sexta-feira, 24 de julho de 2026

THE ODYSSEY (2026)

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THE ODYSSEY (2026) [172'] [1.43:1] [★★★]

A chegada de The Odyssey às telas, em julho de 2026, representa o mais ambicioso empreendimento de Christopher Nolan mesmo comparado a Oppenheimer que lhe conferiu o Oscar de melhor direção e consagrou sua abordagem do cinema como experiência total. Se naquela ocasião o cineasta britânico mergulhou na consciência torturada do físico que desvendou o átomo, aqui ele transpõe para a Antiguidade grega uma indagação similar: o que faz um homem que concebeu uma arma de destruição em massa – no caso, o Cavalo de Troia – quando percebe que sua engenhosidade condenou inocentes e redefiniu os parâmetros da guerra para sempre? O filme, portanto, não é uma adaptação convencional do poema de Homero, mas antes um diálogo tenso e por vezes contraditório entre a épica milenar e as obsessões que atravessam a filmografia de Nolan desde Memento: a fragmentação do tempo, a memória como prisão, a culpa como motor da ação e a impossibilidade de retornar ao estado anterior de inocência. The Odyssey se distingue de Interstellar, A Origem e Dunkirk porque sua estrutura não-linear não serve a um enigma científico ou a uma estratégia de suspense, mas à erosão gradual da identidade de seu protagonista. Ao mesmo tempo, o filme reforça os vieses autorais do diretor ao transformar a jornada de Odisseu em uma espiral de flashbacks e relatos contraditórios, nos quais o herói se revela um narrador de confiança duvidosa, intoxicado por narcóticos do esquecimento e assombrado pela certeza de que suas escolhas aniquilaram não apenas seus companheiros, mas também a própria ordem civilizatória que julgava defender... Nesse sentido, a obra se insere no mundo de 2026 como uma reflexão sobre o fim das certezas – o ocaso de uma era que se autodenominava civilizada e que, como a Grécia micênica retratada na tela, assiste à ruína de suas leis fundamentais. Nolan, ao escolher como tema central a chamada “Lei de Zeus”, o princípio sagrado da hospitalidade (xenia) que Odisseu viola ao introduzir o Cavalo de Troia, estabelece um paralelo inquietante com o momento contemporâneo: o ardil que venceu uma guerra também corrompeu o código ético que sustentava a comunidade humana, e o filme se pergunta se é possível reconstruir qualquer coisa sobre os escombros de uma trapaça que manchou para sempre o conceito de honra. Essa interrogação, porém, ganha contornos menos filosóficos do que poderiam sugerir as pretensões do diretor, pois o tratamento dado aos deuses – reduzidos a aparições esparsas de Atena (Zendaya) e a menções vagas a Zeus e Poseidon – esvazia o poema de sua dimensão sobrenatural e transfere todo o peso dramático para a psique atormentada de um único homem, tornando a épica mais modesta e, paradoxalmente, mais dependente do carisma de seu intérprete principal do que da grandeza cósmica que o texto original inspira.

A trama, tal como Nolan a concebe, inicia-se não no fim da guerra de Troia, mas em Ítaca, vinte anos após a partida do rei Odisseu (Matt Damon), com a mansão real invadida por pretendentes que "devoram os bens" do monarca ausente enquanto a rainha Penélope (Anne Hathaway) tece e destece um sudário para ganhar tempo, e o filho Telêmaco (Tom Holland), agora um jovem adulto, tenta, com a impetuosidade própria da idade, expulsar em vão os usurpadores. É a partir desse presente estagnado que o filme desdobra, em sucessivos analepses, a odisseia propriamente dita – uma sucessão de episódios que o roteiro encadeia com a urgência de quem teme não dar conta do relato: o encontro com o Ciclope Polifemo, cuja cegueira provocada por Odisseu enfurece o seu pai Poseidon; o confronto com os Laestrigônios, gigantes antropófagos que destroem a frota; a passagem pela ilha de Circe (Samantha Morton), feiticeira que transforma os homens em porcos e que, depois de subjugada, orienta Odisseu ao Hades; a descida ao mundo subterrâneo dos mortos, onde o herói encontra o profeta Tirésias e os fantasmas dos camaradas caídos, incluindo Sinon (Elliot Page), o soldado cujo sacrifício montando guarda no cavalo de madeira ainda o atormenta; o canto das Sereias, que o herói enfrenta tapando os ouvidos de sua tripulação com cera (e se amarrando ao mastro); a passagem entre Cila e Caríbdis, na qual seis homens são devorados; o extermínio do gado sagrado de Apolo por seus comandados famintos, que provoca a ira divina e a destruição final da última nau restante; e, por fim, o longo cativeiro na ilha de Calipso (Charlize Theron), onde flores de lótus apagam suas memórias até que a ninfa, por razões que o filme nunca esclarece completamente, o ajuda a recordar e a retomar a viagem. Em Ítaca, já disfarçado de mendigo, Odisseu reencontra Telêmaco, tramam juntos o massacre dos pretendentes e, no clímax, o rei verga o arco que nenhum outro consegue entesar e desfere a flecha que atravessa doze machados, sinal para o banho de sangue que se segue. O filme, contudo, não termina na reconquista do trono: após matar os usurpadores (usurpadores que não se ajoelham bem entendido!), Odisseu conclui que violou novamente a lei de Zeus ao derramar sangue de hóspedes em seu próprio lar, e, em um gesto que Nolan apresenta como expiação voluntária, entrega o cetro a Telêmaco e parte para o Ocidente com Penélope, navegando em direção ao pôr do sol para honrar os companheiros que pereceram e cumprir uma tradição ancestral da jornada heroica – o exílio auto imposto como preço pela consciência culpada... Os temas principais do longa são, portanto, a culpa do sobrevivente, a fragilidade da memória como testemunha fiel e o colapso dos códigos morais que sustentam a civilização; Odisseu, longe do astuto e eloquente rei homérico, é aqui um homem taciturno e vacilante, cujos conflitos interiores – entre o dever de voltar para casa e o horror de encarar sua própria imagem – o paralisam repetidamente, enquanto Penélope, confinada ao papel de espera e resistência passiva, e as demais figuras femininas (Circe, Calipso, Atena, Helena) funcionam menos como personagens plenas do que como espelhos ou obstáculos para a angústia masculina, com a notável exceção de Circe, cujo segmento de terror corporal oferece a única inflexão verdadeiramente original da narrativa.

É precisamente nesse segmento, que ocupa cerca de vinte minutos da metade final do filme, que a linguagem audiovisual de Nolan atinge seu ponto mais alto e mais perturbador. A sequência em que Circe, interpretada por Samantha Morton com uma intensidade que destoa do registro contido do restante do elenco, estende a mão sobre os homens de Odisseu e os transforma em suínos não se vale de efeitos digitais ostensivos, mas de uma coreografia de metamorfose tátil, na qual a pele dos atores parece derreter e remodelar-se sob a pressão invisível da magia, enquanto a câmera de Hoyte van Hoytema, operando com as novas câmeras IMAX 70mm de peso reduzido, enquadra o processo em primeiríssimos planos que amplificam o horror e a estranheza do instante. Morton, cuja performance foi descrita pelo próprio Nolan como o fulcro sobre o qual o filme viveria ou morreria, imprime a Circe uma ambiguidade fascinante – uma feiticeira que não é nem vilã nem salvadora, mas uma figura de sabedoria antiga e amargurada que enxerga, antes do próprio Odisseu, a podridão moral que ele carrega, e que o submete a uma provação de humilhação e reconhecimento que nenhum outro episódio da jornada oferece. Esse trecho, no entanto, expõe também as limitações impostas pela escolha técnica do diretor: as câmeras IMAX, embora proporcionem uma nitidez e uma profundidade de campo impressionantes nas paisagens escocesas, islandesas e marroquinas, revelam-se desajeitadas nas sequências de ação mais dinâmicas, como o ataque dos Laestrigônios ou a batalha final no salão de Ítaca, onde os movimentos de câmera parecem constrangidos pelo tamanho e pelo ruído dos equipamentos, e a montagem de Jennifer Lame, forçada a recorrer a cortes mais rápidos e fragmentados para disfarçar as limitações de tomada, compromete a fluidez coreográfica que se esperaria de um épico de espada e sandália... A fotografia de van Hoytema, todavia, compensa em parte esses tropeços com seu tratamento da luz natural – o crepúsculo dourado sobre o mar Egeu, a penumbra opressiva da caverna do Ciclope, o negrume vulcânico das praias de Hades – e a trilha sonora de Ludwig Göransson, composta sem orquestra tradicional e baseada em instrumentos da Idade do Bronze, como aulos e gongos de metal, cria uma textura sonora arcaica e áspera que raramente se impõe sobre a imagem, mas que nos melhores momentos (a chegada a Circe, a travessia do Estige) evoca um mundo de rituais e presságios que o roteiro, infelizmente, não sustenta com a mesma convicção... As atuações, de modo geral, refletem o que se poderia chamar de “síndrome do elenco de figurinhas carimbadas”: Matt Damon, robusto e grave, transita com competência entre a vulnerabilidade e a ferocidade, mas seu Odisseu parece mais um veterano do Afeganistão perdido em uma fantasia grega do que um rei micênico; Tom Holland, como Telêmaco e certamente um elo mais fraco aqui, esforça-se para abandonar a sombra do Homem-Aranha, mas sua adolescência tardia soa mais contemporânea do que heroica; Robert Pattinson, no papel do pretendente Antínoo, entrega uma maldade de manual, com sorrisos sarcásticos e olhares de desdém que funcionam melhor no cartaz do que na tela; Anne Hathaway, contida e digna, tem pouco a fazer além de reprimir lágrimas e tecer olhares significativos; e Charlize Theron, como Calipso, parece ter saído diretamente de um anúncio de perfume de luxo, pairando sobre a praia com uma indiferença que beira a autoparódia. Apenas Morton, com sua Circe de movimentos felinos e voz de cetro, escapa ao aplainamento generalizado e confere ao filme a centelha de imprevisibilidade que o restante da produção, por mais suntuosa que seja, raramente alcança.

Ao final de suas quase três horas de duração, The Odyssey de Christopher Nolan deixa no espectador a sensação ambígua de ter testemunhado um espetáculo grandioso e, ao mesmo tempo, insuficientemente habitado – uma catedral de imagens cujos vitrais contam uma história que o diretor parece não querer ou não conseguir abraçar por completo. O veredicto do filme sobre seus temas principais é melancólico e resignado: a culpa não se redime, a memória é um fardo que se carrega para o exílio e a civilização, uma vez corrompida por seu próprio ardil, não pode ser restaurada, apenas transmitida a uma nova geração (Telêmaco) que talvez cometa os mesmos erros. Odisseu, ao partir para o Ocidente, não encontra a paz, mas uma trégua negociada com seu passado, e Penélope, ao segui-lo, abdica do trono que preservou por duas décadas para compartilhar uma penitência que não lhe pertence – um desfecho que, se por um lado honra a tradição das jornadas heroicas que terminam em despedida, por outro frustra a expectativa de recompensa emocional que o arco do personagem parecia prometer. O longa, portanto, impacta a obra de Nolan menos como um coroamento do que como uma encruzilhada: é seu filme mais pessoal e também seu mais desigual, aquele em que a ambição temática e a experimentação técnica colidem com as limitações de um material que resiste à psicologização moderna e com as escolhas de um elenco que, por mais talentoso que seja, nunca se despe de suas identidades contemporâneas para vestir a pele de deuses e heróis... O legado de The Odyssey provavelmente será duplo: para o grande público, permanecerá como a adaptação definitiva do poema homérico para as telas IMAX, um marco visual que redefine o que se pode fazer com a película 70mm; para os cinéfilos mais exigentes, ficará como um testemunho das fronteiras do cinema de Nolan, um diretor cuja obsessão pelo controle narrativo e pela integridade física da imagem encontra, justamente na matéria-prima mais arcaica da literatura ocidental, o seu limite mais revelador – porque, no fim, nem a mais poderosa das câmeras nem a mais intrincada das montagens podem substituir a simplicidade de um herói que, ao chegar em casa, descobre que o verdadeiro monstro sempre foi ele mesmo. É essa descoberta, contudo, que Nolan filma com uma honestidade sombria, e é por ela – e pela feitiçaria inesquecível de Samantha Morton – que o filme merece suas três estrelas, ainda que o caminho até elas seja tão tortuoso e acidentado quanto a viagem de seu protagonista.

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THE GHOST IN THE SHELL S1 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Prologue + Super Spartan i [***]
02 Super Spartan ii + Junk Jungle i [***]
03 Junk Jungle ii + Megatech Machine i + ii [***]
04 Robot Rondo [***]
05 Phantom Fund [***]
06 Dumb Barter [***1/2]
07 Bye Bye Clay [***1/2]
08 Intermission + Brain Drain i [***]
09 Brain Drain ii [***]
10 Brain Drain iii + Ghost Coast + Epilogue [***1/2]

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ANÁLISE

A temporada de estreia de The Ghost in the Shell, lançada em julho de 2026, representa um marco na trajetória do estúdio Science SARU e de sua equipe criativa, consolidando um momento de ascensão iniciado com o estrondoso sucesso de Dan Da Dan. O estúdio, fundado por Masaaki Yuasa e Eunyoung Choi, construiu uma reputação baseada em animação fluida, experimentalismo visual e narrativas que equilibram humor e emoção. Ao assumir a adaptação da obra seminal de Masamune Shirow, a Science SARU não apenas reforça sua vocação para projetos de alto risco criativo, mas também assume a responsabilidade de honrar um dos pilares da ficção científica japonesa. A direção da série fica a cargo de Moko-chan, que atuou como assistente de direção em Dan Da Dan e faz aqui sua estreia na cadeira principal. Essa escolha representa uma novidade significativa em sua carreira, ao mesmo tempo que mantém a continuidade estética e energética que definiu o sucesso recente do estúdio. A composição da série e os roteiros são assinados por EnJoe Toh, autor de ficção científica respeitado no Japão, conhecido por seu romance auto referencial ENGINE e por uma abordagem intelectual que dialoga diretamente com as complexidades filosóficas do material original. A presença de Toh traz uma camada de rigor conceitual que se alinha perfeitamente à densidade temática de The Ghost in the Shell, ao mesmo tempo que introduz uma novidade na filmografia do estúdio, que raramente havia trabalhado com um roteirista externo de formação tão acadêmica. O design de personagens e a direção executiva de animação ficam por conta de Shuhei Handa, cujo trabalho anterior em Scott Pilgrim Takes Off e Spriggan demonstra uma habilidade notável em traduzir estilos visuais distintos para a animação. A trilha sonora é uma colaboração entre Taisei Iwasaki, Ryō Konishi e Yuki Kanesaka, com Iwasaki assumindo a direção musical após seu trabalho premiado em Belle. Essa combinação de talentos posiciona a temporada como um ponto de convergência entre a experiência acumulada do estúdio e a energia de novos colaboradores, resultando em uma obra que reforça a identidade da Science SARU enquanto explora territórios narrativos mais sombrios e politicamente intricados do que seus projetos anteriores. No contexto da franquia The Ghost in the Shell, esta temporada se destaca por ser a primeira adaptação televisiva a se comprometer explicitamente com uma fidelidade quase integral ao mangá original de 1989 a 1991. Enquanto a aclamada versão de 1995, dirigida por Mamoru Oshii, optou por uma abordagem contemplativa e existencialista, e a série Stand Alone Complex dos anos 2000 expandiu o universo com tramas políticas originais, a produção de 2026 retorna às raízes da obra, adaptando capítulos icônicos como Super Spartan, Junk Jungle e Robot Rondo com uma precisão que agradou tanto aos fãs de longa data quanto a uma nova geração de espectadores. Essa escolha narrativa insere a temporada em um momento cultural específico, no qual a discussão sobre inteligência artificial, vigilância em massa e a fusão entre humanos e máquinas atingiu um novo patamar de urgência. Em 2026, quando a série foi lançada, o debate público sobre os limites da consciência artificial e o poder das grandes corporações sobre a vida privada estava mais acalorado do que nunca, e a obra de Shirow, escrita há quase quatro décadas, provou-se assustadoramente profética. A série dialoga com essa audiência contemporânea ao apresentar um mundo no qual a fronteira entre o orgânico e o sintético já se dissolvera completamente, e no qual a identidade individual se torna um campo de batalha político e existencial. Para a televisão como um todo, a temporada representa um exemplo de como adaptações de propriedades intelectuais consagradas podem ser realizadas com respeito ao material de origem sem sacrificar a acessibilidade para novos públicos. A decisão de lançar a série simultaneamente em mais de 240 países e territórios através do Prime Video, além de sua transmissão em 27 redes japonesas, evidencia uma estratégia de distribuição global que reflete as transformações do mercado de streaming na década de 2020. No que diz respeito ao mundo em geral, a temporada oferece uma reflexão perturbadora sobre o poder da informação e a fragilidade da memória individual em uma era de redes onipresentes. Os temas centrais da temporada incluem a natureza da consciência, a ética da manipulação mental, a corrupção do poder político e a busca por autonomia em um sistema que tende a reduzir os indivíduos a meros dados. Esses temas são desenvolvidos através de uma estrutura episódica que, embora adapte histórias autoconclusivas do mangá, constrói um arco narrativo coeso em torno da investigação sobre o misterioso hacker conhecido como Puppet Master. A série exige do espectador uma cognição ativa, recusando-se a oferecer exposição didática ou a explicar cada conceito de forma simplificada, o que a posiciona como uma obra que respeita a inteligência de seu público e não abre mão da sofisticação filosófica que caracteriza a franquia.

A história da primeira temporada de The Ghost in the Shell se desenrola em 2029, em uma Niihama City transformada por avanços acelerados em cibernética e redes de informação. Motoko Kusanagi, dublada por Maaya Sakamoto, é uma ciborgue de corpo inteiro que lidera uma unidade de combate de elite formada por indivíduos com modificações cibernéticas extensivas. A trama tem início quando Daisuke Aramaki, dublado por Kazuhiro Yamaji, um alto funcionário do Ministério de Assuntos Internos, recruta Kusanagi e sua equipe para formar a Seção 9 de Segurança Pública, uma força-tarefa destinada a combater crimes cibernéticos, terrorismo e ameaças à segurança nacional em um mundo onde a distinção entre humanos e máquinas se tornou praticamente inexistente. A equipe inclui Batou, dublado por Hiroki Yasumoto, um ciborgue com olhos protéticos e segundo em comando; Togusa, dublado por Yuichi Nakamura, o único membro sem modificações cibernéticas significativas, cuja humanidade serve como contraponto ético às ações da equipe; Ishikawa, dublado por Kousuke Goto, especialista em coleta de informações; Saito, dublado por Toru Nara, atirador de precisão; Borma, dublado por Atsushi Miyauchi, especialista em explosivos; e os Fuchikoma, veículos de combate com inteligência artificial (os adoráveis "tanques aranha" (individuais) da franquia), dublados por Tomoko Kaneda. Ao longo de dez episódios, a temporada adapta arcos clássicos do mangá, começando com o episódio Prologue + Super Spartan i, no qual Kusanagi e sua equipe frustram uma conspiração envolvendo um diplomata estrangeiro e um programa de lavagem cerebral. O episódio Super Spartan ii + Junk Jungle i apresenta a infiltração de um vírus no cibercérebro de uma intérprete do Ministro das Relações Exteriores, revelando a existência de um hacker misterioso conhecido como Puppet Master, capaz de invadir mentes cibernéticas e manipular pessoas como agentes involuntários. A trama se adensa nos episódios Junk Jungle ii + Megatech Machine i + ii, quando a equipe investiga uma série de ataques realizados por robôs promocionais e descobre uma conspiração corporativa envolvendo a Hanka Precision Instruments. O episódio Robot Rondo aprofunda a exploração da inteligência artificial senciente, apresentando robôs que desenvolveram consciência e são explorados por seus criadores. A narrativa atinge um ponto de virada em Phantom Fund, quando Kusanagi e sua equipe viajam para o extremo norte para monitorar o ciborgue de combate Koil Krasnov, revelando uma conspiração política de escala internacional. O episódio Dumb Barter introduz Paz, dublado por Yuya Uchida, um personagem cuja lealdade é ambígua (para dizer o mínimo), e aprofunda o envolvimento da Seção 6, uma agência de inteligência rival, com o Projeto 2501, o programa que deu origem ao Puppet Master. O clímax da temporada ocorre nos episódios Bye Bye Clay, Intermission + Brain Drain i, Brain Drain ii e Brain Drain iii + Ghost Coast + Epilogue, quando o Puppet Master, dublado por Kikuko Inoue, finalmente se revela como uma entidade nascida do mar de informações, um ser que não é nem humano nem simplesmente uma inteligência artificial, mas uma nova forma de vida que emergiu da rede global. O conflito central da temporada reside na tensão entre a busca de Kusanagi por identidade e propósito em um corpo que não é inteiramente seu, e a ameaça representada pelo Puppet Master, que desafia as noções convencionais de individualidade e consciência. A relação entre Kusanagi e Batou, marcada por uma camaradagem silenciosa e uma confiança mútua que transcende as palavras, oferece o contraponto emocional à frieza das conspirações políticas. O arco de Togusa, que luta para manter sua humanidade em um mundo que valoriza a eficiência cibernética acima de tudo, espelha a própria jornada de Kusanagi, que questiona se sua consciência, seu ghost, ainda pode ser considerada genuinamente humana após tantas modificações. A temporada culmina com Kusanagi perdendo seu corpo protético após ser atingida por um atirador de elite, reduzida a um cérebro ciborgue em uma maleta, e sendo forçada a confrontar o Puppet Master em uma fusão que dissolve as fronteiras entre suas identidades. Essa conclusão, deliberadamente ambígua, deixa claro que a personagem que emergiu desse processo não é mais simplesmente Motoko Kusanagi, mas algo novo, uma entidade que carrega em si tanto a humanidade quanto a alteridade radical do Puppet Master.

A realização audiovisual da temporada é um dos seus aspectos mais notáveis e demonstra como as escolhas de linguagem, direção e montagem servem diretamente à construção dos temas e personagens. A decisão de Moko-chan e da equipe da Science SARU de optar por animação tradicional desenhada à mão, em contraste com o uso pesado de CGI que marcou algumas das adaptações anteriores da franquia, revela uma compreensão profunda da materialidade do mangá de Shirow. O traço de Shuhei Handa, que mescla a estética detalhada e por vezes caricata do mangá original com uma fluidez contemporânea, confere aos personagens uma presença física que reforça a temática central da obra: a tensão entre a carne e o metal, entre o humano e o artificial. A paleta de cores vibrante, que se afasta deliberadamente do tom monocromático e sombrio da versão de 1995, cria um contraste instigante com a seriedade dos temas abordados, sugerindo que o mundo de The Ghost in the Shell não é apenas uma distopia opressiva, mas um espaço onde a beleza e o horror coexistem. A direção de Moko-chan demonstra uma confiança notável para um diretor estreante, alternando com habilidade entre sequências de ação frenéticas, como a perseguição dos Fuchikoma no episódio Junk Jungle, e momentos de contemplação silenciosa, como as cenas em que Kusanagi mergulha em sua própria consciência. A montagem, embora por vezes acelerada para acomodar a densidade de informações dos episódios iniciais, consegue estabelecer um ritmo que recompensa a atenção do espectador, construindo gradualmente o mistério em torno do Puppet Master e das conspirações políticas. As atuações de voz são um capítulo à parte. Maaya Sakamoto, que já havia dublado Kusanagi em Ghost in the Shell: Arise, retorna ao papel com uma interpretação que captura tanto a energia brincalhona e por vezes infantil da Motoko do mangá quanto a profundidade existencial que marca suas reflexões sobre identidade e mortalidade. Sua atuação é sutil o suficiente para transmitir as dúvidas e os medos de uma personagem que, apesar de sua força sobre-humana, permanece vulnerável em sua busca por sentido. Kazuhiro Yamaji confere a Daisuke Aramaki uma autoridade serena e uma sagacidade que equilibram a seriedade das situações, enquanto Hiroki Yasumoto, assumindo o papel de Batou após a morte de Akio Otsuka, entrega uma performance que honra o legado do personagem sem imitar seu antecessor. Yuichi Nakamura, como Togusa, traz uma vulnerabilidade comovente ao único membro da equipe que ainda se agarra à sua humanidade. A trilha sonora, composta por Taisei Iwasaki, Ryō Konishi e Yuki Kanesaka, é um dos pontos altos da produção. A música, que combina sintetizadores atmosféricos, percussão eletrônica e temas orquestrais, acompanha perfeitamente a dualidade da série, alternando entre a tensão das cenas de ação e a melancolia das reflexões filosóficas. O tema de abertura, Go Ghost, interpretado pela banda King Gnu, é uma peça energética e catártica que estabelece o tom da temporada, enquanto a canção de encerramento, Blue, do coletivo Millennium Parade com participação de Saya Gray e Daniel Caesar, oferece um contraponto etéreo e introspectivo. A fotografia, que utiliza planos abertos para retratar a vastidão da cidade de Niihama e closes intensos para capturar as emoções dos personagens, contribui para a construção de uma atmosfera que é ao mesmo tempo claustrofóbica e expansiva, refletindo a condição dos personagens presos em um mundo que é simultaneamente hiperconectado e profundamente solitário. O uso de recursos tridimensionais foi restrito a movimentos de câmera e sequências que seriam inviáveis de realizar apenas com técnicas bidimensionais, garantindo que a integração entre os elementos nunca comprometesse a coerência visual da obra. A direção de arte, com seus cenários detalhados e sua atenção às texturas dos ambientes, cria um mundo que parece ao mesmo tempo familiar e alienígena, um futuro que é extensão lógica do presente mas que carrega em si as sementes de sua própria destruição.

Em conclusão, a primeira temporada de The Ghost in the Shell, produzida pela Science SARU sob a direção de Moko-chan, com composição de EnJoe Toh, design de personagens de Shuhei Handa e trilha sonora de Taisei Iwasaki, Ryō Konishi e Yuki Kanesaka, representa um esforço bem-sucedido de traduzir para a linguagem da animação televisiva a complexidade e a riqueza do mangá original de Masamune Shirow. O veredicto final sobre a temporada é que ela cumpre com competência seu objetivo de oferecer uma adaptação fiel e acessível, ao mesmo tempo que preserva a sofisticação filosófica que tornou a obra relevante por quase quatro décadas. A série não busca superar a versão de 1995 de Mamoru Oshii, que permanece como uma obra-prima incontestável do cinema de animação, mas sim oferecer uma interpretação complementar que dialoga diretamente com o material de origem. Os temas principais da temporada, que incluem a natureza da consciência, a ética da manipulação mental e a busca por identidade em um mundo onde a fronteira entre humano e máquina se dissolveu, são tratados com uma seriedade que respeita a inteligência do espectador. Os personagens principais, particularmente Motoko Kusanagi e sua luta para compreender sua própria humanidade, Batou e sua lealdade inabalável, e Togusa e sua tentativa de preservar sua humanidade em um mundo que a considera obsoleta, são desenvolvidos com uma profundidade que vai além do que se esperaria de uma série de dez episódios. O conflito central, que opõe Kusanagi ao Puppet Master, é resolvido não através da destruição do antagonista, mas através de uma fusão que transforma ambos os envolvidos, sugerindo que a verdadeira transcendência reside na capacidade de abraçar a alteridade e de aceitar que a identidade não é uma essência fixa, mas um processo em constante evolução. O impacto da temporada para a franquia The Ghost in the Shell é significativo, pois estabelece um novo padrão de fidelidade ao material original que poderá influenciar futuras adaptações. Para a Science SARU, a série representa uma consolidação de seu prestígio como um dos estúdios de animação mais inovadores e ambiciosos do Japão contemporâneo, demonstrando que sua abordagem visual distintiva e sua disposição para assumir riscos criativos podem ser aplicadas com sucesso a propriedades intelectuais consagradas. Para a audiência, a temporada oferece uma porta de entrada acessível para um universo complexo e desafiador, ao mesmo tempo que recompensa os fãs de longa data com uma adaptação que finalmente faz justiça ao mangá. Para a televisão como um todo, a série demonstra que é possível produzir animação de qualidade cinematográfica para o formato episódico, mantendo um alto padrão de escrita, direção e atuação ao longo de toda a temporada. E para o mundo em geral, a temporada serve como um lembrete perturbador de que as questões levantadas por Shirow há quase quarenta anos não apenas permanecem relevantes, mas se tornaram ainda mais urgentes em uma era de inteligência artificial generativa, vigilância onipresente e crescente fusão entre o corpo humano e a tecnologia. A primeira temporada de The Ghost in the Shell não é uma obra perfeita, e sua densidade informacional e seu ritmo por vezes acelerado podem alienar espectadores menos familiarizados com a franquia. No entanto, suas qualidades superam em muito suas limitações, e ela se estabelece como uma das adaptações mais bem-sucedidas e respeitosas do mangá de Shirow já produzidas, um testemunho do poder duradouro de uma história que, como seu título sugere, continuará a assombrar a imaginação do público por muitas décadas vindouras.

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STRANGE NEW WORLDS S4 (2026)

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EPISÓDIOS

01 Valles Marineris [**1/2]
02 The Griffin Incident [**1/2]
03 Human Best Friend [ZERO ESTRELA]
04 A Case of Chiaroscuro [ZERO ESTRELA]
05 Level-Five Transporter Accident [ZERO ESTRELA]
06 Off-Hour [**1/2]
07 Like Chronitons Through the Hourglass [ZERO ESTRELA]
08 Orders of Magnitude [**1/2]
09 Once La'An a Time [ZERO ESTRELA]
10 Tomorrow's Enterprise []

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CASTANHADAS

--- 04X01 ---

Vários meses atrás, com a divulgação do teaser do presente episódio, já nos era óbvio o loop temporal. Alguém da produção aparentemente pensou o mesmo e inseriu um recheio pelo menos dez vezes mais insano nessa facilmente antecipável superestrutura. Tudo isso para funcionar nos seus termos precisa de muita ciência ruim ("Dentro e fora do universo Trek") e de uma importância auto imposta que borbulha antipatia (Isso é um ponto importante: a já infame "Síndrome de universo pequeno" nem começa a explicar o besteirol que acontece aqui.).

Outras coisas: Saffron Burrows é a melhor coisa do episódio (apesar do seu modelito no melhor estilo de SPACE:1999 e da ciência desta semana idem) ; Promoção esperada de UNA ; Spock & Laan ainda juntos (!?) ; Pelia insuportável como sempre (e com ainda mais uma referência  sem sentido a Doctor Who) ; A introdução da insuportável estagiária vulcana clichê de Uhura ; Scotty e Ortegas postos a faiscar (esperamos que não seja sinal de ainda mais um relacionamento) e "O" começo do arco obrigatório sobre o real motivo de se colocar sobrenome tão ilustre em Jornada em Laan.

Em tempo #01: Será que esse "DNA Marciano" (ou mesmo o dos insetóides) vai dar as caras por aí em alguma história?

Em tempo #02: Existe ainda algo afim que nos escapou em um primeiro momento sobre a história do longa-baseado-em-serial Quatermass and The Pit (1967): "A origem da humanidade: A grande revelação da história é que, há 5 milhões de anos, insetos marcianos altamente evoluídos vieram à Terra e alteraram geneticamente os macacos primitivos. Eles fizeram isso para dar um "salto" na evolução humana, inserindo inteligência e habilidades psíquicas nos terráqueos para que o legado de Marte continuasse vivo após a extinção de seu próprio planeta."

(PS: O Grande Swing do 4X01 foi fazer uma espécie de Star Trek Vitoriana (TM)? Ou seria uma Star Trek Whoviana (TM)?)

--- 04X02 ---

Como na temporada passada (com os Vezdas e cia.), vemos aqui mais uma vez Star Trek tendo um flerte com o Terror Cósmico (flertes esses que ocorrem desde 1966 com o segundo piloto de TOS: Where no Man Has Gone Before). O episódio tenta equilibrar o registro típico do Terror (Cósmico), que normalmente repele exposições e explicações em geral, com o de Star Trek, que parece necessitar desesperadamente delas (*). Eventualmente o primeiro registro se faz dominante, estabelecendo economicamente os conflitos culposos dos três: Kirk se vendo incapaz de participar da vida de David , Spock percebendo-se cada vez mais distante da sua herança lógica Vulcana e Laan sendo confrontada com o medo de falhar na proteção de sua família adotiva ou, pior ainda, ser o próprio agente causador dessa destruição. Valendo comentar ainda que o ponto focal da coisa toda parece mesmo ter sido a paranoia latente de Harper [Ainda que o episódio não explicite claramente nenhuma travessia para além do limiar como foi feito em Where no Man Has Gone Before.]. Enfim, como estamos falando de um episódio de Star Trek apesar de tudo, temos enormes coletas de lixo com cada um dos três ao apagar das luzes, diluindo a experiência. ... O episódio perde pontos também por ser muito derivativo afinal, estabelecer uma (mal refletida) divisão da Frota Estelar especializada no paranormal (!?) e mais uma vez se alongar demais em geral.

(Finalmente vimos os episódios lançados da nova série de Ghost In The Shell nesta semana, franquia essa famosa por não fazer exposições/explicações e tomar/retomar a ação in media res... Posto isso, ficamos chocados com a exposição que puseram na boca de Laan sobre a Divisão 12.)

Em tempo #01: Obviamente a presença de Kirk é novamente absurda mas inevitável dentro do atuais objetivos dos showrunners, como já discutimos anteriormente.

Em tempo #02: O registro base geral de Doctor Who é SIM o de uma série de ficção científica espaço-temporal de aventura/exploração PORÉM motorizada dramaticamente como uma série de Terror (como bem disse certa vez o showrunner Steven Moffat sobre a série: (idealmente) "... a mais assustadora possível história para crianças ..."). Em particular a sua típica atitude de sempre trazer o paranormal/sobrenatural do alienígena vem de Quatermass (que aliás mencionamos no episódio anterior de SNW) [Em Doctor Who são comuns: um certo Gótico (Tecnológico) Explicado e um certo Terror Corporal Explicado.] ... Posto isso, é fácil (e até natural) entender a utilização de Buffy como referência base para modernizar Doctor Who em 2005 (Meio que Terror pedindo conselho para Terror, ainda que a típica atitude quanto a origem do paranormal de Quatermass/DoctorWho não se aplique necessariamente a Buffy.).

--- 04X03 ---

Strange New Worlds apresentou o seu pior episódio de todos os tempos nesta semana... O problema central aqui é o impossível RESORT em que todo mundo fica chapado 24/7 sem suporte médico e sem segurança. Esse lugar impossível é que permite que o episódio se desenrole nos seus termos, mas, sem a mínima consistência de representação dramática, nada aqui pode ser levado a sério, especialmente o humor... Contribuem ainda para a negatividade de verossimilhança: as atitudes incompreensíveis de PIKE (de levar todo o seu Turno Alfa para ficar LITERALMENTE doidão no planeta impossível às vésperas de uma missão diplomática), a absoluta falta de comunicação com a nave durante tal "folga", e depois de volta a Enterprise: a falta de um mero pedido de adiamento da cerimônia inaugural , a incapacidade da (usualmente) mágica enfermaria "restaurar" um bando de amaconhados E a inutilidade de Ortegas, incapaz de apertar um botão na parede, invocar alerta vermelho e o esquadrão antibombas... O episódio assim se torna tedioso, interminável e sem propósito e apesar dos irrepreensíveis créditos técnicos da diretora Yana Gorskaya (em montagem e em direção), o andamento do segmento é horroroso, se movendo aos solavancos, cheio de falsas paradas e dependendo muito da colagem de esquetes.

Adendo #01: A historinha de Scotty & Ortegas, baseada em uma certa EMPATIA PARA INICIANTES, é infantil e sobrecozida. Ela apresenta ainda a Enterprise como uma dama frágil, mas 60 anos de franquia contam outra história. Esta caracterização juvenil de Scotty apresentada como fazendo parte da continuidade de TOS é absolutamente lamentável.

(Pelo menos a Pélia sumiu!)

Adendo #02: Impossível não notar uma proximidade com o registro de Star Trek: Lower Decks no presente segmento... Os detalhes não serão dados aqui, apenas diremos que: Chapel foi usada para canalizar a doutora T'Ana de LD (reparem na postura de quatro apoios de vários personagens na sequência do bingo, por exemplo), Spock foi de certa forma T'Lyn e Pike meio que fez um Ransom. Boimler e Mariner foram projetados em Scotty e Ortegas obviamente. E Laan foi algo como o Bajoriano Shaxs, chefe de segurança da Cerritos. Entre outros paralelos possíveis. 

Adendo #03: E parece (e isso é apenas um palpite) que Kathryn Lyn escreveu em formato sitcom como um episódio duplo (como se fosse mesmo para Lower Decks)... O ponto de quebra parece ser lá pelos 23' que fica justamente no instante: da ida de Ortegas-Scotty para irem se encontrar com Laan e do retorno do KIRK real, cujo diálogo com Spock inclusive alude ao título do episódio de SNW.

(E tivemos ainda mais uma participação absurda de KIRK, algo que já parece fazer parte da intenção cômica do staff de roteiristas, pelo menos aqui. Depois do artificial elo mental entre os dois para pilotar a nave no episódio 3X10, chegamos as confidências de Spock fora de câmera. Drama Orientado aos Personagens, a gente NÃO VÊ por aqui!)

--- 04X04 ---

Com a aproximação do já tão temido "episódio dos marionetes", a série corre o risco de cravar uma "Trilogia sem Estrelas" na sua penúltima temporada... Esta Castanha dormiu em sua primeira tentativa de assistir ao segmento desta semana e confessamos que completar tal ato foi uma tarefa árdua...

Para uma velha Castanha, fanática pelo recorte NOIR clássico, encarar esse preto e branco sem vergonha, aparentemente sem preparação alguma em pré produção e com um irritante "difuso vapor de luz" em cena (algo bastante irônico se levarmos em conta o título do episódio), foi deveras difícil (daí explicando o sono imediato)...  A recente série Spider Noir teve SIM preparação em pré produção (e mesmo na produção) para conversar melhor com o período clássico mas, apesar de resultados MUITO superiores comparativamente, ainda percebemos nela um certo ar de "Noir de Shopping", muito limpo e artificial... Por isso dizemos que o preto e branco atrapalha o episódio de SNW desta semana, sendo no mínimo uma distração e no máximo uma versão tosca e descuidada da estética alvo... O PB atrapalha e/ou limita inclusive a própria estética retro futurista (desavergonhadamente humana e referida ao início do século vinte) apresentada no episódio (um certo Diesel Punk marcado pelo desvio histórico da sobrevida dos dirigíveis). Mas, infelizmente para o episódio, existem CENTENAS de experimentos estéticos análogos feitos (via IA) por fãs no YouTube (alguns até bem interessantes).

Para a trama funcionar nos seus termos: UNA tem que ser idêntica (idêntica capaz  de enganar biometria SCIFI) a colaborada chefe da ocupação de KOR que é ao mesmo tempo a chefe da resistência local (contra essa mesma ocupação) E ser capaz de enganar "partindo a frio e sem preparação de nenhuma espécie" ambos os lados (além da original ter coincidentemente acabado de morrer e o seu cadáver estar dentro de uma bio câmara no seu escritório). O que parece uma MUITO CÍNICA INVOCAÇÃO  do conceito de Dopellganger do NOIR (do Gótico, do Terror, do Expressionismo)... Além disso a outra parte mais trabalhosa da trama é resolvida com um falso ato falho de KOR na frente da Uhura... Então o que deveria ser um roteiro complexo e de pesada construção de mundo precisou de uma trama B a bordo da Enterprise, TAMBÉM RETRATADA EM PRETO E BRANCO, para compor uma hora televisiva.

(O assim chamado arco de Laan foi destruído pela amalucada reordenação dos episódios, a correta é 1-3-4-2, assim fica até difícil de comentar... Terminamos com pelo menos: uma estagiária vulcana quebrando a cadeia de comando , um (a) capitão estelar e Chapel cometendo fraude , Laan prevaricando , Pike fazendo a egípcia para tudo isso I e MBenga casualmente confessando ainda mais um massacre. Além de Una ("UNA LATERALMENTE") provocando uma revolução num planeta sob domínio Klingon e Pike fazendo a egípcia para tudo isso II ... Grande dia para a Frota Estelar... Grande dia para a produção de SNW.)

( Confiram a nossa pré-lista de filmes NOIR aqui . )

( Para o melhor exemplo NOIR em Star Trek confiram o podcast de Necessary Evil aqui .)

( Para a cena do Clássico Casablanca que foi assassinada no episódio confiram aqui . )

( Para a cena da obra prima La Grande Illusion que inspirou a de Casablanca: aqui . )

( Para uma melhor versão do episódio do planeta em preto e branco e feita por fãs: aqui . )

--- 04X05 ---

Discutivelmente o pior episódio de toda a Era Kurtzman de Star Trek. Uma espécie de "Cérebro de Spock Pós Moderno" (TM). Algo que algum funcionário da produção poderia tentar defender cinicamente como uma análise psicológica do personagem mas que é meramente um MEME (ou uma FONTE DE CORTES) tamanho família... Nada mais do que um velho esquete de TV de menos de 10 minutos (no máximo!) esticado para inacreditáveis 54+... O episódio SEQUER tem a competência/decência de estabelecer propriamente o adormecer e o despertar de Spock (e rastrear o POV do personagem)... A ironia maior é que os caras (Goldsman e cia.) tem (talvez!) um dos CINCO MAIS ICÔNICOS PERSONAGENS DA HISTÓRIA DA TV e a única coisa que eles pensam em fazer com ele é reciclar a trama do polígono amoroso (WTF!? Que fixação!) e sempre a ela retornar de alguma forma (*) ... O cara alucinou em três dos últimos 4 episódios, terminou com a Laan neste e antes do reset button do "tudo era um sonho" ele já tinha cometido um beijo francês com a Pupet'pring (!!!). Esse filho do Sarek é incorrigível mesmo (risos)...

(*) (E sabemos que pedimos por um payoff dos acontecimentos da Griffin e aqui tivemos: Laan termina com Spock e Spock reata com T'Pring... Parece sacanagem!)

E ainda:

- Lamentamos a infantilização de Scotty que parece ser filho de Kirk em SNW (apesar disso contradizer a continuidade adotada explicitamente!);

- Lamentamos a sobrevida de Pelia;

- Lamentamos a pavorosa retroprojeção estática logo quando Spock chega ao Hangar. Idem para o desaparecimento do resto da tripulação da Enterprise (menos da Pelia);

- Se os bonecos não respiram, como eles falam? E se eles falam por esse método indeterminado, o que modifica as suas vozes em relação as originais?

- E mais uma vez a cena da morte de Spock é assassinada em Live Action!

PFV => Projeções futuras Vulcanas:

O que falta para o velho "Orelha Pontuda"? Spock e Kirk no bromance hetero afetivo (obviamente!) na cama? As três (Chapel , Laan e TPring) comentando sobre o pênis verde (será?) do Spock? O encosto da Griffin ser "real" (e ter aderido ao boneco do Scotty) e precisar de um exorcismo Vulcano? ... E quem sabe até roubarem o cérebro do Vulcano para ter o seu corpo acéfalo telecomandado por um monte de Amazonas Gostosas (risos)?

--- 04X06 ---

Talvez o melhor episódio da temporada até aqui, o que não quer dizer muita coisa, vide a reinante baixa qualidade dessa quarta leva de aventuras... O liquidificador pós moderno da terceira era de Star Trek aqui bateu (junto com o leitinho da estética da série 24) momentos desastrosos da história da franquia: de Court Martial até Threshold, passando por ST:TMP, Disaster e Starship Down (entre outros), o que garante a animação dos trabalhos mas as costuras feitas são deveras visíveis e feitas com linhas bem grossas.

(O uso da forma de 24 acaba sendo deletério para o episódio em questão pois sublinha que pode ser feita SIM a síntese das suas influências, consistente e dramaticamente motivada, sem rebarbas, de maneira específica e claramente identificável como algo NOVO... Além de tal utilização ser uma distração aqui obviamente!)

O ritmo do segmento é atrapalhado por: Pélia, conveniências de trama, ciência ruim e/ou inconsistente, além (é claro!) da partícula bombril que enche o tanque da Enterprise ao mesmo tempo que costura homens serrados ao meio (*) ... O episódio é motorizado por uma certa pornografia de competência, especialmente estrelando:  Scotty e Chapel. O engenheiro recebe uma inusitada "história de origem" que colide com a sua aqui inconsistente caracterização em continuidade como tenente júnior (entre outras coisas). É dito que a enfermeira decide ficar a bordo da NCC1701 pelos eventos do episódio, o que não parece ser a história contada lá em What Are Little Girls Made Of?. 

(*) (Episódios de Desastre não são normalmente fortes em caracterização e aqui não é diferente, ficando na superficialidade... Tais episódios também não funcionam muito bem com personagens com armadura de trama, condição aqui extremada por se tratar de uma série precursora da TOS... A velha falsa encrenca e falta de consequência de sempre, infelizmente... M'Benga deveria ter morrido aqui e o "Procedimento Chapel" utilizado na sua ressureição quase arrancou umas risadas cínicas dessa veterana Castanha.)

E ainda:

* Brian Markinson aqui interpreta o extremamente sisudo Doutor Boyce (aquele mesmo de The Cage agora curiosamente retornando a Enterprise). Para os Niners, Markinson é carinhosamente lembrado como o Doutor Elias Giger do clássico episódio In The Cards da quinta temporada de DS9. Será que foram os "Desalmados Minions da Ortodoxia" que sabotaram a Enterprise (risos)?

(Os Niners ainda poderiam observar que o episódio se passa quase todo com a Enterprise dentro de um wormhole sob uma torrente sem fim de neutrinos!)

* E  é claro que a lesão de M'Benga lembra INSTANTANEAMENTE o monumental episódio Subway da sexta temporada da série Homicide... Tal episódio de 29+ anos é frequentemente considerado um dos momentos mais marcantes da história da televisão. A trama acompanha o detetive Frank Pembleton (Andre Braugher), que é chamado para investigar o caso de um homem chamado John Lange (Vincent D'Onofrio), acidentalmente ou propositalmente empurrado e que acaba preso entre um vagão e a plataforma do metrô. Como Lange sofrerá ferimentos fatais e morrerá assim que o trem for movido, Pembleton passa as horas finais da vida da vítima ao seu lado, tentando não apenas descobrir quem cometeu o crime e entender o que aconteceu, mas também lidar com a dura realidade de confortar um homem que lentamente aceita seu destino inevitável. O episódio se destaca pelo seu tom quase em tempo real, atmosfera claustrofóbica e um debate profundamente filosófico e emocional, impulsionado pelas atuações brilhantes que constroem uma conexão inesquecível entre o detetive e a vítima antes do seu trágico desfecho.

--- 04X07 ---

Ao chegarmos ao sétimo capítulo desta quarta temporada infernal, assistimos a algo como o episódio dos fantoches (AKA o "Cérebro de Spock da Terceira Era"), onde a sua apresentação dramática (!?) não entra sequer em registro de suspensão de descrença. Ele é completamente (e cinicamente) auto consciente em ser um produto televisivo. Se aparecessem microfones e câmeras em campo não piscaríamos um olho sequer.

Curioso eles darem continuidade a história de Juliet (a filha de Pike e Batel da vida vivida criada pela última no episódio 3X10), aquela mesma da tal "Cozinha Interior"... Algo que gerou então um Trauma Miojo e particularmente cruel (em excesso) para o nosso topetudo capitão (em mais uma morte de criança/adolescente para a série!). De fato foi um episódio 100% melodramático e mesmo já nesses termos ainda atirando para todos os lados (ou dimensões)... Compondo a cruel ironia da coisa toda, provavelmente os produtores ficaram com medo de encarar o touro do melodrama pelo chifre para uma sequência nesses termos tão extremos e usaram o conceito de soap opera americana para suavizar os trabalhos até certo ponto... A confusão foi tanta que nem a direção e nem Mount souberam o que fazer na última cena do segmento (que felizmente é o menor da temporada até aqui).

(Estrategicamente/Espertamente eles atacaram somente a Soap Opera Americana e não o Gênero Melodrama como um todo.) 

(*) O próprio episódio (pela boca de Spock) diz para não levarmos nada do que aconteceu a sério. Quem somos nós para contrariar... MBenga recuperado e de saída... Laan também parece que sim (e talvez de saída do próprio serviço) [O episódio 4X01 parecia sugerir finalmente um payoff com relação ao seu nome de família. Mas até agora o interesse da temporada parece ser apenas pelo seu relacionamento com Spock!]

(*) Uma piada do nosso fanfic pessoal: Os El-Aurianos são os tutores das crianças Q. E os Borgs são fruto de um projeto de ciências de um deles que deu muito errado (Ou de um livro de Perry Rhodan fora de lugar/hora!)

(*) Uma Conselheira de Bordo nessa era de Star Trek lembra (mais uma vez!) Star Tek Continues... E foi uma chance perdida não usar Boyce na função.

(*) IMPORTANTE: A Conselheira Chivers estrelará o grande SWING da quinta temporada de SNW, uma apaixonada homenagem a série Batman 1966 (aquela mesma de Adam West) porém utilizando protagonistas com gêneros trocados e uma estética "eletro-futurista" dotada de veículos/dispositivos projetados e fabricados pelas indústrias MUSK (Uma participação, ao menos vocal, da cantora Cyndi Lauper, guardada a sete chaves até o momento, também é dada como certa!) : um trailer avançado ainda carente de pós produção está disponível aqui  .

--- 04X08 ---

Existe uma manufatura extrema na trama usada aqui, algo que fere o episódio: Pike e Una descem em missão, e logo um lendário almirante chega em uma nave auxiliar (somente com sua ordenança) e (além da Enterprise ser a nave mais próxima do almirante nesse momento crítico em que ele precisa agir imediatamente) estão a bordo JUSTAMENTE: James Kirk, Sam Kirk e M'Benga (George Kirk, dentre todas as almas, foi o primeiro oficial do almirante na principal, mais heroica e mais misteriosa batalha da guerra klingon e M'Benga, sempre ele, era o médico de bordo)...  Aí o almirante faz, dentre todas as almas a bordo, James Kirk de primeiro oficial, alguém que ele conhece apenas de nome e que nem é da tripulação da Enterprise no momento (!?). James Kirk é ainda o primeiro oficial de outra nave estelar (!?) e estava ali só para paquerar a Laan (!?)... E eis que a Enterprise simplesmente se manda em uma missão secreta deixando Pike e cia. incomunicáveis no planeta.

[ A Laan não era mais antiga do que o Spock? Não tinha nenhum outro tenente comandante ou superior na Enterprise? Cadê a Pélia quando precisamos dela (risos)? ]

O episódio sugere fortemente ser uma antecipação de Balance of Terror (reparem no mapa!), o que é razoável. Por outro lado, cinco milhões de mortos já deveriam ter recebido: menções por parte dos personagens da Enterprise e uma completa força tarefa federada para investigar... Além disso, parece haver uma versão da história com todos a bordo e em continuidade com o que o Pike já sabe sobre os romulanos nos próximo anos da cronologia de Star Trek.

(Alguns comentaristas da Internet apontaram semelhanças do episódio com o filme Crimson Tide, algo que esta Castanha nota como algo secundário na análise aqui. Existe recriação de cenas do longa, o que não é bom. Mas achamos que existem problemas ainda maiores.)

O almirante da vez é meio que o capitão Maxwell de The Wounded da TNG (incluindo a ironia dramática do seu final: ambos estavam de certa forma corretos!) mas com uma história sobretramada para incluir os TRÊS Kirks e o M'Benga, o que deixa as coisas meio gordurosas. Parecem dois episódios em um, fora a esquecível trama secundária. E o fato de M'Benga (ainda na metade do episódio!) não contar a história toda do almirante de uma vez para o primeiro oficial em exercício (e já claramente perturbado com a implementação da OG24 por parte do almirante) é no mínimo uma conveniência de roteiro.

A trama secundária parece ter saído daquela gaveta Trek das histórias reusadas... Uhura faz jus ao seu treinamento obtido assistindo ao VHS de Star Trek II, implementando um bom subterfúgio acústico mas exagera no Kirk-Fu (e chega a levar um tiro e não desmaiar!). A desconexão emocional desta Castanha com tudo que ocorre nesta história B é absoluta. E a última cena colide tonalmente com as últimas cenas da história A como um desastre de trens.  

Obviamente o episódio terá uma continuação... Esperamos!

Outros pontos:

(*) Vocês notaram que o episódio não tem um Recap? Ele tem um KIRKCap!

(*) O cargueiro iria emitir um pulso sensor que poderia refletir na Enterprise e a nave camuflada poderia captar? O temor era esse?

(*)  E se a base fosse subterrânea, a Ordem Geral 24 teria algum efeito? ... Aqui o almirante já fazia aritmética simples com os números das vítimas, neste ponto, mais tripulantes, além de Kirk, já deveriam ter começado a reclamar em voz alta... O Pike enviou uma missão ao planeta depois?

(*) Afinal, alguém mandou uma mensagem para o PADD de Kirk ou não?

(*) Obviamente a OG24 leva "Um tempo de Shinzon" (TM) para ser disparada. E depois de um tempão de preparação eis que só então o almirante manda redirecionar a força da DOBRA ESTELAR para os feisers... "Tema atual", sem dúvidas.

(*) E finalmente tivemos a cena de Kirk-pai e Scotty-filho. Lamentável!

(*) Kirk tentou mandar a mensagem para o Comando da Frota Estelar na cara do almirante para ser destituído, podemos supor (devido ao absurdo da coisa toda!). Por que ele não tentou também mandar de um outro jeito?

--- 04X09 ---

Episódio muito cansativo de assistir e confessamos pelos menos três cochilos durante todo o esforço... Tentando resumir (essa sequência ABSOLUTAMENTE não pedida do pior episódio da primeira temporada): É como se fosse um segmento de alguma suposta/hipotética série de fantasia pré-adolescente (7-12 anos) projetado em Star Trek: Strange New Worlds. Existem vários marcadores disso... Não existe de fato suspense/mistério (pois afinal não podemos assustar e nem deixar ansiosas as crianças), M'Benga conta expositivamente/didaticamente para todos (dentro e fora da série) e antes da sequência da abertura (apesar da incompreensível logística usada, vinda do anterior da temporada 01) o propósito do episódio, que é realizar um rito de auto aceitação e auto (re) conciliação para Laan... Assim fica posta a nossa dificuldade em terminar tal árdua tarefa.

Outros marcadores identificados: o próprio livro (inexplicavelmente escrito por Benny Russell), o lobisomem fofo que tem alergia a cães, o príncipe todo enrolado que é apresentado fazendo pose de apresentação em super slow motion (com a face de Kirk que o planeta apropria da mente de Laan ou algo assim) (*), Spock como um Warlock farmador de aura (ou algo assim) e Pike como um covarde de bom coração.

(*) O real Kirk aparece no final do episódio para um encontro com Laan (pós auto reconciliação e agora mãe adotiva de uma carismática cachorra que pertence a própria atriz) a bordo da Enterprise por motivos que apenas a série compreende... E para quem ainda não percebeu: não existe frontalidade (para dizer o mínimo) na questão do sobrenome da oficial de segurança.

E claro que existem contra marcadores (em que ainda assim tentam fazer algum graça apesar da premissa que eles mesmo escolheram):  A absurda batalha dos dois decotes , a gracinha da "chave da porta dos fundos" com Kirk dando risada , o selinho lésbico que não sabemos de onde veio (Benny Russell + Rejoined!? Foi isso?) , o Pike soltando a franga alucinadamente (que bate DE GOLEADA TODOS os reels de canastrice de Shatner nos tempos da TOS)... Entre outros.

Em suma, mais um candidato a pior episódio da série. E um roteiro, que mais uma vez, parece um primeiro rascunho.

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sábado, 11 de julho de 2026

O QUE RUSH , DS9 , B5 & THE EXPANSE TEM EM COMUM?

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O QUE RUSH , DS9 , B5 & THE EXPANSE TEM EM COMUM?

O presente texto responde (em seu todo) a essa inusitada questão, o que objetiva disparar uma singela homenagem SCIFI ao (falecido) baterista/letrista da banda de rock progressivo canadense RUSH: o genial Neil Peart!

As referências são principalmente da obra-prima Hemispheres de 1978:


Todo o lado A do álbum é composto pela faixa título Hemispheres, cujo análise domina a maior parte desse tributo... O lado B é composto: pela canção Circunstances (que trata das dificuldades de Peart em construir na cara e na coragem uma carreira musical na Londres do início dos anos de 1970 e é referenciada na nossa Parte I e além logo abaixo) , pela canção The Trees (que fala de uma aparentemente tola e inocente noção de um conflito entre duas variedades de árvores: os Carvalhos e os Bordos) e pela colossal instrumental La Villa Stangiato (que procura traduzir musicalmente e livremente os pesadelos recorrentes que o guitarrista Alex Lifeson tinha durante as turnês da banda na época)... As quatro faixas são individualmente icônicas obras-primas, testemunhas de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos em estado de absoluta iluminação.

(Note que o RUSH é um trio formado por Peart , Lifeson e o vocalista/baixista/tecladista: Geddy Lee.)

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O restante desse artigo se organiza assim:

O item (I) conta como encontramos uma muito familiar citação Rushiana como fala final da série Star Trek: Deep Space Nine (DS9) [1993-1999].

O item (II) contrasta criticamente a história contada pela faixa Hemispheres e o conflito milenar dos Vorlons X Shadows retratado na série Babylon 5 (B5) [1993-1998], coincidentemente uma espécie de "rival" de DS9 nos anos de 1990... Esse item cresceu tanto de tamanho durante a sua escrita que teve que ser exportado para um artigo próprio.

O item (III) conta dos surpreendentes paralelos entre a nave de Hemispheres e a nave titular da série The Expanse [2015-2022]. Ambas chamadas:  Rocinante.

O item (IV) retoma frontalmente a citação do item (I) e falamos então sobre o assombroso monólogo que encerra a série The Expanse (pelo menos até onde os livros já foram adaptados).

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(I) O refrão da canção Circunstances e a última fala de DS9...

Lembramos de 1982, ano do renascimento da Niteroiense Rádio Fluminense FM (94.9 MHz) como A Maldita, o principal canal de divulgação da música rock no Brasil por mais de uma década. Rádio infinitamente revolucionária, com locução 100% feminina e programação 110% Rock and Roll até 1994.

Nesse ano também tivemos o primeiro contato com a banda Rush, isso se deu com a canção Red Barchetta (na sua versão ao vivo do álbum Exit Stage Left de 1981) justamente na Maldita. Canção que ficou "eternamente" gravada (ao lado de inúmeras e diversas outras) numa fita cassete scotch transparente na época... Ainda em 1982, compramos o álbum Hemispheres (que não foi o nosso primeiro de direito mas definitivamente o nosso primeiro de fato). A edição nacional do álbum era muito boa, com uma capa em duas folhas incluindo: fotos dos integrantes , créditos detalhados e todas as letras. A lembrança do disco tocando, a capa de um lado e um dicionário do outro é muitíssimo querida... 

O marcante refrão da canção Circunstances é o seguinte:

All the same, we take our chances
Laughed at by time
Tricked by circumstances
Plus ca change
Plus c'est la meme chose
The more that things change
The more they stay the same

A citação em francês nas linhas 4 e 5 (do escritor, crítico e jornalista: Jean-Baptiste Alphonse Karr em 1849) e repetida em inglês nas linhas 6 e 7 é que nos interessa aqui (um trecho que nos fascina tremendamente faz mais de 44+ anos). Em português: "...quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas...". Peart dialoga com essa citação tanto (na primeira estrofe) se referindo à época da sua frustrante/frustrada tentativa de carreira em Londres (cerca de 18 meses em 1970-1972) quanto (na segunda estrofe) se referindo ao presente de 1978 e o seu sucesso já atingido então com o Rush... 

A frase de Karr tornou-se um clichê cultural justamente porque ressoa com uma verdade universal e atemporal sobre a condição humana.

Ela captura a sensação de "frustração cíclica" que muitos experimentam: a ideia de que a história se repete, que os problemas sociais persistem apesar das revoluções, e que as pessoas, individualmente, muitas vezes lutam para mudar seus próprios padrões de comportamento.

Por essa razão, a citação é frequentemente usada em contextos políticos e sociais para comentar sobre como, apesar de novas tecnologias, leis ou líderes, os mesmos problemas fundamentais parecem perdurar.

No entretenimento, ela aparece recorrentemente... Para além do Rush, ela continua a ser usada em títulos de músicas, álbuns, letras e como um bordão em séries, filmes e na literatura em geral, sempre que um autor ou personagem deseja expressar essa sensação de déjà-vu histórico e/ou pessoal. Sua popularidade vem da sua capacidade de, em poucas palavras, descrever uma das mais persistentes e desconcertantes observações sobre a vida.

...

Anos mais tarde, em 1999, acompanhávamos com atenção os episódios finais da série DS9. Especulávamos sobre o seu episódio final em particular, especialmente sobre qual seria a sua última fala. Eis que coube ao personagem Quark citar a famosa frase de Karr (falando com  o personagem Morn). Uma linda surpresa pessoal na época e uma resolução lindíssima desde então...

Pelo valor de sua face no contexto, a citação parece falar da imutabilidade do personagem Quark (algo sublinhado nos últimos episódios da série) mesmo com tudo se modificando drasticamente ao seu redor [e também da cena logo antes com a personagem Kira que ecoa uma cena análoga dos dois no piloto da série]... Por outro lado, como a série de fato entregou tantas reais mudanças micro e macro, a citação pode também ser lida simbolicamente como negação, a primeira fase do luto [de vários personagens que permaneceram na estação e da própria audiência]. E de fato, vemos na sequencia dessa última fala: Kira e Jake lidando com as perdas de Odo (o amor de Kira) e Sisko (o pai de Jake) (*). E finalmente, num zoom exterior reverso e infinito, vemos a estação DS9 se transformar em um ponto menor do que qualquer astro no firmamento... FIM.

(*) [Jake e Kira observam, por uma janela da estação, uma inesperada/inexplicável abertura do buraco de verme estável/local ... Tal buraco de verme é uma estrutura/morada construída por seres não lineares que os nativos daquele sistema estelar, Bajorianos como Kira, tratam como Deuses e os chamam de "Profetas" (chamando ainda o buraco de verme em si de "Templo Celestial"). Sisko se descobriu parte Profeta ao longo da série, se juntando a eles ao fim da sua missão corpórea ali. ... Por outro lado, a mesma passagem leva a um distante quadrante da galáxia, morada dos principais antagonistas da série: Os "Fundadores" (que são o povo de Odo). O fim da guerra com eles (das últimas temporadas) foi em grande medida condicionado ao retorno de Odo ao "Grande Elo" (Que é um verdadeiro oceano vivo formado por todos os Fundadores em seu estado gelatinoso natural) (Os Fundadores são metamorfos do mais alto grau e tratados como divindades rotineiramente.) ... De um certo modo: Sisko e Odo "voltaram para casa" para "contar sobre nós".]

( Observação: Ron Moore foi um roteirista em DS9 e que alguns anos depois produziu uma série SCIFI espacial que parecia ter a citação de Karr no seu DNA: BatleStar Galactica (2003-2009) )

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(II) E se Apolo, Dionísio, um Vorlon e um Shadow entrassem num bar...

Esta curiosa secção ganhou vida própria e um artigo próprio que você pode conferir: aqui .

Podem conferir agora mesmo que a gente espera o seu retorno (E não deixem de conferir atentamente a letra completa da épica Hemispheres do Rush quando estiverem por lá!).

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(III) De Cervantes até The Expanse e passando por um buraco negro Rushiano no meio do caminho...

Para contextualizar esse último absurdo título (III), devemos falar da saga de "Cygnus X-1" como um todo. O seu primeiro TOMO (ou LIVRO) fala da constelação e do buraco negro titulares, especialmente da viagem do seu anônimo protagonista até o seu inevitável fim ao tentar atravessar tal singularidade gravitacional.

A nave do explorador é chamada de Rocinante. A letra de "Cygnus X-1 Book I: The Voyage" [do clássico álbum anterior do Rush: A Farewell to Kings de 1977] confirma isso...

O nome Rocinante é uma referência direta ao fiel e magro cavalo de Dom Quixote, no romance clássico de Miguel de Cervantes. Isso estabelece o explorador como uma figura quixotesca, embarcando em uma jornada impossível e idealista em direção ao desconhecido.

A segunda parte dessa história cobre todo o lado A do álbum seguinte (Hemispheres 1978), o lendário titular épico progressivo em seis partes: "Cygnus X-1 Book II: Hemispheres". A quinta parte é que realmente conta o que aconteceu com o explorador após ele atravessar o buraco negro [ Com direito até a flashbacks sonoros do "livro anterior", da sua jornada através do buraco negro etc. É ouvir para crer! ]... Tendo seu corpo físico destruído, ele reentra na narrativa como uma espécie de "alma errante". Ele emerge no Olimpo e testemunha (agora sob a perspectiva divina) o conflito sem fim entre os deuses Apolo (Razão) e Dionísio (Emoção) e o seu reflexo na humanidade.

Sua intervenção com voz interior, um "grito silencioso" de agonia diante de tamanho desequilíbrio, é tão poderosa que faz os deuses guerreiros repensarem sua luta. Para garantir que uma estabilidade seja possível e o conflito não se repita ciclicamente/indefinidamente, os deuses então reconhecem o explorador (inclusive levando em conta todo o extraordinário que o trouxe até alí) como uma nova divindade e o nomeiam simplesmente: "Cygnus, o Deus do Equilíbrio".

Portanto, a jornada do herói outrora anônimo termina com seu renascimento e apoteose, recebendo o nome da própria constelação e do buraco negro que o engoliu, simbolizando sua nova identidade como a personificação do equilíbrio entre forças opostas.

(OBS: Notem como abundam similaridades com os eventos da vida de John Sheridan em Babylon 5. Especialmente nos episódios de 03X22:"Z'ha'dum" até 04X06:"Into the Fire".)

O segundo TOMO termina com sua sexta parte retornando ao seio da humanidade com uma singela canção folk... As palavras de Peart aqui se mostram excepcionalmente bem escolhidas, terminando com uma nota de esperança de que o que eram dois possam se tornar apenas um.

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E eis que as palavras de Peart encontraram novamente ecos paralelos, agora em mais um série SCIFI espacial: The Expanse (2015-2022)...

O nome Rocinante (a nave líder de tal série) foi escolhido por James Holden, protagonista e o capitão da nave, que é um grande fã do romance clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, desde a infância. No livro, Rocinante é o nome do cavalo do protagonista. Holden rebatiza a nave com esse nome após ele e sua tripulação assumirem o controle dela.

A Rocinante era originalmente uma fragata da Marinha da República Congressional Marciana (MCRN). Sua classe é de uma "Corvette-class light frigate", ou fragata ligeira classe Corveta, um navio de guerra rápido e versátil, capaz de desempenhar múltiplos papéis em combate, como lançador de torpedos e transporte para equipes de abordagem. Antes de se chamar Rocinante, a nave era conhecida como MCRN Tachi (ECF 270).

Ela era uma nave auxiliar, uma escolta de frota, que ficava estacionada a bordo da nave capitânia da Marinha Marciana, a gigantesca couraçada MCRN Donnager. Quando a Donnager foi atacada e afundada, a Tachi foi usada como nave de fuga por Holden e sua então tripulação da nave Knight (nave auxiliar e única sobrevivente da destruição da nave geleira Canterbury), que haviam sido resgatados pela Donnager. Eles conseguiram escapar a bordo da Tachi antes da destruição total da nave-mãe. Holden então reivindicou a nave como "salvamento legítimo" e a rebatizou.

A interpretação, digamos, "original" de James Holden sobre Dom Quixote é deveras particular. Ele cresceu lendo o livro e, quando criança, "se imaginava como um cavaleiro" e "achava que tudo era muito engraçado". Ele via a história como uma espécie de comédia, um idealista atabalhoado em aventuras tolas. No entanto, a mãe de Holden comenta que "nunca teve coragem de dizer a ele que o livro é, na verdade, uma tragédia". Esta visão inocente e idealista reflete-se diretamente na personalidade de Holden. Ele é frequentemente descrito como ingênuo, impulsivo e excessivamente idealista em sua busca por ações justas e cavalheirescas. A palavra "quixotesco" é usada para descrever seu comportamento, e tanto outros personagens quanto os fãs associam Holden à ideia de "tilting at windmills" (lutar contra moinhos de vento, ou seja, embarcar em batalhas impossíveis ou fúteis). Para Holden, sua nave não é apenas uma ferramenta; ela representa a elevação de um veículo humilde (ou, neste caso, uma nave de guerra roubada) a um símbolo de seus ideais, assim como Dom Quixote via seu cavalo magro como um nobre corcel.

Por fim, é interessante notar que, em The Expanse, a nave Rocinante carrega três drones de reconhecimento, que foram nomeados em homenagem aos membros da banda Rush: "Peart", "Lee" e "Lifeson"... 


E sim os autores de The Expanse são fãs de Rush e tinham total ciência dessa "Conexão Rocinante"... E sim as duas Rocinantes são inspiradas independentemente pelo mesmo pangaré de Cervantes e basicamente pelo mesmo motivo.  

(Observação: Holden também encontrou durante a série objetos que de certa forma pareciam buracos negros, ou mais precisamente buracos de minhoca. E ainda teve que lidar com o legado de seres que caminharam/caminham pelo universo como Deuses... Mas isso é uma  outra história!)

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(IV) O quarto ato de uma Trilogia Professoral...

Alguns anos depois... E ainda mais uma vez... Uma série SCIFI espacial do coração estava para terminar... The Expanse (2015-2022)... [A existência talvez devesse pagar royalties ao Monsieur Karr.]

Coube a personagem Naomi Nagata o (de fato) monólogo final da série:

"Você fez (a coisa certa).
Você seguiu sua consciência na esperança de que outros seguissem a deles.
Você não fez isso por uma recompensa ou um tapinha nas costas.
O universo nunca nos diz se fizemos certo ou errado.
É mais importante tentar ajudar as pessoas do que saber que você ajudou.
Mais importante que a vida de outra pessoa melhore do que você se sentir bem consigo mesmo.
Você nunca sabe o efeito que pode ter sobre alguém, não realmente.
Talvez uma coisa essencial que você disse os assombre para sempre.
Talvez um momento de bondade lhes dê conforto ou coragem.
Talvez você tenha dito a única coisa que eles precisavam ouvir.
Não importa se você jamais venha a saber...
Você só precisa tentar."

Esse monólogo é um dos momentos mais filosóficos e comoventes de toda a série The Expanse. Naomi está falando não apenas sobre a última ação de Holden (a quem ela se refere na frase inicial do monólogo) e sua busca incessante por fazer o que é certo, mas também sobre uma filosofia de vida que ela mesma adotou... E nesse ponto devemos também confessar uma proximidade pessoal com Holden e a sua filosofia... 

Conduzidos por uma linda melodia de violoncelo, nos despedimos de Nagata e Holden... Numa vista externa vemos a valente Rocinante uma última vez, se afastando cada vez mais... Até desaparecer no infinito.

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Dedicado ao genial Neil Ellwood Peart (1952-2020)

Dedicated to the brilliant Neil Ellwood Peart (1952-2020)

Dédié au génial Neil Ellwood Peart (1952-2020)

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