sábado, 31 de janeiro de 2026

QUEM VAI GANHAR O OSCAR 2026?

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QUEM VAI GANHAR O OSCAR 2026?

01 VALOR SENTIMENTAL (*) 09 PONTOS
02 UMA BATALHA APÓS A OUTRA (*) 08 PONTOS
03 PECADORES (*) 07 PONTOS
04 MARTY SUPREME (*) 05 PONTOS
05 HAMNET 04 PONTOS
06 BUGONIA 03 PONTOS
07 FRANKENSTEIN 03 PONTOS
08 O AGENTE SECRETO 03 PONTOS
09 F1 02 PONTOS
10 SONHOS DE TREM 02 PONTOS

CRITÉRIO USADO (Cada indicação vale 1 ponto nas categorias):

Melhor Filme
Melhor Filme Internacional
Melhor Direção
Melhor Montagem
Melhor Roteiro Original
Melhor Roteiro Adaptado
Cada indicação de atuação (ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante)

Desempate entre filmes com a mesma pontuação, nesta ordem:

1) Quem tem indicação em Montagem
2) Depois, quem tem indicação em Direção
3) Depois, quem tem indicação em Roteiro (original ou adaptado)
4) Persistindo empate, ordem alfabética do título em português

Marcação especial:

Filmes que têm simultaneamente indicação em Filme + Direção + Montagem recebem um (*) ao lado do nome. Pelo Oscar 2026, são eles: Valor Sentimental, Uma Batalha Após a Outra, Pecadores, Marty Supreme.  

CONSULTA

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VALOR SENTIMENTAL (*) – 09 PONTOS
Melhor Filme – Sentimental Value
Melhor Filme Internacional – Noruega
Melhor Direção – Joachim Trier
Melhor Atriz – Renate Reinsve
Melhor Ator Coadjuvante – Stellan Skarsgård
Melhor Atriz Coadjuvante – Elle Fanning
Melhor Atriz Coadjuvante – Inga Ibsdotter Lilleaas
Melhor Roteiro Original – Joachim Trier & Eskil Vogt
Melhor Montagem – Olivier Bugge Coutté
Pontuação:
Filme (1)
Filme Internacional (1)
Direção (1)
Atriz (1)
Ator Coadjuvante (1)
Atriz Coadjuvante (2)
Roteiro Original (1)
Montagem (1)
= 9 pontos
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UMA BATALHA APÓS A OUTRA (*) – 08 PONTOS
Melhor Filme – One Battle After Another
Melhor Direção – Paul Thomas Anderson
Melhor Ator – Leonardo DiCaprio
Melhor Ator Coadjuvante – Benicio Del Toro
Melhor Ator Coadjuvante – Sean Penn
Melhor Atriz Coadjuvante – Teyana Taylor
Melhor Roteiro Adaptado – Paul Thomas Anderson
Melhor Montagem – One Battle After Another
Pontuação:
Filme (1)
Direção (1)
Ator (1)
Ator Coadjuvante (2)
Atriz Coadjuvante (1)
Roteiro Adaptado (1)
Montagem (1)
= 8 pontos
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PECADORES (*) – 07 PONTOS
Melhor Filme – Sinners
Melhor Direção – Ryan Coogler
Melhor Ator – Michael B. Jordan
Melhor Ator Coadjuvante – Delroy Lindo
Melhor Atriz Coadjuvante – Wunmi Mosaku
Melhor Roteiro Original – Sinners
Melhor Montagem – Sinners
Pontuação:
Filme (1)
Direção (1)
Ator (1)
Ator Coadjuvante (1)
Atriz Coadjuvante (1)
Roteiro Original (1)
Montagem (1)
= 7 pontos
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MARTY SUPREME (*) – 05 PONTOS
Melhor Filme – Marty Supreme
Melhor Direção – Josh Safdie
Melhor Ator – Timothée Chalamet
Melhor Montagem – Marty Supreme
Melhor Roteiro Original – Marty Supreme
Pontuação:
Filme (1)
Direção (1)
Ator (1)
Montagem (1)
Roteiro Original (1)
= 5 pontos
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HAMNET – 04 PONTOS
Melhor Filme – Hamnet
Melhor Direção – Chloé Zhao
Melhor Atriz – Jessie Buckley
Melhor Roteiro Adaptado – Hamnet
Pontuação:
Filme (1)
Direção (1)
Atriz (1)
Roteiro Adaptado (1)
= 4 pontos
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BUGONIA – 03 PONTOS
Melhor Filme – Bugonia
Melhor Atriz – Emma Stone
Melhor Roteiro Adaptado – Bugonia
Pontuação:
Filme (1)
Atriz (1)
Roteiro Adaptado (1)
= 3 pontos
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FRANKENSTEIN – 03 PONTOS
Melhor Filme – Frankenstein
Melhor Ator Coadjuvante – Jacob Elordi
Melhor Roteiro Adaptado – Frankenstein
Pontuação:
Filme (1)
Ator Coadjuvante (1)
Roteiro Adaptado (1)
= 3 pontos
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O AGENTE SECRETO – 03 PONTOS
Melhor Filme – The Secret Agent
Melhor Filme Internacional – Brasil
Melhor Ator – Wagner Moura
Pontuação:
Filme (1)
Filme Internacional (1)
Ator (1)
= 3 pontos
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F1 – 02 PONTOS
Melhor Filme – F1
Melhor Montagem – F1
Pontuação:
Filme (1)
Montagem (1)
= 2 pontos
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SONHOS DE TREM – 02 PONTOS
Melhor Filme – Train Dreams
Melhor Roteiro Adaptado – Train Dreams
Pontuação:
Filme (1)
Roteiro Adaptado (1)
= 2 pontos
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

STAR TREK: STARFLEET ACADEMY S01 EP03 (2026)

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EPISÓDIOS

S01.E03 ∙ Vitus Reflux [*]

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ACASTANHADAS 

Episódio bastante fraco: uma história muito fina esticada sobre uma duração excessiva, uma história de universitários que pensa e age como uma história de colegiais, uma história de Star Trek (ultimamente) sobre pegadinhas entre alunos que parece roubada de Wednesday.

O episódio é de Reymi com direito a rotinas, montagens e voice overs ajudando a contar uma história surrada de pais narcisistas e filhos escrotos. O desenvolvimento pessoal é incremental na melhor das hipóteses após cruzarmos um mar de constrangimentos para ele e para a audiência (OBS: Para a surpresa de ninguém, Genesis emerge aqui como a líder construtiva da turma.).

(*) Muito tem se falado que a irreverente linguagem corporal da Chanceler reflete a sua extrema longevidade e experiência pessoal: "Eu realmente não dou a mínima para o que os outros pensam!" ...  Mas cabe salientar que existem inúmeras maneiras de transparecer uma atitude assim e esse ato de estar sempre de pé descalço e de se deitar por cima do mobiliário em cada cena claramente mostrou limitações aqui... Os Cadetes vão começar a notar e comentar isso? ... Deveriam!

(*) Será que vão ter a cara de pau de eventualmente pautar IA como Ferramenta de Ensino, especialmente discutir os seus abusos nesse contexto, na esteira do uso e abuso do DNA do Decano da Academia Rival aqui (não que ele não tenha feito bobagens antes disso) ? 

(*) Abundam aparentes materiais de prateleiras, incluindo roupas, equipamentos, utensílios, cenários etc. ... A unidimensional Klin'Hadar permanece como uma favorita com sinal trocado (com o agasalho esportivo e o apito convidando ao ridículo!).

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

FRIEREN S2 (2026)

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EPISÓDIOS

01 "Shall we go, then?" [***1/2]
02 "The Hero of the South" [****]
03 "Somewhere She'd Like" [***1/2]
04 "Other People's Homes" [***1/2]
05 "Logistics in the Northern Plaeau" [***]
06  "A Demon Slaying Request" [***]
07 "The Divine Revolte" [***1/2]
08 "A Magnificent End" [****]
09 "Himmel's Memoirs" [****]
10 "A Beautiful Sight" [****]

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ACASTANHADAS

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2X01-02: A descoberta pelo trio de uma caverna de cristais anuladores de magia abre possibilidades para se discutir a situação de Stark no grupo, mesmo uma chance dele deixá-las com o retorno de Wirbel que o convida para a sua própria companhia, mas ele recusa ("fofamente") dizendo que se torna diariamente uma pessoa melhor por causa das duas e que ele se sente em casa com elas (estupendo flashback em paralelo na fuga da tal caverna aliás)... 

O personagem titular do segundo episódio merecia um segmento só para ele (Será que ele retornará em algum flashback futuro?). Já havia sido sugerido que Himmel não era o maior dos heróis humanos e aqui encontramos o artigo genuíno na forma de uma estátua a ser limpa (especialidade do nosso trio aparentemente). Vemos que Frieren recusou o convite do Herói Sulista para ir combater o Rei Demônio certa  vez e que ele profetizou a própria morte em batalha um ano depois e a vinda de Himmel logo em seguida (e que ela aceitaria o convite dessa feita). É simples porém comovente além de qualquer possível descrição a noção de que ele (mesmo morto mas não derrotado) enfraqueceu as hordas demoníacas o suficiente para permitir a vitória final do vindouro quarteto de Himmel (breves porém espetaculares flashbacks capturam a arrepiante atmosfera de tal confronto com transbordante inspiração). [A outra metade do segmento trata da recuperação de uma espada roubada por um demônio. Redux da mesma tarefa por parte do quarteto original. Pão com manteiga da série e executado com a já esperada excelência aqui.]

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2X03: Este é um episódio que é ainda mais dependente de pequenos momentos do que os dois anteriores... Na primeira parte, o trio principal vai em busca de um poço de águas termais que se mostra (Sem surpresas!) não mais do que um escalda pés para os três. Frieren revive a mesmíssima ação de outrora como parte do quarteto de Himmel e Stark fica feliz por de certo modo poder viver uma lembrança tão querida do seu mentor [E de poder compartilhar um banho termal com as garotas sem ser chamado de pervertido no processo.]. Uma cena belíssima... A segunda parte é um prólogo para um encontro entre Stark e Fern que virá no próximo episódio. Stark procura Frieren para conselhos a respeito (Logo ela!?) e ambos acabam chegando a um entendimento de que meio sem se dar conta a Maga é SIM uma excelente mãe para Fern (E descobrimos também o que acontece quando a Elfa fica revoltada com alguém da sua convivência: Ela faz uma birra colossal por dias! Um momento absolutamente hilário do segmento e uma clara expansão em relação ao mangá.).

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2X04: O esperado encontro se mostrou deveras mais do mesmo para Fern (sem surpresas levando em conta que foi justo Frieren quem aconselhou Stark), mas ela ficou encantada com o quanto o guerreiro se esforçou para agradá-la (e deu uma dica para o próximo: de que quer conhecer as coisas de que ele gosta!). A primeira história termina com Frieren lembrando do seu "primeiro encontro" com Himmel enquanto perseguiam um gato fugido (Himmel diz que adorou todo o processo mesmo eles não encontrando o tal gato, frente a uma totalmente confusa Frieren)... Na segunda parte, eles finalmente cruzam para o famigerado platô norte (com direito a carteirada de Fern como maga de primeira classe!). São três dias de perigos sem fim, praticamente sem dormir. Eis que conseguem um lugar para repouso na promessa de eliminar um demônio descendo a estrada. Tal adversário se mostra extremamente difícil, oferecendo vislumbre sobre o que virá. Frieren sabe que eles precisam trabalhar melhor em equipe (e ela não fala, mas é óbvio, que elas já estão abusando demais da tática de Stark como distração e variantes disso, o que pode acabar mal em breve). A lembrança de Himmel aponta que ele decidiu cruzar por ali (ao invés de pelo mar) para trazer alívio a um sem número de moradores locais (mas isso também com certeza elevou a prontidão, entrosamento e resiliência do seu quarteto).

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2X05: Talvez o menos brilhante até aqui mas ainda assim um bom episódio... Na primeira história, Frieren (com seu trio) reencontra (dos tempos do quarteto de Himmel) um anão de nome Fass ainda obcecado (após 80+ anos)  por um certo destilado, dito o melhor de todos os tempos. Eventualmente a maga o ajuda a acessar o esconderijo de tal bebida lendária, que se mostra absolutamente intragável. Fass está decepcionado mas fica contente partilhando a ironia da coisa toda com os habitantes da sua cidade (na realidade celebrando o objetivo que o manteve saudável e alerta de corpo e mente por todos esses anos). Frieren guarda para si o fato de que uma elfa eternamente entediada criou (num passado distante e simplesmente porque quis) toda a lenda sobre esse destilado, com direito a uma inscrição élfica e uma barreira mágica para proteger o seu esconderijo [Existe ainda um flashback fofíssimo com a Fern menininha apendendo a ler élfico com Frieren]... ... Na segunda história, Frieren (para total incredulidade de Fern e Stark) é detida para pagar, trabalhando numa mina (!), o débito do quarteto de Himmel com a principal empresa de infraestrutura do platô (outrora gigante e agora definhando). Mas com Frieren logo descobrindo um imenso veio de prata (claramente o intento original dos herdeiros da dívida e da companhia com tal detenção), numa linda cena, um novo acordo é rapidamente estabelecido (enquanto os dois meninos já se preparavam para invadir a mina e resgatar Frieren, claramente dona da situação o tempo todo e fazendo troça com os acontecimentos).

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2X06: Methode e Genau (dois dos nossos conhecidos magos de primeira classe) são enviados pela suprema maga élfica Serie para lidar com uma infestação de demônios numa vila do platô norte. A vila é o lar ancestral de Genau e é encontrada devastada e (na prática) sem sobreviventes (fora alguns poucos demônios de baixa estirpe rapidamente dizimados). Ambos permanecem muito intrigados com o ocorrido (existe algo definitivamente no ar!)... Após uma cena muito tensa (e excepcionalmente bem dirigida!), o trio principal se revela aos dois primeiros, tendo recebido a mesma mensagem de Serie (dirigida a Fern). Genau aponta que havia uma guarnição de guerreiros poderosos na vila e que eles também foram massacrados rapidamente e facilmente. Existe claramente um terrível demônio ainda a solta (talvez mais de um)! ... Methode é um claro destaque, com uma infinidade de recursos e graça, ela pacientemente ajuda Stark a determinar que o agressor misterioso luta com quatro espadas (!) ... Genau e Stark se conectam via a perda comum das suas vilas para demônios mas a escuridão que envolve o primeiro não tem paralelo no segundo (o arco se estabelece com um ar policialesco de investigação) (ao mesmo tempo que a direção trata pacientemente Genau de maneira diferenciada como se, vejam só, investigando os seus valores) ... Como em muito da série Frieren, o forte é a sensação de vida vivida graças a apresentação dramática exemplar. Mais um episódio vencedor num arco que agora se inicia e que ainda não sabemos se irá até o final desta reduzida temporada. [NOTA: E esperamos que eles arrumem uma comida melhor do que o infame "pão pedra" até lá.]

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2X07: As três mulheres partem para investigar e caçar o general demônio enquanto Genau e Stark guardam os corpos na igreja. Genau finalmente explica que esse demônio matou o seu parceiro anterior, parceiro que agiu ingenuamente frente a já esperada malícia dos demônios (Genau diz que o amigo era uma "boa pessoa" ao contrário dele, algo crucial nesta história). Revolte (um belo design: um misto de humano e serpente com quatro braços e espadas mágicas por ele conjuradas para acompanhar) os ataca na igreja. Enquanto isso as três magas são atacadas e Methode fica isolada em meio a névoa gerada por um dos outros demônios (existem três além de Revolte). Frieren sente que precisa entender o quadro geral e designa Fern para o combate, mas sua aprendiz segue perplexa e meio relutante com tal comando frente o óbvio poder dos adversários (e desconfortável com a névoa que dificulta demais a sua estratégia característica natural de esconder e detectar MANA). ... De volta  a igreja, o poderosíssimo Revolte parece ter os dois sob controle mas eis que Genau voa e cria asas negras (!) para contra-atacar e o episódio termina em um cliffhanger tradicional! ... Segmento finamente movimentado (ainda assim com direito a um punhado de humor 100% FRIEREN: com Methode tratando Frieren como uma Elfa de Pelúcia 1:1 e Fern fofamente morrendo de ciúmes da "mama" como já vimos antes) com uma luta atmosférica na floresta (com o espectador basicamente aspirando o úmido nevoeiro) e outra absurdamente frontal na porta da igreja (com a audiência quase recebendo golpes de espada na testa). Realmente uma excelente direção (e episódio) aqui!

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2X08: Desde o primeiro ranger da pá do velho moinho até o seu final, o episódio é um obra prima de: animação, trilha sonora, montagem, direção etc. etc. etc. ... O arco de Genau é brilhante, ele, o homem bom que não se vê como tal, finalmente faz as pazes com o seu falecido amigo e enfim encontra redenção graças ao valente Stark (um destaque da temporada!). Um semi morto Stark envolto na túnica de Genau ao final não carece de outros comentários [Não que a luta dos dois contra Revolte não tenha sido absolutamente espetacular!] ... Na floresta, Methode dá um show de leveza e versatilidade (E que animação espetacular!) e quando ela finalmente dissolve a névoa demoníaca, a maga abre o caminho para Fern pulverizar os dois demônios (sem defesa possível!) a longuíssima distância (Ela seria uma Maga Sniper?)  ... Incrível como o episódio ainda encontra espaço no seu final para o humor e lembrar que o trio ainda tem uma vaga cativa de clérigo... É raro uma série tão confiante!

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2X09-10: O combo de dois episódios começa e termina com Denken chegando a (e depois entrando na) sua antiga cidade (lar do túmulo da sua falecida esposa), hoje transformada em ouro e protegida por um poderoso escudo mágico (do qual ele agora será o guardião por ordem de Serie)... Além disso ... O primeiro quarto mostra o trio derrotando uma bando inteiro de dragões para ajudar um vilarejo já muito castigado por eles (e descobrimos por que Himmel e por consequência Frieren sempre cobrava/cobra pelos serviços mesmo simbolicamente e mesmo daqueles que claramente não tem condições: para que ninguém se sinta em débito com o grupo de heróis, pois somente assim eles estarão de fato salvos) ... No segundo quarto o triunvirato titular aguarda cessar uma poderosa tempestade por meses numa cidade a beira de um imenso lago, finalmente barganhando travessia num pequeno barco em troca do acesso aos livros de um monastério abandonado em uma ilha próxima (entre eles o localmente lendário: Diário de Himmel!). A sequencia em que vemos  Frieren ler tal diário enquanto acompanhamos os mesmos eventos via a visão subjetiva de Himmel (em flashback) é discutivelmente o momento mais emocionante de toda a série até aqui. Um primor! ... O terceiro quarto nos conta a história de um ponte encomendada por Himmel a um anão (sobre um fundíssimo precipício). De volta ao presente, a ponte está pronta mas um bando de pássaros monstros impede o seu uso regular. Obviamente o anão conhece Frieren muito bem e como contratá-la (com um grimório inútil como pagamento e tudo mais). Exterminação feita e na comemoração descobrimos que toda uma nova comunidade se estabeleceu na vizinha dos esforços construtivos do anão (ele havia perdido a sua vila de nascença para os demônios quando a falta de uma ponte impediu a chegada a tempo dos cavaleiros de Norm) ... No quarto final,  em meio a uma desértica planície gelada, o trio é contratado (só que agora muito bem pagos!) para eliminar mais um bando de monstros (lupinos?), criaturas que estão empesteando uma região de raríssimas (e hiper valiosas) formações cristalinas. A luta é magnífica cinematograficamente falando e Fern, por fim, literalmente atomiza (!) o chefe local com uma espécie de zoltraak sub orbital (É ver para crer!)... Uma providencial chegada dos cavaleiros de Norm (provavelmente atraídos pela colossal "bomba" de Fern) coloca os demais monstros em fuga. Missão cumprida!  Via flashback, os dois grupos de heróis observam (em paralelo) os cristais ao nascer do sol, em mais uma cena antológica. De volta ao acampamento dos mineiros, o contratante paga mas diz que o escudo colocado (a seu pedido) por Frieren servirá para estabelecer uma espécie de área de preservação local. Algo que encerra com chave de ouro a temporada (a menos da cena pós créditos com Denken), retomando o refrão de "proteger as casas dos outros" (com direito a uma montagem musicada de tais "proteções"), uma espetacular aula de concisão, e deveras emocionante também.  ...  E que venha EL DORADO !!!

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

STAR TREK: STARFLEET ACADEMY S01 EP01-02 (2026)

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EPISÓDIOS

S01.E01 ∙ Kids These Days [**]
S01.E02 ∙ Beta Test [**]

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ACASTANHADAS 

(correspondentes aos dois primeiros episódios de StarFleet Academy e que formam o seu de fato piloto)

A melhor personagem em geral é mesmo a capitão/chanceler-da-academia Nahla Ake (Holly Hunter), dupla posição essa estabelecida com uma trama efetiva que os fãs da terceira era de Star Trek vão achar bastante familiar e não se iludam: o retorno dela para a frota é por demais súbito e perfeito (especialmente tendo que sincronizar a recuperação/convencimento-de-Caleb-para-se-alistar no mesmo pacote!), justo para assumir uma dupla função politicamente carregada e crucial para a continuidade da Federação e da Frota Estelar. Isso parece testar a nossa suspensão de descrença!

Caleb Mir (Sandro Rosta) foi separado com cinco anos da mãe, presa por algum tipo de furto famélico com agravantes pela Federação representada por Ake. Caleb passou então a viver sozinho de situação ruim para situação pior e Ake pediu exoneração e foi ensinar crianças (muito envergonhada pelo ocorrido). A proposta de Vance (comandante da frota estelar) se torna deveras irresistível agora pela soma de todos esses eventos (especialmente se fatorarmos a longevidade multi centenária da capitã que foi testemunha de muitas glórias federadas do passado e a perda do seu próprio filho cadete com a "Queima").

Por outro lado, Nus Braka (vivido por Paul Giamatti) é infelizmente (ao menos aqui) um pirata-genérico-espanador-de-cenários com diálogos de prateleira (diálogos ruins que também assolam os cadetes, especialmente o inexplicável "cunhado betazoide" na cena final do segundo episódio). Braka faz parte do passado dos Mir e esperamos mais complexidade nas próximas aparições desse Klingarita = Klingon + Telarita... Giamatti e Tatiana Maslany (que interpreta com facilidade a mãe de Caleb) são atores convidados na série.

(A trama se contorce de dor para a emboscada de Braka contra a Athena funcionar nos seus termos: antes, durante e depois! Athena é a nave estelar comandada por Ake nas suas duas funções... Esta Castanha prefere Minerva a Athena por falar nisso!)

(Se chamarmos de "Conta de Fadas Trek" (TM) a história do Ferengi Nog na Frota Estelar, teremos que dizer que a de Caleb aqui é ordens de grandeza mais fantasiosa. Esgarçando a suspensão de descrença.)

(O segundo episódio é melhor: sem ação tradicional, falsa encrenca e cadetes salvando o dia. E o fato de Betazed receber a presidência federada nessa nova fase para finalmente concordar em "voltar ao lar" foi mesmo uma cartada capaz de encerrar qualquer negociação bem intencionada. E o melhor momento da série até aqui dada a ocorrência da "Queima".)

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Dentre os cadetes, a mais gostável (até meio que por construção francamente) é Genesis (Bella Shepard): sempre bem preparada para agir e para tirar foto, mas também sempre muito gentil e (muito importante) sem ser boboca ou babaca no processo... Achamos desnecessário o "Cadete X-Men": George Hawkins como Darem Reymi...  E a SAM (Kerrice Brooks) soa muito over... Por outro lado o Klingon Jay-Den Kraag (Karim Diané) sofre do problema oposto, duelando por atenção com o espaço vazio e com a sua confusa caracterização... Caleb teve simplesmente tempo demais em tela (juntando os dois episódios) e a ênfase na busca pela mãe trouxe um certo cansaço (talvez o desgaste terminal desta era). Mas vamos supor por enquanto que os outros regulares terão espaço comparável mais tarde...

(Aguardamos o comportamento de Tarima Sadal (Zoë Steiner) como cadete da Escola de Guerra nos próximos episódios... Por hora, diremos que Tarima foi mais interessante do que Caleb com muito menos tempo de tela. Ela é a filha do presidente de Betazed por falar nisso! E ele não tem nada de extrema direita!)

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(*) Não entendemos bem o uso de "linguagem de sinais" e de "tradução simultânea" por parte da delegação Betazoide... Será algum efeito colateral do seu isolacionismo?

(*) Mostrar a Federação tão burocratizada, fraca e incompetente é um osso muito duro de roer para qualquer fã (principalmente por que ela fica parecida demais com dezenas de organizações análogas do SCIFI em geral: exceto com a própria Federação!). O conceito da "Queima" foi um erro criativo grosseiro para a franquia.

(*) A "namorada betazoide" vai perder o controle em qual episódio?

(*) Entendemos que a Escola de Guerra é um artefato de ideias de episódios de Discovery mas será mesmo uma boa ideia sustentar tal conceito?

(*) Contracheque fácil para Picardo e Notaro que deve aparecer pouco. Se Castanha fosse showrunner (ao invés de um fruto seco), sacaríamos os dois do formato além da Klin'Hadar e colocaríamos apenas um primeiro oficial e mesmo uma adida acadêmica (no lugar da atual): ambos com personalidade para dentro e irmanados... Doutor, Engenheira e Klin'Hadar estão ali para (com o testemunho da nossa indiferença) apostar no humor (especialmente a última que é lamentavelmente uma espécie de sargenteante clichê enérgica e rigorosa).

(*) E mesmo já não gostando da estética e da tecnologia desse século as naceles da Athena (com aparentes motivos gregos) nos fizeram dar risadas involuntárias...

(*) O Quartel General da Frota Estelar fica estacionado aonde mesmo?

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

IT WAS JUST AN ACCIDENT (2025)

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 IT WAS JUST AN ACCIDENT (2025) [104'] [1.85:1] [***]

O realizador iraniano Jafar Panahi, figura cuja carreira se confunde com uma luta contínua contra a censura e a repressão no seu país, apresenta com It Was Just an Accident uma obra que simultaneamente marca uma evolução e uma consolidação no seu percurso cinematográfico. Após uma série de trabalhos metacinematográficos e profundamente autorreflexivos, como This Is Not a Film e No Bears, nos quais a impossibilidade de filmar se tornava o próprio tema, Panahi retorna aqui a uma narrativa ficcional mais clássica, sem, contudo, abdicar do substrato político que define a sua filmografia. O filme, rodado clandestinamente sem autorização das autoridades iranianas, opera uma mudança de registro ao adotar a estrutura de um thriller moral, carregado de tensão e reviravoltas, distanciando-se do tom documental e introspetivo de muitos dos seus predecessores. No entanto, reforça de maneira inabalável os seus vícios autorais: a crítica feroz, ainda que por vezes sardónica, ao aparelho estatal e à corrupção institucionalizada ; a exploração do espaço confinado como microcosmo da sociedade E a atenção dedicada aos indivíduos comuns aprisionados em dilemas éticos de grande magnitude. Inscrevendo-se no mundo contemporâneo do seu lançamento, o filme transcende o contexto específico do Irã para erguer uma reflexão universal e premente sobre os ciclos de violência, o peso do trauma coletivo e a difícil distinção entre justiça e vingança em sociedades marcadas por um passado de opressão. A história, inspirada em relatos que Panahi ouviu durante o seu próprio período na prisão, funciona como um potente alegoria sobre a incapacidade de uma nação se reconciliar consigo mesma quando os fantasmas do passado permanecem impunes e ativos no presente.

A narrativa, aparentemente simples, desdobra-se com uma implacável lógica de pesadelo. Tudo começa quando Eghbal (Ebrahim Azizi), um homem com uma prótese na perna, atropela acidentalmente um cão durante uma viagem noturna com a família. Esta colisão provoca uma avaria no automóvel, levando-o à oficina de Vahid (Vahid Mobasseri), um mecânico cuja vida aparentemente banal esconde as feridas profundas de ter sido um prisioneiro político. Ao ouvir o som característico da prótese e a voz de Eghbal, Vahid é transportado de volta aos seus tempos de tortura e identifica no cliente ocasional o seu antigo algoz, um guarda prisional conhecido pelo apelido de Perna de Pau. Movido por um impulso de revolta, Vahid sequestra Eghbal e, consumido pela dúvida sobre a sua identidade, parte numa jornada urbana para reunir outros sobreviventes que possam confirmá-la. Este grupo improvável, que constitui o núcleo dramático do filme, inclui a fotógrafa Shiva (Mariam Afshari), a noiva Golrokh (Hadis Pakbaten) e o seu noivo Ali (Majid Panahi), e o temperamental Hamid (Mohamad Ali Elyasmehr). O dilema central que os une e os divide não é apenas o de reconhecer o rosto de quem os torturou de olhos vendados, mas o de decidir o que fazer com ele: executar a vingança há muito desejada ou encontrar um caminho diferente que quebre a cadeia de violência. Os seus conflitos principais radicam precisamente nesta tensão entre o desejo visceral de retribuição, que os aproxima moralmente dos seus opressores, e uma centelha de humanidade que teima em sobreviver, simbolizada num momento crucial em que interrompem o seu plano para levar a esposa grata de Eghbal ao hospital. Esta estrutura de caça e julgamento informal serve como mecanismo perfeito para desenvolver os temas principais do longa: a natureza cíclica e corrosiva da violência, a difusa fronteira entre vítima e carrasco quando o primeiro adota os métodos do segundo, e a complexa busca por redenção e perdão num contexto onde a justiça formal é inexistente ou cúmplice.

Panahi serve-se de uma linguagem audiovisual contida, realista e profundamente eficaz para conferir peso e autenticidade a esta parábola moral. A direção, necessariamente discreta devido às condições clandestinas de filmagem, aposta numa montagem que privilegia planos sequência longos, especialmente no tenso clímax do filme, aumentando a sensação de claustrofobia e imersão no dilema dos personagens. A fotografia de Amin Jafari, com uma paleta de cores terrosas e uma luz natural, mantém um olhar observacional que recusa o melodrama, enquanto a quase ausência de trilha sonora não diegética intensifica o realismo cru e coloca o foco total nas palavras e nos silêncios carregados dos protagonistas. As atuações, maioritariamente de um elenco não profissional, são de uma sobriedade e veracidade notáveis. Vahid Mobasseri transmite com intensidade contida a agonia interna de Vahid, dividido entre a fúria e a dúvida. Mariam Afshari, como Shiva, oferece um contraponto de racionalidade cansada, enquanto Mohamad Ali Elyasmehr explode como a encarnação viva do ódio incontrolável em Hamid. Ebrahim Azizi, por sua vez, constrói um Eghbal complexo, um homem que pode ser tanto um monstro quanto um marido e pai comum, forçado a confrontar o seu passado. Apesar da gravidade do tema, Panahi injeta na narrativa momentos de um humor negro e absurdo, sátiras ácidas à burocracia e à corrupção endémica, como a cena em que uma propina é paga com uma máquina de cartões, que funcionam como válvulas de alívio e, simultaneamente, como comentários sociais cortantes. Esta mistura de tons, habilmente equilibrada, impede que o filme se torne um exercício de pura agonia, revelando antes o absurdo trágico que permeia a vida sob repressão.

Em conclusão, It Was Just an Accident de Jafar Panahi não oferece respostas fáceis para as questões profundas que levanta, e a sua grandeza reside precisamente nessa recusa. O veredicto final sobre os seus personagens e temas é deliberadamente ambíguo, encapsulado no final magistral e aberto à interpretação. Após forçar uma confissão e um pedido de desculpas vazio de Eghbal, Vahid opta por libertá-lo, num ato que poderá ser lido como perdão, exaustão ou a recusa definitiva em replicar a violência do opressor. No derradeiro plano, o som do passo de uma prótese aproxima-se e depois se afasta de Vahid, um ruído que o próprio realizador sugere poder existir apenas na mente do protagonista, um fantasma psicológico que talvez nunca o abandone. Esta ambiguidade genial coloca o espectador no lugar do personagem, obrigando-o a ponderar se o ciclo de violência foi verdadeiramente interrompido por um acto de misericórdia, ou se o trauma é uma prisão perpétua da qual não há fuga. Para a obra de Panahi, este filme representa um ponto de chegada e de maturidade artística, a síntese bem-sucedida entre a urgência política de um cineasta dissidente e o domínio formal de um contador de histórias exímio. Para além da sua filmografia, impacta o cinema contemporâneo como um testemunho corajoso e uma obra de rara potência moral, demonstrando que a mais elevada expressão artística pode nascer mesmo sob as condições mais opressivas, servindo tanto como reflexão intemporal sobre a condição humana quanto como documento vital e insurgente do seu tempo.

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TO BE HERO X SEASON 01 (2025)

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EPISÓDIOS

S1E01: Nice [***1/2]
S1E02: Moon [***1/2]
S1E03: The Ever-Standing Hero [***]
S1E04: The Commoner [****]
S1E05: One Actor [***1/2]
S1E06: Two E-Souls [***1/2]
S1E07: Three Seats[****]
S1E08: The Cyan Girl [***]
S1E09: Loss and Gain [***]
S1E10: The Truth Behind Luck [***1/2]
S1E11: Road to the Crown [***1/2]
S1E12: Fall of the Star [****]
S1E13: Tough Girl [**1/2]
S1E14: Impromptu Counterattack [**1/2]
S1E15: Affective Disorder [****]
S1E16: The Cure [***1/2]
S1E17: Whisper Flower [***]
S1E18: Died-Out Flame [***]
S1E19: Breaking the Balance [****]
S1E20: The Ruins Incident[****]
S1E21: Nurturing God [****]
S1E22: The Last Smile [****]
S1E23: Lie [****]
S1E24: X [****]

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REVIEW

A primeira temporada do donghua (*) To Be Hero X, lançada ao longo de 2025, consolida-se como um marco ambicioso na carreira de seu criador, diretor e roteirista, Haoling Li, e um ponto de inflexão para a indústria da animação asiática. Li, já aclamado por obras animadas anteriores, expande aqui o universo conceitual iniciado com To Be Hero e To Be Heroine, transcendendo-as em escala e profundidade temática. Esta produção é fruto de uma colaboração internacional sem precedentes, unindo o estúdio chinês BeDream, a gigante japonesa Aniplex e a plataforma de streaming chinesa Bilibili, além de reunir talentos de múltiplos estúdios de animação, simbolizando uma convergência criativa entre China e Japão. Para Li, To Be Hero X representa a maturidade de sua narrativa, abandonando a estrutura de protagonista único em favor de uma teia complexa (com múltiplos protagonistas e múltiplos pontos de vista) e não linear (a narrativa vai e volta no tempo do começo ao fim), um movimento arrojado que confirma sua reputação como contador de histórias inovador (**). Para a televisão e o mundo em 2025, a série oferece uma reflexão urgente e incisiva. Ela insere-se em um contexto global de saturação de narrativas de super-heróis e de questionamento sobre a espetacularização da vida pública, funcionando como uma lente de aumento crítica sobre a economia da atenção, a idolatria digital e a volatilidade da confiança social. Ao transformar a popularidade em um sistema de poder literal, a série comenta diretamente sobre a era das redes sociais, dos influenciadores e da política como espetáculo, posicionando-se não apenas como entretenimento, mas como um comentário social pertinente e provocador para sua audiência.

(*) A arte animada chinesa análoga ao anime.

(**) Impressiona a confiança na contação de história aqui em: (i) trazer a origem de um herói cachorro (Ahu, um top10 ao fim da temporada) e todo um novo arsenal de técnicas de animação JUSTO no penúltimo episódio da temporada , (ii) associar o chaveamento das técnicas de animação em tela ao característico estalar de dedos do X como se ele estivesse manipulando aquele mundo tanto ou mais do que as agências e a associação de heróis (Algo mais forte no presente do que no passado, sugerindo uma relação com o histórico de poderes do personagem) , (iii) dobrar a aposta para além de tanta complexidade global: o criador surpreende também dentro de um único sub arco e mesmo dentro de um único episódio etc.

A narrativa de To Be Hero X constrói-se sobre uma premissa poderosa: em seu mundo, os heróis não nascem, são eleitos pela percepção pública. O poder de um indivíduo é diretamente proporcional ao seu Valor de Confiança, uma métrica quantificada e manipulada por agências de marketing e conglomerados de mídia. O ápice desse sistema é o título de X, concedido ao herói mais confiável em um torneio bienal. A história, contada de forma não linear e através de onze arcos focados em diferentes protagonistas, desvenda as complexidades morais desse universo. O arco inicial (por exemplo) apresenta Lin Ling (dublado por Natsuki Hanae), um publicitário comum que, após testemunhar o suicídio do herói perfeito Nice (também dublado por Natsuki Hanae), é coagido (pela semelhança física e por escrever as campanhas do herói) a assumir sua identidade. Através dos olhos de Ling, exploramos a maquinaria por trás dos heróis: a pressão por uma imagem impecável, a relação simbiótica e por vezes parasítica com os fãs, e a perda da individualidade sob o peso das expectativas coletivas (Se acham que ele é o Nice, ele vai se tornar cada vez mais fisicamente parecido com o Nice ; Se acham que ele é muito certinho e cheio de manias, ele começa a desenvolver TOCs etc.). Essa investigação se aprofunda com outros heróis, como o trágico Homem Firme, cujo poder, derivado da crença pública em sua invencibilidade, o impede fisicamente de se curvar ou deitar, transformando-o em uma estátua viva de seu próprio mito (e a sua existência em uma penitência). Já Ciano da Sorte (dublada por Inori Minase), uma cantora cujo poder é a boa sorte, lida com a exploração de sua imagem desde a infância, ilustrando como a inocência é consumida pelo espetáculo... (***) O conflito central de cada personagem é uma variação do mesmo tema: a luta para preservar uma identidade autêntica em um sistema que os reduz a símbolos comerciais. Paralelamente, a série introduz uma ameaça sistêmica maior, o Valor de Medo, um poder simétrico e oposto que alimenta os vilões a partir do terror coletivo, sugerindo que a sociedade cria seus monstros a partir das mesmas emoções que forjam seus ídolos.

(***) A explicação para a bebê Ciano ser a única sobrevivente de um muito suspeito desastre aéreo (e que é também a origem da sua sorte) é deveras comovente (aliás todo o seu arco desde criança santa no orfanato até estrela pop é em tese bem movediço conceitualmente e acaba sendo muito bem executado aqui.). 

(As Agências dos Heróis são largamente inspiradas nas Big Techs ao mesmo tempo que a Comissão de Heróis parece representar uma agência reguladora francamente corrompida por essas... Por outro lado, a Comissão também lembra o Partido Comunista Chinês no sentido de zelar para que a aprovação de um herói não cresça sem limite o tornando indistinguível de uma divindade... Inclusive isso já aconteceu  no passado, com o heroi zero, com um resultado trágico, evento que serve de ponto de partida para o calendário vigente e para a criação da própria Comissão. ) 

(Os líderes das agencias são criaturas grotescamente amorais, manipuladoras sem qualquer limite e traem uns aos outros e até os seus próprios agenciados. Um desses líderes é devoto do herói zero e procura ativamente transformar algum novo herói em um deus e/ou trazer Zero de volta a vida.)

A realização audiovisual de To Be Hero X é um dos pilares de sua excelência e ambição. A direção de Haoling Li e a colaboração entre os estúdios resultam em uma revolução estilística que serve diretamente à narrativa e aos temas. A série é notória por sua mistura fluida e intencional de técnicas de animação 2D e 3D, com uma cinematografia que evoca a coreografia aérea e teatral dos filmes de artes marciais chineses (wuxia), desafiando constantemente a gravidade e a perspectiva tradicional. Este ecletismo visual não é mero exibicionismo; é diegético. O poder do misterioso herói X (dublado por Mamoru Miyano) permite-lhe manipular a própria realidade, alterando o estilo de arte ao seu redor com um estalar de dedos. Assim, as transições bruscas entre um CGI estilizado algo reminiscente da série Arcane, sequências em 2D tradicionais e mesmo estética de cartoon americano tornam-se manifestações literais de seu domínio sobre o meio, uma metalinguagem brilhante sobre o poder da animação (e sugere um entendimento profundo do personagem sobre o mundo da série e provavelmente além). A trilha sonora, supervisionada pelo renomado Hiroyuki Sawano (de Attack on Titan) e por uma constelação de compositores, eleva a experiência a outro patamar. Mais do que acompanhar, a música narra (mas raramente de maneira óbvia). Temas específicos para cada herói, como PARAGON para Nice ou NEON RAIN para E-Soul (OBS: Fiquem de olho no arco do E-Soul original. É de explodir a mente e cortar o coração!), atuam como leitmotifs emocionais, enquanto a poderosa abertura INERTIA e a inserção estratégica de músicas em clímax narrativos, como no confronto entre Lin Ling e God Eye, sincronizam batida cardíaca e impacto dramático com maestria. As atuações do elenco de dublagem, tanto japonês quanto chinês, conferem profundidade humana a esses arquétipos superpoderosos, capturando desde a angústia silenciosa de Nice até a determinação vulnerável de Lin Ling, entre outros.

Em conclusão, a primeira temporada de To Be Hero X, sob a visão criativa de Haoling Li e o esforço conjunto de BeDream, Aniplex e Bilibili, ergue-se como uma conquista monumental. Seu veredito final sobre os temas que explora é complexo e matizado: o heroísmo, como commodity social, é mostrado como uma força tanto redentora quanto destrutiva, capaz de inspirar, mas igualmente de esmagar identidades e perverter intenções puras (OBS: Vejam o arco do novo E-Soul para esses dois últimos itens). Para personagens como Lin Ling, a jornada termina com a reafirmação de si para além do símbolo; para outros, como o Homem Firme, a liberdade só é encontrada na renúncia ao título. A série não oferece respostas fáceis, mas conclui sua trama intrincada recompensando a audiência atenta com um desfecho coerente que amarra suas diversas linhas narrativas, confirmando que cada ação e escolha reverberou significativamente (e mais está por vir, especialmente sobre X, a nave alienígena abandonada e toda a mitologia desse mundo). O impacto de To Be Hero X transcende seu próprio universo. Para sua audiência, é uma experiência que exige e recompensa o engajamento intelectual, elevando o padrão do que uma animação de super-heróis pode aspirar a ser. Para a televisão e a indústria da animação, a série serve como um farol de inovação, demonstrando o potencial criativo explosivo das coproduções internacionais e estabelecendo um novo patamar de sofisticação visual e narrativa para os donghua, desafiando a hegemonia narrativa ocidental no gênero. Como um todo, To Be Hero X consagra-se não apenas como uma das melhores produções de 2025, mas como uma obra que redefine as possibilidades de sua forma, provando que a animação pode ser, simultaneamente, espetacular, filosoficamente profunda e culturalmente relevante.

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Sobre o conservadorismo: (I) A sexualidade é virtualmente não existente na série... O Nice Original parece ser cifrado como homossexual, com sua aparência e modos delicados, com um amigo herói inseparável que vira vilão/nemesis (*) no contexto do seu relacionamento falso com uma outra heroína (obrigada contratualmente e pela expectativa popular a colaborar na farsa) (lembrem-se: tudo cifrado!)... E ainda existem duas jovens adultas que se adoram como melhores amigas que em uma produção ocidental certamente seriam um casal. 

(*) Mecanismo aliás que serve de combustível a carreira dele como um tudo. Modelo de manipulação da opinião pública. 

(II) Existe ao menos um personagem neuro divergente com essa característica sendo tragicamente amplificada pela expectativa popular (de onde também vem infelizmente toda a sua persona assassina)... O que origina uma tocante tragicomédia: por amar demais a filha e não ter nenhuma ferramenta social para lidar com isso (muito pelo contrário!)... Aliás abundam na série problemas de relacionamentos entre pais e filhos (as) , sobram perdas e não falta luto.

(III) As personagens femininas são via de regra muito bonitas, capazes e com grande empatia (entre outras qualidades) (Mas não são perfeitas!)... Notamos que uma personagem neuro divergente (casada com esse aí de cima) aparentemente se regula neurologicamente permanentemente quando descobre estar grávida de uma menina... Todos os CEOs malignos são homens... A personagem feminina central é a heroína Queen, (originalmente uma criança prodígio) alguém com uma atitude tão marcante que serve de inspiração para toda uma nova era de heroínas desde os seus 12 anos. Ela tem a principal luta da temporada (um confronto brutal, do tipo vencer ou morrer, contra uma outra heroína TOP que sucumbiu ao valor do medo, uma vitória tristíssima para Queen) e ainda o principal momento heroico da temporada (uma majestosa redenção).

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Alguma perspectiva: Consideremos todo esse capítulo de 20 anos de histórias de super heróis começado com a primeira temporada da série Heroes em 2006... Nele incluímos as produções tradicionais de DC e MARVEL (e afins) , as produções desconstrutivas como Invincible e The Boys (entre outras) e mesmo episódios específicos de Black Mirror (e correlatas) por tratarem do contemporâneo de redes sociais e dos seus satélites... Posto isso, To Be Hero X resume e supera todos esses esforços no gênero, trazendo uma mudança de paradigma.   

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Material EXTRABLOG01: aqui

Material EXTRABLOG02: aqui

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THE PITT S2 (2026)

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EPISÓDIOS

S2.E01 ∙ 07:00 A.M. [***]
S2.E02 ∙ 08:00 A.M. [***]
S2.E03 ∙ 09:00 A.M. [***]
S2.E04 ∙ 10:00 A.M. [***]
S2.E05 ∙ 11:00 A.M. [***]
S2.E06 ∙ 12:00 A.M. [****]
S2.E07 ∙ 01:00 P.M. [***1/2]
S2.E08 ∙ 02:00 P.M. [***1/2]
S2.E09 ∙ 03:00 P.M. [***1/2]
S2.E10 ∙ 04:00 P.M. [***1/2]
S2.E11 ∙ 05:00 P.M. [***1/2]
S2.E12 ∙ 06:00 P.M. [****]
S2.E13 ∙ 07:00 P.M. [***1/2]
S2.E14 ∙ 08:00 P.M. [****]
S2.E15 ∙ 09:00 P.M. []

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ACASTANHADAS

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07:00 AM: "The Pitt retorna preservando o formato vencedor (de público e crítica)  da primeira temporada, com mais um plantão  de 15 horas, agora ambientado no feriado americano de quatro de julho... O Doutor Robby (O chefe do PS) está de volta no seu último plantão antes de embarcar em um trimestre sabático. Assim como a enfermeira chefe Evans (apesar da agressão sofrida), o residente sênior Langdon (regressando de uma clínica de reabilitação) entre outros favoritos... Robby não quer discutir de forma alguma com Langdon o que ocorreu com seu amigo e pupilo (mas supomos que eles vão conversar sobre TUDO até o episódio oito)... Robby também parece estar em rota de colisão com a sua substituta temporária (a doutora Baran Al-Hashimi vivida por Sepideh Moafi, uma advogada do uso de IA Generativa no PS e além) (Será que vamos ter, durante a temporada, um pulso eletromagnético transportando o PS para idade da pedra ou algo assim?) ... Sólida abertura de temporada com as atuações e os valores de produção já esperados."

(Dúvida da Castanha: Garcia e Santos tem ou tiveram um caso?)

(Dúvida da Castanha: Robby conduzir a moto sem capacete na cena de abertura tendo um claramente disponível tem algum significado transcendental?)

(Al-Hashimi se comporta MUITO estranhamente na presença de uma bebê recém nascida abandonada no PS. O que virá dai?)

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08:00 AM: "King ("Mel") está visivelmente distraída e apreensiva com a aproximação do seu depoimento em um processo de erro médico em que ela é ré (Robby diz que ser assim processado é algo comum na sua carreira como desinfetar as mãos enquanto Al-Hashimi não tem ideia do que é IMAGINAR ser processada por causa da sua prática médica e quer permanecer assim... Dizer que a nossa "Mel" ficou absolutamente confusa no meio desses dois doidos não seria nenhum exagero!)... "Mel" leva depois um tombo feio de um "bandido-paciente" perseguido pela polícia no meio do PS (quando os policiais ameaçam querer tomar o seu testemunho no caso, ela começa a se desregular mas é protegida e acolhida por Langdon)... Como era mesmo "O dia da Mel", ela acaba (juntamente com Santos) cuidando de um SEVERO caso de priapismo e drenando o sangue do pênis enfermo (!) ... Outro bom episódio e estamos "desconfiados" do aparente caso de abuso infantil sobre uma paciente de Santos (parece já elaborado demais para receber uma solução banal)."

(Whitaker é o novo pupilo de Robby no lugar de Langdon.)

(O "reencontro" de Santos e Langdon promete. Mas supomos que vai quebrar expectativas.)

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09:00 AM: "A paciente criança de Santos foi bem resolvida como um caso de Porfiria (tudo bem atuado ao redor). O caso menor de McKay também parece que se resolveu com um tumor no cérebro (Entra agora outro paciente com um ator convidado de destaque. Aguardemos!). Enquanto isso o caso de Louie parece se deteriorar... Um motociclista sem capacete que entra morto no PS parece oferecer mais um vislumbre com relação ao futuro do Doutor Robby. Chama atenção ainda uma senhora judia que entra com queimaduras nas pernas, ela é uma sobrevivente do Massacre da Tree Of Life (*). Mais um vislumbre?"

(*) O Massacre da Sinagoga Tree of Life (Árvore da Vida), ocorrido em 27 de outubro de 2018, em Pittsburgh, Pensilvânia, foi o ataque antissemita mais mortal da história dos Estados Unidos.

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10:00 AM: "Descobrimos que Robby está fazendo terapia faz algum tempo e que existe uma sombra REAL sobre o seu iminente trimestre sabático (advinda desse tratamento)... No PS , o fechamento de um hospital próximo já começa a trazer sobrecargas de casos, que acreditamos (por óbvio!) que só irão piorar... Whitaker parece sugerir um problema com a sua licença médica ou com o seu crédito estudantil... "Mel" começa a mostrar um interesse de mentora sobre Santos, parece que ela enxergou ali alguma neuroatipia (talvez TDAH) na companheira (que parece ter muita dificuldade em manter as fichas dos seus pacientes atualizadas, sua obrigação como residente)... McKay parece que finalmente vai transar e reduz uma fratura no cóccix de um paciente na base da "dedada"... Descobrimos que Javadi é uma espécie de Influencer (sob a alcunha de "DR. J")... Langdon está para voltar do castigo da triagem."

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11:00AM: "Robby parece estar MESMO necessitado de um período longe do PS, pelo que vimos nesse episódio  estruturado em torno do caso de uma garçonete que evolui em poucas horas de uma simples irritação de pele até uma ida ao centro cirúrgico com risco de vida. Como Langdon a atendeu inicialmente, Robby supõem erros a cada etapa do caminho (com uma torrente de emoções contraditórias jorrando sem parar do nosso protagonista durante esse processo todo). Vemos Robby literalmente correndo com um residente novato de cirurgia do PS e enfiando um bisturi na perna da paciente nas barbas de Garcia para forçar a mão da cirurgiã para levá-la. Eis que os dois convergem ao final do episódio para o leito de Louie, Langdon passou por lá após ouvir o bipe de saturação (que não era um suposto alarme falso!) e Robby foi (vejam só!) levar uma latinha de cerveja para o 'paciente mascote' do PITT. Terminando com os dois médicos iniciando  o procedimento de ressuscitação...  Temos ainda um caso de McKay (de uma paciente com câncer ósseo terminal) que fala um tanto cifradamente sobre eutanásia... E o alívio cômico com Santos incapaz de completar um parágrafo de fichamento sequer e infernizando Withaker e Ogilvie (um dos novatos da temporada) com um procedimento para remover um empedramento fecal de uma idosa oitentista (que termina exatamente como o leitor deve estar esperando!)."

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12:00AM: "The Pitt comete o seu melhor episódio da temporada até aqui, trazendo o protagonismo dos seus sete enfermeiros nomeados, liderados por Dana Evans (e com a muito competente estreia na direção de Noah Wyle)... O episódio tem por emocionantes contracapas a morte (aparentemente trazendo o primeiro sinal de reconciliação de Robby e Langdon) e o velório de Louie no próprio PS (onde o staff ocupa vacuamente e factualmente a posição de amigos e de  familiares, para a reflexão da audiência)...  O tristíssimo caso do prisioneiro mal nutrido prossegue com Al-Hashimi defendendo a sua não devolução ao sistema carcerário (e Evans usando um truque no monitor de saturação do paciente para forçar a sua permanência)... Temos ainda a continuidade com a  personagem terminal de McKay e a briga de Santos com os seus prontuários (e aparentemente nem a AI de Al-Hashimi está dando conta do recado)."

(Robby trata de um motociclista dublê/acrobata profissional que sofreu um acidente gravíssimo e que escapa relativamente ileso por esta usando todo o equipamento de segurança, inclusive o capacete. Onde isso vai parar?)

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01:00PM: "Sabemos que uma temporada de The Pitt começa a pegar velocidade quando vemos em cena pela primeira vez Jack Abott (o atendente do turno da noite), com direito a uma entrada triunfal com o uniforme tático da swat (!) e uma de facto intubação de um colega policial com a traqueia dilacerada (estilo ver para crer!). E depois ele ainda trata casualmente de um ferimento a bala nas próprias costas (sozinho!) ("Foi só de raspão" segundo ele)... A representação dramática do exame de uma vítima de estupro é exemplar mas é vendida emocionalmente mais do que tudo por Lanasa ... Confirmado o colapso tecnológico no PITT e hospitais da região, a nossa patrulha de longo prazo agora aposta em Langdon salvando o dia (de alguma forma bem sofrida) e talvez mais de um atendente fora de combate durante a crise final da temporada."

(Vale também comentar o esforço em complexificar a personagem de Santos, ainda frustrada com os prontuários, impaciente com a situação da paciente surda, pensando no bem estar de Withaker e mesmo acalmando a bebê abandonada, com um uso não gratuito da bela voz de Briones... E a conversa de Santos e Langdon está chegando... E o que são aquelas marcas na coxa de Santos?)

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02:00PM: "Termina o exame da vítima de estupro (espetacularmente e empaticamente realizado pela enfermeira chefe Evans) (com a enfermeira Princess fazendo o possível na chefia interina enquanto isso), Santos resolve o problema da paciente deficiente auditiva e não parece existir outra conclusão possível para a história da paciente terminal de McKay, o que indica uma "limpeza" do quadro de pacientes para reta final da temporada... Por falar em "quadro", agora o PS funciona com um quadro branco (com marcadores) graças a memória fotográfica da estudante de medicina Joy ("quadro" e todo o resto agora abraçam a velha guarda tecnológica, mesmo uma máquina de fax dá as caras por lá)...  Santos e Langdon finalmente se reencontram tratando uma paciente que literalmente mordeu a própria língua (!), tenso  e constrangedor como deveria ser (e torcemos pela continuação!).

(O episódio termina com um ambiente já completamente caótico mas, de alguma forma estranha, ainda estruturado. Ainda que com uma armação bastante frágil apoiada em faxes, carimbos e pedidos em triplicatas. O que falta acontecer no PITT agora?)

(NOTA: Ellis quebra totalmente as regras para avisar Mel sobre o iminente depoimento que parece focar no caso da criança com sarampo que passou por uma punção lombar na temporada passada. A mãe culpa tal punção pelo declínio intelectual do filho, embora Ellis saiba que a real causa foi a baixa oxigenação.)

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03:00PM: "Finalmente temos o fartamente publicizado episódio sobre o ICE (o Serviço de Imigração e Alfandega Americano): um menino explode a sua mão com fogos de artifício e sua irmã mais velha é revelada a sua única guardiã (ambos são americanos mas os seus pais haitianos foram extraditados sem aviso faz poucos meses em meio a uma audiência), Robby e Santos confrontam-se sobre a manutenção ou não da guarda do menor (junto aos serviços sociais). Boa história até aqui, destacando a empatia de Santos com crianças ...  Observamos a sua personagem terminal perguntar sobre a morte para Mckay (mas não ouvimos a resposta da médica através do vidro nesse momento tristíssimo), numa bela cena ... Abott diz a Robby que se as trevas o envolverem em sua viagem ele pode chamar por ele em qualquer circunstância, mas o segundo o responde apenas com um sorriso enigmático sem olhar nos olhos do amigo (será esse o ponto central da temporada?) ... Na sequencia, Robby dá o crachá de médico a Whitaker e oferece a sua casa para o jovem (!) enquanto ele está fora, ao mesmo tempo que fala sobre "limites" (!) com o seu protegido (tudo isso deixa a audiência ainda mais estupefata) ... Eis que Langdon trata basicamente em estado de graça a irmã de Mel com o que parece ser uma infecção urinária (dizem as más línguas que até Robby olhou pelo vidro do consultório procurando por dicas), enquanto finalmente Mel se dirige para o seu (tão antecipado) depoimento ... Uma notícia televisada de uma grave falha estrutural em um Parque Aquático próximo aponta para algo "além do caos" no próximo episódio.

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04:00PM: "Al-Hashimi é a clara MVP de atendimentos aqui, na esteira da chegada dos pacientes do parque aquático (com um procedimento traqueal que temos medo até de tentar descrever) ... Mel não recebe bem a notícia da sua irmã estar tendo sexo ("Muito sexo!") e, mesmo com a presença de Langdon ao seu lado, o topo da sua cabeça parece que vai literalmente levantar voo ...  Talvez um pouco sem aviso durante a temporada, Mohan tem um ataque de pânico clássico e após os cuidados básicos no próprio PS, Robby descasca a colega médica na frente de todos, por ela, segundo ele, não saber controlar a sua "bagagem emocional" (Como se projetando os seus próprios problemas em Samira... Vide Robby colapsando na "pediatria" na temporada passada!) (Al-Hashimi  chama a sua atenção de maneira bastante firme... Robby pede uma desculpa meia boca e já chama Mohan para a ação/guerra e ela aceita... Robby está chegando ao clímax do seu arco?) ... Santos não parece aceitar sequer a possibilidade de Langdon ainda ser médico (apesar das CRISTALINAS reprimendas de Al-Hashimi e Garcia quanto a isso) (Isso é uma grave fonte de frustação para ela, especialmente vinda da segunda, devido ao seu confirmado relacionamento) (Santos parece também estar em rota de explosão psicológica... E não se esqueçam das marcas corporais mostradas quando da sua ida ao banheiro!) ... E finalmente temos o belo final da (bem completa sobre o tema: câncer terminal + eutanásia sob qualquer outro nome) história de Roxy ... O depoimento de Mel e o parceiro de "coisas de motos" de Robby (de nome Duke) devem se tornar frontalmente importantes até o fim da temporada."

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05:00PM: "A grande (E AGUARDADA) atração do episódio é a chegada de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE) ao PS acompanhados de Pranita, uma paciente detida durante uma operação de deportação . A presença dos agentes causa um caos extremo e imediato: pacientes e até mesmo membros da equipe fogem do hospital com medo de serem alvos. O Dr. Robby chega a confrontar os agentes, alertando que eles estão afastando doentes que precisam de atendimento . A situação escala de forma alarmante quando o enfermeiro Jesse tenta intervir na abordagem brusca à paciente e acaba sendo algemado e preso (!) pelos agentes, gerando uma sensação de impotência coletiva ... ALÉM DISSO ... Mel enfrenta uma crise pessoal ao descobrir que sua irmã Becca tem um namorado e uma vida sexual ativa. A dificuldade de Mel em lidar com a independência da irmã e sua tentativa de "superprotegê-la" gera um conflito familiar doloroso, resultando em uma atuação comovente de Dearden aqui ... Visivelmente esgotado e ansioso para iniciar suas férias, Robby mostra rachaduras graves em sua paciência, explodindo com Samira (no episódio anterior) e com os agentes do ICE (agora). Sua frustração reflete o cansaço de um plantão que parece não ter mais fim ... A tensão entre Santos e Langdon atinge um novo ápice. Langdon tenta uma trégua e se desculpa pelo tratamento dado (por ele a ela) no passado, mas Santos recusa qualquer reconciliação, jogando na cara dele o roubo de medicamentos e afirmando que ele nunca deveria ter voltado ... O episódio termina com um cliffhanger clássico... Enquanto a equipe ainda tenta digerir a prisão de Jesse, a estudante de enfemagem Emma fica sozinha com um paciente violento que estava sedado. O homem acorda e a coloca em um mata-leão, deixando o destino dela em suspense até o próximo segmento."

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06:00PM: "A abertura trata da agressão a Emma de forma direta e visceral. Curtis, o paciente violento que deixou a estudante em um mata-leão, é imediatamente contido pela enfermeira chefe Dana Evans, que aplica um golpe certeiro no nariz do agressor e o seda com uma seringa de Versed que carrega consigo desde que foi agredida na primeira temporada. O que poderia ser um momento de alívio rapidamente se transforma no centro do conflito do episódio. Robby confronta Dana não por ter protegido Emma, mas por carregar e administrar um sedativo sem autorização médica, um ato que poderia, apenas ele, custar sua licença de enfermagem. A discussão que se segue entre os dois transcende o incidente imediato e se torna uma catarse há muito adiada. Dana acusa Robby de agir como um mártir que não aceita que o hospital pode sobreviver sem ele, e entrega a frase mais contundente da temporada: "É como se você estivesse apenas tentando/testando a morte porque não se importa mais". A acusação atinge Robby em cheio, com seu cada vez mais discutido e remexido plano de um "sabbatical" de moto, o fantasma já multi-comentado da sua pilotagem sem capacete e sua admissão de que sente que o Pitt é como areia movediça — quanto mais tenta sair, mais é sugado para dentro... Enquanto Robby e Dana protagonizam esse confronto que expõe as fragilidades de ambos, outras tensões começam a se manifestar na estrutura do serviço. Al-Hashimi, que no episódio anterior ouviu parte da feroz conversa entre Santos e Langdon, agora começa a agir sobre a informação. Ela descobre o histórico de roubo de medicamentos de Langdon e questiona publicamente a segurança de ter apenas um médico atendente supervisionando um departamento inteiro em meio a tantas crises. Sua solução é começar a distribuir (humilhantemente) algumas responsabilidades de Langdon entre Whitaker e Javadi, um movimento que isola ainda mais o residente sênior que já vinha tentando uma trégua com Santos — trégua que foi recusada de forma definitiva no episódio anterior. Santos, por sua vez, sente também o peso do isolamento quando Whitaker decide se mudar para a casa de Robby (que ficaria por óbvio um tempo vazia), deixando-a sem seu principal apoio na equipe... Paralelamente a essas fissuras internas, Mohan vive um dos arcos mais humanos do episódio. Ao atender um casal de idosos envolvido em um acidente de carro, ela se depara com Eddie, um paciente cuja lista de medicamentos prescritos é tão extensa que compromete sua estabilidade. Em vez de simplesmente tratar as lesões imediatas e encaminhá-los para uma casa de repouso, Samira trabalha com a farmacêutica para revisar completamente o regime de medicações do casal. O agradecimento sincero de Eddie — que diz a ela que está feliz por finalmente ter alguém que ouviu um "velho" — pesa na decisão que a médica precisa tomar entre aceitar uma vaga em New Jersey ou permanecer no Pitt para seguir na área de geriatria (que agora faz todo sentido em retrospectiva). É um momento que lembra ao público que, mesmo em meio ao caos, ainda há espaço para cuidados que enxergam o paciente como um ser humano completo... O episódio caminha para seu desfecho com o aparente arrefecimento do cyber ataque que vinha paralisando o hospital — as outras instituições afetadas pagaram o resgate, e os sistemas digitais começam a ser restaurados. Duke finalmente vai para o scanner, Joy vai descansar, e Dana começa a passar o plantão para a equipe da noite. Há uma sensação enganosa de que o pior ficou para trás. Enquanto isso, Robby se prepara para finalmente partir em sua moto, convencido de que se não sair agora, nunca mais conseguirá. Santos brinca que ele está em uma "grande busca espiritual de morte do ego", mas a piada soa vazia diante de tudo o que aconteceu... E então, nos momentos finais, chega o golpe que reconfigura tudo. Uma maca entra no pronto-socorro trazendo um homem com traumatismo craniano após uma queda de um mezanino de fábrica. Samira passa ao lado, reconhece o rosto e congela: "Oh, meu Deus. Orlando". Orlando é o paciente diabético sem seguro que havia fugido do hospital mais cedo no plantão, apavorado com a conta que teria que pagar. Samira (já acumulando inúmeros esforços além do chamado do dever, até enviando um pacote com remédios para ele via UBER) o havia alertado na época que o preço de sair poderia ser sua vida — e agora ele retorna à beira da morte, transformando a saída que parecia iminente em mais uma hora de trabalho em um plantão que se recusa a terminar... Este episódio é um exemplo brilhante de como The Pitt sustenta sua proposta narrativa única. Sem alívio cômico, sem trilha sonora para guiar emoções, o que resta é o puro ofício de contar histórias através de conflitos humanos reais. O confronto entre Dana e Robby não é apenas um desentendimento profissional; é a colisão entre duas pessoas destruídas pelo mesmo sistema que tentam sobreviver de formas diferentes. Dana opta pela proteção imediata de sua equipe, mesmo que isso signifique arriscar tudo de si; Robby se agarra à ilusão de que pode se retirar antes que o hospital o consuma completamente. A fala de Dana sobre ele "testar a morte" ressoa não como um exagero, mas como um diagnóstico preciso que o próprio Robby parece incapaz de reconhecer... O retorno de Orlando no final é o golpe de misericórdia narrativo, confirmando que, neste universo, não há escapatória fácil. A estrutura de episódio por hora, que sempre foi a grande inovação da série, aqui se mostra mais uma vez não como um truque, mas como uma escolha temática essencial: o tempo não espera, as consequências não desaparecem, e cada decisão — como a fuga de Orlando ou a decisão de Dana de carregar aquela seringa — eventualmente retorna para cobrar seu preço. Com três episódios restantes na temporada (com o turno do dia já teoricamente concluído), a sensação que fica é que o pior ainda está por vir, e que Robby pode estar pilotando em direção a algo muito mais perigoso do que uma simples estrada isolada no campo... Baita episódio!"

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07:00PM & 08:00PM"O turno do dia em The Pitt não termina com uma sirene ou um código azul; ele se dissolve em um cansaço que pesa mais do que qualquer plantão de vinte e quatro horas. A segunda temporada, que comprimiu quinze horas de drama em um único e escaldante feriado da independência americana, encontra em seus episódios treze e catorze uma espécie de anticlímax proposital, onde o verdadeiro inimigo não é um trauma externo, mas a erosão silenciosa da psique. Enquanto a primeira temporada explodiu em caos com o tiroteio no festival Pitt Fest, esta temporada opta por uma contundência mais interna e, de certa forma, mais cruel. Ao adentrar o horário das dezenove e vinte horas, a série troca o barulho ensurdecedor das macas pela estática angustiante do esgotamento profissional, revelando que os heróis de jaleco branco estão sangrando por dentro muito antes de qualquer paciente chegar à porta.

A chegada do turno da noite no início da sétima hora PM funciona como um contraste quase cruel com o estado do turno do dia. Médicos como Shen, Ellis e o formidável Abott entram em cena com uma energia que os colegas exaustos já não conseguem mais fingir. É um lembrete incômodo de como a competência se parece quando ainda não foi triturada por doze horas de sequestro de dados hospitalares, quedas de toboágua e agressões a enfermeiras. Essa justaposição se cristaliza no caso do adolescente Grady, que chega em meio a uma crise de asma severa. Langdon, recém saído da reabilitação e com os nervos em frangalhos sob o olhar crítico de Robby, avança para a intubação como um boxeador zonzo que ainda busca o nocaute. É a calma cirúrgica do time noturno que o impede, diagnosticando um acúmulo anormal de ar na cavidade torácica que Langdon, em sua névoa de cansaço e ansiedade, não conseguiu enxergar. A intervenção salva o garoto, mas despedaça o que restava da confiança de Langdon. A cena em que Mel o encontra abalado nos corredores, tentando processar o fato de que quase matou alguém por não pensar com clareza, é o coração pulsante do episódio. Não se trata de incompetência médica, mas da falibilidade humana quando o tanque de resiliência finalmente seca.

Enquanto isso, o espectro da morte ronda o hospital de forma menos espetacular, mas infinitamente mais dolorosa. Orlando Diaz, o paciente diabético que fugiu para o segundo emprego e retornou com o crânio fraturado após uma queda de seis metros, torna-se o símbolo máximo da falência do sistema de saúde americano. A suspeita de que ele tenha buscado no concreto uma solução definitiva para sua dívida médica de cem mil dólares paira no ar como uma acusação que ninguém ousa verbalizar completamente. E enquanto a neurocirurgia luta para salvar Orlando, a notícia da morte do senhor Green chega como um soco no estômago do estudante Ogilvie. A morte do professor de inglês, vítima de uma dilatação irreversível da principal artéria do abdômen que havia sido detectada dezoito meses antes, mas cujo acompanhamento foi soterrado pela burocracia e pelo apagão cibernético, representa a falha institucional em sua forma mais letal. Ogilvie, que sempre se escorou na armadura da arrogância intelectual, é encontrado por Whitaker na baía das ambulâncias, coberto de sangue e despido de qualquer certeza. É o momento em que a medicina deixa de ser um jogo de respostas certas e se revela como um campo minado de perdas irreversíveis.

No centro dessa tempestade silenciosa está Robby, cujo comportamento ao longo da temporada finalmente encontra sua tradução mais aterrorizante. Às dezenove horas, seu confronto com Dana Evans transcende a simples discussão de trabalho para se tornar um ajuste de contas emocional. Quando Dana, com a autoridade de quem o conhece há décadas, tenta força-lo a admitir que seu plano de período sabático de motocicleta não é uma viagem de autoconhecimento, mas sim uma rota de fuga potencialmente definitiva, Robby explode. A revelação de que sua mãe o abandonou na infância serve não como desculpa, mas como a chave que abre a porta para o seu vazio existencial. O diálogo que culmina com uma pergunta amarga sobre a possibilidade de não voltar mais não é apenas uma frase de efeito para o final do episódio; é a confissão velada de um homem que já não vê um farol no horizonte. Katherine LaNasa, em uma atuação visceral, transmite o pavor de Dana diante da possibilidade de perder um parceiro que é, para todos os efeitos, a âncora de sua vida profissional e emocional, alguém cuja ausência ela define como perder um cônjuge.

A quarta hora, às oito da noite, se desdobra como um espelho que reflete e amplifica essas fraturas. O episódio, surpreendentemente permeado por momentos de humor negro e alívio cômico entre os residentes, é apenas a calmaria que antecede a confissão final. A sequência mais angustiante não se passa dentro de uma sala de trauma, mas na baía das ambulâncias, onde Robby e seu amigo motociclista Duke consertam a máquina que foi danificada no estacionamento. Ali, longe dos olhos dos colegas, Robby finalmente se despe de qualquer metáfora. Ele admite a Duke que não quer estar em lugar algum, que o hospital é a única coisa que lhe dá propósito, mas que fora dali só existe o vazio. A resposta de Duke, um homem que conhece os demônios da alma tão bem quanto as curvas da estrada, é um tapa de realidade envolto em afeto áspero. Ele lhe diz que aquilo não é pilotar, mas fugir, e questiona se essa será a última lição que Robby deixará para os mais jovens. É o personagem do veterano ator Jeff Kober, com sua sabedoria rústica, quem dá voz à pergunta que o espectador vem fazendo há semanas: que legado um médico deixa quando sua última lição é a desistência?

Enquanto Robby se afoga em sua própria escuridão, dois outros arcos encontram sua resolução ou seu ponto de ignição. Langdon, ainda zonzo com o erro no caso de asma, recebe de Robby uma ordem que é quase uma absolvição para que ele siga em frente e aja como médico apesar do equívoco. Impulsionado por essa confiança bruta, ele realiza uma redução cervical fechada de alto risco em um paciente com a vértebra deslocada. É um triunfo técnico absurdo que redime sua jornada no episódio, embora a sombra do exame toxicológico perdido continue a pairar sobre sua cabeça como uma guilhotina adiada. Em paralelo, o ressentimento silencioso de Whitaker finalmente transborda. O jovem médico, sempre tão paciente e otimista, explode contra Langdon no vestiário em um momento que expõe as feridas da hierarquia médica. É a catarse necessária de um personagem que passou a temporada inteira absorvendo o estresse alheio sem nunca reclamar, provando que mesmo os mais resilientes têm um ponto de ruptura (especialmente levando em conta que ele mora a meses com a Santos).

O clímax emocional (talvez de toda a série até aqui!), no entanto, pertence a Al Hashimi. Ao longo de toda a temporada, pequenos momentos de desconexão com a realidade e uma ligação furtiva para um neurologista plantaram as sementes de uma suspeita que o episódio das oito da noite finalmente colhe com maestria. Quando ela entrega a Robby um prontuário para uma segunda opinião, o espectador percebe, junto com ele, que se trata de sua própria ficha médica. A revelação de que ela sofre de um distúrbio convulsivo há mais de três décadas, uma sequela de uma inflamação viral das meninges contraída na infância, ressignifica cada olhar perdido e cada pausa hesitante da médica. Não era incompetência ou arrogância; era o terror silencioso de um cérebro que pode traí-la a qualquer momento. O momento em que Robby tira os óculos e pergunta suavemente se aquela ficha é dela captura a essência do que torna The Pitt tão distinta no saturado gênero dos dramas médicos. Em meio ao caos de um plantão que nunca termina, o que realmente importa são esses momentos de vulnerabilidade compartilhada, onde dois profissionais exaustos e quebrados se reconhecem não como concorrentes, mas como sobreviventes de uma mesma guerra silenciosa.


Ao final dessas duas horas cruciais, a temporada se equilibra perigosamente à beira do precipício. Não há um grande vilão ou uma catástrofe em massa para unir a equipe contra um inimigo comum. O inimigo está dentro de cada um deles, escondido nas dobras do cansaço, do trauma não resolvido e da solidão que ecoa pelos corredores iluminados do hospital. A pergunta que ecoa não é se Robby vai sobreviver ao seu período sabático de motocicleta, mas sim qual versão dele retornará, se é que retornará. A série, com uma escrita afiada que deve muito ao roteiro do próprio Noah Wyle neste último episódio, prova que a verdadeira emergência médica de nossa era não está apenas nos corpos que chegam em macas, mas nas almas daqueles que juram salvá-los. A caminho do encerramento da temporada, The Pitt nos deixa com a sensação incômoda de que alguns corações, uma vez partidos pelo peso do jaleco, podem nunca mais voltar a bater no mesmo ritmo. "

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