quinta-feira, 26 de março de 2026

PARADISE S2 (2026)

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PARADISE 2025
 
S2.E01 ∙ Graceland [***1/2]
S2.E02 ∙ Mayday [**1/2]
S2.E03 ∙ Another Day in Paradise [**1/2]
S2.E04 ∙ A Holy Charge [****]
S2.E05 ∙ The Mailman [***1/2]
S2.E06 ∙ Jane [**]
S2.E07 ∙ The Final CountDown [***1/2]
S2.E08 ∙ Exodus []
 
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terça-feira, 24 de março de 2026

INVINCIBLE S4 (2026)

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S4.E1 ∙ Making the World a Better Place [***]
S4.E2 ∙ I'll Give You the Grand Tour [****]
S4.E3 ∙ I Gotta Get Some Air [***]
S4.E4 ∙ Hurm [**]

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sábado, 21 de março de 2026

PROJECT HAIL MARY (2026)

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PROJECT HAIL MARY (2026) [156'] [2.39:1] [★★★]

A dupla formada por Phil Lord e Christopher Miller construiu sua carreira na habilidade de transgredir gêneros conhecidos por dentro, entregando obras que, a um só tempo, reverenciam e subvertem as convenções que abraçam. Como em The Lego Movie e na franquia Spider-Verse eles testaram os limites do que uma animação poderia ser, e em 21 Jump Street fizeram o mesmo com a comédia de ação, a expectativa em torno de sua estreia no cinema de ficção científica de apelo familiar era grande. Em Project Hail Mary, os diretores se deparam com um material, o romance de Andy Weir, que parece feito sob medida para suas sensibilidades: há espaço para o humor rápido, para a desconstrução do arquétipo do herói solitário e para uma sofisticação visual que já lhes rendeu até um Oscar compartilhado. No entanto, o resultado final, embora competente e em muitos aspectos notável, expõe pela primeira vez uma espécie de limite em sua abordagem. O filme reforça seus vícios autorais — a ênfase no trabalho de equipe sobre o individualismo, o protagonista relutante que precisa ser empurrado para a grandeza, a estética vibrante que mescla o tátil com o digital — mas o faz com uma segurança que beira o automatismo, entregando um produto que parece mais uma reciclagem elegante de elementos consagrados do gênero do que uma nova proposição. Lançado em um momento em que a exploração espacial real ganha novo fôlego com os preparativos para o retorno à Lua e a promessa de ida a Marte, o filme tenta se posicionar como um espelho ficcional desses anseios, mas sua visão de futuro, curiosamente, soa mais nostálgica do que visionária.

A narrativa apresenta Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de ciências de escola média que, ao acordar de um coma induzido a bordo de uma espaçonave em um sistema estelar distante, descobre ser o único sobrevivente da tripulação da nave Hail Mary. Com a memória fragmentada, Grace reconstrói, por meio de flashbacks, sua própria história: um cientista brilhante mas de temperamento difícil, cuja teimosia intelectual o afastou da academia e o levou a uma vida isolada e modesta como educador. É justamente essa modéstia que o torna alvo da implacável comandante da missão, Eva Stratt (Sandra Hüller), que o recruta contra sua vontade — literalmente o sedando e embarcando à força — para uma empreitada que definirá o futuro da humanidade. A Terra está morrendo, com seu Sol sendo drenado por um organismo microscópico apelidado de Astrophage, e a única esperança está em uma amostra desse parasita encontrada em um sistema solar próximo. A essa estrutura de sobrevivência espacial e reconstrução de memória, junta-se o elemento mais ousado e bem-sucedido do filme: a amizade entre Grace e Rocky (James Ortiz), uma criatura alienígena de aparência pétrea e hábitos musicais, cuja nave também está na região para resolver o mesmo problema que aflige sua própria estrela-mãe. É no desenvolvimento dessa relação, que força Grace a superar seu isolamento emocional e sua covardia inicial, que o filme encontra seu coração. O conflito principal do protagonista não é meramente a sobrevivência física ou a solução de um quebra-cabeças científico, mas a jornada para transformar sua indiferença e medo em um ato de sacrifício genuíno, culminando em uma escolha final que o vê abandonar a chance de retornar à Terra para salvar seu companheiro alienígena.

Visualmente, Lord e Miller utilizam a linguagem do espetáculo para tentar equalizar a vastidão fria do espaço com a intimidade emocional que buscam construir. A fotografia e a direção de arte são impecáveis, criando contrastes marcantes entre os interiores claustrofóbicos e dourados da Hail Mary e as paisagens alienígenas de uma beleza estonteante. O uso de câmera é dinâmico, com movimentos fluidos que frequentemente subvertem a orientação do espectador, sugerindo o estado de desorientação de Grace. Daniel Pemberton, colaborador de longa data da dupla, compõe uma trilha sonora que, em muitos momentos, é o verdadeiro motor narrativo do filme. No entanto, é justamente nesse aspecto que se manifesta um dos problemas centrais aqui... A partitura de Pemberton, assim como a seleção musical de canções pop que pontuam momentos-chave — incluindo a já famosa canção de despedida Po Atarau —, frequentemente opera em um nível de sugestão emocional que antecipa e, em certos casos, duplica o choro dos atores em tela. As cenas de sacrifício e reconciliação são compostas com uma orquestração tão deliberadamente comovente que a emoção deixa de ser descoberta pelo espectador para ser imposta a ele. Da mesma forma, a manipulação dos bonecos e da voz do alienígena Rocky (com a decisão acertada de usar o próprio manipulador, James Ortiz, como intérprete vocal) é um triunfo técnico que, paradoxalmente, expõe uma fragilidade no roteiro. O personagem é tão calculadamente construído para ser cativante — com seus maneirismos infantis e uma sintaxe de fala propositalmente truncada — que sua adorabilidade beira o artificioso, lembrando mais um produto de marketing pensado para a venda de brinquedos do que uma criatura orgânica. As atuações, especialmente a de Gosling, que transita com eficiência entre o sarcasmo do professor frustrado e o pânico do homem comum colocado em situação extraordinária, e a de Hüller, cuja autoridade fria ganha camadas de vulnerabilidade nos acréscimos românticos ao roteiro, sustentam a estrutura, mas não conseguem escapar da sensação de que estão servindo a um projeto que as instrumentaliza em vez de explorá-las.

Ao final, Project Hail Mary se revela como um empreendimento ambicioso que, apesar de seus muitos méritos técnicos e de uma narrativa central envolvente, sucumbe à própria necessidade de agradar. O veredicto sobre seus temas principais — a ideia de que a verdadeira coragem é encontrada quando se tem alguém ou algo pelo qual lutar, e que o altruísmo pode florescer mesmo em um homem definido por sua covardia — é apresentado de forma límpida, mas sem a complexidade que o filme parece crer ter. A escolha final de Grace, que o vê abandonar a glória de um retorno triunfante para construir uma nova vida ao lado de Rocky em Érid, é um final de certa forma ousado que subverte as expectativas do blockbuster convencional . No entanto, essa subversão é, em si mesma, dramaticamente segura, encapsulada em um epílogo que funciona como uma garantia de que tudo deu certo, esvaziando parte do peso trágico da decisão. Para a filmografia de Lord e Miller, o longa representa um momento de consolidação, em que sua assinatura — a comédia afetuosa, a metalinguagem, a defesa da colaboração interespécies — se torna quase um checklist. O filme não mancha seu legado, mas também não o expande. É o trabalho de artesãos talentosos operando no auge de sua capacidade, mas que, pela primeira vez, parecem mais interessados em entregar exatamente o que se espera deles dentro de um gênero talvez já meio saturado. O resultado é um espetáculo visualmente deslumbrante e emocionalmente competente, mas que, ao tentar tanto tocar o coração do público, esquece que a emoção mais duradoura é aquela que se descobre, e não aquela que se é ensinado a sentir.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

PAREM TODAS AS MÁQUINAS!!! CHUCK NORRIS NÃO MORREU!!!

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"Norris não morreu. Ele blefou friamente olhando diretamente os olhos da ceifadora e tomou o seu lugar. ELE MATOU A PRÓPRIA MORTE!!! "

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quarta-feira, 18 de março de 2026

OS 21 DIRETORES DE TODOS OS TEMPOS X O OSCAR (VERSÃO 2026)

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(Arte ainda meramente ilustrativa!)

OS 21 DIRETORES DE TODOS OS TEMPOS...
 
1928. Luis Buñuel [ESPANHA]
1931. Jean Renoir [FRANÇA]
1932. Yasujiro Ozu [JAPÃO]
1939. Kenji Mizoguchi [JAPÃO]
1941. Orson Welles [AMÉRICA]
1945. David Lean [INGLATERRA]
1945. Robert Bresson [FRANÇA]
1950. Akira Kurosawa [JAPÃO]
1953. Federico Fellini [ITÁLIA]
1953. Ingmar Bergman [SUÉCIA]
1956. Stanley Kubrick [AMÉRICA]
1957. Michelangelo Antonioni [ITÁLIA]
1959. François Truffaut [FRANÇA]
1960. Jean-Luc Godard [FRANÇA]
1962. Andrei Tarkovsky [RÚSSIA]
1966. Sergio Leone [ITÁLIA]
1977. David Lynch [AMÉRICA]
1977. Woody Allen [AMÉRICA]
1988. Krzysztof Kieslowski [POLÔNIA]
1990. Wong Kar-Wai [CHINA]
1997. Paul Thomas Anderson [AMÉRICA]
 
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E 18 TOLICES DO OSCAR DE TODOS OS TEMPOS...

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OS 3 GÊNIOS QUE VENCERAM O OSCAR REGULAR DE MELHOR DIRETOR

David Lean (1945): Venceu por A Ponte do Rio Kwai em 1958 e por Lawrence da Arábia em 1963. O mestre do épico britânico, Lean foi premiado por duas de suas superproduções mais aclamadas, ambas exemplares máximos do cinema de grande espetáculo porém com profundidade dramática.

Woody Allen (1977): Venceu por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa em 1978. Uma vitória que consagrou seu estilo único de comédia urbana e neuroticamente intelectual. Allen, que raramente comparece às cerimônias, quebrou o molde do que era esperado para um vencedor da Academia na época.

Paul Thomas Anderson (1997): Venceu finalmente em 2026 por Uma Batalha Após a Outra. Um Oscar universalmente considerado tardio em pelo menos 20 anos, corrigindo uma das omissões mais incômodas da história recente da premiação.

OS 18 GÊNIOS QUE NUNCA VENCERAM A CATEGORIA

Dos 21 nomes da lista, 18 nunca levaram a estatueta de Melhor Diretor. Ao analisar esse histórico, percebe-se como a Academia muitas vezes falhou em reconhecer a inovação em tempo real.

Orson Welles (1941): O diretor de Cidadão Kane foi, sim, indicado como diretor naquele ano, mas a Academia preferiu homenagear John Ford por Como Era Verde Meu Vale. Embora o filme de Ford seja respeitável, a derrota de Welles — que revolucionou a linguagem cinematográfica aos 25 anos — é considerada por muitos a mãe de todas as zebras e um símbolo do conservadorismo da indústria contra a inovação radical.

Stanley Kubrick (1956): Um dos maiores estilistas visuais e pensadores do cinema. Foi indicado quatro vezes por Dr. Fantástico, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica e Barry Lyndon, mas nunca venceu como diretor. Sua única estatueta competitiva foi pelos efeitos visuais de 2001. A Academia simplesmente não soube como premiar um perfeccionista que desafiava gêneros a cada novo projeto.

Akira Kurosawa (1950): O "Imperador" do cinema japonês foi indicado ao Oscar de direção uma única vez, por Ran (1986), já no fim da carreira, e perdeu. Recebeu um Oscar Honorário em 1990, mas a ausência de uma vitória competitiva para o homem que influenciou de George Lucas a Sergio Leone é uma das maiores evidências do viés da Academia contra filmes não falados em inglês.

Ingmar Bergman (1953): O gigante sueco foi indicado como Melhor Diretor em três ocasiões (Gritos e Sussurros, Face a Face e Fanny e Alexander), sem nunca vencer. Embora seus filmes tenham dominado a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a estatueta individual de direção sempre lhe escapou, restando-lhe apenas um Memorial Irving G. Thalberg como reconhecimento tardio.

Federico Fellini (1953): Outro monstro sagrado do cinema europeu. Fellini detém o recorde de quatro Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, mas nunca venceu como diretor, apesar de ter sido indicado quatro vezes por clássicos como A Doce Vida, 8½, Satyricon e Amarcord. A Academia parecia contente em mantê-lo confinado ao "gueto dourado" das produções internacionais.

Jean Renoir (1931): Considerado por Truffaut "o pai de todos nós", Renoir foi indicado apenas uma vez por O Homem do Sul (1945), sem sucesso. Recebeu um Oscar Honorário em 1975, um aceno tardio a uma carreira que definiu o realismo poético.

Robert Bresson (1945): O cineasta do ascetismo e da pureza da linguagem cinematográfica é um caso extremo. Bresson nunca recebeu uma única indicação ao Oscar em qualquer categoria, sendo completamente ignorado pela Academia ao longo de toda a sua trajetória.

Michelangelo Antonioni (1957): O arquiteto da modernidade cinematográfica chegou a ser indicado ao Oscar de direção por Blow-Up: Depois daquele Beijo em 1967, mas não venceu. Assim como outros contemporâneos, recebeu um Oscar Honorário (em 1995) como forma de compensação histórica.

François Truffaut (1959) e Jean-Luc Godard (1960): Os pilares da Nouvelle Vague tiveram destinos distintos na premiação. Truffaut foi indicado a Melhor Diretor por A Noite Americana em 1975, mas não levou. Já Godard, o mais radical dos revolucionários francesos, nunca foi indicado para direção, recebendo apenas um Oscar Honorário em 2010.

Krzysztof Kieślowski (1988): O mestre polonês foi reconhecido pela Academia com uma indicação a Melhor Diretor por A Fraternidade é Vermelha (1995), o encerramento de sua trilogia das cores, mas a vitória não se concretizou.

David Lynch (1977): O poeta do subconsciente americano foi indicado três vezes por O Homem Elefante, Veludo Azul e Cidade dos Sonhos. Apesar de sua influência monumental, nunca venceu a estatueta competitiva, recebendo um Oscar Honorário em 2019.

A lista de ignorados ou preteridos na categoria principal de direção segue com nomes fundamentais: Luis Buñuel, que nunca foi indicado como diretor; Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi, os pilares do cinema japonês que jamais foram lembrados em qualquer categoria; Andrei Tarkovsky, que nunca teve seu nome na lista de diretores; Sergio Leone, o mestre do western spaghetti nunca indicado; e Wong Kar-Wai, cujas estéticas arrebatadoras também nunca foram reconhecidas na categoria de direção pela Academia.

A REFLEXÃO SOBRE A ACADEMIA

Diante desses fatos, é difícil não questionar os critérios do Oscar. A premiação é, antes de tudo, uma eleição promovida por uma indústria e, como tal, está sujeita a lobbies, egos e a um viés conservador e anglófono. Historicamente, a Academia preferiu o biopic "importante" e o drama de guerra convencional em vez de premiar os estilistas radicais que realmente mudaram a forma como vemos cinema.

A existência frequente de um Oscar Honorário para nomes como Renoir, Welles, Kurosawa, Antonioni e Lynch soa quase como um prêmio de consolação. É a admissão de que o artista era importante demais para ser ignorado, mas não "palatável" o suficiente para vencer no auge de sua forma criativa. A lista de vencedores, comparada à lista dos que ficaram de fora, muitas vezes serve como um monumento ao conservadorismo de uma indústria que custa a reconhecer o verdadeiro avanço artístico enquanto ele acontece.

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domingo, 15 de março de 2026

STAR TREK: STARFLEET ACADEMY S01 EP10 (2026)

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EPISÓDIOS

S01.E10 ∙ Rubincon [**]

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ACASTANHADAS

Episódio similar ao anterior, resolve a trama composta para a temporada de maneira competente mas sem brilho ... Anisha (apesar das nossas especulações da semana passada!) não está mais implicada do que na cumplicidade em um roubo (com morte) de alimentos (talvez uma pena excessiva para a Federação mesmo em tempos de "queima") (mas definitivamente ela não era inocente e se mostrou deveras pouco gostável no fim das contas!) ... Braka conclui o seu arco como um decepcionante riff de Harry Mudd (ou similar), sendo incrivelmente inteligente ou burro em função das necessidades da trama caso a caso...

A trama faz Braka sequestrar Anisha e Ake como parte de um julgamento amalucado (com Anisha julgando Ake como representante da Federação) tele difundido do interior do Átrio roubado... Na Athena, o Doutor faz um duplo DEM (Deus Ex Machina), primeiro cria uma miragem holográfica que simula  a destruição do disco (*) e segundo passa a informação (de onde vêm a brincadeira com o título) que permite que a dantesca tarefa de desativação do campo minado se torne acessível a um bando cadetes do primeiro ano, num disco avariado comandado (dentre todas as criaturas possíveis em qualquer século) pela Reno [Fora a direção "Virtuosa" do Olatunde!].

(*) Tal simulação com uma detonação do núcleo de dobra até faz algum sentido, sob um salvo de torpedos esta Castanha tem lá as suas dúvidas!

As cenas a bordo do disco geram uma experiência similar a rever um infame filme da sessão da tarde já reassistido a exaustão. Parecem por demais insípidas, previsíveis e pouco impactantes. Levam a trama até onde ela tem que chegar e só. Não faltam momentos "I Feel Old!" aqui.

A vibe dentro do Átrio é a de ter Braka como uma espécie de postulante a unificador de tribos/milícias (não parece que era isso que estava sendo procurado pela produção esteticamente e eles não tiveram interesse algum em contar mais a respeito das tais "tribos" presentes ali apenas holograficamente) (qual realmente era a proposta aqui?)... Se era para colocar os federados em julgamento materno via microcosmo não era melhor ter uma situação em que eles realmente tivessem feito algo de errado (não precisavam nem "comer criancinhas" bastava uma "Multinha de estacionamento da Athena" ou algo assim)?

O ódio motriz de Braka culmina como uma bobagem que remete diretamente ao tenebroso Sukal da terceira temporada de Discovery... Ele apertando o detonador em falso e levando sopapos das duas mães de Caleb mantém o tom de marshmallow derretido de uma típica sessão da tarde (fora os bolorentos stills dos personagens vertidos em crianças dos créditos de encerramento).   

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(*) É assustadora a falta de substância da história pregressa de Caleb quando tudo é dito... E o pior de tudo: Não foi a Federação que separou um filho de sua mãe! E ela não era inocente sob nenhum ponto de vista! E Anisha emerge com um personagem incrivelmente não gostável! ... Comparem com o episódio da semana passada de THE PITT para um pequeno choque de realidade!

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sexta-feira, 13 de março de 2026

PRÊMIO IFEELYOUNG2026

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Luiz Castanheira premia anualmente os filmes e/ou episódios de seriados de ficção especulativa (do ano anterior) que "...dialogam diretamente com o seu EU de 7 anos"... O nome do prêmio se refere a uma fala do personagem James T. Kirk do filme The Wrath of Khan de 1982.

Os três finalistas de 2026 (Ouro - Prata - Bronze) são: To Be Hero X S1 (toda a temporada) ,  SEVERANCE S2 (Episódio: 02x07 "Chikrai Bardo") , ANDOR S2 (Episódio: 02x09 "Welcome To The Rebellion").

ANDOR S2 (Episódio: 02x09 "Welcome To The Rebellion")

SEVERANCE S2 (Episódio: 02x07 "Chikrai Bardo")
 
To Be Hero X S1 (toda a temporada)

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segunda-feira, 9 de março de 2026

QUEENSRYCHE (1983-1994)

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ÁLBUNS

01 (1983) Queensrÿche - EP  [***]
02 (1984) The Warning [***1/2]
03 (1986) Rage for Order  [****]
04 (1988) Operation: Mindcrime [****]
05 (1990) Empire [***1/2]
06 (1994) Promised Land [***1/2]

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PESSOAL

Chris DeGarmo – guitarras etc.
Geoff Tate – vocais etc.
Scott Rockenfield – bateria & percussão etc.
Michael Wilton – guitarras etc.
Eddie Jackson – baixos etc.

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Uma Jornada Sônica de 1983 a 1994: A Ascensão e Reinado do Queensrÿche

Tudo começou não com um estrondo, mas com um assobio acidental. Em 1982, em um estúdio de Redmond, o vocalista Geoff Tate, ainda apenas um músico convidado, apagou as luzes e acendeu uma vela para entrar no clima da balada The Lady Wore Black. Enquanto a guitarra introdutória soava, ele assobiou junto, sem saber que os microfones estavam gravando. Esse momento de puro acaso, mantido na fita por soar "legal", tornou-se a porta de entrada para o som de uma banda que, vinda do subúrbio de Seattle, redefiniria o heavy metal . Os anos que se seguiram, de 1983 a 1994, testemunharam a metamorfose do Queensrÿche, de uma promissora promessa do underground a uma potência das paradas de sucesso, num percurso repleto de riscos artísticos e triunfos estrondosos.

Antes mesmo de 1983, a base estava sendo cimentada na garagem dos pais do baterista Scott Rockenfield, apelidada de The Dungeon. O que era então a banda The Mob, tocando covers de Judas Priest e Iron Maiden, sonhava em criar algo próprio  . Com a saída de Tate, que não queria viver de covers, o quarteto (Chris DeGarmo, Michael Wilton, Eddie Jackson e Rockenfield) juntou dinheiro de subempregos para gravar uma demo (o que atraiu Tate de volta). O resultado foi um EP independente, lançado em 1982, que trazia a energia crua de Queen of the Reich e a maturidade surpreendente de The Lady Wore Black. A crítica especializada, como a da revista Kerrang!, se rendeu, e o burburinho forçou Geoff Tate a ficar. Em meados de 1983, com Tate agora vocalista em tempo integral e recém-contratados pela EMI, o Queensrÿche estava pronto para conquistar o mundo, num momento em que o rock era dominado pelo glamour de bandas como Mötley Crüe e pelo metal tradicional do Iron Maiden.

O ano de 1984 viu o lançamento do primeiro álbum, The Warning, uma obra que respirava a influência de bandas progressivas como Pink Floyd, mas com a pujança do power metal USA. Produzido por James Guthrie, o disco enfrentou a insatisfação da banda com a mixagem final, imposta pela gravadora . Ainda assim, faixas como a épica Roads to Madness e o hino Take Hold of the Flame projetaram o grupo para turnês ao lado de gigantes da época como Kiss e Iron Maiden  . Se o primeiro álbum foi um alerta, Rage for Order, de 1986, foi uma declaração de intenções. Numa era dominada pelo hair metal, a banda ousou. Sob pressão da gestão para adotar uma imagem mais glamourosa, o resultado foi um choque visual e sonoro: os integrantes surgiram com maquiagem pesada e sobretudos, enquanto a música mergulhava em texturas de teclados, vocais processados e letras sobre inteligência artificial e intrusão governamental  . Canções como Walk in the Shadows e a cover Gonna Get Close to You mostravam uma banda em plena ebulição criativa, pavimentando o terreno para sua obra-prima.

O clímax artístico do período chegou em 1988 com Operation: Mindcrime. Numa época em que o rock pesado era frequentemente associado a letras hedonistas, o Queensrÿche entregou uma ópera-rock complexa e sombria. Inspirado por conversas com separatistas quebequenses e pela decadência do vício em drogas, Geoff Tate concebeu a história de Nikki, um junkie transformado em assassino político pelo enigmático Dr. X  . Álbuns conceituais não eram novidade, mas poucos na história do metal alcançaram tamanha coesão narrativa e musical. A tensão de Revolution Calling, a beleza trágica de Suite Sister Mary e o clímax desesperador de Eyes of a Stranger elevaram a banda a um novo patamar de respeito crítico, influenciando uma geração inteira de bandas de metal progressivo que viriam a seguir, como Dream Theater e Fates Warning, que consolidariam o chamado BIG3 do gênero .

Se Mindcrime foi o auge artístico, Empire, lançado em 1990, foi o ápice comercial. A banda que antes explorava os becos obscuros da psique humana agora ampliava seu alcance para as massas. A balada Silent Lucidity, com seus arranjos orquestrais de Michael Kamen, tornou-se um fenômeno mundial, chegando ao topo das paradas e apresentando o som da banda a um público que pouco sabia sobre as tramas de Mindcrime  . A faixa-título Empire e a vibrante Jet City Woman provaram que o grupo não havia abandonado sua complexidade, mas sim a embalado em produções mais refinadas e acessíveis. O legado do Queensrÿche, até então, era duplo: haviam provado ser possível unir a complexidade do rock progressivo à agressividade do metal, e agora também demonstravam que essa fórmula poderia levar uma banda ao estrelato mundial, influenciando bandas de rock alternativo e até mesmo o mainstream a incorporar elementos mais sofisticados.

Finalmente, em 1994, após quatro anos de estrada e pressão, o grupo lançou Promised Land. Longe dos holofotes do sucesso fácil, o álbum era uma reação visceral ao estrelato, um mergulho introspectivo e deliberadamente anticomercial. Gravado parcialmente nas casas dos músicos, o disco abria com 9:28 a.m., uma colagem de sons criada por Rockenfield que simulava o nascimento, e explorava temas de isolamento e desencanto com faixas como a melancólica Bridge e a angustiante Someone Else? . Se Empire os projetou para o estrelato, Promised Land os mostrou desconfortáveis com ele. Ao final de 1994, o Queensrÿche havia percorrido uma trajetória notável: de um bando de jovens num porão, inspirados por Judas Priest, a inovadores que influenciaram incontáveis bandas, deixando um legado de ousadia que poucos na história do rock puderam reivindicar. Os anos de 1983 a 1994 não foram apenas a primeira fase da banda, mas sim a construção de um império sonoro que ainda hoje ecoa.

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01 (1983) Queensrÿche - EP [***]

Antes de conquistarem estádios, o Queensrÿche era apenas uma demo tape de quatro faixas que se recusava a morrer. Em 1982, em Seattle, os jovens Michael Wilton, Chris DeGarmo, Eddie Jackson e Scott Rockenfield, então conhecidos como The Mob, juntaram recursos para gravar um material próprio. Sem vocalista fixo, chamaram Geoff Tate, que relutantemente topou, desde que pudesse fazê-lo sem que sua banda principal, Myth, soubesse (ou assim ele disse!). O resultado foi uma fita poderosa que, rejeitada por todas as gravadoras, ganhou vida através de uma resenha elogiosa na Kerrang! e do selo independente 206 Records, do dono da loja Easy Street Records  . Lançado originalmente em 1982 e relançado pela EMI em 1983, o EP Queensrÿche chegou ao mundo num momento em que a New Wave of British Heavy Metal, capitaneada por Iron Maiden e Judas Priest, ainda ecoava com força, mas o glam metal americano começava a dar seus primeiros e chamativos passos. O EP, no entanto, soava como um sopro de ar fresco e sério vindo do noroeste americano. As quatro faixas eram um manifesto de juventude e técnica. A faixa de abertura, Queen of the Reich, era um hino de poder, com vocais agudos e guitarras gêmeas que rivalizavam com qualquer coisa vinda da Inglaterra, estabelecendo imediatamente a identidade da banda . Nightrider e Blinded mantinham a pegada agressiva, com mudanças de ritmo que já sugeriam a complexidade vindoura. No entanto, era na faixa de encerramento, The Lady Wore Black, que o futuro da banda realmente se anunciava. Uma balada lenta e sombria, construída sobre um riff de guitarra melancólico e a interpretação dramática de Tate, sua letra (escrita por ele na mesma semana da gravação) e aquele assobio acidental que abria a canção mostravam uma maturidade incomum para músicos na faixa dos vinte anos . O EP Queensrÿche não era apenas um cartão de visitas; era a declaração de que uma nova força estava emergindo, capaz de unir a agressividade do metal à sofisticação e à atmosfera, um prenúncio do que viria a ser chamado de metal progressivo em retrospectiva.

02 (1984) The Warning [***1/2]

Se o EP foi um tiro de largada certeiro, The Warning, lançado em setembro de 1984, foi a corrida de obstáculos que testou a resistência do Queensrÿche. Ansiosos por capitalizar o burburinho, a banda viajou para Londres para gravar com o renomado produtor James Guthrie (Pink Floyd, Judas Priest). A experiência, no entanto, deixou cicatrizes. A banda, empolgada, estourou o orçamento e, como punição, a gravadora EMI entregou as fitas para o engenheiro Val Garay mixar sem qualquer input dos músicos. O resultado, para Geoff Tate e seus companheiros, foi uma "grande decepção", uma mixagem que não refletia a visão do grupo . Apesar da frustração interna, The Warning, lançado em 1984, encontrava o rock em uma encruzilhada: o glam metal de Los Angeles ganhava as rádios com seus hinos festeiros, enquanto bandas como Metallica solidificavam o thrash metal. O Queensrÿche, mais uma vez, ficava em uma posição intermediária. O álbum soava mais pesado e direto que o EP, mas já continha faíscas de experimentação. A faixa de abertura, Warning, é um petardo direto, com um riff cortesia de Michael Wilton que abre o disco com energia. Já Take Hold of the Flame, que se tornaria "O" hino da carreira da banda, especialmente no Japão, é o ponto alto do disco, equilibrando peso e melodia com um refrão épico que sintetizava a ambição do grupo . No entanto, é na longa e complexa Roads to Madness que a insatisfação com a mixagem mais contrasta com a qualidade da composição: a música, com suas múltiplas seções e clima progressivo, já apontava o caminho que a banda queria trilhar, um caminho que seria plenamente realizado nos discos seguintes. A turnê, dividindo palcos com Kiss e Iron Maiden, provou que, mesmo com um som que não os agradava plenamente, o Queensrÿche já tinha estatura para voos mais altos.

03 (1986) Rage for Order [****]

Se The Warning foi um passo em falso na produção, Rage for Order, de 1986, foi um salto ousado em direção ao futuro, mesmo que vestido com as roupas do passado. A pressão da gravadora e da gestão para que a banda adotasse uma imagem mais comercial e alinhada ao glam rock da época resultou nas fotografias promocionais que mostravam os cinco integrantes com maquiagem carregada, cabelos permanentados e sobretudos, um visual que o próprio Tate mais tarde admitiria ter sido um equívoco  . Musicalmente, porém, Rage for Order era tudo, menos comercial. Numa era dominada por riffs simples e refrões grudentos, o Queensrÿche optou pela complexidade. As guitarras de DeGarmo e Wilton agora duelavam com teclados proeminentes, criando camadas de som que remetiam a um futuro distópico. As letras abordavam inteligência artificial, controle governamental e experimentação genética. A produção, a cargo de Neil Kernon, era limpa e repleta de texturas, com uso de reverbs invertidos e outros artifícios de estúdio . A faixa de abertura, Walk in the Shadows, ainda mantinha uma estrutura mais acessível, mas rapidamente o álbum mergulhava em terrenos mais áridos. A cover de Gonna Get Close to You, da cantora Dalbello, era uma escolha bizarra e perfeita, uma canção sobre obsessão doentia que se encaixava como uma luva na temática do disco . Já a faixa de encerramento, I Will Remember, uma balada acústica e emocional, mostrava que, sob as camadas de sintetizadores e experimentos, o coração da banda ainda pulsava forte. Rage for Order foi um tapa de luva de pelica na indústria: mostrou que era possível ser progressivo sem ser chato, e pesado sem ser previsível, consolidando o som que influenciaria toda uma geração do metal. (*) VER BÔNUS AO FINAL DO ARTIGO!

04 (1988) Operation: Mindcrime [****]

Em 1988, o cenário do rock pesado estava fragmentado entre o thrash metal da Bay Area e o glam metal de Los Angeles, com poucas bandas ousando pensar além do próximo riff ou refrão. Foi nesse contexto que o Queensrÿche, isolado em estúdios na Pensilvânia e no Canadá, pariu uma das obras mais ambiciosas da história do gênero. Operation: Mindcrime não era apenas um conjunto de canções; era um organismo vivo. A ideia surgiu na mente de Geoff Tate ao se mudar para Montreal e se envolver, ainda que superficialmente, com as conversas de militantes separatistas quebequenses, combinadas com suas memórias de amigos destruídos pelas drogas  . A história de Nikki, um viciado recrutado por um demagogo conhecido apenas como Dr. X para assassinar líderes políticos, era um mergulho sombrio na paranoia, na manipulação e na redenção falha. A produção de Peter Collins deu à narrativa um brilho cinematográfico, enquanto a banda, em especial o guitarrista Chris DeGarmo, criou uma tapeçaria musical que ia do (quase) thrash metal urgente de Revolution Calling à beleza operística de Suite Sister Mary, uma faixa de quase dez minutos que contava com a participação da cantora Pamela Moore como a trágica freira Mary. A jornada de Nikki, desde a lavagem cerebral em Operation: Mindcrime até seu colapso final em Eyes of a Stranger, onde ele não se reconhece mais no espelho, era uma tragédia shakespeariana em vinil. O single I Don't Believe in Love chegou a ser indicado ao Grammy, mas o verdadeiro prêmio foi o reconhecimento imediato da crítica e de um público que viu ali não apenas um disco de metal, mas uma obra de arte que DEFINITIVAMENTE rivalizava com os grandes álbuns conceituais do rock progressivo. Mindcrime não era sobre o que a banda era, mas sobre o que a música poderia ser!

05 (1990) Empire [***1/2]

Dois anos após a obra-prima conceitual, o Queensrÿche emergiu das sombras de Nikki e do Dr. X para a luz ofuscante do estrelato mundial. Empire, lançado em 1990, encontrou a banda num momento de transição, tanto sonora quanto comercial. O thrash metal (em uma nova fase já caminhando para o groove metal e afins) e o rock alternativo começavam a ganhar força, mas a balada poderosa ainda reinava nas rádios. E foi exatamente com uma balada que o Queensrÿche conquistou o planeta. (A Floydiana) Silent Lucidity, com seus arranjos orquestrais de Michael Kamen e sua melodia etérea, tornou-se um fenômeno, atingindo o topo das paradas e apresentando a banda a um público que jamais ouvira falar de Mindcrime  . No entanto, reduzir Empire a essa canção seria um erro crasso. O álbum era um equilíbrio refinado entre a complexidade progressiva do passado e uma abordagem mais direta e madura (e mesmo pop). A faixa-título, Empire, era um comentário social contundente sobre o poder, embalado num riff pesado e vibrante. Jet City Woman, uma homenagem à sua Seattle nativa, combinava melodia contagiante com uma seção rítmica vigorosa, tornando-se um dos maiores clássicos da banda. Della Brown, por sua vez, com a sua base sublime remetendo ao Police é outro desconcertante colosso (e fala sobre a população de rua de Seattle). O produtor Peter Collins, novamente à frente da mesa, poliu as arestas sem perder a alma, criando um som grandioso que preenchia estádios. A turnê subsequente foi monumental, e a banda passou a performar Operation: Mindcrime na íntegra, mostrando aos novos fãs a profundidade de seu catálogo. Empire foi a prova definitiva de que o Queensrÿche podia ser ao mesmo tempo inteligente e acessível, um equilíbrio raro que os elevou ao patamar de headliners mundiais e lhes rendeu um triplo disco de platina .

06 (1994) Promised Land [***1/2]

Após o furacão Empire, que os levou a quatro anos de turnês exaustivas e ao topo das paradas, o Queensrÿche precisava de ar. Em vez de capitalizar em cima da fórmula de sucesso, a banda fez o movimento mais contraintuitivo de sua carreira: recuou. Promised Land, lançado em 1994, é o som de artistas bem-sucedidos confrontando o vazio do estrelato. Gravado parcialmente nas casas dos músicos, num processo que se estendeu por quase dois anos, o álbum respira introspecção e experimentalismo . Já estávamos na era do grunge, com o rock alternativo dominando as paradas, e o Queensrÿche, ironicamente vindo de Seattle, respondeu não com barulho, mas com silêncio e angústia. O disco abre com 9:28 a.m., uma colagem de sons ambientes criada por Rockenfield que simula o nascimento e o despertar da consciência, antes de explodir no riff pesado e tortuoso de I Am I, uma declaração de individualidade em meio à pressão . A canção Bridge, escrita por Chris DeGarmo sobre a relação com seu pai falecido durante as gravações, é um dos momentos mais crus e emocionais já registrados pela banda, uma joia acústica de beleza dilacerante . A faixa-título, Promised Land, é uma viagem sombria de oito minutos pelos efeitos colaterais do sucesso, com direito a saxofone tocado por Tate e uma atmosfera densa que termina num bar, com conversas ao fundo. O álbum se encerra com Someone Else?, apenas voz e piano, onde Tate questiona sua própria identidade. Promised Land foi um disco deliberadamente difícil, um tapa na cara dos fãs que esperavam Empire II. Comercialmente, foi um passo atrás, mas artisticamente, foi uma declaração de integridade, mostrando que, para o Queensrÿche, a jornada musical sempre seria mais importante que o destino final.

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BÔNUS DO RAGE FOR ORDER:

Neue Regel: O Manifesto Sônico de um Futuro que Já Chegou

Há músicas que simplesmente ouvimos; há outras que nos transportam para dentro de um mundo. Neue Regel, a sétima faixa do seminal Rage for Order, de 1986, pertence categoricamente ao segundo grupo. Defendê-la como uma das melhores composições do Queensrÿche (talvez a melhor!) não é apenas uma questão de gosto pessoal, mas sim o reconhecimento de uma peça que sintetiza, como nenhuma outra, a audácia experimental e a visão futurista que definiram a banda em seu período mais criativo. Num álbum que já era um choque sonoro para a época, Neue Regel surge como o seu coração mecânico e pulsante, uma anomalia genial que ainda hoje soa como uma transmissão de rádio vinda de uma distopia que se concretizou.

A grandeza de Neue Regel reside, primeiramente, na sua arquitetura sonora singular. Enquanto faixas como Walk in the Shadows ainda mantinham uma estrutura de rock (pesado) mais convencional, Neue Regel mergulha de cabeça na experimentação. A música é construída sobre uma base rítmica que mais parece o funcionamento interno de uma máquina complexa. A percussão de Scott Rockenfield, descrita por críticos como mecânica e comparada ao tique-taque de um relógio industrial, dita um andar frio e preciso. Sobre essa base, camadas de teclados e samples criam uma paisagem sonora consonante, com sons que evocam explosões distantes e alarmes, um trabalho de produção que levou o engenheiro Neil Kernon a utilizar todas as ferramentas disponíveis num estúdio dos anos 80 para criar algo que, em vez de datado, soa tecnicamente avançado até os dias de hoje.

No entanto, é a voz de Geoff Tate que atua como o guia neste labirinto de aço e circuitos. Em Neue Regel, Tate não apenas canta; ele manipula sua própria voz como um instrumento a mais na parafernália digital. Os versos são entregues com um tom quase robótico, processado eletronicamente, que contrasta de forma magistral com o refrão. Quando a música explode no chorus, os efeitos se dissipam e sua voz emerge em camadas harmônicas de uma beleza cristalina, cantando: I can hear the chimes / Ringing for you for me. É um momento de humanidade e conexão que irrompe da frieza mecânica, sugerindo que, mesmo num mundo dominado pela tecnologia, a centelha da união e da emoção persiste. Essa dualidade entre o homem e a máquina, entre o frio e o calor, é o cerne da canção e a razão pela qual ela ressoa com tanta força.

A letra, creditada a DeGarmo e Tate, é um chamado à ação enigmático e poderoso. Neue Regel, do alemão, significa nova regra ou novo regime. A canção não é sobre uma rebelião política no sentido tradicional, mas sobre uma transformação de consciência, um despertar para uma nova ordem. Versos como Reach for a new horizon / Setting sights on a circuit scream e Join us on the stay the road is mine / Poets line in a rhyme of silence convocam o ouvinte a fazer parte de algo maior, uma vanguarda pronta para abandonar o velho mundo. É um hino para os desconectados, para aqueles que enxergam além da superfície. O refrão, com seu apelo coletivo (Come together hold the light / Keep the flame we can’t let this world remain the same), transforma a canção num manifesto, provando que o Queensrÿche conseguia ser incisivo e pesado sem precisar recorrer aos clichês do metal tradicional.

Além disso, Neue Regel funciona como a peça central que valida a tese de que Rage for Order foi um álbum pioneiro, frequentemente citado como uma das pedras fundamentais do que viria a ser o metal progressivo e até mesmo o industrial metal. Enquanto Gonna Get Close to You chamava a atenção por ser uma cover estranha e Screaming in Digital explorava a paranoia da inteligência artificial de forma mais direta, Neue Regel equilibra perfeitamente a agressividade do metal com a atmosfera soturna do rock gótico e a experimentação eletrônica. É a prova de que a banda, naqueles anos, não estava apenas tocando músicas; estava construindo mundos. Defendê-la como uma das melhores da banda é reconhecer que, na curta discografia do Queensrÿche até aquele ponto, nenhuma outra faixa havia ousado tanto e conseguido voar tão alto. Neue Regel não é apenas uma grande canção; é uma declaração de princípios, o som de uma banda que se recusava a seguir as regras antigas e, em vez disso, criava as suas próprias (!).

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sábado, 7 de março de 2026

STAR TREK: STARFLEET ACADEMY S01 EP09 (2026)

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EPISÓDIOS

S01.E09 ∙ 300th Night [**1/2]

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ACASTANHADAS

SFA apresenta a parte um de um (eficiente porém previsível)  finale duplo que retoma os pecados originais do seu piloto envolvendo: Ake, Caleb Mir, sua mãe Anisha Mir (com o retorno de Tatiana Maslany aqui) e Nus Braka (dominando espectralmente esta semana e por óbvio fisicamente a próxima)  (*).

(*) Pensando nisso, Giamatti aparece pouco na temporada em comparação com o que a campanha promocional dava a entender.

A Athena com todos os cadetes a bordo ruma para Betazed para a cerimônia de transferência do assento presidencial para lá... Caleb descobre anos de mensagens subespaciais não lidas da sua mãe graças a uma sugestão de SAM (que volta igual mas diferente da semana passada). Porque ele não tinha um Agente de IA para lidar com isso só o Grande Pássaro poderia esclarecer... Caleb agora sabe em que planeta barra pesada fora do espaço federado (e sob o domínio do Venari Ral) a sua mãe está.

Simultaneamente Ake e companhia descobrem que Braka e companhia roubaram a infame OMEGA47 (uma versão sintética daquela molécula que destrói subespaço, noção vinda de um episódio esquecível de Voyager) e que eles agora possuem a tecnologia de fazer minas com tal substância (!). 

(Incrível que eles só descobrem o que foi roubado quando Braka detona a primeira mina. Santa Frota Estelar!)

(Incrível ninguém mencionar a estupidez de se criar esse OMEGA47 especialmente na esteira da "Queima"... Detalhe no número "47". Paece deboche!)

Obviamente Caleb (com três colegas cadetes, muitas conveniências e muito humor físico) rouba uma nave auxiliar e vai para tal planeta buscar a mãe... Obviamente Ake, Reno e o Doutor (mais dois colegas cadetes clandestinos) seguem (sozinhos a bordo) com a Athena para o mesmo planeta para buscar todos eles... A Chanceler consegue resgatar todo mundo (após Mir e cia. terem tido algumas escaramuças no solo) (*) mas a Athena é mais uma vez capturada pelo Venari Ral... Os Acadêmicos fogem na sua seção disco e se escondem em uma nebulosa... Finalmente eles descobrem que Braka usou suas novas tecnologias para erguer uma espécie de campo de força minado (!) em torno de todo o território federado (!)... Este é o cliffhanger! ... Os Federados todos dentro da barreira e somente nossos heróis (COM A ANISHA!) do lado de fora! ... Com as bênçãos da Nossa Senhora da Conveniência!

(*) Os reencontros e desencontros dos Mir é funcional na superfície do planeta (deixando o reencontro das duas "mães" de Caleb para o final do episódio na enfermaria da nave meio que para complementar o cliffhanger) ainda que a coincidência de dia do resgate e do ataque pareça excessiva.

O Resgate + Resgate (encadeados) vem da tradição de Star Trek apesar da dose dupla dar um ar muito juvenil aos trabalhos (especialmente com diversas figuras paternas envolvidas) (bastante farofa na jogada!) ... Braka coordenar o seu ataque com a cerimônia em Betazed faz sentido (as naves federadas voltaram todas para o ninho por causa disso!) mas o que ele faz com tal oportunidade não parece ter valor algum em sua risível grandeza e megalomania além de criar um cliffhanger aparentemente impossível de se resolver.

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(*) Os três velhinhos pilotando a Athena sozinhos foi meio deprimente (especialmente devido as interfaces estritamente sensíveis ao toque). Foi o momento "I feel Old!" do episódio.

(O Doutor "apertando botões" também ajuda tal sentimento. Lembrando os centuriões pilotando os respectivos caças na série original de BSG.)

(Quando os cadetes assumem os consoles em meio a breve batalha tudo parece piorar ainda mais.)

(Mas, apesar de tudo isso, o momento mais marcante de todo o episódio ainda é quando Ake deixa o Átrio da Athena, isto é, a própria Academia, para trás.)

(*) Curiosamente os dois cadetes clandestinos encostados a bordo da Athena são: a pior atriz do elenco de SFA e o personagem mais aleatório de toda a franquia.

(*) A Athena ser emboscada três vezes em nove episódios deve ser algum recorde. A Chanceler deveria pedir a sua "Música do Fantástico"... Talvez seja o nome da nave... Recomendamos trocar para Minerva.

(*) Se o Venari Ral tem recursos como estes, como eles foram apresentados em SFA como meia dúzia de piratas? Mais do que isso: Como eles nunca foram mencionados em Discovery? ... Construção de mundo bastante deficiente aqui!

(*) O cliffhanger é absurdamente grande demais (lembrando Discovery em toda a sua infame "glória"!). E tonalmente não conversa com a série como um todo.

(*) Criar distrações para não contar toda a história de uma vez por todas para Anisha acaba ficando artificial no planeta (mesmo pensando em tudo que inevitavelmente virá no próximo segmento).

(*) Poucas dúvidas restam que Anisha é uma GRANDE colaboradora do Venari Ral (e talvez algo mais)... É praticamente certo que ela criou/ajudou/estudou/roubou a tecnologia da barreira usada no episódio e será isso que irá permitir a reversão de tão impossível cliffhanger.

(*) Incrível como não temos ópticos de Betazed. Especialmente se pensarmos na tão mencionada barreira psiônica.

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