição para músicos de todos os gêneros. Chuck, que nunca se importou com o que os outros pensavam, estava mais uma vez certo... Dez anos para mudar o mundo!

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Death: The Sound of Perseverance (1998)

Após o Symbolic, Chuck decidiu colocar o Death em hiato. Ele queria se dedicar ao Control Denied, seu projeto de metal melódico com vocais limpos. No entanto, a gravadora Roadrunner Records não apoiou a ideia, e a relação se rompeu. Chuck assinou com a Nuclear Blast e começou a trabalhar no que seria o último álbum do Death, The Sound of Perseverance, lançado em agosto de 1998. O mundo do rock, naquele ano, assistia ao auge do nu metal com bandas como Korn, Limp Bizkit e o recém-surgido Slipknot. O metal extremo estava fragmentado, e o death metal tradicional perdia espaço. Chuck, porém, não estava nem aí para as tendências. Ele montou uma formação completamente nova: o guitarrista Shannon Hamm, o baixista Scott Clendenin e o baterista Richard Christy. E decidiu fazer algo que ninguém esperava: mudar completamente sua técnica vocal. Em vez dos guturais graves e rasgados que o consagraram, Chuck passou a usar um agudo rasgado e cheio de vibrato, inspirado em Rob Halford, do Judas Priest... A abertura do álbum, Scavenger of Human Sorrow, já mostra a nova abordagem: a música é técnica e brutal, mas a voz de Chuck soa como um grito de desespero melódico. Bite the Pain, com sua letra autobiográfica sobre a luta contra a doença e a adversidade, é uma das composições mais emocionantes de sua carreira. Spirit Crusher, que se tornaria um clássico póstumo, tem um refrão grudento e um solo de guitarra que é uma verdadeira aula de técnica. A faixa instrumental Voice of the Soul é um dos momentos mais belos de toda a discografia do Death. Sem vocais, apenas guitarras limpas e distorcidas alternando-se em uma melodia de partir o coração, a música mostra que Chuck era muito mais do que um músico de metal extremo – ele era um compositor capaz de transmitir emoções profundas sem uma única palavra. A música A Moment of Clarity, com sua letra sobre a busca pela verdade interior, tem uma estrutura complexa que alterna passagens lentas e rápidas. Flesh and the Power It Holds critica a corrupção e o abuso de poder, com riffs que parecem uma dança mecânica. O álbum termina com um cover de Painkiller, do Judas Priest, uma escolha ousada que demonstra a admiração de Chuck pelo metal tradicional. A versão do Death é mais pesada e técnica que a original, mas mantém a essência melódica e a energia do clássico de 1990. A recepção de The Sound of Perseverance foi mista. Muitos fãs estranharam a nova voz de Chuck, enquanto outros aplaudiram a coragem de inovar. Com o tempo, o álbum ganhou status de cult e hoje é considerado uma obra-prima do metal progressivo. A bateria de Richard Christy é um show à parte, com padrões rítmicos que desafiam a classificação. O baixo de Scott Clendenin, embora não tenha o destaque do baixo sem trastes de DiGiorgio, é sólido e preciso. As guitarras de Shannon Hamm e Chuck criam uma tapeçaria sonora densa e cheia de camadas. The Sound of Perseverance influenciou diretamente o surgimento do death metal progressivo dos anos 2000, com bandas como Opeth, Between the Buried and Me e Necrophagist citando-o como referência. O legado do álbum está em sua coragem de romper com o passado e abraçar o novo, mesmo que isso significasse perder fãs pelo caminho. Chuck Schuldiner nunca foi um artista que buscava agradar; ele buscava a verdade, e esse álbum é a expressão máxima dessa busca. Dez anos para mudar o mundo!

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Control Denied: The Fragile Art of Existence (1999)

O último capítulo da jornada musical de Chuck dentro do período de 1991 a 1999 é The Fragile Art of Existence, do Control Denied, lançado em maio de 1999. O projeto era o sonho antigo de Chuck: fazer um álbum de heavy metal melódico e progressivo com vocais limpos, sem os guturais do death metal. As composições foram escritas em sua maioria durante os anos de 1995 e 1996, muitas delas originalmente pensadas para o Death, mas guardadas para o projeto paralelo. Chuck recrutou o guitarrista Shannon Hamm e o baterista Richard Christy, que já haviam trabalhado com ele no The Sound of Perseverance, e trouxe de volta o baixista Steve DiGiorgio. Para os vocais, ele escolheu Tim Aymar, um cantor de power metal com alcance impressionante e estilo inspirado em Bruce Dickinson e Rob Halford. O álbum abre com Consumed, uma música que já começa com um riff de guitarra melódico e a voz poderosa de Aymar. A letra fala sobre ser consumido pelas próprias paixões e obsessões. A faixa-título, The Fragile Art of Existence, é uma das mais longas e complexas do repertório, com mudanças de andamento e harmonias que lembram o Queensrÿche dos bons tempos. What If...? especula sobre as possibilidades da vida, com um refrão pegajoso e um solo de guitarra que é puro virtuosismo. When the Link Becomes Missing é uma música mais pesada, com riffs que remetem ao death metal técnico, mas com vocais limpos que a transformam em algo único. Expect the Unexpected, como o nome sugere, é cheia de reviravoltas rítmicas e melódicas. Belief é uma balada pesada, com letra sobre a fé e a dúvida. A música mais curta do álbum, Cut Down, é um soco de dois minutos e meio que não perde tempo. Breaking the Broken encerra o álbum com uma energia positiva, letra sobre superação e um refrão que fica na cabeça. A produção, a cargo de Jim Morris, é cristalina, dando destaque para cada nota do baixo sem trastes de DiGiorgio e para a bateria precisa de Christy. A guitarra de Shannon Hamm e Chuck cria harmonias que lembram o Iron Maiden em seus melhores momentos, mas com uma complexidade rítmica típica do death metal. A voz de Tim Aymar é poderosa e versátil, alternando entre tons agudos e médios com facilidade. O lançamento de The Fragile Art of Existence ocorreu na mesma semana em que Chuck recebeu o diagnóstico de seu tumor cerebral. A ironia cruel do destino fez com que o álbum, que representava um novo começo, fosse ofuscado pela doença. A recepção da crítica foi positiva, e muitos consideraram o trabalho um dos melhores do ano no gênero power metal progressivo. No entanto, a falta de uma turnê de divulgação, devido ao tratamento de Chuck, limitou seu alcance. Com a morte de Chuck em 2001, o projeto Control Denied ficou em suspenso. Um segundo álbum, chamado When Machine and Man Collide, ficou incompleto, embora rascunhos e demos tenham circulado entre os fãs. O legado de The Fragile Art of Existence é o de mostrar que Chuck Schuldiner não era apenas um músico de death metal; ele era um compositor de heavy metal em seu sentido mais amplo, capaz de transitar entre a brutalidade e a melodia com igual maestria. O álbum influenciou bandas de power metal progressivo como Symphony X e de metal melódico extremo como Scar Symmetry. Mais do que isso, ele serviu como testamento da versatilidade artística de Chuck, que, mesmo diante da morte iminente, nunca parou de criar. Dez anos para mudar o mundo!

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CHUCK SCHULDINER (1967 - 2001)

Ao final desse período de nove anos, Chuck Schuldiner deixou um legado que poucos músicos em qualquer gênero conseguiram igualar. Ele não foi apenas o Pai do Death Metal – título que ele recusava com humildade – mas sim um dos cinco maiores compositores da história do heavy metal. Sua música transcendeu rótulos e gerações, e sua influência pode ser sentida em bandas que vão do metal extremo ao rock progressivo, passando pelo pós-rock e até pelo jazz fusion. A história da banda Death e do projeto Control Denied entre 1991 e 1999 é a história de um artista que se recusou a se repetir, que desafiou os fãs, as gravadoras e as tendências, e que, mesmo quando a doença o consumia, continuou a compor com a mesma paixão e integridade de sempre. Os três bateristas – Sean Reinert, Gene Hoglan e Richard Christy – tornaram-se lendas por direito próprio, e o uso do baixo sem trastes por Steve DiGiorgio abriu caminhos que ninguém imaginava. Os álbuns Human, Individual Thought Patterns, Symbolic, The Sound of Perseverance e The Fragile Art of Existence são pilares de uma discografia impecável. E a memória de Chuck, que se foi em treze de dezembro de 2001, continua viva em cada riff, em cada letra, em cada nota que ecoa até hoje nos corações dos fãs. Que este artigo sirva como uma reverência merecida a uma figura ímpar, cuja obra é eterna.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

RUSH (1974-1982)

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DISCOGRAFIA SELECIONADA (FASE TERRY BROWN)

01 (1974) Rush [**]
02 (1975) Fly By Night [***]
03 (1975) Caress Of Steel [***]
04 (1976) 2112 [****]
05 (1976) All The World's A Stage - LIVE 76 [****]

06 (1977) A Farewell To Kings [****]
07 (1978) Hemispheres [****]
08 (1980) Permanent Waves [****]
09 (1981) Moving Pictures [****]
10 (1981) Exit... Stage Left - LIVE 80+81 [****]

11 (1982) Signals [***1/2]

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PESSOAL

Voz, Baixos, Teclados etc. : Geddy Lee.
Guitarras etc.: Alex Lifeson.
Bateria & Percussão & Letras: Neil Peart , John Rutsey [ 01 (1974) Rush ].

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RUSH BROWNIANO: OS 3+1 PATETAS DO ROCK PROGRESSIVO (1974-1982)

INTRODUÇÃO

O ano de 1974 encontrava o rock em uma encruzilhada. O peso do Led Zeppelin e do Black Sabbath dominava as paradas, enquanto o experimentalismo do rock progressivo de bandas como Yes, Genesis e King Crimson continuava a conquistar espaços. Foi nesse caldo cultural que três jovens canadenses, ainda sem saber, estavam prestes a reescrever as regras do rock para sempre. Geddy Lee, Alex Lifeson e John Rutsey eram o Rush, uma banda que até então sobrevivia na cena de Toronto com um som pesado e influências claras do rock britânico. Em março daquele ano, eles lançaram seu álbum de estreia homônimo, um trabalho cru e direto que passou despercebido pela crítica, mas continha uma semente poderosa: Working Man, uma faixa que chamou a atenção de uma DJ de Cleveland e abriu as portas dos Estados Unidos para o trio. Mal sabiam eles que aquele era apenas o prólogo de uma história muito maior. O final de 1974 traria uma mudança sísmica na formação: o baterista John Rutsey deixou a banda por questões de saúde (diabetes), abrindo caminho para a chegada de Neil Peart, um jovem baterista que não apenas possuía uma técnica extraordinária (eventualmente se tornando uma lenda do seu instrumento!), mas também uma mente repleta de ideias e uma biblioteca de livros que mudaria para sempre a abordagem lírica do grupo.

Com Peart nos tambores, o Rush entrou em 1975 como uma nova criatura. O primeiro voo dessa nova formação foi registrado em Fly by Night, um álbum que já mostrava uma evolução considerável... Esse trabalho também trazia a estreia de Terry Brown como produtor. Brown, um britânico radicado no Canadá que já havia trabalhado com nomes como Procol Harum e Traffic, trouxe ao estúdio uma precisão e uma sensibilidade melódica que se alinharam perfeitamente com as ambições do trio. A interação criativa entre Brown e a banda era quase telepática. Ele não apenas apertava botões; Terry Brown desafiava os músicos a alcançarem patamares mais altos. Ele se tornou o quarto membro não oficial do Rush, o ouvido crítico que transformava as complexas ideias de Peart, a inventividade de Lee e a sonoridade de Lifeson em algo coeso e poderoso... O ano de 1975 também viu o lançamento de Caress of Steel, um álbum ousado que, apesar de ter sido mal recebido pela crítica e pelo público na época, serviu como um laboratório criativo. A banda se referia comicamente à turnê subsequente como a Down the Tubes Tour ("Turnê esgoto a dentro"), um momento de união diante da adversidade que solidificou ainda mais os laços entre os integrantes e seu produtor.

A resposta a Caress of Steel foi um balde de água fria por parte de público e crítica, mas o Rush não se curvou. Em 1976, eles decidiram dar um ultimato artístico. O resultado foi 2112, um épico de vinte minutos que ocupava um lado inteiro do novo disco homônimo. A gravadora estava apavorada, mas a banda, com Terry Brown ao lado, acreditou na visão de Neil Peart sobre uma sociedade futurista onde a música havia sido proibida. 2112 não apenas salvou a carreira do Rush como os catapultou para o status de estrelas do rock progressivo. A ousadia compensou, e o trio canadense se tornou um fenômeno. Ainda em 1976, eles celebraram a crescente base de fãs com All the World's a Stage, um registro duplo ao vivo que capturava a energia bruta e a precisão cirúrgica das apresentações da banda. Era a consagração de um som que mesclava o peso do hard rock com a complexidade estrutural do prog, algo que poucos conseguiam/conseguiram executar com tanta maestria.

Os anos seguintes consolidaram essa fórmula, levando a banda a um virtuosismo quase incomparável. Em 1977, com A Farewell to Kings, e em 1978, com Hemispheres, o Rush expandiu seus horizontes sonoros, incorporando instrumentos acústicos e composições cada vez mais intrincadas. Canções como Xanadu e a suite Cygnus X-1 demonstravam uma ambição literária e musical que beirava o maximalismo. A turnê de Hemispheres foi particularmente desgastante, com a banda tocando por horas a fio peças de extrema complexidade, mas a coesão entre Lee, Lifeson, Peart e Brown no estúdio era maior do que nunca. No entanto, o ano de 1979 trouxe um momento de pausa e reflexão. Após a complexidade quase mental de Hemispheres, o trio sentiu a necessidade de simplificar, de se conectar novamente com o formato de canção, sem abandonar a essência progressiva que os definia. As sementes para a nova década estavam sendo plantadas.

A virada para os anos 1980 representou uma revolução criativa. Em 1980, Permanent Waves surgiu como um sopro de ar fresco. As composições se tornaram mais concisas, e a banda começou a experimentar com elementos do reggae e do new wave que fervilhavam nas ruas. O sucesso foi estrondoso, com The Spirit of Radio se tornando um hino nas rádios. Mas foi em 1981 que o Rush atingiu seu ápice comercial e artístico com Moving Pictures. Esse álbum representou a síntese perfeita de tudo o que haviam construído ao longo da década. Cada faixa era um clássico instantâneo, e a interação entre os integrantes atingiu um nível de telepatia musical impressionante. A turnê subsequente gerou Exit... Stage Left, um novo registro ao vivo que documentava essa fase dourada. O mundo parecia aos pés do trio.

No entanto, enquanto a banda alcançava o topo do mundo, as dinâmicas internas começavam a mudar sutilmente. Em 1982, o Rush lançou Signals, um álbum que apontava decisivamente para o futuro. Os sintetizadores, antes uma ferramenta de textura, tornaram-se o centro das composições, especialmente impulsionados pelo crescente interesse de Geddy Lee pelas novas tecnologias. Terry Brown, que havia sido fundamental na construção do som do Rush, percebeu que a direção musical estava se afastando do que ele considerava a essência do grupo. Em entrevistas posteriores, ele revelou que sentia que aquele não era mais o Rush que ele conhecia. Apesar do sucesso do hit New World Man, a relação criativa chegava ao fim. A despedida de Terry Brown após Signals foi amigável, mas marcada por uma divergência fundamental sobre o papel da guitarra e da eletrônica nas composições. O legado que ele deixou foi imenso: uma discografia coesa e sonoramente impecável que moldou o rock progressivo para as gerações futuras. O Rush que entrou no estúdio em 1974 era uma banda de garagem em busca de um som; o Rush que deixou Terry Brown em 1982 era uma máquina perfeita de fazer sucessos, pronta para dominar a nova década, ainda que o preço a pagar fosse a perda de seu quarto membro não oficial.

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REVIEWS ÁLBUM A ÁLBUM

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01 (1974) Rush

O ano de 1974 era dominado pelo peso do Led Zeppelin e pela agressividade do Black Sabbath. No cenário de Toronto, três jovens músicos decididos a conquistar o mundo gravaram um álbum que refletia exatamente essas influências, sem nenhuma pretensão de reinventar a roda. O disco de estreia (homônimo) do Rush, lançado em março, é um documento de uma banda que ainda buscava sua identidade. Gravado em apenas um intervalo de três dias, o trabalho soa cru, direto e visceral. O baterista original John Rutsey ainda estava na formação, entregando uma performance sólida, mas convencional para os padrões do hard rock da época. A abertura com Finding My Way já estabelece o tom: guitarras pesadas (porém cristalinas) de Alex Lifeson, o baixo agressivamente marcante e a voz agudíssima de Geddy Lee, que muitos comparariam a Robert Plant na época. Need Some Love e Take a Friend seguem a mesma fórmula, sem grandes surpresas, mas com uma energia contagiante. Here Again traz um momento de blues pesado, mostrando que a banda também dominava os andamentos mais lentos (como visto também nos momentos iniciais de Before and After). O grande destaque, no entanto, fica para o final. A faixa de encerramento, Working Man, é a joia do disco. Tornando-se um marco inicial para a banda. Com seu riff inconfundível que ecoa o blues pesado de bandas inglesas, a música ressoou profundamente com os operários via as rádios de Cleveland, nos Estados Unidos, onde uma DJ a colocou em rotação intensa. Foi essa canção que abriu as portas do mercado americano para o trio, que até então mal conseguia se sustentar. O álbum, embora tosco em produção se comparado aos trabalhos futuros, possui uma autenticidade que conquistou uma (singela) legião de fãs de rock pesado. Era o primeiro passo de uma jornada, ainda sem saber que, nos meses seguintes, uma mudança radical de formação impactaria o curso da história do rock para sempre. A recepção inicial foi deveras modesta, mas a semente da ambição já estava plantada, e aquele pequeno sucesso regional seria o combustível necessário para a transformação que estava por vir.

02 (1975) Fly By Night

Se o álbum de estreia era uma declaração de intenções no hard rock, Fly by Night representa a verdadeira fundação do Rush como uma entidade única. O ano de 1975 marcou a estreia do baterista Neil Peart, que assumiu as baquetas após a saída de John Rutsey, e do produtor Terry Brown, que passaria a ser uma presença constante no estúdio pelos próximos oito anos. A influência de Peart foi imediata e profunda. Não apenas sua técnica de bateria era MUITO mais sofisticada, mas sua chegada trouxe um novo universo lírico para a banda. A faixa de abertura, Anthem, já demonstra o novo vigor: as mudanças de compasso e a precisão rítmica de Peart elevam a complexidade do som, enquanto sua letra, inspirada na obra da escritora Ayn Rand, introduz o tema do individualismo que permearia seus trabalhos futuros. Best I Can, a faixa seguinte, mantém a energia do primeiro disco, servindo como uma ponte entre as duas eras. Beneath, Between & Behind, com seu refrão marcante e criativa levada de bateria, mostra Alex Lifeson também explorando novas texturas. A grande inovação aqui aparece na faixa By-Tor and the Snow Dog, uma mini-épica de quase nove minutos que narra a bem humorada batalha entre dois cães (!). A suíte é dividida em movimentos e já antecipa as estruturas progressivas que o grupo só aperfeiçoaria. O single que dá nome ao álbum, Fly by Night, é uma explosão de energia pop-rock-pesada, com um refrão extremamente cativante e letra autobiográfica de Peart sobre sua mudança para Londres. Making Memories é uma canção mais leve, inspirada nas primeiras experiências da banda na estrada. Rivendell, uma balada totalmente acústica inspirada na obra de J.R.R. Tolkien, oferece um momento de calma, mas é In the End, com seu peso e a voz dramática de Geddy Lee ao final, que encerra o disco com a força do hard rock inicial. Fly by Night é o som de uma banda se reinventando. A confiança de Terry Brown em capturar a energia dos novos arranjos foi crucial, e o resultado foi um salto qualitativo que começou a definir o som progressivo que se consolidaria nos anos seguintes.

03 (1975) Caress Of Steel

Lançado apenas oito meses após Fly by Night, Caress of Steel foi um ato de extrema ousadia. O ano de 1975 ainda via o rock progressivo atingindo seu pico de popularidade, e o Rush, impulsionado pela energia criativa de sua nova formação, decidiu mergulhar de cabeça nas estruturas longas e nas narrativas fantásticas. O resultado, no entanto, foi um choque de realidade. A gravadora esperava um sucesso comercial imediato, mas encontrou um álbum difícil, hermético e com duas longas suítes que ocupavam boa parte de cada um dos lados do vinil. A recepção crítica e de público foi fria, e a turnê subsequente foi apelidada pela própria banda de Down the Tubes Tour. Apesar do revés comercial, o álbum é um documento fascinante da ambição do trio. O lado A abre com Bastille Day, um dos grandes momentos do disco. A faixa captura a referida energia revolucionária com riffs poderosos e a voz estridente de Geddy Lee, sendo uma das composições mais diretas e pesadas do período. I Think I'm Going Bald é uma faixa peculiar, também calcada no humor e com um riff que lembra o rock dos anos de 1960 (!) e Lakeside Park traz uma nostalgia melancólica, com belas passagens instrumentais. O lado A se encerra com The Necromancer, faixa já mais conceitualmente ambiciosa do que a By-Tor do álbum anterior. O lado B é inteiramente ocupado por The Fountain of Lamneth, uma suíte de quase vinte minutos que narra a jornada de um homem em busca da fonte da imortalidade. Dividida em vários movimentos, a faixa demonstra a ambição literária de Neil Peart e a capacidade técnica do trio de transitar por diferentes estados musicais, do folk ao heavy rock. A ousadia do álbum quase custou o contrato da banda com a gravadora, mas também serviu como um teste de fogo. A experiência de Caress of Steel, apesar do fracasso comercial, uniu a banda e o produtor Terry Brown em torno de uma determinação feroz: na próxima vez, eles fariam algo tão ambicioso que ninguém poderia ignorar. Era o prenúncio da tempestade criativa que estava por vir.

04 (1976) 2112

Diante do fracasso de vendas de Caress of Steel, a gravadora pressionava o Rush para que se tornassem uma banda mais comercial, com músicas curtas e radio-friendly. Em 1976, no entanto, o trio e Terry Brown tomaram uma decisão que entraria para a história do rock: em vez de se render, eles dobrariam a aposta. O resultado foi 2112, um álbum conceitual que não apenas salvou a carreira do grupo, mas os consagrou como ícones do rock progressivo. A faixa-título ocupa todo o primeiro lado do disco e é dividida em sete partes. A narrativa se passa em um futuro distópico onde a música foi proibida por um sacerdócio autoritário, até que um homem encontra uma guitarra e tenta devolver a arte à humanidade... A abertura com Overture já sintetiza todos os temas musicais que serão explorados ao longo da suíte, apresentando um dos riffs mais memoráveis de Alex Lifeson... A narrativa prossegue com The Temples of Syrinx, onde Geddy Lee entrega uma performance vocal icônica como o sacerdote opressor... A descoberta da guitarra pelo protagonista em Discovery é um dos momentos mais sublimes do álbum, mostrando a banda em sua faceta mais contida e melódica... A apresentação da descoberta aos sacerdotes em Presentation traz um novo conflito e Oracle: The Dream faz a ponte para a conclusão que se faz trágica... A revolta em Soliloquy é o clímax emocional, onde o protagonista considera que sua luta foi em vão... Mas a raça ancestral retorna eventualmente para reclamar o seu mundo (como havia predito o citado Oráculo!) em The Grand Finale [COM O RUSH METALINGUISTICAMENTE DIZENDO: WE HAVE ASSUMED CONTROL!!!]... O lado B do álbum, longe de ser mero tapa buraco, contém algumas das canções mais subestimadas da banda em todos os tempos. A Passage to Bangkok é uma viagem instrumentalmente colorida, com um riff contagiante que descreve uma jornada em busca dos melhores tipos de lazer (!) ao redor do mundo (!). The Twilight Zone, inspirada na clássica série de televisão, é um rock brilhante e atmosférico. Lessons e a bela Tears mostram a versatilidade do trio, com esta última apresentando um belo trabalho embrionário de teclados. O encerramento com a poderosa Something for Nothing traz uma mensagem de autossuficiência e poder pessoal, um hino que resume a filosofia de Neil Peart. 2112 foi um ultimato artístico que funcionou. A ousadia rendeu à banda um disco de ouro e a almejada liberdade criativa total para os próximos anos.

05 (1976) All The World's A Stage

Após o sucesso retumbante de 2112, o Rush havia se tornado uma potência ao vivo. Em 1976, o ano que viu o punk rock explodir como reação aos excessos do rock progressivo e afins, o trio canadense lançou All the World's a Stage, um registro duplo que capturava a essência da banda no palco. O título, uma referência à Shakespeare, era perfeito para um grupo que mesclava literatura, virtuosismo e uma energia crua. Gravado durante a turnê de 2112, o álbum é um testemunho da precisão e da força da formação clássica com Neil Peart. A abertura com Bastille Day é um estrondo, mostrando como a banda transformava as complexidades de estúdio em uma experiência visceral. A sequência de Anthem e a estreia de Lifeson nos vocais de apoio (nos refrãos) já demonstram a nova dinâmica. O destaque instrumental vem com By-Tor and the Snow Dog, que ganha uma nova vida no palco, com solos estendidos e a bateria de Peart em evidência. O set list é uma retrospectiva da breve mas intensa carreira até ali, incluindo momentos progressivos de Fly by Night e Caress of Steel, além da (quase) íntegra da suíte 2112. A versão de Working Man, que inclui um longo solo de bateria de Peart, tornou-se um clássico instantâneo, a cereja do bolo para os fãs que ansiavam por ver a técnica já famosa do novo integrante. O disco captura um momento de transição: o Rush ainda era uma banda de hard rock com inclinações progressivas, prestes a embarcar na fase mais cerebral de sua carreira. A produção de Terry Brown foi impecável, equilibrando a sujeira natural de uma apresentação ao vivo com a clareza que se esperava de um grupo conhecido pela excelência técnica. All the World's a Stage não era apenas um registro; era uma declaração de que, no palco, o trio era imbatível.

06 (1977) A Farewell To Kings

O ano de 1977 era de efervescência musical, com o punk desafiando o status quo e o rock progressivo sendo empurrado para os lados. Foi nesse ambiente que o Rush lançou A Farewell to Kings, um álbum que expandiu ainda mais os horizontes sonoros da banda. A produção de Terry Brown atingiu novos patamares de sofisticação, incorporando instrumentos como sintetizadores, glockenspiel e guitarras clássicas de forma orgânica. A faixa-título de abertura é um microcosmo do álbum: começa com uma introdução suave de violão clássico e instrumentos de percussão antes de explodir em um riff pesado, estabelecendo um contraste entre delicadeza e força que seria explorado em todo o trabalho. A letra de Neil Peart critica a estagnação social e a falta de liderança inspiradora... Xanadu, a segunda faixa, é uma das obras-primas do grupo. Inspirada no poema de Samuel Taylor Coleridge, a música se estende por mais de onze minutos, conduzindo o ouvinte por uma jornada sonora repleta de texturas. A introdução com guitarras de doze cordas e sintetizadores cria uma atmosfera mística, enquanto a seção rítmica conduz a narrativa sobre a busca pela imortalidade e a prisão que essa busca representa. O solo de Alex Lifeson nesta faixa é um dos mais celebrados de sua carreira... Closer to the Heart, o single do álbum, trouxe um alívio com sua estrutura mais acessível. Com sua melodia inesquecível e letra que fala sobre a contribuição individual para o bem maior, a canção se tornou um hino obrigatório nos shows da banda... Cinderella Man, inspirada na vida do boxeador James J. Braddock, é um rock dinâmico e diverso que celebra a perseverança... Madrigal é uma balada medieval que, com seu alaúde e atmosfera suave, serve como um interlúdio antes do épico final... Cygnus X-1: Book I: The Voyage encerra o disco com uma viagem espacial angustiante. A faixa é um exercício de tensão, com a bateria de Peart e o baixo de Lee criando uma sensação de propulsão implacável enquanto a nave se aproxima do buraco negro... A Farewell to Kings é o som de uma banda no auge de seu poder criativo, desbravando novos territórios sem perder a força que os consagrou.

07 (1978) Hemispheres

Se A Farewell to Kings expandiu o universo sonoro do Rush, Hemispheres, lançado em 1978, levou essa expansão ao limite da resistência humana (!). O álbum é um monumento ao excesso criativo, onde cada membro da banda, ainda sob a produção meticulosa de Terry Brown, levou seu virtuosismo ao extremo. O trabalho foi gravado em um período de intensa pressão, com os prazos estourando e a banda se desgastando fisicamente para alcançar a perfeição. O lado A é ocupado por Cygnus X-1: Book II: Hemispheres, a conclusão da saga espacial iniciada no álbum anterior (!). Dividida em seis partes, a suíte é (literalmente!) um tratado filosófico sobre o conflito entre razão e emoção, representadas pelos deuses Apolo e Dionísio. A música é uma montanha-russa de mudanças de ritmo, texturas e climas... A abertura com Prelude retoma temas da primeira parte (e oferece prenúncios sobre o que virá), enquanto Apollo e Dionysus trazem um embate musical frenético... O ápice lírico ocorre em Armageddon: The Battle of Heart and Mind, onde o protagonista busca o equilíbrio. A suíte se resolve em Cygnus, uma seção que finalmente traz calma e resolução (para finalmente repousar conclusivamente em The Sphere)... O lado B, embora menos extenso, contém faixas igualmente desafiadoras. Circumstances, com seu riff intrincado e mudanças de compasso de entortar o pescoço, é um dos momentos mais tecnicamente impressionantes do álbum, com Geddy Lee entregando uma letra (de Peart) sobre as vicissitudes da vida em um ritmo alucinante... The Trees é a faixa mais acessível do disco, uma fábula sobre a igualdade contada através de uma disputa entre carvalhos e bordos. Apesar de sua aparente simplicidade, a música contém uma estrutura de progressão de acordes sofisticada e um solo groovado de baixo memorável... O álbum se encerra com La Villa Strangiato, subtitulada An Exercise in Self-Indulgence  (!), uma faixa instrumental dividida em doze seções (!) que serve como uma vitrine definitiva para as habilidades de cada integrante. Da atmosfera onírica da introdução aos solos de guitarra ora belos, ora alucinantes de Lifeson (talvez seus melhores momentos da carreira!), passando pelas linhas de baixo ultra  inventivas de Lee e a bateria jazzística de Peart, a faixa é um tour de force que encerra a fase mais maximalista da banda. Hemispheres representou o ápice da complexidade do Rush, mas também o ponto de virada; a partir daí, a busca pela concisão se tornaria imperativa.

08 (1980) Permanent Waves

O ano de 1980 trouxe uma nova década e uma nova atitude. O punk e o new wave haviam reconfigurado o cenário musical, valorizando a energia e a concisão. O Rush, vindo da complexidade quase inumana de Hemispheres, entendeu o recado. Permanent Waves foi o álbum de reinvenção, onde a banda, ainda com Terry Brown, decidiu que era possível ser progressivo sem precisar ocupar um lado inteiro do vinil. O resultado foi um trabalho mais enxuto, vibrante e imediatamente cativante... A abertura com The Spirit of Radio é um tiro de largada. A faixa celebra a magia do rádio e da descoberta musical, mas também critica a mercantilização da arte. A canção é uma colagem brilhante: começa com um riff de guitarra que se tornaria um dos mais famosos da história, incorpora uma seção de reggae com letra espirituosa que pegou os fãs de surpresa e termina com um solo de guitarra matador... Freewill é um hino filosófico sobre a escolha individual, com uma das linhas de baixo mais complexas de Geddy Lee e um solo de guitarra que é uma aula de improvisação estruturada (os três destroem na hora do solo de guitarra!)... Jacob's Ladder é o momento mais rigorosamente progressivo do álbum, uma faixa (quase) instrumental que descreve a formação de uma tempestade, com camadas de sintetizadores e uma construção dramática que antecipa o som dos anos de 1980... Entre Nous é uma canção mais contida, uma reflexão melódica sobre o respeito mútuo em um relacionamento... Different Strings, com seu belo piano e letra sobre a efemeridade das opiniões, é um dos momentos mais subestimados da discografia... O lado B é enfim coroado por Natural Science, uma suíte em três partes que muitos fãs consideram o coração do álbum. Dividida em Tide Pools, Hyperspace e Permanent Waves, a faixa explora temas evolutivos e a relação entre humanidade e natureza, com uma estrutura musical que flui perfeitamente entre a agressividade do hard rock e a sutileza progressiva... Permanent Waves foi um sucesso crítico e comercial, provando que o Rush poderia abraçar os novos tempos sem abandonar sua identidade, pavimentando o caminho para a obra-prima definitiva que viria em seguida.

09 (1981) Moving Pictures

Em 1981, o Rush lançou Moving Pictures, um álbum que representou a convergência perfeita entre acessibilidade comercial e a complexidade técnica que definia o grupo. A produção de Terry Brown atingiu seu ápice, resultando em um som cristalino, poderoso e que se tornaria referência para gravações de rock por décadas. O álbum é uma obra-prima de fluxo, onde cada faixa se encaixa perfeitamente na sequência, mantendo uma coesão temática e musical impressionante... A abertura com Tom Sawyer é um fenômeno cultural. Com seu riff sintetizado por Geddy Lee que se tornou instantaneamente reconhecível (e referenciado posteriormente), a letra de Neil Peart sobre um rebelde moderno e a sua bateria poderosa (e icônica!), a canção é a síntese de tudo que o Rush representava naquele momento... Red Barchetta é uma viagem cinematográfica, contando a história de um jovem que resgata um carro esportivo em um futuro onde os automóveis foram proibidos. As mudanças de ritmo e as texturas de guitarra de Alex Lifeson criam uma narrativa sonora vívida... YYZ, uma faixa instrumental dedicada ao código do aeroporto de Toronto, é uma vitrine para o virtuosismo do trio. A música, construída a partir do ritmo do código morse das letras YYZ, é um turbilhão de mudanças de compasso e solos impressionantes, mostrando a telepatia musical entre os integrantes... Limelight é um dos momentos mais pessoais das letras de Peart, refletindo sobre os desafios da fama e a solidão do sucesso. A melodia é uma das mais acessíveis do álbum, com um refrão que convida ao canto coletivo. E o solo de Lifeson captura perfeitamente tal solidão (é ouvir para crer!)... The Camera Eye, a faixa mais longa do disco, é uma viagem por duas metrópoles, Nova York e Londres. A música captura a energia e a alienação urbana, com uma estrutura que se desenvolve lentamente, recompensando o ouvinte atento... Witch Hunt (Part III of Fear) é a terceira parte de uma trilogia (ainda ali inédita!) sobre o medo, explorando a histeria coletiva e a paranoia. A atmosfera é densa e ameaçadora, com sintetizadores criando uma paisagem sonora sombria... O álbum se encerra com Vital Signs, uma fusão perfeita do som do Rush com a então dominante new wave. A faixa é apoiada em sintetizadores e em uma linha de baixo pulsante cíclica, com uma letra sobre a ansiedade e a busca por equilíbrio em tempos de mudança... Moving Pictures não apenas se tornou o álbum mais vendido do Rush, mas também um marco cultural, provando que o rock progressivo poderia dominar as paradas sem sacrificar sua integridade artística.

10 (1981) Exit... Stage Left

Lançado ainda em 1981, Exit... Stage Left serviu como um documento essencial do Rush no auge de sua popularidade e poder de palco. O álbum duplo ao vivo captura a turnê de Moving Pictures, mas também revisita a era progressiva do final dos anos 1970 com uma maturidade e uma clareza impressionantes. A produção de Terry Brown, mais uma vez, conseguiu o equilíbrio perfeito entre a energia do show e a precisão sonora que os fãs esperavam... A abertura com The Spirit of Radio, vinda do álbum anterior, já estabelece a energia do concerto. A sequência de Red Barchetta e YYZ (com solo de bateria!) mostra a banda em sua forma mais técnica e entrosada... O ponto alto emocional do disco talvez seja a inclusão e imortalização de Broon's Bane, uma peça instrumental acústica solo de Alex Lifeson dedicada a Terry Brown, seguida por The Trees e Xanadu. Esta seção acústica, gravada em shows no Reino Unido e Canadá, captura a intimidade e a versatilidade do guitarrista. A versão de Xanadu, com sua introdução estendida e a seção rítmica em perfeita sincronia, é considerada por muitos fãs como a definitiva... Outro momento emocionante é o coral espontâneo do público em Closer To The Heart... O álbum também inclui faixas que se tornariam clássicos ao vivo, como La Villa Strangiato (entre tantas outras), onde a complexidade da versão de estúdio é traduzida em uma performance ainda mais solta e improvisada... Exit... Stage Left é mais do que um simples registro de turnê; é uma celebração da jornada da banda até aquele momento. O título, uma brincadeira com o termo teatral Exit Stage Left (saia pelo lado esquerdo), também carrega um duplo sentido, sugerindo que a banda estava encerrando um capítulo de sua carreira. De fato, este seria o último álbum ao vivo da era Terry Brown, um testemunho sonoro de uma década de evolução e conquistas.

11 (1982) Signals

Em 1982, o Rush lançou Signals, um álbum que marcou o fim de uma era e o início de outra. Este foi o último trabalho produzido por Terry Brown, encerrando uma parceria de mais de oito anos que moldou o som da banda. Musicalmente, Signals representa uma mudança decisiva. Os sintetizadores, antes usados como textura, tornaram-se o instrumento dominante, refletindo o interesse crescente de Geddy Lee pelas novas tecnologias e pela new wave. Alex Lifeson, embora ainda presente, viu seu papel reduzido na mixagem final, um ponto que o próprio guitarrista lamentaria publicamente anos depois... A faixa de abertura, Subdivisions, é um clássico instantâneo e uma declaração de intenções. A música captura a angústia da vida suburbana e a sensação de ser um excluído, com uma melodia de sintetizador que se tornou icônica. A bateria de Neil Peart é jazzística e complexa, um dos pontos altos do álbum (e de toda a carreira de Peart: Letra + Bateria !)... The Analog Kid é uma faixa que contrasta o mundo natural com o tecnológico, apresentando um dos riffs de guitarra mais diretos de Lifeson no álbum... Chemistry, a primeira faixa com letra composta por todos os três integrantes, é uma tentativa de fusionar o novo som eletrônico com a energia do rock... Digital Man é uma faixa que flerta com o reggae e a funk music, mostrando a versatilidade de Lee no baixo acoplada ao arranjo infinitamente criativo de Peart... The Weapon (Part II of Fear) dá continuidade reversa à trilogia do medo iniciada em Moving Pictures, com uma atmosfera sombria e uma seção rítmica poderosa... New World Man, a faixa mais curta do álbum, foi um sucesso comercial inesperado, tornando-se um hit da banda nas paradas dos Estados Unidos. A canção, composta de forma quase improvisada durante as sessões, demonstra que o Rush ainda conseguia criar músicas acessíveis sem perder sua identidade... Losing It (outra obra-prima de Peart!), uma das faixas mais tristes do catálogo, conta a história de artistas que perdem suas habilidades com a idade, contando com um solo de violino elétrico (de Ben Mink) que adiciona uma camada adicional de melancolia... O álbum se encerra com Countdown, uma homenagem ao lançamento do ônibus espacial Columbia, com amostras de áudio da NASA que encapsulam o fascínio da banda pela tecnologia... As tensões criativas durante a produção de Signals eram palpáveis. Terry Brown, que havia ajudado a construir o som do grupo, sentia que a direção eletrônica não era a ideal para o Rush, que ele via como uma banda baseada em guitarra. Embora o álbum tenha sido bem-sucedido e contenha alguns dos maiores clássicos da banda, a divergência de visões levou à saída de Brown logo após seu lançamento. Signals, portanto, permanece como um divisor de águas, o último suspiro de uma parceria lendária e o primeiro passo firme do Rush na década de 1980 e além!
 
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

SUPERMAN (TAS) (1996-2000)

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Superman: The Animated Series (1996-2000)

A mencionada série animada do homem de aço traz um herói bastante vulnerável (em diversos sentidos) em meio a uma vibrante sucessão de desafios compatíveis. A animação é geralmente de boa qualidade e a trilha sonora é ainda melhor, conseguindo, muitas vezes, apresentar uma interessante experiência puramente cinemática para a sua jovem audiência-alvo. Sob um ponto de vista adulto, muitas das histórias soam um pouco reducionistas, ou mesmo repetitivas, algo que, de uma maneira geral, não compromete a prometida fluidez de ação e aventura, segmento a segmento, ainda que a série contenha sim elementos mais adultos diluídos e em concordância com o seu personagem titular. Salientamos ainda que algo que torna o programa bem palatável aos já crescidos é a caracterização mais confiante e segura de Clark Kent.

Um grande destaque da série (e das suas séries irmãs) é o elenco de vozes. Tim Daly (como Superman e os seus alteregos), Dana Delany (como Lois Lane), um brutal Michael Ironside (como Darkseid) e um (apropriadamente) artificial e alienígena Corey Burton (como Brainiac) são os destaques secundários a insuperável participação de Clancy Brown (como Lex Luthor). O seu elenco de vozes é ultimamente um valor de produção crucial para a atração, arredondando e dignificando situações não tão bem resolvidas pelos roteiros dos seus 54 episódios (de meia hora).

A série traz todos os clássicos personagens da vida pessoal de Clark Kent, tanto aqueles referentes a Smallville, quanto aqueles associados a Metropolis. Traz Lex Luthor como o mais presente antagonista da série e diversos convidados clássicos (tanto aliados quanto adversários) da história do Superman: Batman, Flash, Green Lantern (Kyle Ryner), Aquaman, Doctor Fate, Steel, Supergirl, Legion of Super-Heroes, Brainiac, Parasite, Bizarro, Metallo, Mr. Mxyzptlk, Lobo e Darkseid (o definitivo vilão do programa). Cada um deles apresentando alguma diferença em relação a sua respectiva versão dos quadrinhos, sempre privilegiando uma apresentação global, sem costuras. De fato, é difícil conceber uma mais completa e fiel apresentação do Superman enquanto personagem solo e sem maiores ambições vanguardistas.

A maioria dos episódios (exceto os múltiplos) é de tipo isolado, no máximo se limitando a, por exemplo, fazer referência a alguma aparição anterior de um determinado convidado. O mais discernível arco de história é aquele que se refere ao acumulado dos episódios que tratam dos personagens do Quarto Mundo de Jack Kirby (Darkseid e cia.), o qual culmina no fantástico episódio duplo que encerra a série... Legacy é apropriadamente sombrio, onde concluímos com Kal-El como um pária para a humanidade, podendo contar apenas com Lois, Kara e os seus pais adotivos, apenas com a sua família imediata. Sua vitória sobre Darkseid é incrivelmente amarga e com um assustador subtexto para selar toda a questão. É particularmente comovente a entrevista do Professor Hamilton dizendo que talvez não pudesse mais ser seu amigo (quando já havia se tornado óbvio que isso era mesmo impossível). Algo que teria fantásticas implicações, alguns anos depois, no mesmo universo ficcional...

Superman: The Animated Series (1996-2000)

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

VOCALISTAS PESADOS

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EM ORDEM CRONOLÓGICA APROXIMADA...
 
01 Robert Plant
02 Paul Rodgers
03 Ian Gillan
04 David Byron
05 Glenn Hughes
06 Ronnie James Dio
07 Freddie Mercury
08 David Coverdale
09 Rob Halford
10 Ann Wilson
11 Steve Perry
12 Bruce Dickinson
13 Eric Adams
14 Geoff Tate
15 Michael Kiske
16 Chris Cornell
17 Mike Patton
18 Phil Anselmo
19 Devin Townsend
 20 Russell Allen
 
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ALGUNS OUTROS NOMES CLÁSSICOS (20): Ozzy Osbourne , Phil Mogg , Martin Turner & Andy Powell & Ted Turner , Lemmy Kilmister , Phil Lynott , Klaus Meine , Geddy Lee , Steve Walsh & Robby Steinhardt , Peter Frampton & Steve Marriott , Bon Scott , Biff Byford , Udo Dirkschneider , Gary Barden , King Diamond , Jon Oliva , James Hetfield , Eric Wagner , Chuck Schuldiner , Kai Hansen , Ray Alder.

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E AINDA ALGUNS OUTROS NOMES (20): Jeff Scott Soto , Hansi Kürsch , Zachary 'Zak' Stevens , Timo Kotipelto , Tim 'Ripper' Owens , Steven Wilson , Mikael Åkerfeldt , Miljenko Matijevic , Roy Khan , Midnight , Ralf Scheepers , Matt Barlow ,  Daniel Gildenlöw , Maynard James Keenan , Layne Staley & Jerry Cantrell , Serj Tankian , Jørn Lande ... GUYS FROM BRAZIL [Andre Matos , Edu Falaschi , Fabio Lione ... Nando Fernandes e Alírio Netto]  ...  John Bush ... Angela Gossow.
 
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Confiram também a nossa lista de vocalistas: aqui

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