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(Arte ainda meramente ilustrativa!)
OS 21 DIRETORES DE TODOS OS TEMPOS...
1928. Luis Buñuel [ESPANHA]
1931. Jean Renoir [FRANÇA]
1932. Yasujiro Ozu [JAPÃO]
1939. Kenji Mizoguchi [JAPÃO]
1941. Orson Welles [AMÉRICA]
1945. David Lean [INGLATERRA]
1945. Robert Bresson [FRANÇA]
1950. Akira Kurosawa [JAPÃO]
1953. Federico Fellini [ITÁLIA]
1953. Ingmar Bergman [SUÉCIA]
1956. Stanley Kubrick [AMÉRICA]
1957. Michelangelo Antonioni [ITÁLIA]
1959. François Truffaut [FRANÇA]
1960. Jean-Luc Godard [FRANÇA]
1962. Andrei Tarkovsky [RÚSSIA]
1966. Sergio Leone [ITÁLIA]
1977. David Lynch [AMÉRICA]
1977. Woody Allen [AMÉRICA]
1988. Krzysztof Kieslowski [POLÔNIA]
1990. Wong Kar-Wai [CHINA]
1997. Paul Thomas Anderson [AMÉRICA]
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E 18 TOLICES DO OSCAR DE TODOS OS TEMPOS...
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OS 3 GÊNIOS QUE VENCERAM O OSCAR REGULAR DE MELHOR DIRETOR
David Lean (1945): Venceu por A Ponte do Rio Kwai em 1958 e por Lawrence da Arábia em 1963. O mestre do épico britânico, Lean foi premiado por duas de suas superproduções mais aclamadas, ambas exemplares máximos do cinema de grande espetáculo porém com profundidade dramática.
Woody Allen (1977): Venceu por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa em 1978. Uma vitória que consagrou seu estilo único de comédia urbana e neuroticamente intelectual. Allen, que raramente comparece às cerimônias, quebrou o molde do que era esperado para um vencedor da Academia na época.
Paul Thomas Anderson (1997): Venceu finalmente em 2026 por Uma Batalha Após a Outra. Um Oscar universalmente considerado tardio em pelo menos 20 anos, corrigindo uma das omissões mais incômodas da história recente da premiação.
OS 18 GÊNIOS QUE NUNCA VENCERAM A CATEGORIA
Dos 21 nomes da lista, 18 nunca levaram a estatueta de Melhor Diretor. Ao analisar esse histórico, percebe-se como a Academia muitas vezes falhou em reconhecer a inovação em tempo real.
Orson Welles (1941): O diretor de Cidadão Kane foi, sim, indicado como diretor naquele ano, mas a Academia preferiu homenagear John Ford por Como Era Verde Meu Vale. Embora o filme de Ford seja respeitável, a derrota de Welles — que revolucionou a linguagem cinematográfica aos 25 anos — é considerada por muitos a mãe de todas as zebras e um símbolo do conservadorismo da indústria contra a inovação radical.
Stanley Kubrick (1956): Um dos maiores estilistas visuais e pensadores do cinema. Foi indicado quatro vezes por Dr. Fantástico, 2001: Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica e Barry Lyndon, mas nunca venceu como diretor. Sua única estatueta competitiva foi pelos efeitos visuais de 2001. A Academia simplesmente não soube como premiar um perfeccionista que desafiava gêneros a cada novo projeto.
Akira Kurosawa (1950): O "Imperador" do cinema japonês foi indicado ao Oscar de direção uma única vez, por Ran (1986), já no fim da carreira, e perdeu. Recebeu um Oscar Honorário em 1990, mas a ausência de uma vitória competitiva para o homem que influenciou de George Lucas a Sergio Leone é uma das maiores evidências do viés da Academia contra filmes não falados em inglês.
Ingmar Bergman (1953): O gigante sueco foi indicado como Melhor Diretor em três ocasiões (Gritos e Sussurros, Face a Face e Fanny e Alexander), sem nunca vencer. Embora seus filmes tenham dominado a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a estatueta individual de direção sempre lhe escapou, restando-lhe apenas um Memorial Irving G. Thalberg como reconhecimento tardio.
Federico Fellini (1953): Outro monstro sagrado do cinema europeu. Fellini detém o recorde de quatro Oscars de Melhor Filme Estrangeiro, mas nunca venceu como diretor, apesar de ter sido indicado quatro vezes por clássicos como A Doce Vida, 8½, Satyricon e Amarcord. A Academia parecia contente em mantê-lo confinado ao "gueto dourado" das produções internacionais.
Jean Renoir (1931): Considerado por Truffaut "o pai de todos nós", Renoir foi indicado apenas uma vez por O Homem do Sul (1945), sem sucesso. Recebeu um Oscar Honorário em 1975, um aceno tardio a uma carreira que definiu o realismo poético.
Robert Bresson (1945): O cineasta do ascetismo e da pureza da linguagem cinematográfica é um caso extremo. Bresson nunca recebeu uma única indicação ao Oscar em qualquer categoria, sendo completamente ignorado pela Academia ao longo de toda a sua trajetória.
Michelangelo Antonioni (1957): O arquiteto da modernidade cinematográfica chegou a ser indicado ao Oscar de direção por Blow-Up: Depois daquele Beijo em 1967, mas não venceu. Assim como outros contemporâneos, recebeu um Oscar Honorário (em 1995) como forma de compensação histórica.
François Truffaut (1959) e Jean-Luc Godard (1960): Os pilares da Nouvelle Vague tiveram destinos distintos na premiação. Truffaut foi indicado a Melhor Diretor por A Noite Americana em 1975, mas não levou. Já Godard, o mais radical dos revolucionários francesos, nunca foi indicado para direção, recebendo apenas um Oscar Honorário em 2010.
Krzysztof Kieślowski (1988): O mestre polonês foi reconhecido pela Academia com uma indicação a Melhor Diretor por A Fraternidade é Vermelha (1995), o encerramento de sua trilogia das cores, mas a vitória não se concretizou.
David Lynch (1977): O poeta do subconsciente americano foi indicado três vezes por O Homem Elefante, Veludo Azul e Cidade dos Sonhos. Apesar de sua influência monumental, nunca venceu a estatueta competitiva, recebendo um Oscar Honorário em 2019.
A lista de ignorados ou preteridos na categoria principal de direção segue com nomes fundamentais: Luis Buñuel, que nunca foi indicado como diretor; Yasujiro Ozu e Kenji Mizoguchi, os pilares do cinema japonês que jamais foram lembrados em qualquer categoria; Andrei Tarkovsky, que nunca teve seu nome na lista de diretores; Sergio Leone, o mestre do western spaghetti nunca indicado; e Wong Kar-Wai, cujas estéticas arrebatadoras também nunca foram reconhecidas na categoria de direção pela Academia.
A REFLEXÃO SOBRE A ACADEMIA
Diante desses fatos, é difícil não questionar os critérios do Oscar. A premiação é, antes de tudo, uma eleição promovida por uma indústria e, como tal, está sujeita a lobbies, egos e a um viés conservador e anglófono. Historicamente, a Academia preferiu o biopic "importante" e o drama de guerra convencional em vez de premiar os estilistas radicais que realmente mudaram a forma como vemos cinema.
A existência frequente de um Oscar Honorário para nomes como Renoir, Welles, Kurosawa, Antonioni e Lynch soa quase como um prêmio de consolação. É a admissão de que o artista era importante demais para ser ignorado, mas não "palatável" o suficiente para vencer no auge de sua forma criativa. A lista de vencedores, comparada à lista dos que ficaram de fora, muitas vezes serve como um monumento ao conservadorismo de uma indústria que custa a reconhecer o verdadeiro avanço artístico enquanto ele acontece.
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