sexta-feira, 24 de julho de 2026

STRANGE NEW WORLDS S4 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Valles Marineris [**]
02 The Griffin Incident [**1/2]
03 Human Best Friend [ZERO ESTRELA]
04 A Case of Chiaroscuro [ZERO ESTRELA]
05 Level-Five Transporter Accident [ZERO ESTRELA]
06 Off-Hour [**1/2]
07 Like Chronitons Through the Hourglass []
08 Orders of Magnitude []
09 Once La'An a Time []
10 Tomorrow's Enterprise []

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CASTANHADAS

--- 04X01 ---

Vários meses atrás, com a divulgação do teaser do presente episódio, já nos era óbvio o loop temporal. Alguém da produção pensou o mesmo e inseriu um recheio pelo menos dez vezes mais insano nessa facilmente antecipável superestrutura. Tudo isso para funcionar nos seus termos precisa de muita ciência ruim ("Dentro e fora do universo Trek") e de uma importância auto imposta que borbulha antipatia (Isso é um ponto importante: "Síndrome de universo pequeno" nem começa a explicar o besteirol que acontece aqui.).

Outras coisas: Saffron Burrows é a melhor coisa do episódio (apesar do seu modelito no melhor estilo de SPACE:1999 e da ciência desta semana idem) ; Promoção esperada de UNA ; Spock & Laan ainda juntos (!?) ; Pelia insuportável como sempre (e com ainda mais uma referência  sem sentido a Doctor Who) ; A introdução da insuportável estagiária clichê de Uhura ; Scotty e Ortegas postos a faiscar (esperamos que não seja sinal de ainda mais um relacionamento) e O começo do arco obrigatório sobre o real motivo de se colocar sobrenome tão ilustre em Jornada em Laan.

Em tempo #01: Será que esse "DNA Marciano" (ou mesmo o dos insetóides) vai dar as caras por aí em alguma história?

Em tempo #02: Existe ainda algo que nos escapou em um primeiro momento sobre a história do longa-baseado-em-serial Quatermass and The Pit (1967): "A origem da humanidade: A grande revelação da história é que, há 5 milhões de anos, insetos marcianos altamente evoluídos vieram à Terra e alteraram geneticamente os macacos primitivos. Eles fizeram isso para dar um "salto" na evolução humana, inserindo inteligência e habilidades psíquicas nos terráqueos para que o legado de Marte continuasse vivo após a extinção de seu próprio planeta."

--- 04X02 ---

Como na temporada passada (com os Vezdas e cia.), vemos aqui mais uma vez Star Trek tendo um flerte com o Terror Cósmico (flertes esses que ocorrem desde 1966 com o segundo piloto de TOS: Where no Man Has Gone Before). O episódio tenta equilibrar o registro típico do Terror (Cósmico), que normalmente repele exposições e explicações em geral, com o de Star Trek, que parece necessitar desesperadamente delas (*). Eventualmente o primeiro registro se faz dominante, estabelecendo economicamente os conflitos culposos dos três: Kirk se vendo incapaz de participar da vida de David , Spock percebendo-se cada vez mais distante da sua herança lógica Vulcana e Laan sendo confrontada com o medo de falhar na proteção de sua família adotiva ou, pior ainda, ser o próprio agente causador dessa destruição. Valendo comentar ainda que o ponto focal da coisa toda parece mesmo ter sido a paranoia latente de Harper [Ainda que o episódio não explicite claramente nenhuma travessia para além do limiar como foi feito em Where no Man Has Gone Before.]. Enfim, como estamos falando de um episódio de Star Trek apesar de tudo, temos enormes coletas de lixo com cada um dos três ao apagar das luzes, diluindo a experiência. ... O episódio perde pontos também por ser muito derivativo afinal, estabelecer uma (mal refletida) divisão da Frota Estelar especializada no paranormal (!?) e mais uma vez se alongar demais em geral.

(Finalmente vimos os episódios lançados da nova série de Ghost In The Shell nesta semana, franquia essa famosa por não fazer exposições/explicações e tomar/retomar a ação in media res... Posto isso, ficamos chocados com a exposição que puseram na boca de Laan sobre a Divisão 12.)

Em tempo #01: Obviamente a presença de Kirk é novamente absurda mas inevitável dentro do atuais objetivos dos showrunners, como já discutimos anteriormente.

Em tempo #02: O registro base geral de Doctor Who é SIM o de uma série de ficção científica espaço-temporal de aventura/exploração PORÉM motorizada dramaticamente como uma série de Terror (como bem disse certa vez o showrunner Steven Moffat sobre a série: (idealmente) "... a mais assustadora possível história para crianças ..."). Em particular a sua típica atitude de sempre trazer o paranormal/sobrenatural do alienígena vem de Quatermass (que aliás mencionamos no episódio anterior de SNW) [Em Doctor Who são comuns: um certo Gótico (Tecnológico) Explicado e um certo Terror Corporal Explicado.] ... Posto isso, é fácil (e até natural) entender a utilização de Buffy como referência base para modernizar Doctor Who em 2005 (Meio que Terror pedindo conselho para Terror, ainda que a típica atitude quanto a origem do paranormal de Quatermass/DoctorWho não se aplique necessariamente a Buffy.).

--- 04X03 ---

Strange New Worlds apresentou o seu pior episódio de todos os tempos nesta semana... O problema central aqui é o impossível RESORT em que todo mundo fica chapado 24/7 sem suporte médico e sem segurança. Esse lugar impossível é que permite que o episódio se desenrole nos seus termos, mas, sem a mínima consistência de representação dramática, nada aqui pode ser levado a sério, especialmente o humor... Contribuem ainda para a negatividade de verossimilhança: as atitudes incompreensíveis de PIKE (de levar todo o seu Turno Alfa para ficar LITERALMENTE doidão no planeta impossível às vésperas de uma missão diplomática), a absoluta falta de comunicação com a nave durante tal "folga", e depois de volta a Enterprise: a falta de um mero pedido de adiamento da cerimônia inaugural , a incapacidade da (usualmente) mágica enfermaria "restaurar" um bando de amaconhados E a inutilidade de Ortegas, incapaz de apertar um botão na parede, invocar alerta vermelho e o esquadrão antibombas... O episódio assim se torna tedioso, interminável e sem propósito e apesar dos irrepreensíveis créditos técnicos da diretora Yana Gorskaya (em montagem e em direção), o andamento do segmento é horroroso, se movendo aos solavancos, cheio de falsas paradas e dependendo muito da colagem de esquetes.

Adendo #01: A historinha de Scotty & Ortegas, baseada em uma certa EMPATIA PARA INICIANTES, é infantil e sobrecozida. Ela apresenta ainda a Enterprise como uma dama frágil, mas 60 anos de franquia contam outra história. Esta caracterização juvenil de Scotty apresentada como fazendo parte da continuidade de TOS é absolutamente lamentável.

(Pelo menos a Pélia sumiu!)

Adendo #02: Impossível não notar uma proximidade com o registro de Star Trek: Lower Decks no presente segmento... Os detalhes não serão dados aqui, apenas diremos que: Chapel foi usada para canalizar a doutora T'Ana de LD (reparem na postura de quatro apoios de vários personagens na sequência do bingo, por exemplo), Spock foi de certa forma T'Lyn e Pike meio que fez um Ransom. Boimler e Mariner foram projetados em Scotty e Ortegas obviamente. E Laan foi algo como o Bajoriano Shaxs, chefe de segurança da Cerritos. Entre outros paralelos possíveis. 

Adendo #03: E parece (e isso é apenas um palpite) que Kathryn Lyn escreveu em formato sitcom como um episódio duplo (como se fosse mesmo para Lower Decks)... O ponto de quebra parece ser lá pelos 23' que fica justamente no instante: da ida de Ortegas-Scotty para irem se encontrar com Laan e do retorno do KIRK real, cujo diálogo com Spock inclusive alude ao título do episódio de SNW.

(E tivemos ainda mais uma participação absurda de KIRK, algo que já parece fazer parte da intenção cômica do staff de roteiristas, pelo menos aqui. Depois do artificial elo mental entre os dois para pilotar a nave no episódio 3X10, chegamos as confidências de Spock fora de câmera. Drama Orientado aos Personagens, a gente NÃO VÊ por aqui!)

--- 04X04 ---

Com a aproximação do já tão temido "episódio dos marionetes", a série corre o risco de cravar uma "Trilogia sem Estrelas" na sua penúltima temporada... Esta Castanha dormiu em sua primeira tentativa de assistir ao segmento desta semana e confessamos que completar tal ato foi uma tarefa árdua...

Para uma velha Castanha, fanática pelo recorte NOIR clássico, encarar esse preto e branco sem vergonha, aparentemente sem preparação alguma em pré produção e com um irritante "difuso vapor de luz" em cena (algo bastante irônico se levarmos em conta o título do episódio), foi deveras difícil (daí explicando o sono imediato)...  A recente série Spider Noir teve SIM preparação em pré produção (e mesmo na produção) para conversar melhor com o período clássico mas, apesar de resultados MUITO superiores comparativamente, ainda percebemos nela um certo ar de "Noir de Shopping", muito limpo e artificial... Por isso dizemos que o preto e branco atrapalha o episódio de SNW desta semana, sendo no mínimo uma distração e no máximo uma versão tosca e descuidada da estética alvo... O PB atrapalha e/ou limita inclusive a própria estética retro futurista (desavergonhadamente humana e referida ao início do século vinte) apresentada no episódio (um certo Diesel Punk marcado pelo desvio histórico da sobrevida dos dirigíveis). Mas, infelizmente para o episódio, existem CENTENAS de experimentos estéticos análogos feitos (via IA) por fãs no YouTube (alguns até bem interessantes).

Para a trama funcionar nos seus termos: UNA tem que ser idêntica (idêntica capaz  de enganar biometria SCIFI) a colaborada chefe da ocupação de KOR que é ao mesmo tempo a chefe da resistência local (contra essa mesma ocupação) E ser capaz de enganar "partindo a frio e sem preparação de nenhuma espécie" ambos os lados (além da original ter coincidentemente acabado de morrer e o seu cadáver estar dentro de uma bio câmara no seu escritório). O que parece uma MUITO CÍNICA INVOCAÇÃO  do conceito de Dopellganger do NOIR (do Gótico, do Terror, do Expressionismo)... Além disso a outra parte mais trabalhosa da trama é resolvida com um falso ato falho de KOR na frente da Uhura... Então o que deveria ser um roteiro complexo e de pesada construção de mundo precisou de uma trama B a bordo da Enterprise, TAMBÉM RETRATADA EM PRETO E BRANCO, para compor uma hora televisiva.

(O assim chamado arco de Laan foi destruído pela amalucada reordenação dos episódios, a correta é 1-3-4-2, assim fica até difícil de comentar... Terminamos com pelo menos: uma estagiária vulcana quebrando a cadeia de comando , um (a) capitão estelar e Chapel cometendo fraude , Laan prevaricando , Pike fazendo a egípcia para tudo isso I e MBenga casualmente confessando ainda mais um massacre. Além de Una ("UNA LATERALMENTE") provocando uma revolução num planeta sob domínio Klingon e Pike fazendo a egípcia para tudo isso II ... Grande dia para a Frota Estelar... Grande dia para a produção de SNW.)

( Confiram a nossa pré-lista de filmes NOIR aqui . )

( Para o melhor exemplo NOIR em Star Trek confiram o podcast de Necessary Evil aqui .)

( Para a cena do Clássico Casablanca que foi assassinada no episódio confiram aqui . )

( Para a cena da obra prima La Grande Illusion que inspirou a de Casablanca: aqui . )

( Para uma melhor versão do episódio do planeta em preto e branco e feita por fãs: aqui . )

--- 04X05 ---

Discutivelmente o pior episódio de toda a Era Kurtzman de Star Trek. Uma espécie de "Cérebro de Spock Pós Moderno" (TM). Algo que algum funcionário da produção poderia tentar defender cinicamente como uma análise psicológica do personagem mas que é meramente um MEME (ou uma FONTE DE CORTES) tamanho família... Nada mais do que um velho esquete de TV de menos de 10 minutos (no máximo!) esticado para inacreditáveis 54+... O episódio SEQUER tem a competência/decência de estabelecer propriamente o adormecer e o despertar de Spock (e rastrear o POV do personagem)... A ironia maior é que os caras (Goldsman e cia.) tem (talvez!) um dos CINCO MAIS ICÔNICOS PERSONAGENS DA HISTÓRIA DA TV e a única coisa que eles pensam em fazer com ele é reciclar a trama do polígono amoroso (WTF!? Que fixação!) e sempre a ela retornar de alguma forma (*) ... O cara alucinou em três dos últimos 4 episódios, terminou com a Laan neste e antes do reset button do "tudo era um sonho" ele já tinha cometido um beijo francês com a Pupet'pring (!!!). Esse filho do Sarek é incorrigível mesmo (risos)...

(*) (E sabemos que pedimos por um payoff dos acontecimentos da Griffin e aqui tivemos: Laan termina com Spock e Spock reata com T'Pring... Parece sacanagem!)

E ainda:

- Lamentamos a infantilização de Scotty que parece ser filho de Kirk em SNW (apesar disso contradizer a continuidade adotada explicitamente!);

- Lamentamos a sobrevida de Pelia;

- Lamentamos a pavorosa retroprojeção estática logo quando Spock chega ao Hangar. Idem para o desaparecimento do resto da tripulação da Enterprise (menos da Pelia);

- Se os bonecos não respiram, como eles falam? E se eles falam por esse método indeterminado, o que modifica as suas vozes em relação as originais?

- E mais uma vez a cena da morte de Spock é assassinada em Live Action!

PFV => Projeções futuras Vulcanas:

O que falta para o velho "Orelha Pontuda"? Spock e Kirk no bromance hetero afetivo (obviamente!) na cama? As três (Chapel , Laan e TPring) comentando sobre o pênis verde (será?) do Spock? O encosto da Griffin ser "real" (e ter aderido ao boneco do Scotty) e precisar de um exorcismo Vulcano? ... E quem sabe até roubarem o cérebro do Vulcano para ter o seu corpo acéfalo telecomandado por um monte de Amazonas Gostosas (risos)?

--- 04X06 ---

Talvez o melhor episódio da temporada até aqui, o que não quer dizer muita coisa, vide a reinante baixa qualidade dessa quarta leva de aventuras... O liquidificador pós moderno da terceira era de Star Trek aqui bateu (junto com o leitinho da estética da série 24) momentos desastrosos da história da franquia: de Court Martial até Threshold, passando por ST:TMP, Disaster e Starship Down (entre outros), o que garante a animação dos trabalhos mas as costuras feitas são deveras visíveis e feitas com linhas bem grossas.

(O uso da forma de 24 acaba sendo deletério para o episódio em questão pois sublinha que pode ser feita SIM a síntese das suas influências, consistente e dramaticamente motivada, sem rebarbas, de maneira específica e claramente identificável como algo NOVO... Além de tal utilização ser uma distração aqui obviamente!)

O ritmo do segmento é atrapalhado por: Pélia, conveniências de trama, ciência ruim e/ou inconsistente, além (é claro!) da partícula bombril que enche o tanque da Enterprise ao mesmo tempo que costura homens serrados ao meio (*) ... O episódio é motorizado por uma certa pornografia de competência, especialmente estrelando:  Scotty e Chapel. O engenheiro recebe uma inusitada "história de origem" que colide com a sua aqui inconsistente caracterização em continuidade como tenente júnior (entre outras coisas). É dito que a enfermeira decide ficar a bordo da NCC1701 pelos eventos do episódio, o que não parece ser a história contada lá em What Are Little Girls Made Of?. 

(*) (Episódios de Desastre não são normalmente fortes em caracterização e aqui não é diferente, ficando na superficialidade... Tais episódios também não funcionam muito bem com personagens com armadura de trama, condição aqui extremada por se tratar de uma série precursora da TOS... A velha falsa encrenca e falta de consequência de sempre, infelizmente... M'Benga deveria ter morrido aqui e o "Procedimento Chapel" utilizado na sua ressureição quase arrancou umas risadas cínicas dessa veterana Castanha.)

E ainda:

* Brian Markinson aqui interpreta o extremamente sisudo Doutor Boyce (aquele mesmo de The Cage agora curiosamente retornando a Enterprise). Para os Niners, Markinson é carinhosamente lembrado como o Doutor Elias Giger do clássico episódio In The Cards da quinta temporada de DS9. Será que foram os "Desalmados Minions da Ortodoxia" que sabotaram a Enterprise (risos)?

(Os Niners ainda poderiam observar que o episódio se passa quase todo com a Enterprise dentro de um wormhole sob uma torrente sem fim de neutrinos!)

* E  é claro que a lesão de M'Benga lembra INSTANTANEAMENTE o monumental episódio Subway da sexta temporada da série Homicide... Tal episódio de 29+ anos é frequentemente considerado um dos momentos mais marcantes da história da televisão. A trama acompanha o detetive Frank Pembleton (Andre Braugher), que é chamado para investigar o caso de um homem chamado John Lange (Vincent D'Onofrio), acidentalmente ou propositalmente empurrado e que acaba preso entre um vagão e a plataforma do metrô. Como Lange sofrerá ferimentos fatais e morrerá assim que o trem for movido, Pembleton passa as horas finais da vida da vítima ao seu lado, tentando não apenas descobrir quem cometeu o crime e entender o que aconteceu, mas também lidar com a dura realidade de confortar um homem que lentamente aceita seu destino inevitável. O episódio se destaca pelo seu tom quase em tempo real, atmosfera claustrofóbica e um debate profundamente filosófico e emocional, impulsionado pelas atuações brilhantes que constroem uma conexão inesquecível entre o detetive e a vítima antes do seu trágico desfecho.

--- 04X07 ---

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