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terça-feira, 22 de abril de 2025

ANDOR S2 (2025)

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EPISÓDIOS

01 One Year Later [***]
02 Sagrona Teema [***]
03 Harvest [***1/2]
04 Ever Been to Ghorman? [***]
05 I Have Friends Everywhere [***]
06 What a Festive Evening [***1/2]
07 Messenger [***1/2]
08 Who Are You? [****]
09 Welcome to the Rebellion [****]
10 Make it Stop [****]
11 Who Else Knows ? [****]
12 Jedha , Kyber , Erso [****]

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REVIEW

A segunda e última temporada de Andor, lançada em 2025, representa o ponto culminante da visão artística de seu criador e showrunner, Tony Gilroy. Com uma carreira marcada por narrativas de espionagem e thriller político, como em The Bourne Identity e Michael Clayton, Gilroy encontra em Andor seu projeto mais ambicioso, elevando o universo de Star Wars a um patamar de drama adulto e reflexão sóbria sobre poder e resistência. Esta temporada final consolida sua reputação como um contador de histórias que privilegia a complexidade moral e a tensão psicológica em detrimento de fantasia escapista. Ao lado de Gilroy, destaca-se o produtor executivo e protagonista Diego Luna, cuja interpretação de Cassian Andor já era aclamada desde Rogue One. Nesta fase conclusiva, Luna não apenas atua, mas também molda profundamente o arco de seu personagem, reforçando seu status como um dos atores mais convincentes da franquia. A temporada também se beneficia do retorno de pilares criativos como a produtora executiva Sanne Wohlenberg (responsável pela execução prática e logística da produção em larga escala) e do novo compositor Brandon Roberts, que assume a trilha sonora com maestria. Andor segunda temporada, portanto, não é uma mera continuação, mas a afirmação definitiva de uma proposta ousada dentro de uma franquia massiva. Ela se insere em um contexto televisivo de 2025 onde a demanda por narrativas seriais densas e politicamente conscientes é alta, e num mundo real assombrado por autoritarismos e conflitos geopolíticos. A série, ao discutir radicalização, o custo da liberdade e a máquina burocrática da opressão, dialoga diretamente com as ansiedades de sua audiência, oferecendo não apenas entretenimento, mas um espelho distópico e pertinente de nossa época.

A narrativa de Andor II abarca os quatro anos finais que separam os eventos da primeira temporada do início de Rogue One. A trama se desdobra em três frentes principais, entrelaçadas pelo avanço implacável da máquina imperial. Cassian Andor (Diego Luna), agora um operativo rebelde mais experiente, é encarregado de missões de alto risco, incluindo o roubo de uma nave experimental, ação que abre a temporada. Seu conflito interno, no entanto, permanece: a luta entre o instinto de sobrevivência individual e a aceitação plena de seu papel como peça dispensável numa causa maior. Paralelamente, a senadora Mon Mothma (Genevieve O'Reilly) enfrenta o preço pessoal de sua dupla vida. Para proteger seu financiamento clandestino à rebelião, ela precisa arranjar o casamento de sua filha, um ato que a confronta com a hipocrisia de sua classe e a aproxima de uma ruptura definitiva com o Império. Do lado da opressão, a agente do ISB Dedra Meero (Denise Gough) e o ex-inspetor Syril Karn (Kyle Soller) navegam um relacionamento disfuncional, enquanto Meero busca ascensão política às custas do planeta Ghorman, cuja exploração predatória significa a morte de milhões. Esse triângulo dramático—Andor, Mothma e Meero—serve para explorar os temas centrais da temporada: a radicalização gradual, o peso moral das escolhas em tempos sombrios e a natureza corrosiva do poder autoritário, mesmo para aqueles que o servem. A trama introduz ainda figuras como Orson Krennic (Ben Mendelsohn), cuja ambição pelo projeto Death Star acrescenta uma camada de urgência fática, ligando todos os fios à inevitável tragédia de Rogue One. A estrutura, que avança em saltos temporais, é utilizada para mostrar a erosão da inocência e a solidificação da resistência, onde cada personagem, de Bix (Adria Arjona) lidando com trauma a Luthen Rael (Stellan Skarsgård) aprofundando seu cinismo, é um tijolo na fundação da Aliança Rebelde.

A realização técnica de Andor II é meticulosa a serviço de sua narrativa substantiva. A direção, assinada por um time coeso, mantém um visual sombrio e sóbrio, com uma fotografia que frequentemente aprisiona personagens em enquadramentos claustrofóbicos ou nas vastidões opressoras de paisagens industriais, reforçando temas de isolamento e vigilância. As atuações são uniformemente excepcionais. Diego Luna entrega uma performance contida porém carregada de dor silenciosa, mostrando a exaustão de um homem que se transforma em arma. Genevieve O'Reilly brilha ao transmitir a angústia política e maternal de Mon Mothma com nuances profundas. Kyle Soller e Denise Gough, como Karn e Meero, realizam um dueto fascinante de patologia e ambição, humanizando vilões sem redimi-los. A trilha sonora de Brandon Roberts, assumindo as rédeas de Nicholas Britell, é um personagem por si só—seu uso de motivos melancólicos, fanfarras imperiais ameaçadoras e crescendos esperançosos amplifica precisamente a carga emocional de cada cena. A montagem, especialmente nas sequências que alternam entre a opulência de Coruscant e a sujeira das frentes rebeldes, constrói um ritmo de thriller político que mantém a tensão narrativa mesmo nos momentos mais dialógicos. A produção de arte e os efeitos práticos criam um universo Star Wars palpável e gasto, distante do brilho estéril de outras obras da franquia. Todos esses elementos convergem para uma experiência audiovisual imersiva e intelectual, onde cada escolha técnica serve para aprofundar o envolvimento do espectador com os dilemas morais em jogo.

Em conclusão, a segunda e última temporada de Andor coroa a série limitada como uma das obras mais significativas não apenas do cânone Star Wars, mas do drama televisivo contemporâneo. Sob a liderança criativa de Tony Gilroy e com atuações fundamentais de Diego Luna, Genevieve O'Reilly e todo o elenco de apoio, a temporada oferece um veredicto soberano sobre seus temas: a esperança é um ato de resistência custoso, porém indispensável, e a luta pela liberdade é invariavelmente construída sobre sacrifícios pessoais profundos. Para Cassian Andor, o caminho termina onde Rogue One começa, transformando seu cinismo em convicção fatalista. Para Mon Mothma, significa abraçar plenamente seu destino como líder da Rebelião. Até para Dedra Meero e Syril Karn, o arco é de uma certa condenação, presos na engrenagem que escolheram servir. O impacto de Andor transcende a série em si. Ela redefiniu o que é possível dentro de uma franquia de fantasia massiva, provando que há espaço e apetite para narrativas complexas, politicamente engajadas e visualmente austeras. Para a audiência, deixou um legado de reflexão sobre autoritarismo, resistência e o preço da liberdade. Para a televisão, estabeleceu um novo padrão de excelência narrativa e maturidade temática dentro do gênero de ficção científica. Andor temporada dois, portanto, não é apenas um final adequado para a jornada de Cassian Andor; é uma afirmação poderosa do poder da contação de história televisiva quando colocada a serviço de ideias substantivas e personagens inesquecíveis.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

STAR TREK VERSUS STAR WARS NO CINEMA (O CASO WARS)

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 STAR TREK VERSUS STAR WARS NO CINEMA (O CASO WARS)

Para fazer tal comparação vamos examinar primeiro os filmes de Cinema de cada franquia tomando como referência o site TSPDT ( www.theyshootpictures.com ) que enfatiza o trabalho dos diretores... Ele constrói Estatísticas baseadas em uma infinidade de listas de conhecedores da Sétima Arte desde Acadêmicos até profissionais da indústria, especialmente diretores... Sua base de dados é massiva e robusta.

Eis os números correspondentes a STAR WARS no Cinema...


COMENTÁRIOS:

* Os outros filmes não são sequer citados ou estão para além da marca dos 10.000.

* A New Hope bate com folga The Empire Strikes Back ao contrário do consenso dentro do respectivo fandom (ambos e apenas eles moram no TOP1000 do TSPDT).

* Return of the Jedi mostra claro envelhecimento e já mora (aparentemente estagnado!) MUITO LONGE desses dois primeiros filmes.

* Revenge of the Sith (por outro lado) mostra uma aparente marcha (redentória?) para o topo  e já claramente passou Return of the Jedi nesse curso.

* The Last Jedi (curiosamente o favorito desta Castanha) cresceu muito (em reconhecimento) nos últimos anos. Onde poderá chegar? A desconexão TOTAL com o resto da sua respectiva trilogia vai permitir isso?

(The Last Jedi é um filme difícil para o típico fã de Star Wars... Podemos inclusive fazer o argumento de que ele não é sequer um filme de Star Wars mas sim um filme que largamente usa metalinguagem para falar sobre Star Wars... Posto isso, para possibilitar um maior reconhecimento no futuro, ele deverá ser criticamente e/ou conceitualmente desconectado da sua própria trilogia e da sua própria franquia.)
 
* Attack Of The Clones já parece rumar para o limbo do esquecimento.
 
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STAR TREK VERSUS STAR WARS NO CINEMA (O CASO TREK)

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 STAR TREK VERSUS STAR WARS NO CINEMA (O CASO TREK)

Para fazer tal comparação vamos examinar primeiro os filmes de Cinema de cada franquia tomando como referência o site TSPDT ( www.theyshootpictures.com ) que enfatiza o trabalho dos diretores... Ele constrói Estatísticas baseadas em uma infinidade de listas de conhecedores da Sétima Arte desde Acadêmicos até profissionais da indústria, especialmente diretores... Sua base de dados é massiva e robusta.

Eis os números correspondentes aos filmes de STAR TREK para o Cinema...


COMENTÁRIOS:
 
* Os demais filmes ou não são citados, ou estão para além da posição 10.000.
 
* Star Trek II: The Wrath of Khan parece operar em um outro nível de reconhecimento em relação ao restante da marca no Cinema... Pela nossa experiência, o "Olimpo" do TSPDT é atingido na faixa 1-2.500, o que só enfatiza o grande destaque de "Khan" dentro da franquia cinematográfica de Star Trek...

* Star Trek 2009 (o primeiro da sua era) mostra ainda uma resiliência residual que nos surpreende.

* Star Trek I: The Motion Picture idem (será pelo maior peso do nome de Wise na cinefilia?).
 
* No presente contexto, Wise é o único dentre os diretores com filmes no TOP1000 do TSPDT.

* As posições a partir de 10.000 já passam com certeza dos limites do algoritmo do TSPDT. O uso ótimo de tais dados parece ser mesmo até 5.000.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2023

ANDOR S1 (2022)

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EPISÓDIOS

01 Kassa [**1/2]
02 That Would Be Me [**1/2]
03 Reckoning [***1/2]
04 Aldhani [***]
05 The Axe Forgets [***]
06 The Eye [****]
07 Announcement [***]
08 Narkina 5 [***]
09 Nobody's Listening! [***1/2]
10 One Way Out [****]
11 Daughter of Ferrix [***1/2]
12 Rix Road [****]

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REVIEW

A primeira temporada da série Andor, lançada em 2022 na plataforma Disney+, representa um ponto de inflexão audacioso e maduro dentro da franquia Star Wars, fruto da visão singular do escritor e showrunner Tony Gilroy. Reconhecido por seu trabalho na consagrada série de filmes Bourne e no aclamado drama corporativo Michael Clayton, Gilroy consolida com esta produção sua posição como um artesão narrativo especializado em tramas de espionagem, moralidade ambígua e uma tensão política palpável, elementos que já havia introduzido de forma seminal em Rogue One: A Star Wars Story, da qual foi coautor e (até mesmo) salvador em reshoots decisivos. Sua abordagem para Andor, no entanto, é uma evolução radical e intencionalmente adulta em relação a seu trabalho anterior no universo, bem como um afastamento consciente das produções recentes da casa. Enquanto muitas séries derivadas de Star Wars recorriam à nostalgia e a personagens icônicos, Gilroy opta por uma expansão do cânone através de um realismo político e social, explorando os mecanismos burocráticos da opressão e a gênese desorganizada de uma revolução, temática que encontra ressonância profunda no contexto global de seu lançamento, marcado por polarizações políticas e debates sobre autoritarismo. A série, portanto, não se insere meramente como mais um produto do fluxo contínuo de conteúdo da franquia, mas se ergue como um comentário televisivo sofisticado, demonstrando que o universo de Star Wars pode ser um vaso condutor potente para reflexões urgentes sobre poder, resistência e o custo pessoal da liberdade, conquistando tanto a crítica especializada quanto um público adulto ávido por narrativas complexas.

A narrativa da primeira temporada de Andor estrutura-se em arcos de três episódios, funcionando como atos distintos de uma mesma tragédia política. A história acompanha Cassian Andor (Diego Luna), um vigarista e sobrevivente do planeta devastado de Kenari, que, após matar dois oficiais de segurança corporativa em um incidente, é arrastado para os primórdios da rebelião contra o Império Galáctico. Recrutado pelo misterioso e calculista Luthen Rael (Stellan Skarsgård), Cassian participa de um audacioso assalto a um depósito imperial no planeta Aldhani, um evento catalisador que demonstra a vulnerabilidade do regime. Contudo, sua jornada não é de heroísmo imediato, mas de radicalização forçada pela máquina estatal: capturado e enviado a uma prisão-fábrica em Narkina 5, ele experimenta na pele a desumanização e a lógica cruel do sistema carcerário imperial, culminando em uma fuga desesperada que solidifica seu compromisso com a luta. Paralelamente, a série constrói um mosaico de perspectivas fundamentais. Acompanhamos os esforços políticos da senadora Mon Mothma (Genevieve O’Reilly), que movimenta fundos para a causa sob o nariz de seu marido e do governo, e a ascensão metódica e implacável de Dedra Meero (Denise Gough) dentro do Bureau de Segurança Imperial, representando a face fria e eficiente da repressão. O tema central é a formação lenta e dolorosa de uma consciência coletiva rebelde, mostrada não como um movimento unificado, mas como um conjunto de atos desesperados de indivíduos comuns – como a mãe adotiva de Cassian, Maarva (Fiona Shaw), e os trabalhadores de Ferrix – cuja raiva acumulada finalmente explode. O conflito principal de Cassian é interno, uma luta entre seu instinto de autopreservação e a inevitável necessidade de escolher um lado, enquanto o conflito macro da temporada é a luta da sociedade civil contra a estrangulante expansão do autoritarismo.

A realização técnica e artística de Andor é minuciosamente calibrada para servir a essa narrativa sóbria e cerebral, gerando uma imersão e uma tensão raras no universo Star Wars. A direção, dividida entre profissionais como Toby Haynes e Benjamin Caron, opta por um ritmo deliberado, permitindo que a atmosfera de paranoia e os dilemas morais dos personagens respirem, uma escolha que, embora critique-se por seu início lento, constrói um crescendo de poder emocional devastador. A fotografia, frequentemente sombria e baseada em locações reais, abandona o excesso de cenários digitais para criar mundos palpáveis e sujos, como o planeta industrial de Ferrix, cuja construção prática demandou anos de planejamento. As atuações seguem o mesmo tom contido e poderoso: Diego Luna transmite a fadiga existencial e a inteligência prática de Cassian com profundo naturalismo; Stellan Skarsgård entrega um monólogo sobre o custo da resistência que é um dos pontos altos dramáticos da franquia; e Denise Gough, como Dedra Meero, cria uma vilã assustadoramente competente e ambiciosa. A trilha sonora de Nicholas Britell evita as fanfarras heroicas tradicionais, preferindo composições melancólicas e pulsantes que enfatizam o perigo e a clandestinidade. A montagem e o design de som são particularmente eficazes nas sequências de ação, como o assalto em Aldhani e a fuga da prisão, onde o suspense é construído através do silêncio, do som ambiente e de movimentos coreografados com precisão, resultando em cenas de impacto visceral. Este conjunto coeso de elementos afirma que o drama político e humano pode ser a fonte mais rica de tensão, dispensando piadas ou apelos fáceis ao fan service, e elevando a produção a um patamar cinematográfico digno das mais prestigiadas séries dramáticas contemporâneas.

Em conclusão, a primeira temporada de Andor, sob a mestria criativa de Tony Gilroy, transcende as expectativas do gênero e da franquia para estabelecer-se como um dos trabalhos mais relevantes e bem-executados da televisão de ficção científica recente. O veredicto final da série sobre seus temas é claro e amargo: a resistência ao fascismo não nasce de um idealismo puro, mas do acúmulo de injustiças insuportáveis, exigindo sacrifícios desumanos de indivíduos comuns e a aceitação de táticas moralmente cinzentas. Para personagens como Cassian Andor, Mon Mothma e Luthen Rael, a luta transforma-se em uma identidade inescapável e custosa. O impacto de Andor para sua audiência, para a televisão e para a própria franquia Star Wars é profundo. Ela prova que o universo pode abrigar narrativas de maturidade excepcional, capazes de dialogar com questões políticas contemporâneas sem didatismo, e que há espaço para um público adulto que busca complexidade e seriedade. A série não apenas enriquece enormemente o contexto de Rogue One, mas também redefine o potencial dramático de Star Wars na televisão, elevando o patamar de qualidade narrativa e demonstrando que, quando confiado a vozes autorais como a de Gilroy, este universo ainda pode surpreender, comover e provocar reflexão de maneira poderosa e mesmo inédita.

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