quarta-feira, 8 de julho de 2026

(1960-1967: SEGUNDA FASE DOS FILMES SCIFI) [SCIFI]

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(1960-1967: SEGUNDA FASE DOS FILMES SCIFI)

FILMES DE 011 A 026 AQUI

A segunda fase da nossa revisão, que abrange os filmes de 011 a 026 da nossa lista, promete uma expansão radical dos horizontes da ficção científica, levando o gênero para territórios até então inexplorados pela primeira fase. Se os anos de 1950 foram dominados pelo medo do invasor externo e pela alegoria política da guerra fria, a década de 1960 trouxe uma sofisticação narrativa e uma ousadia formal que transformaram a ficção científica em um laboratório para as mais vanguardistas experimentações cinematográficas... O pontapé inicial vem com Last Year at Marienbad (1961), de Alain Resnais, uma obra-prima do cinema moderno que, embora raramente classificada como ficção científica [Mas não na nossa lista!], é uma perturbadora exploração do tempo, da memória e da realidade, um quebra-cabeças surreal que desafia qualquer noção convencional de narrativa... Em contraste, The Day the Earth Caught Fire (1961), novamente de Val Guest, retorna ao terreno mais familiar do desastre ecológico, mas com uma ambição que prenuncia o cinema catástrofe, utilizando o jornalismo investigativo como fio condutor para uma trama sobre as consequências climáticas da guerra nuclear... E então surge La Jetée (1962), de Chris Marker, um dos filmes mais originais/influentes já feitos, construído quase inteiramente com fotos estáticas, que conta uma história de amor e viagem no tempo em uma Paris pós-apocalíptica, provando que a ficção científica pode ser tão econômica quanto poética... A segunda fase não teme o hibridismo: The Manchurian Candidate (1962), de John Frankenheimer, é um thriller político sobre lavagem cerebral que funciona como uma ficção científica sombria sobre a manipulação da mente humana, enquanto The Damned (1962), de Joseph Losey, produzido pela Hammer Films, é uma obra estranha e subestimada (Muito subestimada!) que mistura drama, horror e ficção científica em uma conclusão desoladora sobre a Guerra Fria.

A diversidade da segunda fase é o seu maior trunfo... Icarus XB-1 (1963), do tcheco Jindrich Polák, é uma joia meio esquecida [Mas não por nós!] do leste europeu que (em certo sentido) antecipa a estética de 2001: A Space Odyssey com sua nave especiosa, tripulação internacional e uma jornada interestelar que confronta os legados destrutivos do século XX... Ao mesmo tempo, o cinema B americano sessentista encontra talvez o seu auge em X: The Man with the X-ray Eyes (1963), de Roger Corman, uma pérola do terror cósmico sobre um médico que adquire visão de raio-X e descobre verdades que a mente humana não deveria jamais contemplar... O ano de 1964 é talvez o mais extraordinário da década para o gênero, com dois filmes que encaram a ameaça nuclear de ângulos opostos e complementares. Doctor Strangelove (1964), de Stanley Kubrick, é a comédia sombria definitiva sobre a absurda lógica da dissuasão nuclear, um tratado de humor ácido que transforma a sala de guerra em um manicômio e o apocalipse em uma piada de mau gosto. Fail-Safe (1964), de Sidney Lumet, é o seu reverso sombrio: um drama documental e tenso sobre um erro mecânico que desencadeia um ataque nuclear acidental, onde não há vilões, apenas seres humanos falíveis e as máquinas que construíram. Juntos, esses dois filmes formam um díptico indispensável sobre a paranoia nuclear que definiu a Guerra Fria... A segunda fase ainda reserva surpresas em 1965: The War Game (1965), de Peter Watkins, um falso documentário tão brutal e realista sobre os efeitos de uma bomba nuclear na Inglaterra que foi banido pela BBC por mais de vinte anos; Alphaville (1965), de Jean-Luc Godard, que transforma uma Paris noturna em uma distopia tecnocrática governada por um computador que aboliu a poesia e o amor; e Planet of the Vampires (1965), de Mario Bava, uma obra inesquecível do terror gótico espacial que prenuncia (Para dizer o mínimo!) o visual sombrio de Alien, com suas naves fantasmagóricas e uma ameaça extraterrestre que manipula os corpos dos astronautas... Em 1966, o gênero alcança novos patamares de ambição existencial com Seconds (1966), de John Frankenheimer, uma parábola sobre um homem de meia-idade que aceita uma cirurgia plástica radical para recomeçar a vida, apenas para descobrir que a fuga de si mesmo é impossível; The Face of Another (1966), de Hiroshi Teshigahara, uma meditação filosófica sobre identidade e alienação, onde um homem com o rosto desfigurado usa uma máscara perfeita e perde o contato com sua própria humanidade; e Fahrenheit 451 (1966), de François Truffaut, a adaptação visual e melancólica do romance de Ray Bradbury sobre uma sociedade que queima livros... Para encerrar esta nossa segunda fase temos uma obra maiúscula do terror arqueológico/cósmico, Quatermass and the Pit (1967), dirigido por Roy Ward Baker (no lugar de Val Guest!) para a Hammer Films, que leva agora o professor Bernard Quatermass a uma escavação em Londres que desenterra uma nave alienígena alí há milhões de anos, revelando que a própria evolução humana foi moldada por uma inteligência exterior parasita e "demoníaca" (no sentido de "...ter dado origem a.."), um épico de ficção científica que sintetiza o medo da herança genética e a manipulação das origens, fechando com chave de ouro (e no seu auge) a trilogia do icônico cientista que começou com The Quatermass Xperiment em 1955.

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