sexta-feira, 10 de abril de 2026

THE BOYS S5 (2026)

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EPISÓDIOS

01  Fifteen Inches of Sheer Dynamite [***1/2]
02 Teenage Kix [***1/2]

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5X01 e 5X02: A dobradinha de estreia da quinta e última temporada de The Boys, que reúne os episódios Fifteen Inches of Sheer Dynamite e Teenage Kix, entrega um coquetel molotov de brutalidade gráfica, sátira política cortante (já virtualmente sem filtros)  e desolação emocional que, embora carregue o peso inevitável da repetição estrutural e uma ligeira fadiga típica de ciclos derradeiros, compensa com sobras ao elevar exponencialmente as apostas por meio de baixas dilacerantes e uma sensação onipresente de que ninguém emergirá incólume do confronto terminal contra a tirania divinizada de um Homelander mais instável, paranoico e letal do que em qualquer ponto anterior da série... A narrativa retoma os acontecimentos doze meses após o caos do finale passado, arremessando o espectador de imediato para dentro de uma distopia americana (à imagem de Homelander) onde os integrantes remanescentes da equipe titular — Hughie Campbell, Mother's Milk e Frenchie — definham nos recém-instituídos "Freedom Camps" da Vought, enquanto um Billy Butcher devastado pela progressão do Tumor cerebral e consumido por um ódio que o metamorfoseia na versão mais perigosa e moralmente cinzenta de si mesmo, orquestra uma evasão frenética ao lado de Starlight (Annie January), cuja cruzada pessoal gira em torno de expor a farsa midiática (por exemplo) do sequestro do Voo 37 (além do dilacerante e permanente sacrifício psicológico de ser a face pública da oposição a Homelander), e de uma Kimiko que, finalmente vocalizando (!) seus traumas em um discurso dilacerante, completa o núcleo de resistência externa. O primeiro episódio atinge seu clímax catártico em uma das sequências de ação mais tensas e de maior custo dramático da série, pontuada pelo sacrifício redentor de A-Train (que garante a fuga do trio!), cuja morte às mãos de um Homelander publicamente humilhado e psicologicamente fragmentado — que gargalha enquanto o rotula de "loser" em seu estertor final — não apenas confere à trama um luto genuíno e um senso de urgência renovado, mas redefine os contornos da vilania ao escancarar a fragilidade narcísica do antagonista... Já "Teenage Kix", longe de ser um mero epílogo, opera como um contraponto mais cadenciado porém igualmente perturbador, focando na logística macabra da resistência refugiada em uma escola abandonada; é aqui que testemunhamos a aplicação inconclusiva e eticamente tortuosa do vírus letal desenvolvido para o genocídio dos Supers sobre a cobaia de pele pétrea conhecida como Rock Hard, experimento que expõe fissuras talvez irreconciliáveis entre um Hughie apegado aos resquícios de sua humanidade e uma Starlight disposta a sacrificar milhares para salvar bilhões (ela inclusa!), ao mesmo tempo em que a narrativa introduz a influência nefasta do pastor-super Oh-Father (Daveed Diggs) na manipulação teocrática das massas e culmina na ressurreição imprevista (via Homelander!) de Soldier Boy (Jensen Ackles), que, após ser aparentemente neutralizado pelo patógeno, recobra os sentidos ao fim do episódio para injetar uma variável de caos imprevisível e tensões edipianas no tabuleiro. O retorno do pai biológico de Homelander, mais ranzinza e anacrônico do que nunca, não só complexifica a dinâmica de poder como estabelece uma disputa de egos que promete implodir os Seven por dentro, enquanto Butcher, confrontado com a ineficácia parcial de sua arma biológica, mergulha ainda mais fundo no abismo da vingança niilista. A dupla de estreia, portanto, pavimenta com sangue, tripas e dilemas morais intransponíveis o terreno para um acerto de contas final onde o choque entre a desumanização fascista de Vought e a chama agonizante da esperança — talvez agora representada exclusivamente pela obstinação de Hughie em não se tornar um monstro — pavimenta a estrada para um banho de sangue cada vez mais gráfico e um legado de devastação absoluta.

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sábado, 28 de março de 2026

FOR ALL MANKIND S5 (2026)

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EPISÓDIOS

01 First Light [**1/2]
02 The Hard Six [**1/2]
03 Home [***1/2]
04 Open Source [**1/2]

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REVIEWS

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5X01: O quinto ano de For All Mankind começa com First Light, episódio que dá um salto temporal para 2012, situando-se nove anos após o "roubo marciano" do asteroide Goldilocks no final da quarta temporada. Marte se tornou uma potência econômica inesperada devido à composição rica em metais raros, especialmente o irídio, de tal corpo celeste. É exatamente esse recurso que está no centro do novo conflito humano: o segundo mandato do presidente americano James Bragg, sucessor linha-dura de Al Gore, exige que Marte se comporte como uma colônia obediente a moda antiga, enviando à Terra o irídio processado sem questionamentos.

O veterano da série Ed Baldwin, agora um almirante aposentado e envelhecido, continua em Marte e é julgado à revelia por seu papel no roubo do asteroide, mas não pode retornar à Terra para cumprir pena por razões de saúde (ficando em uma espécie de prisão domiciliar). O episódio revela que anos de exposição à radiação espacial lhe causaram um câncer em estágio 3, condição que ele esconde da filha Kelly e do neto Alex. Miles Dale, que lembramos como líder da revolta da temporada passada, agora é um homem de família que usa camisas sociais e lidera um grupo chamado Filhos e Filhas de Marte (SDM no original), que se reúne semanalmente em um restaurante administrado por ele, sua esposa Amanda e seu antigo comparsa Ilya Breshaov. O objetivo do SDM é obter um representante eleito na coalizão M-6, que governa Marte com um governador nomeado, Leonid Polivanov, mas até agora enviaram cinco petições sem sucesso. Ed participa das reuniões usando uma tornozeleira eletrônica, fruto de sua condenação.

Lily é a filha mais nova de Miles Dale, e vemos no episódio a sua pixação da frase Free Mars em um corredor da colônia, um ato de rebelião silenciosa que demonstra seu engajamento com a luta pela autonomia marciana (e ela quer um lugar nas reuniões da SDM). Ela também (aparentemente) planeja ir à Terra para estudar jornalismo, o que cria uma tensão com Alex Baldwin, neto de Ed, que foi o primeiro humano nascido em Marte e que nunca pisou na Terra. Enquanto seus três únicos colegas recém formados de turma vão (ou pretendem ir) para a Terra cursar o ensino superior, Alex se sente preso, assistindo ao oceano por meio de um fone de ouvido de realidade virtual, sem saber qual direção tomar (ele é a peça mais referencial a uma metáfora baseada na colonização britânico norte americana).

Paralelamente, o episódio mostra a continuada busca por vida extraterrestre: Kelly Baldwin e Aleida Rosales lideram esforços de escavação na Cratera Korolev , mas após uma década de trabalho, não encontraram nenhuma evidência de vida fora da Terra, um resultado que tem sido desgastante para ambas. Aleida, agora CEO da Helios, sempre priorizou essa investigação científica em detrimento de outros projetos mas está revendo a sua posição (fora todos os problemas envolvendo o processamento do irídio marciano). E também entra em conflito com Dev Ayesa, que anuncia publicamente seu plano não aprovado de construir Meru, uma cidade sustentável para um milhão de pessoas em Marte, contrariando as decisões recentes da empresa até aqui.

Eis que a já tensa atmosfera de Happy Valley é finalmente estilhaçada por uma descoberta funesta... 

A chegada de uma nova força de segurança ao planeta vermelho, personificada pela oficial Celia Boyd (Mireille Enos), que serve como um lembrete constante do cerco político da Terra, é confrontada com a revelação do primeiro homicídio em solo marciano... 

O corpo (desovado) de Yoon Tae-Min, um refugiado norte-coreano (um dos muitos "Craters", pessoas que chegaram a colônia dentro de engradados selados), é encontrado por Alex Baldwin na superfície marciana, algo que estabelece centralmente o tom sombrio para a temporada... As evidências de DNA encontradas sob as unhas da vítima apontam imediatamente para (o também norte-coreano) Lee Jung-Gil, o primeiro humano a pisar em Marte, que é preso sob a acusação de assassinato. O episódio, então, compõem a subjacente tensão geopolítica com uma investigação policial de alto risco, deixando no ar a pergunta que definirá os próximos capítulos: Lee é um assassino ou apenas a vítima de uma trama conspiratória maior?

O presente episódio segue a construção inicial em banho maria, típica da série... Ainda vai de fato esquentar.

(E Margot Madison  está viva, em uma prisão americana, e em contato presente com Aleida.)

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5X02: O quinto episódio da segunda temporada de For All Mankind, intitulado The Hard Six, retoma os eventos exatamente onde a estreia parou: com Lee Jung-Gil, o primeiro homem a pisar em Marte, sendo escoltado algemado pelos corredores de Happy Valley pelos Pacificadores, a força de segurança local. O constrangimento público é amplificado pelos gritos de socorro de sua esposa e pela perplexidade geral dos colonos, que não acreditam que Lee seja capaz de assassinar Yoon Tae-Min. A cena estabelece de imediato o tom de arbitrariedade que permeará todo o episódio, expondo as fragilidades de um sistema legal ainda em formação em um planeta onde as regras são ditadas por interesses políticos e corporativos.

A trama principal se desenrola a partir da reação de Ed Baldwin à prisão do amigo. Diante da recusa do governador Lenya Polivanov em permitir um julgamento em Marte (Lee e a sua esposa são ilegais em marte após os eventos da temporada passada) e da indiferença pragmática de Dev Ayesa, que prefere preservar seus interesses na construção do elevador espacial e além, Ed decide que a única via possível é a ação direta. A organização da fuga mobiliza um pequeno grupo de aliados, mas o plano começa a ruir quando Miles Dale, pressionado e chantageado pelos próprios Pacificadores para atuar como informante, recua da operação. Ainda assim, Ed insiste. O resultado é uma sequência de perseguição com os Hoppers que, em vez de apostar na velocidade e no espetáculo, extrai sua tensão precisamente da lentidão e da precariedade. Cada solavanco, cada chiado no comunicador e a tosse persistente de Ed, agora em estágio avançado de um câncer, tão grave que os médicos haviam proibido terminantemente de submetê-lo ao estresse de um voo, transformam a fuga em um exercício de angústia quase claustrofóbica. É uma direção que acerta ao lembrar o espectador de que, nesse universo, o heroísmo raramente é limpo ou glorioso; ele é sujo, desesperado e cobra um preço físico imediato. O desmaio de Ed na cabine de comando, com seu destino incerto, funciona menos como um gancho barato e mais como a consequência lógica e quase inevitável de sua teimosia autodestrutiva.

Paralelamente a esse foco de tensão, a série introduz um arco investigativo que promete render frutos interessantes ao longo da temporada. A oficial Celia Boyd, recém-chegada ao corpo de Pacificadores, começa a desconfiar da narrativa oficial sobre o assassinato. Sua investigação a leva a descobrir que a vítima, um imigrante indocumentado (um "Crater"), trabalhava à noite na superfície marciana em operações não autorizadas para a empresa russa Kuragin, concorrente direta da Helios. Ao tentar questionar funcionários da companhia, Boyd é recebida com silêncio e intimidação, sendo expulsa sob a alegação de que está interferindo em assuntos privados. A suspeita que paira sobre a Kuragin não é apenas a de assassinato, mas a de um encobrimento corporativo em larga escala que explora mão de obra vulnerável em um ambiente onde a lei parece ser uma sugestão distante. A personagem, interpretada com uma quietude determinada por Mireille Enos, rapidamente se estabelece como uma adição promissora, injetando uma tensão cerebral e um mistério genuíno que contrabalança o (compreensível) caos emocional da linha narrativa de Ed.

Ainda neste episódio, a série expande seu horizonte cósmico com a descoberta de bioassinaturas em Titã, uma das luas de Saturno. A confirmação de possíveis sinais de vida, detectados por uma sonda da Helios, injeta uma nova energia na narrativa, reacendendo o espírito de exploração, a força motriz da série. Esse arco, centrado em Kelly Baldwin, cria um interessante conflito entre o pragmatismo científico de enviar mais sondas robóticas, defendido pelo engenheiro Walt Griebel, e o ímpeto desbravador de uma missão tripulada, pelo qual Kelly luta com uma paixão que mal disfarça seu desejo pessoal de ser a protagonista dessa descoberta. A dinâmica entre os dois é um dos pontos altos do episódio, com Kelly navegando entre a defesa do "bem maior da ciência" e sua vaidade profissional de forma quase cômica (enfim os dois irão na missão tripulada autorizada por Dev Ayesa) .

A estrutura do roteiro, embora eficiente em criar suspense e entregar o choque de adrenalina necessário para impulsionar a temporada, revela algumas fragilidades quando examinada de perto. A transição entre o sufoco da fuga em Marte e as discussões sobre proteínas em uma lua distante é abrupta, quase como se o episódio estivesse cumprindo uma tabela de tópicos a serem abordados, sem conseguir amalgamá-los em um todo coeso. A sensação é de que a trama de Titã está sendo plantada para o futuro, mas por enquanto ela ocupa um espaço que poderia ser melhor utilizado para aprofundar o caldeirão político que ferve em Happy Valley. Além disso, a facilidade com que certos obstáculos são contornados, ou a maneira como a perseguição se resolve com uma conveniência narrativa que beira o fortuito (com Lee pedindo asilo na instalação da ISN: Brasil, China etc.) , enfraquece a sensação de perigo real que a série tanto se esforçou para construir ao longo de suas temporadas.

The Hard Six é, em suma, um episódio de contrastes. Ele cumpre sua função de entretenimento ao entregar uma hora de televisão tensa e emocionante, mas o faz à custa de uma certa elegância narrativa. A investigação de Boyd e o mistério envolvendo a Kuragin são os elementos mais promissores, sugerindo que o verdadeiro coração do conflito pode estar nas entranhas corporativas e políticas da colonização, e não necessariamente nos atos heroicos de um velho astronauta. Enquanto isso, o destino incerto de Ed Baldwin serve como um lembrete melancólico de que até os gigantes tropeçam no peso de sua própria lenda. 

(A título de nota, a memória de Svetlana Zakharova, parceira próxima de Ed em missões passadas e cuja morte trágica — oficialmente um suicídio numa prisão na Índia, mas que o almirante insiste ter sido lá "suicidada" pelos soviéticos — paira como um fantasma sobre a narrativa, adicionando uma camada de melancolia à jornada do velho astronauta. Lee, um dos maiores heróis da conquista marciana, seria o próximo dessa macabra fila, de acordo com o coração do velho Baldwin.).

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5X03: Um longo e silencioso adeus se instalou no coração do cosmos. O episódio Home da quinta temporada de For All Mankind não é apenas mais uma hora de televisão; é um ponto de inflexão sísmico que reverbera através das eras narrativas da série. A trama, que por cinco temporadas nos habituou a despedidas abruptas em meio ao vácuo ou ao fogo de sacrifícios heroicos, desta vez nos convida a uma vigília à beira do leito. Ed Baldwin, o almirante de queixo quadrado que personificou a teimosia e a glória da exploração espacial, finalmente encontrou um inimigo que não podia manobrar ou pilotar para longe: seu próprio corpo. Diagnosticado com um câncer de pulmão em estágio avançado, fruto de décadas de exposição à radiação implacável do espaço, ele decide enfrentar a mortalidade com a mesma autonomia teimosa com que encarou cada lançamento de foguete. Ao recusar os tratamentos que apenas lhe dariam mais algumas semanas de agonia, Ed nos lembra que a sua verdadeira batalha sempre foi interna, travada contra a própria vulnerabilidade que ele tanto desprezava. A direção entrelaça esse presente agonizante com memórias de uma juventude congelada no tempo, onde vemos Joel Kinnaman sem as próteses da velhice, um jovem piloto abatido nos céus da Coreia, carregando para sempre a culpa e a lealdade a um camarada caído. Esses fragmentos do passado não são meros interlúdios nostálgicos; são a chave para entender a armadura emocional que Ed forjou para si mesmo, uma casca tão dura que, mesmo à beira da morte, ele ainda encontraria forças para fugir do hospital de bata e sem calças para tomar um último drinque com o neto. É na crueza dessa última fuga que o episódio atinge sua nota mais autêntica: um homem que nunca soube ficar parado, recusando-se a morrer sob os lençóis assépticos de um leito de enfermaria.

Enquanto o oxigênio de Happy Valley parece mais rarefeito pela ausência iminente de seu patriarca, as engrenagens da nova geração começam a girar com um ruído que, por vezes, soa arranhado. A série sempre foi mestra em saltar décadas e recalibrar o elenco, mas aqui sentimos o tranco da transmissão sendo passada para mãos ainda trêmulas. A trama envolvendo a investigação do assassinato e as tensões civis em Marte, com Celia Boyd (Mireille Enos) e sua vigilância (ainda meio) estabanada sobre os carregamentos de Kuragin, parece um mero ruído de fundo perante a urgência do réquiem emocional de Ed. Da mesma forma, as negociações políticas/policiais de Miles Dale (Toby Kebbell) para libertar sua filha ativista soam como uma subtrama ainda embrionária que a série insere para manter o mundo girando (e para um payoff futuro obviamente), mas que carece da gravidade dos eventos no quarto do almirante... No entanto, é nas interações mais nucleares a série que o episódio encontra seu equilíbrio precário. A cena em que Alex (Sean Kaufman) finalmente encontra palavras para conversar com Dev Ayesa (Edi Gathegi) sobre o avô, enquanto conserta uma motocicleta marciana (presente de Dev), carrega uma autenticidade que falta a outros dois arcos, sugerindo que há vida inteligente e emocionalmente complexa no futuro da série, mesmo que ainda em estado bruto e a ser escoada. E há (obviamente) ainda Aleida Rosales (Coral Peña), cuja decisão final de deixar a Terra e sua família para ressuscitar a nave Sojourner 1 em Marte e rumar para Titã (junto com Kelly Baldwin) ecoa o mesmo ímpeto que movia Ed. Ao abraçar o sacrifício pessoal em nome da descoberta, Rosales se torna, de fato, a herdeira espiritual de um legado que não se apaga com o silêncio dos motores (notem que ela sente falta das conversas com Margot na prisão e lamenta a "injustiça cósmica" com sua ex-mentora, a talvez arquiteta maior da presente era de exploração e que jaz condenada a nunca cruzar o espaço exterior).

Para os órfãos que Ed deixa para trás, a dor assume formas distintas e perigosamente humanas. Kelly Baldwin (Cynthy Wu) carrega o fardo mais pesado: a filha que, criada em uma casa onde o estoicismo era a única linguagem do afeto, se vê paralisada entre o desejo de salvar o pai e a obrigação de honrar sua última vontade. Seu olhar parece mais vivo ao contemplar o desgastado interior da Sojourner do que ao encarar a fragilidade do homem que lhe deu a possibilidade de uma vida, uma dissonância que o episódio captura com uma frieza quase cirúrgica, mas que ressoa como verdadeira para quem cresceu sob a sombra de um mito. Já Alex, o neto que Ed constantemente provocava e julgava, encontra sua redenção no silêncio da vigília final, segurando a mão do avô enquanto ele dá seu último gole de água e parte. Não há explosões, não há discursos grandiosos, apenas o som da respiração que cessa. E então, a série nos concede um momento de fantasia pura, uma raridade em seu realismo histórico-científico (e que não a bastardiza!): Ed se vê caminhando por um corredor da NASA ao lado do falecido Gordo Stevens (Michael Dorman), rumo à missão Gemini 7, enquanto Karen e Shane (sua esposa e seu filho ambos falecidos) o aguardam em algum lugar além do tempo. É um fechamento poético que amarra as pontas soltas de uma vida vivida entre estrelas e arrependimentos, revelando que o homem que nunca soube onde era seu lar finalmente entendeu que ele estava nas pessoas, e não nos planetas que conquistou.

Em sua essência, Home é um episódio que encapsula tanto a grandeza quanto as limitações de For All Mankind neste estágio avançado de sua jornada. Como uma homenagem a Joel Kinnaman e ao personagem que ancorou a série desde o primeiro momento em que os soviéticos pisaram na Lua, o capítulo é impecável. A atuação de Kinnaman, transitando entre a fragilidade física do presente e o vigor imprudente das memórias de guerra, é um testemunho final de sua parceria de sete anos com o papel (apesar das perenes críticas desta Castanha ao ator) . A revelação silenciosa de que Ed batizou seu falecido filho, Shane, com o nome do soldado que morreu para salvá-lo na Coreia adiciona uma camada de tragédia que ecoa por todas as temporadas anteriores. Contudo, o episódio tropeça ao tentar costurar esse adeus monumental com as (necessárias) tramas de transição que devem carregar a série adiante. O roteiro, por vezes, recorre a diálogos expositivos e atuações que destoam do tom solene do adeus nuclear do episódio, como se a engrenagem do plot tivesse sido forçada a girar enquanto o coração da narrativa ainda estava parando de bater. Ainda assim, o saldo final é o de uma despedida que honra a complexidade de um homem que foi, ao mesmo tempo, um herói inegável e um pai terrível. O legado de Ed Baldwin não está apenas nas crateras de Marte que levam seu nome ou nas rotas comerciais que ele ajudou a desbravar; está naqueles que ele amou e feriu, e que agora, com o silêncio do rádio, terão que descobrir para onde voar sem o seu comando. O show, assim como Kelly e Alex, agora precisa provar que aprendeu a pilotar sozinho.

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5X04: A quinta temporada de For All Mankind adentra seu quarto episódio, intitulado Open Source, carregando o peso narrativo de uma perda inestimável. O capítulo anterior, Home, despediu-se de Edward Baldwin (Joel Kinnaman), o coração pulsante e a figura central da série desde sua concepção. Sua ausência abrupta deixa um vácuo imenso, e a pergunta que pairava no ar era como a trama poderia se reerguer sem seu alicerce mais robusto. Este novo segmento, não tenta preencher esse vazio; em vez disso, aceita a ruptura e a transforma no próprio combustível para avançar. O episódio opera, portanto, como um ponto de inflexão, uma reinicialização velada que redireciona o foco narrativo para a geração que herdará não apenas as estrelas, mas também as intrincadas teias políticas e corporativas que os pioneiros teceram. A história se afasta momentaneamente do luto imobilizador para retratar o movimento, ainda que desajeitado e repleto de incertezas, daqueles que ficaram. A ação se divide em três frentes distintas, porém interligadas pela temática da continuidade e do legado. Em Marte, a colônia Happy Valley se ajusta à realidade pós-Baldwin, com sua filha Kelly Baldwin (Cynthy Wu) canalizando a energia para (pilotar) a missão científica rumo a Titã e seu neto Alex (Sean Kaufman) buscando um novo propósito dentro da burocracia da Helios. A chegada de Aleida Rosales (Coral Peña) ao planeta vermelho adiciona uma camada de familiaridade e competência técnica, servindo como uma ponte entre o passado glorioso da exploração espacial e os desafios presentes. Simultaneamente, a Terra reintroduz um espectro do passado através da jovem fuzileira naval Avery A.J. Jarrett (Ines Asserson), cuja linhagem familiar a conecta diretamente aos trágicos eventos das temporadas anteriores. Esta estrutura tripartida evidencia uma tentativa deliberada de expandir o universo da série, mirando o futuro enquanto lida com os escombros do passado, embora com um equilíbrio que nem sempre se sustenta com a elegância esperada para uma produção deste calibre.

O desenvolvimento da trama central de Open Source reside na descoberta acidental de Alex dentro dos sistemas de dados da Helios. Empreendendo um cargo de entrada na empresa de Dev Ayesa (Edi Gathegi), o jovem Baldwin, cujo organismo é fisiologicamente incapaz de suportar a gravidade terrestre, almeja contribuir para o projeto da cidade marciana utópica de Meru. Ao investigar protocolos de carga e sistemas de elevadores espaciais, ele se depara com arquivos criptografados que expõem uma conspiração devastadora: um acordo secreto entre a Helios e a empresa soviética Kuragin (entre outros) para automatizar noventa e oito por cento das operações em Marte. As implicações são catastróficas para a frágil comunidade marciana, pois a substituição em massa da mão de obra humana por máquinas significaria a deportação forçada de quase todos os residentes de volta a um planeta Terra que muitos já não reconhecem como lar. A descoberta é um golpe de narrativa eficaz, que resgata o espírito de espionagem industrial e tensão geopolítica que sempre definiu os melhores momentos da série. A motivação soviética para tal traição reside na economia superalavancada pelo irídio, um desespero que justifica a aliança obscura com a iniciativa privada ocidental. Contudo, a execução deste arco não está isenta de percalços. A facilidade com que um funcionário recém-contratado, ainda que portador de um sobrenome ilustre, consegue acessar segredos de estado corporativo desta magnitude demanda uma suspensão de descrença considerável, um atalho roteirístico que enfraquece a verossimilhança meticulosa que a série costuma cultivar. A figura de Lily Dale (Ruby Cruz), aspirante a jornalista (e amiga/namorada de Alex), funciona como catalisadora da ação ao incentivar a invasão dos sistemas e, possivelmente, ao vazar os dados sem o consentimento final de Alex, levantando questões éticas interessantes sobre o ativismo juvenil e a responsabilidade da imprensa. A resolução precipitada deste conflito, com a explosão de alertas noticiosos ao final do episódio, sacrifica parte do suspense em favor de um fechamento de ciclo imediato. A trama secundária, envolvendo a chegada de Aleida a Marte e seu reencontro com Kelly Baldwin, oferece um contraponto emocional mais bem-sucedido. A admiração genuína de Rosales ao contemplar a paisagem marciana pela primeira vez serve como um lembrete poderoso da escala épica da conquista espacial, um momento de assombro que a rotina da colônia por vezes obscurece. A química entre Wu e Peña permanece um dos ativos mais valiosos do elenco, proporcionando cenas de camaradagem e leveza que equilibram o tom conspiratório predominante. A sequência no bar, regada a álcool e confissões, é um exemplo primoroso de como a série constrói humanidade em meio à frieza tecnológica do espaço.

A análise dos valores de produção e da linguagem audiovisual empregada em Open Source revela uma dualidade intrínseca que reflete o próprio estado de transição da narrativa. Visualmente, o episódio mantém o padrão de excelência que se tornou sinônimo da série na plataforma Apple TV. A fotografia de Marte, com seus tons ocres e a cúpula opressora de Happy Valley, continua a comunicar uma sensação de isolamento e precariedade. O lançamento da nave Sojourner em direção a Titã, marco temporal de dezenove de julho de dois mil e doze, é executado com uma grandiosidade técnica que remete aos melhores momentos das missões Apollo nas temporadas iniciais, resgatando o sentimento de deslumbramento e orgulho pela engenhosidade humana. A direção de arte dos interiores, sejam os corredores utilitários da Helios ou os aposentos de Danielle Poole (Krys Marshall) na Terra, é meticulosa, ajudando a ancorar a ficção científica em uma realidade tátil e reconhecível. No entanto, a montagem parece menos segura neste capítulo. A tentativa de abarcar três núcleos narrativos tão díspares em um único episódio resulta em transições por vezes abruptas, que prejudicam a fluidez da experiência. O corte entre o drama psicológico de Avery Jarrett na Terra e a descoberta da conspiração em Marte, por exemplo, não encontra a cadência ideal, fazendo com que a introdução da nova personagem pareça mais uma interrupção do que um complemento orgânico à trama principal. A subtrama de Avery, embora rica em potencial temático ao explorar o legado maldito de (seu pai) Danny Stevens (Casey W. Johnson) e a sombra projetada por (seus avós) Gordo (Michael Dorman) e Tracy Stevens (Sarah Jones), sofre de uma inserção apressada. Sua jornada para ser aceita na OPEF, a força expedicionária fora do planeta, e sua luta contra o estigma familiar são resolvidas com uma rapidez que beira a conveniência. A aparição de Danielle Poole, sempre uma presença serena e maternal, serve como um alicerce emocional, mas não mitiga a sensação de que este núcleo foi comprimido para caber no espaço disponível. A sonoplastia, por sua vez, trabalha de maneira mais sutil e eficiente. O zumbido constante dos sistemas de suporte de vida em Happy Valley, o ruído metálico dos equipamentos de mineração e o silêncio sepulcral do vácuo durante as cenas externas constroem uma paisagem sonora imersiva, que acentua a fragilidade da presença humana naquele ambiente hostil. A partitura musical, embora menos intrusiva do que em outros episódios, pontua os momentos de maior tensão com acordes que remetem ao perigo iminente, enquanto cede espaço ao silêncio para que as atuações dos jovens Kaufman e Cruz possam respirar.

Ao fim, Open Source se consolida como um capítulo de reconstrução que tropeça em sua própria ambição, mas que ainda assim consegue fincar bandeiras importantes para o futuro da temporada. O impacto mais imediato do episódio é a implosão do status quo em Marte. O vazamento dos documentos confidenciais não apenas expõe a duplicidade de Helios e Kuragin, como também acende o estopim para uma revolta social em Happy Valley, cujos desdobramentos prometem dominar os próximos capítulos. A desconfiança plantada sobre figuras como Dev Ayesa e Lenya Polivanov (Costa Ronin) adensa a névoa moral que paira sobre os líderes da nova fronteira. A questão que fica não é mais apenas se Marte sobreviverá tecnicamente, mas se sua alma comunitária resistirá à sanha do lucro e do controle estatal. A missão a Titã, por sua vez, retoma o espírito de descoberta científica que foi a gênese da série, prometendo um retorno à exploração pura, ainda que maculada pela nova corrida espacial entre as naves da Helios e da Kuragin. A preocupação de Aleida com os cálculos de reentrada atmosférica adiciona um elemento de tensão técnica que pode resultar em consequências trágicas para Kelly e sua tripulação. Para a série como um todo, que se encaminha para seu ato final com a já confirmada sexta temporada, este episódio sinaliza uma passagem de bastão geracional que é ao mesmo tempo necessária e arriscada. O legado de Ed Baldwin, sintetizado na rebeldia de Alex e na determinação de Kelly, é a âncora que impede a narrativa de derivar para o vazio. Contudo, a confiança depositada em personagens tão jovens e ainda em fase de pleno desenvolvimento impõe à temporada o desafio de provar que eles são capazes de sustentar o peso monumental que herdaram. Podemos esperar que os próximos episódios mergulhem nas consequências do vazamento, aprofundando o conflito entre a Terra e Marte e possivelmente revelando se a traição partiu de Dev ou de uma facção ainda mais sombria dentro da corporação. Open Source, portanto, cumpre seu papel de pavimentar o caminho para um novo ciclo de conflitos, ainda que o faça com uma solidez que por vezes parece frágil demais para a carga que carrega.

(Em adendo à análise já tecida, cumpre destacar a pungente ironia com que a descoberta de Alex e o subsequente vazamento público colidem frontalmente com o projeto de engenharia social orquestrado pelo governador marciano, Leonid Lenya Polivanov (Costa Ronin). Em um esforço calculado para mitigar a ebulição política e as cicatrizes ainda expostas da fuga de Lee Jung-Gil, Lenya, por instigação de sua esposa Natalya Polivanova (Olga Fonda), arquiteta uma grande celebração em torno da missão Sojourner a Titã. Trata-se de um artifício clássico, reminiscente da máxima romana de prover pão e circo, cujo objetivo precípuo era redirecionar o olhar coletivo da fragilidade institucional para um feito grandioso e unificador: a busca por vida extraterrestre. Contudo, a divulgação dos arquivos que revelam o pacto secreto para automatizar noventa e oito por cento da força de trabalho marciana reduz a pó essa frágil arquitetura de coesão. A celebração, em vez de selar uma trégua moral, expõe a vacuidade do discurso oficial e transforma o palco da união no epicentro de uma nova e mais profunda fratura. Nesse novo contexto de conspiração desmascarada, a investigação obstinada de Celia Boyd (Mireille Enos) — que vinha rastreando meticulosamente as atividades noturnas da Kuragin e o uso de mão de obra indocumentada — perde subitamente o seu sentido original. Seu inquérito, até então uma espiral de suspeitas e pequenas ilegalidades, torna-se um esforço redundante, quase uma nota de rodapé diante do estrondo provocado pela revelação da hecatombe social planejada. O vazamento não apenas antecipa a conclusão para a qual o trabalho de Boyd se encaminhava lentamente, como também expõe que a verdadeira ameaça não residia em uma operação marginal ou criminosa, mas sim em um acordo formal de estado e de corporação, sancionado no mais alto escalão da administração do próprio Polivanov. Sua busca por respostas é, assim, atropelada pela velocidade da informação e pela gravidade da traição institucionalizada.)

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quinta-feira, 26 de março de 2026

PARADISE S2 (2026)

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PARADISE 2025
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EPISÓDIOS

S2.E01 ∙ Graceland [***1/2]
S2.E02 ∙ Mayday [**1/2]
S2.E03 ∙ Another Day in Paradise [**1/2]
S2.E04 ∙ A Holy Charge [****]
S2.E05 ∙ The Mailman [***1/2]
S2.E06 ∙ Jane [**]
S2.E07 ∙ The Final CountDown [***1/2]
S2.E08 ∙ Exodus [***1/2]
 
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REVIEW

A segunda temporada de Paradise representa uma guinada ousada e ambiciosa na carreira de seu criador, Dan Fogelman. Conhecido por seu trabalho em séries dramáticas como This Is Us, Fogelman já havia demonstrado em 2025, com a temporada de estreia da série, uma habilidade peculiar para transitar entre o melodrama familiar e a ficção científica distópica. Se na primeira temporada a grande sacada foi a revelação do mundo pós-apocalíptico em um bunker subterrâneo, nesta segunda temporada de 2026, o criador aposta todas as suas fichas em uma expansão narrativa radical. Ele não apenas leva o protagonista Xavier Collins (Sterling K. Brown) para a superfície, como também introduz uma nova co-protagonista, Annie Clay (Shailene Woodley), dedicando um episódio inteiro a ela antes mesmo de retornar ao enredo estabelecido. Esta ousadia ecoa o espírito de suas obras anteriores, onde reviravoltas emocionais são a força motriz, mas também representa um novo patamar de risco, ao fragmentar a narrativa em frentes bem distintas desde os primeiros momentos. A série, que antes se resumia a um assassinato dentro de uma comunidade fechada, agora abraça plenamente sua essência sci-fi com a introdução de Alex, uma computadora quântica com inteligência artificial avançada que se torna peça-chave nos conflitos de poder e sobrevivência. Esse movimento dialoga com a ansiedade de uma audiência de 2026 cada vez mais familiarizada e preocupada com os dilemas éticos da inteligência artificial e com a fragilidade das estruturas sociais diante de catástrofes climáticas. Ao espelhar a jornada dos que foram deixados para trás na superfície em contraste com os “escolhidos” no subsolo, Paradise reflete o fosso de desigualdade do mundo real, perguntando ao telespectador o que realmente define a humanidade quando as convenções da civilização ruem. A série, renovada para uma terceira e última temporada antes mesmo do fim desta, prova que sua ambição tem respaldo, ainda que o caminho escolhido para o final com o colapso físico do bunker seja por vezes confuso (ainda que narrativamente acertado por finalmente reunir os bilionários e os sobreviventes comuns).

A trama da segunda temporada de Paradise inicia-se onde a anterior terminou, mas não da maneira esperada. Após descobrir que sua esposa, Teri Rogers-Collins (Enuka Okuma), pode estar viva, Xavier abandona a segurança do bunker em busca dela. Seu avião, no entanto, cai, e ele é resgatado/cuidado por Annie Clay (Shailene Woodley), uma ex-estudante de medicina grávida de Link (Thomas Doherty) (*) e que sobreviveu ao apocalipse escondida em Graceland, a mansão de Elvis Presley em Memphis. A temporada dedica anteriormente seu primeiro episódio inteiramente a Annie, mostrando sua luta pela sobrevivência e sua transformação em uma mulher mais forte e determinada (sérias fobias, TOCs e outras questões psiquiátricas a impediram de se formar médica, apesar da sua imensa e óbvia bondade). A narrativa então se divide. De um lado, Xavier e Annie formam uma dupla improvável na superfície devastada, indo para  Atlanta, enfrentando não apenas os perigos ambientais, mas também o de grupos de sobreviventes. Infelizmente, a busca por Teri torna-se logo uma odisseia desoladora, culminando na trágica morte de Annie durante o parto em um momento de cortar o coração. Xavier, então, assume a responsabilidade pelo bebê recém-nascido (uma menina), adicionando uma camada de pesar e propósito à sua jornada (eventualmente encontrando a sua esposa e depois de volta ao bunker)... Do outro lado, no interior do bunker Paradise, a situação é igualmente turbulenta. A poderosa Sinatra (Julianne Nicholson), após sobreviver a uma tentativa de assassinato, sai do coma e retoma velhos hábitos auxiliada pela instável agente Jane (que a ajuda a despachar o novo presidente, o vice do anterior). Paralelamente, os fios da sociedade começam a se desfazer. O controle se torna mais opressor, enquanto uma rebelião silenciosa cresce entre os habitantes, explorada por personagens como Jeremy Bradford (Charlie Evans), filho do falecido presidente. O grande motor de conflito interno é a misteriosa "Alex", cujos segredos guardados em outro bunker (!) ameaçam derrubar todo o sistema. A temporada caminha para um clímax onde uma falha catastrófica leva ao colapso iminente do bunker, forçando Sinatra (drasticamente mudada após o seu encontro com o Link) a um ato de sacrifício que parece custar sua própria vida para salvar a todos. Os temas principais são claros: a resiliência diante da perda, a falibilidade das utopias construídas sobre o poder e a redescoberta da esperança nas cinzas do mundo. Enquanto o fim do luto de Sinatra e a postura heroica de Xavier fornecem o lastro emocional e moral da temporada, a narrativa sofre com a inclusão de subtramas menos inspiradas, como as aventuras dos adolescentes dentro do bunker, que soam deslocadas, e a tentativa do personagem do “carteiro” de enganar Xavier (em Atlanta) com uma história absurda sobre Teri que não convence ninguém. Além disso, a personagem Jane (Nicole Brydon Bloom), uma assassina psicopata agora a serviço de Sinatra, transita de forma irregular entre um humor sombrio e ameaçador e um tom de galhofa que quebra a tensão das cenas em que aparece.

(*) Link lidera um grupo de desativadores de usinas nucleares abandonadas que passa por Graceland. Depois descobrimos que ele é o filho falecido (Dylan) de Sinatra e ainda o gênio que criou a primeira versão de Alex. Eventualmente ele ruma para o Bunker com várias milícias com o objetivo de destruir Alex, que ele julga muito perigosa por ser capaz de manipular o tempo. E a temporada mostra diversas vezes que ele está coreto, apesar do propósito AI ainda não estar claro. Alex deixa um enigmático cartão de acesso para Xavier ao fim da temporada.

O sucesso desta segunda temporada deve ser creditado, em grande medida, ao trabalho competente por trás das câmeras. A direção de fotografia, mais uma vez sob a responsabilidade do talentoso profissional Yasu Tanida que já havia assinado a primeira temporada, realiza uma façanha notável ao estabelecer uma linguagem visual distinta para cenários distintos. Por exemplo, o bunker, antes um lugar de falsa segurança e luzes artificiais amenizadoras, agora é filmado com ângulos mais fechados e uma paleta de cores mais fria e opressora, refletindo seu colapso moral. Em contraste, as cenas na superfície, em Graceland e pelas estradas devastadas, adotam uma paleta terrosa e uma fotografia mais granulada e naturalista, que captura a vastidão e o perigo do novo mundo... A montagem, por sua vez, é a grande responsável por costurar as diferentes linhas narrativas e os flashbacks abundantes, uma marca registrada de Fogelman (marca deveras indulgente por falar nisso)...  A trilha sonora composta por Siddhartha Khosla é outro ponto alto, com temas melancólicos que sublinham a solidão de Annie e temas de ação pulsantes que dão ritmo às fugas e confrontos (fora os extremamente repaginados covers oitentistas, uma marca da série, que mantém o falecido presidente espectralmente presente para além dos flashbacks)... No quesito atuação, o elenco principal entrega performances sólidas. Sterling K. Brown continua sendo a espinha dorsal da série, transmitindo uma mistura convincente de força física e fragilidade emocional como Xavier. Julianne Nicholson tem a tarefa mais difícil, e a realiza com maestria ao transformar Sinatra de uma pessoa pragmática e fria (com fins extremos justificando meios inumanos) em uma figura trágica e redimível, cujo fim do luto pela perda do filho a humaniza completamente (até o máximo sacrifício!). A maior revelação, no entanto, é Shailene Woodley. Sua Annie é o coração pulsante da primeira metade da temporada, e Woodley consegue fazer com que cada momento da personagem em tela, desde sua lúcida preparação para o parto solitário até seu sacrifício final, seja de uma verdade e urgência avassaladoras. No polo oposto, as atuações das crianças e adolescentes, com algumas exceções, carecem da profundidade necessária para os dramas que lhes são atribuídos, frequentemente soando desleixadas, forçadas ou unidimensionais.

Ao final da segunda temporada de Paradise, a série criada por Dan Fogelman se reafirma como uma das produções mais intrigantes e imperfeitas do ano de 2026 até aqui. O veredicto é o de uma obra que não tem medo de arriscar e que, por isso, colhe tanto triunfos quanto fracassos significativos. A conclusão sobre seus temas é ambivalente: a humanidade é salva pelo amor incondicional, simbolizado pelo sacrifício de Annie e pela persistência de Xavier, mas é também constantemente ameaçada por sua própria arrogância (em múltiplos níveis) e pelo poder desmedido, personificado nos segredos de Alex e na estrutura social falha do bunker... A trajetória redentória de Sinatra, enfim livre do seu luto, e a assunção por Xavier do papel de protetor do bebê de Annie e além, sugerem esperança para o homem, mas apenas através do serviço ao próximo e do enfrentamento da verdade. No entanto, o impacto da temporada é prejudicado por suas já mencionadas inconsistências... A sensação que fica é a de que Fogelman e sua equipe tinham uma visão clara e corajosa para o arco dos personagens centrais e para a introdução de sofisticados elementos de ficção científica, mas perderam o controle das pontas menos relevantes da trama (os elementos de conexão). Apesar disso, a conclusão do colapso do bunker, embora narrativamente confusa, entrega um clímax visualmente espetacular e redefine completamente o universo da série. Para a audiência, Paradise oferece um raro exemplo de televisão de gênero que ousa não se contentar com a repetição, ainda que tropece em sua ambição. Para a televisão como um todo, a série é um lembrete de que o sucesso pós-apocalíptico ainda reside na criação de personagens pelos quais nos importamos, e não apenas nos valores de produção grandiosos. Esta temporada, é um capítulo essencialmente irregular, porém indispensável, que pavimenta o caminho para uma terceira temporada que, agora livre das amarras do bunker, terá a chance de aperfeiçoar a fórmula e explorar um mundo novo, literalmente, sobre os ombros de seus gigantes emocionais.

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terça-feira, 24 de março de 2026

INVINCIBLE S4 (2026)

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EPISÓDIOS

S4.E1 ∙ Making the World a Better Place [***]
S4.E2 ∙ I'll Give You the Grand Tour [****]
S4.E3 ∙ I Gotta Get Some Air [***]
S4.E4 ∙ Hurm [*]
S4.E5 ∙ Give us a Moment [***1/2]
S4.E6 ∙ You look Horrible [***1/2]
S4.E7 ∙ Don't do Anything Rash [****]
S4.E8 ∙ Don't Leave me Hanging Here []


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ACASTANHADAS

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4X02 E 4X05: O episódio 02 é brilhante ao contar a (horripilante) história de como os Viltrumitas foram colocados a beira da extinção (pelo Vírus Flagelo) e por elegantemente interconectar isso com a inevitável guerra total com a Coalizão de Planetas que se avizinha (um verdadeiro triunfo coesivo via o líder Thadeus da Coalizão). O espetacular episódio ainda tem bastante humor, inclusive um inesperado riff com Star Trek: The Next Generation...

No episódio 05, Nolan (com Allen a tiracolo) volta a terra para recrutar Invincible para a tal guerra e pedir desculpas pelas suas IMPERDOÁVEIS monstruosidades do passado. Sem muito sucesso com as tais desculpas (obviamente), ele recebe enfim o reforço dos seus dois filhos (e de Zoe Thompson, a Tech Jacket) e enquanto viajam todos para o QG da Coalizão são atacados por Conquest e cia. Se segue eventualmente uma luta ainda mais brutal de Invincible & Conquest e não sabemos como qualquer um deles poderia ter sobrevivido a tamanha carnificina (além da violência fora de qualquer escala que acaba cansando um pouco, a coreografia da luta também não foi das melhores). E o episódio termina em um EXTREMO cliffhanger.

(A nave da Coalizão tem até uma "separação de disco" estilo TNG. Fugindo, por decisão tática da capitão, e deixando os cinco "Supers" para trás para lidar com o cruzador Viltrumita que trouxe Conquest.)

(Esta Castanha ficou pensando que o fato da sua gravidez roubar os poderes de Eve pode estar relacionado ao fato dela ter se tornado poderosa demais e que pensaram nisso como uma maneira de retira-la da guerra por antecipação. Vamos averiguar!)

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4X06: O episódio atua como um potente ato de reconstrução após o cataclismo do último combate contra Conquest. Funcionando como uma necessária válvula de escape e reconfiguração de peças, a trama se bifurca de forma eficaz entre a escala cósmica do conflito nascente (Viltrumitas X Coalizão de Planetas) e a intimidade dolorosa de uma família partida... De um lado, testemunhamos o estopim oficial da Guerra Viltrumita, uma coreografia de destruição em massa que, embora narrada de forma um tanto fragmentada por montagens, ganha peso incontestável com a presença de um aterrorizante Grand Regent Thragg, cuja voz gélida de Lee Pace subverte as expectativas e promete na sequência um horror calculado muito além da força bruta (e após recebermos nesta semana a visita  de Thragg  e companhia em Talescria,  capital da Coalizão, já atacaremos na próxima os Viltrumitas em seu planeta natal!)... Contudo, é no núcleo dramático isolado (do trio Grayson) em um planeta deserto que o episódio realmente encontra sua força motriz. Com Mark Grayson em um coma de dois meses para se recuperar de ferimentos grotescos, a narrativa se concentra no tenso e necessário processo de acerto de contas entre Nolan e seu filho mais novo, Oliver. Longe da civilização, o outrora impiedoso Omni-Man se vê confrontado não pela força, mas pelas palavras de um garoto que ouviu a confissão de que sua existência fora um "erro". A dinâmica vocal entre J.K. Simmons e Christian Convery sustenta o capítulo com uma crueza emocional palpável, externalizada em pequenos gestos como a caça por alimento e a discussão sobre honrar os mortos — um enterro simbólico que Nolan concede até mesmo a Conquest, alinhando rochas ao pôr do sol no formato do emblema Viltrumita. É nesse silêncio desconfortável que a série planta as sementes para futuros rachas, especialmente na apatia arrepiante de Oliver em relação ao destino da Terra, uma frieza que o diálogo sobre a lagosta só intensifica... A cereja do bolo fica para a já antológica cena pós-créditos: uma aula de metalinguagem e tortura psicológica com o falso retorno de Conquest, onde o vento soprando a terra sobre a lápide funciona como uma risada debochada dos roteiristas para o público em choque. É um episódio que troca a explosão contínua pela implosão emocional, provando que, em Invincible, o horror de "Você está horrível" muitas vezes reside menos nas entranhas expostas e mais nas feridas internas que demoram uma eternidade para cicatrizar.

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4X07: Completamos em flashback a história da morte do imperador Argall por Thadeus, a chegada de Thragg ao poder e a sua ordem do expurgo (luta generalizada até a morte dentro de toda a população Viltrumita até que apenas os mais fortes ficassem de pé)... De volta ao presente, ocorre o confronto mais esperado, Thadeus e a sua guarda de honra versus Thragg e a sua guarda de honra na órbita de Viltrum (e mais ninguém em todo o planeta).  O destaque absoluto vai para os impressionantes feitos físicos de Thragg (com o seu delicioso visual "Gay Raiz", estilo Freddie Mercury bigodudo somado ao do movimento do Bairro Castro, com saias e um inacreditável sobretudo de peles!) que não decepciona nem ao fã mais exigente. Percebendo que nenhuma condição apaziguaria Thragg, Nolan (junto com Thadeus, Mark e o Space Racer)  realiza uma manobra de cair o queixo, desestabilizando o núcleo do planeta e destruindo Viltrum. Thragg furioso com isso mata facilmente Thadeus na sequência mas poupa os Graysons se dando conta de que apenas um punhado dos seus  resta no cosmos e parte junto com seus últimos tenentes... Algum tempo depois o triunvirato Grayson se recupera em Talescria. Eis que Mark tem um insight sobre o paradeiro dos últimos Viltrumitas: "Eles estão na Terra!"

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sábado, 21 de março de 2026

PROJECT HAIL MARY (2026)

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PROJECT HAIL MARY (2026) [156'] [2.39:1] [★★★]

A dupla formada por Phil Lord e Christopher Miller construiu sua carreira na habilidade de transgredir gêneros conhecidos por dentro, entregando obras que, a um só tempo, reverenciam e subvertem as convenções que abraçam. Como em The Lego Movie e na franquia Spider-Verse eles testaram os limites do que uma animação poderia ser, e em 21 Jump Street fizeram o mesmo com a comédia de ação, a expectativa em torno de sua estreia no cinema de ficção científica de apelo familiar era grande. Em Project Hail Mary, os diretores se deparam com um material, o romance de Andy Weir, que parece feito sob medida para suas sensibilidades: há espaço para o humor rápido, para a desconstrução do arquétipo do herói solitário e para uma sofisticação visual que já lhes rendeu até um Oscar compartilhado. No entanto, o resultado final, embora competente e em muitos aspectos notável, expõe pela primeira vez uma espécie de limite em sua abordagem. O filme reforça seus vícios autorais — a ênfase no trabalho de equipe sobre o individualismo, o protagonista relutante que precisa ser empurrado para a grandeza, a estética vibrante que mescla o tátil com o digital — mas o faz com uma segurança que beira o automatismo, entregando um produto que parece mais uma reciclagem elegante de elementos consagrados do gênero do que uma nova proposição. Lançado em um momento em que a exploração espacial real ganha novo fôlego com os preparativos para o retorno à Lua e a promessa de ida a Marte, o filme tenta se posicionar como um espelho ficcional desses anseios, mas sua visão de futuro, curiosamente, soa mais nostálgica do que visionária.

A narrativa apresenta Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de ciências de escola média que, ao acordar de um coma induzido a bordo de uma espaçonave em um sistema estelar distante, descobre ser o único sobrevivente da tripulação da nave Hail Mary. Com a memória fragmentada, Grace reconstrói, por meio de flashbacks, sua própria história: um cientista brilhante mas de temperamento difícil, cuja teimosia intelectual o afastou da academia e o levou a uma vida isolada e modesta como educador. É justamente essa modéstia que o torna alvo da implacável comandante da missão, Eva Stratt (Sandra Hüller), que o recruta contra sua vontade — literalmente o sedando e embarcando à força — para uma empreitada que definirá o futuro da humanidade. A Terra está morrendo, com seu Sol sendo drenado por um organismo microscópico apelidado de Astrophage, e a única esperança está em uma amostra desse parasita encontrada em um sistema solar próximo. A essa estrutura de sobrevivência espacial e reconstrução de memória, junta-se o elemento mais ousado e bem-sucedido do filme: a amizade entre Grace e Rocky (James Ortiz), uma criatura alienígena de aparência pétrea e hábitos musicais, cuja nave também está na região para resolver o mesmo problema que aflige sua própria estrela-mãe. É no desenvolvimento dessa relação, que força Grace a superar seu isolamento emocional e sua covardia inicial, que o filme encontra seu coração. O conflito principal do protagonista não é meramente a sobrevivência física ou a solução de um quebra-cabeças científico, mas a jornada para transformar sua indiferença e medo em um ato de sacrifício genuíno, culminando em uma escolha final que o vê abandonar a chance de retornar à Terra para salvar seu companheiro alienígena.

Visualmente, Lord e Miller utilizam a linguagem do espetáculo para tentar equalizar a vastidão fria do espaço com a intimidade emocional que buscam construir. A fotografia e a direção de arte são impecáveis, criando contrastes marcantes entre os interiores claustrofóbicos e dourados da Hail Mary e as paisagens alienígenas de uma beleza estonteante. O uso de câmera é dinâmico, com movimentos fluidos que frequentemente subvertem a orientação do espectador, sugerindo o estado de desorientação de Grace. Daniel Pemberton, colaborador de longa data da dupla, compõe uma trilha sonora que, em muitos momentos, é o verdadeiro motor narrativo do filme. No entanto, é justamente nesse aspecto que se manifesta um dos problemas centrais aqui... A partitura de Pemberton, assim como a seleção musical de canções pop que pontuam momentos-chave — incluindo a já famosa canção de despedida Po Atarau —, frequentemente opera em um nível de sugestão emocional que antecipa e, em certos casos, duplica o choro dos atores em tela. As cenas de sacrifício e reconciliação são compostas com uma orquestração tão deliberadamente comovente que a emoção deixa de ser descoberta pelo espectador para ser imposta a ele. Da mesma forma, a manipulação dos bonecos e da voz do alienígena Rocky (com a decisão acertada de usar o próprio manipulador, James Ortiz, como intérprete vocal) é um triunfo técnico que, paradoxalmente, expõe uma fragilidade no roteiro. O personagem é tão calculadamente construído para ser cativante — com seus maneirismos infantis e uma sintaxe de fala propositalmente truncada — que sua adorabilidade beira o artificioso, lembrando mais um produto de marketing pensado para a venda de brinquedos do que uma criatura orgânica. As atuações, especialmente a de Gosling, que transita com eficiência entre o sarcasmo do professor frustrado e o pânico do homem comum colocado em situação extraordinária, e a de Hüller, cuja autoridade fria ganha camadas de vulnerabilidade nos acréscimos românticos ao roteiro, sustentam a estrutura, mas não conseguem escapar da sensação de que estão servindo a um projeto que as instrumentaliza em vez de explorá-las.

Ao final, Project Hail Mary se revela como um empreendimento ambicioso que, apesar de seus muitos méritos técnicos e de uma narrativa central envolvente, sucumbe à própria necessidade de agradar. O veredicto sobre seus temas principais — a ideia de que a verdadeira coragem é encontrada quando se tem alguém ou algo pelo qual lutar, e que o altruísmo pode florescer mesmo em um homem definido por sua covardia — é apresentado de forma límpida, mas sem a complexidade que o filme parece crer ter. A escolha final de Grace, que o vê abandonar a glória de um retorno triunfante para construir uma nova vida ao lado de Rocky em Érid, é um final de certa forma ousado que subverte as expectativas do blockbuster convencional . No entanto, essa subversão é, em si mesma, dramaticamente segura, encapsulada em um epílogo que funciona como uma garantia de que tudo deu certo, esvaziando parte do peso trágico da decisão. Para a filmografia de Lord e Miller, o longa representa um momento de consolidação, em que sua assinatura — a comédia afetuosa, a metalinguagem, a defesa da colaboração interespécies — se torna quase um checklist. O filme não mancha seu legado, mas também não o expande. É o trabalho de artesãos talentosos operando no auge de sua capacidade, mas que, pela primeira vez, parecem mais interessados em entregar exatamente o que se espera deles dentro de um gênero talvez já meio saturado. O resultado é um espetáculo visualmente deslumbrante e emocionalmente competente, mas que, ao tentar tanto tocar o coração do público, esquece que a emoção mais duradoura é aquela que se descobre, e não aquela que se é ensinado a sentir.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

PAREM TODAS AS MÁQUINAS!!! CHUCK NORRIS NÃO MORREU!!!

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"Norris não morreu. Ele blefou friamente olhando diretamente os olhos da ceifadora e tomou o seu lugar. ELE MATOU A PRÓPRIA MORTE!!! "

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quarta-feira, 18 de março de 2026

OS 21 DIRETORES DE TODOS OS TEMPOS X O OSCAR (VERSÃO 2026)

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(Arte ainda meramente ilustrativa!)

OS 21 DIRETORES DE TODOS OS TEMPOS...
 
1928. Luis Buñuel [ESPANHA]
1931. Jean Renoir [FRANÇA]
1932. Yasujiro Ozu [JAPÃO]
1939. Kenji Mizoguchi [JAPÃO]
1941. Orson Welles [AMÉRICA]
1945. David Lean [INGLATERRA]
1945. Robert Bresson [FRANÇA]
1950. Akira Kurosawa [JAPÃO]
1953. Federico Fellini [ITÁLIA]
1953. Ingmar Bergman [SUÉCIA]
1956. Stanley Kubrick [AMÉRICA]
1957. Michelangelo Antonioni [ITÁLIA]
1959. François Truffaut [FRANÇA]
1960. Jean-Luc Godard [FRANÇA]
1962. Andrei Tarkovsky [RÚSSIA]
1966. Sergio Leone [ITÁLIA]
1977. David Lynch [AMÉRICA]
1977. Woody Allen [AMÉRICA]
1988. Krzysztof Kieslowski [POLÔNIA]
1990. Wong Kar-Wai [CHINA]
1997. Paul Thomas Anderson [AMÉRICA]
 
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E 18 TOLICES DO OSCAR DE TODOS OS TEMPOS...

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OS 3 GÊNIOS QUE VENCERAM O OSCAR REGULAR DE MELHOR DIRETOR

David Lean (1945): Venceu por A Ponte do Rio Kwai em 1958 e por Lawrence da Arábia em 1963. O mestre do épico britânico, Lean foi premiado por duas de suas superproduções mais aclamadas, ambas exemplares máximos do cinema de grande espetáculo porém com profundidade dramática.

Woody Allen (1977): Venceu por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa em 1978. Uma vitória que consagrou seu estilo único de comédia urbana e neuroticamente intelectual. Allen, que raramente comparece às cerimônias, quebrou o molde do que era esperado para um vencedor da Academia na época.

Paul Thomas Anderson (1997): Venceu finalmente em 2026 por Uma Batalha Após a Outra. Um Oscar universalmente considerado tardio em pelo menos 20 anos, corrigindo uma das omissões mais incômodas da história recente da premiação.

OS 18 GÊNIOS QUE NUNCA VENCERAM A CATEGORIA

Dos 21 nomes da lista, 18 nunca levaram a estatueta de Melhor Diretor. Ao analisar esse histórico, percebe-se como a Academia muitas vezes falhou em reconhecer a inovação em tempo real.

Orson Welles (1941): O diretor de Cidadão Kane foi, sim, indicado como diretor naquele ano, mas a Academia preferiu homenagear John Ford por Como Era Verde Meu Vale. Embora o filme de Ford seja respeitável, a derrota de Welles — que revolucionou a linguagem cinematográfica aos 25 anos — é considerada por muitos a mãe de todas as zebras e um símbolo do conservadorismo da indústria contra a inovação radical.

Stanley Kubrick (1956): Um dos maiores estilistas visuais e pensadores do cinema. Foi indicado quatro vezes por Dr. Fantástico, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica e Barry Lyndon, mas nunca venceu como diretor. Sua única estatueta competitiva foi pelos efeitos visuais de 2001. A Academia simplesmente não soube como premiar um perfeccionista que desafiava gêneros a cada novo projeto.

Akira Kurosawa (1950): O "Imperador" do cinema japonês foi indicado ao Oscar de direção uma única vez, por Ran (1986), já no fim da carreira, e perdeu. Recebeu um Oscar Honorário em 1990, mas a ausência de uma vitória competitiva para o homem que influenciou de George Lucas a Sergio Leone é uma das maiores evidências do viés da Academia contra filmes não falados em inglês.

Ingmar Bergman (1953): O gigante sueco foi indicado como Melhor Diretor em três ocasiões (Gritos e Sussurros, Face a Face e Fanny e Alexander), sem nunca vencer. Embora seus filmes tenham dominado a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a estatueta individual de direção sempre lhe escapou, restando-lhe apenas um Memorial Irving G. Thalberg como reconhecimento tardio.

Federico Fellini (1953): Outro monstro sagrado do cinema europeu. Fellini detém o recorde de quatro Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, mas nunca venceu como diretor, apesar de ter sido indicado quatro vezes por clássicos como A Doce Vida, 8½, Satyricon e Amarcord. A Academia parecia contente em mantê-lo confinado ao "gueto dourado" das produções internacionais.

Jean Renoir (1931): Considerado por Truffaut "o pai de todos nós", Renoir foi indicado apenas uma vez por O Homem do Sul (1945), sem sucesso. Recebeu um Oscar Honorário em 1975, um aceno tardio a uma carreira que definiu o realismo poético.

Robert Bresson (1945): O cineasta do ascetismo e da pureza da linguagem cinematográfica é um caso extremo. Bresson nunca recebeu uma única indicação ao Oscar em qualquer categoria, sendo completamente ignorado pela Academia ao longo de toda a sua trajetória.

Michelangelo Antonioni (1957): O arquiteto da modernidade cinematográfica chegou a ser indicado ao Oscar de direção por Blow-Up: Depois daquele Beijo em 1967, mas não venceu. Assim como outros contemporâneos, recebeu um Oscar Honorário (em 1995) como forma de compensação histórica.

François Truffaut (1959) e Jean-Luc Godard (1960): Os pilares da Nouvelle Vague tiveram destinos distintos na premiação. Truffaut foi indicado a Melhor Diretor por A Noite Americana em 1975, mas não levou. Já Godard, o mais radical dos revolucionários francesos, nunca foi indicado para direção, recebendo apenas um Oscar Honorário em 2010.

Krzysztof Kieślowski (1988): O mestre polonês foi reconhecido pela Academia com uma indicação a Melhor Diretor por A Fraternidade é Vermelha (1995), o encerramento de sua trilogia das cores, mas a vitória não se concretizou.

David Lynch (1977): O poeta do subconsciente americano foi indicado três vezes por O Homem Elefante, Veludo Azul e Cidade dos Sonhos. Apesar de sua influência monumental, nunca venceu a estatueta competitiva, recebendo um Oscar Honorário em 2019.

A lista de ignorados ou preteridos na categoria principal de direção segue com nomes fundamentais: Luis Buñuel, que nunca foi indicado como diretor; Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi, os pilares do cinema japonês que jamais foram lembrados em qualquer categoria; Andrei Tarkovsky, que nunca teve seu nome na lista de diretores; Sergio Leone, o mestre do western spaghetti nunca indicado; e Wong Kar-Wai, cujas estéticas arrebatadoras também nunca foram reconhecidas na categoria de direção pela Academia.

A REFLEXÃO SOBRE A ACADEMIA

Diante desses fatos, é difícil não questionar os critérios do Oscar. A premiação é, antes de tudo, uma eleição promovida por uma indústria e, como tal, está sujeita a lobbies, egos e a um viés conservador e anglófono. Historicamente, a Academia preferiu o biopic "importante" e o drama de guerra convencional em vez de premiar os estilistas radicais que realmente mudaram a forma como vemos cinema.

A existência frequente de um Oscar Honorário para nomes como Renoir, Welles, Kurosawa, Antonioni e Lynch soa quase como um prêmio de consolação. É a admissão de que o artista era importante demais para ser ignorado, mas não "palatável" o suficiente para vencer no auge de sua forma criativa. A lista de vencedores, comparada à lista dos que ficaram de fora, muitas vezes serve como um monumento ao conservadorismo de uma indústria que custa a reconhecer o verdadeiro avanço artístico enquanto ele acontece.

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domingo, 15 de março de 2026

STAR TREK: STARFLEET ACADEMY S01 EP10 (2026)

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EPISÓDIOS

S01.E10 ∙ Rubincon [**]

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ACASTANHADAS

Episódio similar ao anterior, resolve a trama composta para a temporada de maneira competente mas sem brilho ... Anisha (apesar das nossas especulações da semana passada!) não está mais implicada do que na cumplicidade em um roubo (com morte) de alimentos (talvez uma pena excessiva para a Federação mesmo em tempos de "queima") (mas definitivamente ela não era inocente e se mostrou deveras pouco gostável no fim das contas!) ... Braka conclui o seu arco como um decepcionante riff de Harry Mudd (ou similar), sendo incrivelmente inteligente ou burro em função das necessidades da trama caso a caso...

A trama faz Braka sequestrar Anisha e Ake como parte de um julgamento amalucado (com Anisha julgando Ake como representante da Federação) tele difundido do interior do Átrio roubado... Na Athena, o Doutor faz um duplo DEM (Deus Ex Machina), primeiro cria uma miragem holográfica que simula  a destruição do disco (*) e segundo passa a informação (de onde vêm a brincadeira com o título) que permite que a dantesca tarefa de desativação do campo minado se torne acessível a um bando cadetes do primeiro ano, num disco avariado comandado (dentre todas as criaturas possíveis em qualquer século) pela Reno [Fora a direção "Virtuosa" do Olatunde!].

(*) Tal simulação com uma detonação do núcleo de dobra até faz algum sentido, sob um salvo de torpedos esta Castanha tem lá as suas dúvidas!

As cenas a bordo do disco geram uma experiência similar a rever um infame filme da sessão da tarde já reassistido a exaustão. Parecem por demais insípidas, previsíveis e pouco impactantes. Levam a trama até onde ela tem que chegar e só. Não faltam momentos "I Feel Old!" aqui.

A vibe dentro do Átrio é a de ter Braka como uma espécie de postulante a unificador de tribos/milícias (não parece que era isso que estava sendo procurado pela produção esteticamente e eles não tiveram interesse algum em contar mais a respeito das tais "tribos" presentes ali apenas holograficamente) (qual realmente era a proposta aqui?)... Se era para colocar os federados em julgamento materno via microcosmo não era melhor ter uma situação em que eles realmente tivessem feito algo de errado (não precisavam nem "comer criancinhas" bastava uma "Multinha de estacionamento da Athena" ou algo assim)?

O ódio motriz de Braka culmina como uma bobagem que remete diretamente ao tenebroso Sukal da terceira temporada de Discovery... Ele apertando o detonador em falso e levando sopapos das duas mães de Caleb mantém o tom de marshmallow derretido de uma típica sessão da tarde (fora os bolorentos stills dos personagens vertidos em crianças dos créditos de encerramento).   

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(*) É assustadora a falta de substância da história pregressa de Caleb quando tudo é dito... E o pior de tudo: Não foi a Federação que separou um filho de sua mãe! E ela não era inocente sob nenhum ponto de vista! E Anisha emerge com um personagem incrivelmente não gostável! ... Comparem com o episódio da semana passada de THE PITT para um pequeno choque de realidade!

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sexta-feira, 13 de março de 2026

PRÊMIO IFEELYOUNG2026

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Luiz Castanheira premia anualmente os filmes e/ou episódios de seriados de ficção especulativa (do ano anterior) que "...dialogam diretamente com o seu EU de 7 anos"... O nome do prêmio se refere a uma fala do personagem James T. Kirk do filme The Wrath of Khan de 1982.

Os três finalistas de 2026 (Ouro - Prata - Bronze) são: To Be Hero X S1 (toda a temporada) ,  SEVERANCE S2 (Episódio: 02x07 "Chikrai Bardo") , ANDOR S2 (Episódio: 02x09 "Welcome To The Rebellion").

ANDOR S2 (Episódio: 02x09 "Welcome To The Rebellion")

SEVERANCE S2 (Episódio: 02x07 "Chikrai Bardo")
 
To Be Hero X S1 (toda a temporada)

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