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EPISÓDIOS
S4.E1 ∙ Making the World a Better Place [***]
S4.E2 ∙ I'll Give You the Grand Tour [****]
S4.E3 ∙ I Gotta Get Some Air [***]
S4.E4 ∙ Hurm [*]
S4.E5 ∙ Give us a Moment [***1/2]
S4.E6 ∙ You look Horrible [***1/2]
S4.E7 ∙ Don't do Anything Rash [****]
S4.E8 ∙ Don't Leave me Hanging Here [****]
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ACASTANHADAS + REVIEW DO FINALE
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4X02 E 4X05: O episódio 02 é brilhante ao contar a (horripilante) história de como os Viltrumitas foram colocados a beira da extinção (pelo Vírus Flagelo) e por elegantemente interconectar isso com a inevitável guerra total com a Coalizão de Planetas que se avizinha (um verdadeiro triunfo coesivo via o líder Thadeus da Coalizão). O espetacular episódio ainda tem bastante humor, inclusive um inesperado riff com Star Trek: The Next Generation...
No episódio 05, Nolan (com Allen a tiracolo) volta a terra para recrutar Invincible para a tal guerra e pedir desculpas pelas suas IMPERDOÁVEIS monstruosidades do passado. Sem muito sucesso com as tais desculpas (obviamente), ele recebe enfim o reforço dos seus dois filhos (e de Zoe Thompson, a Tech Jacket) e enquanto viajam todos para o QG da Coalizão são atacados por Conquest e cia. Se segue eventualmente uma luta ainda mais brutal de Invincible & Conquest e não sabemos como qualquer um deles poderia ter sobrevivido a tamanha carnificina (além da violência fora de qualquer escala que acaba cansando um pouco, a coreografia da luta também não foi das melhores). E o episódio termina em um EXTREMO cliffhanger.
(A nave da Coalizão tem até uma "separação de disco" estilo TNG. Fugindo, por decisão tática da capitão, e deixando os cinco "Supers" para trás para lidar com o cruzador Viltrumita que trouxe Conquest.)
(Esta Castanha ficou pensando que o fato da gravidez de Eve roubar os seus poderes pode estar relacionado ao fato dela simplesmente ter se tornado poderosa demais e que pensaram nisso como uma maneira de retira-la da guerra por antecipação. Vamos averiguar!)
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4X06: O episódio atua como um potente ato de reconstrução após o cataclismo do último combate contra Conquest. Funcionando como uma necessária válvula de escape e reconfiguração de peças, a trama se bifurca de forma eficaz entre a escala cósmica do conflito nascente (Viltrumitas X Coalizão de Planetas) e a intimidade dolorosa de uma família partida... De um lado, testemunhamos o estopim oficial da Guerra Viltrumita, uma coreografia de destruição em massa que, embora narrada de forma um tanto fragmentada por montagens, ganha peso incontestável com a presença de um aterrorizante Grand Regent Thragg, cuja voz gélida de Lee Pace subverte as expectativas e promete na sequência um horror calculado muito além da força bruta (e após recebermos nesta semana a visita de Thragg e companhia em Talescria, capital da Coalizão, já atacaremos na próxima os Viltrumitas em seu planeta natal!)... Contudo, é no núcleo dramático isolado (do trio Grayson) em um planeta deserto que o episódio realmente encontra sua força motriz. Com Mark Grayson em um coma de dois meses para se recuperar de ferimentos grotescos, a narrativa se concentra no tenso e necessário processo de acerto de contas entre Nolan e seu filho mais novo, Oliver. Longe da civilização, o outrora impiedoso Omni-Man se vê confrontado não pela força, mas pelas palavras de um garoto que ouviu a confissão de que sua existência fora um "erro". A dinâmica vocal entre J.K. Simmons e Christian Convery sustenta o capítulo com uma crueza emocional palpável, externalizada em pequenos gestos como a caça por alimento e a discussão sobre honrar os mortos — um enterro simbólico que Nolan concede até mesmo a Conquest, alinhando rochas ao pôr do sol no formato do emblema Viltrumita. É nesse silêncio desconfortável que a série planta as sementes para futuros rachas, especialmente na apatia arrepiante de Oliver em relação ao destino da Terra, uma frieza que o diálogo sobre a lagosta só intensifica... A cereja do bolo fica para a já antológica cena pós-créditos: uma aula de metalinguagem e tortura psicológica com o falso retorno de Conquest, onde o vento soprando a terra sobre a lápide funciona como uma risada debochada dos roteiristas para o público em choque. É um episódio que troca a explosão contínua pela implosão emocional, provando que, em Invincible, o horror de "Você está horrível" muitas vezes reside menos nas entranhas expostas e mais nas feridas internas que demoram uma eternidade para cicatrizar.
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4X07: Completamos, em flashback, a história da morte do imperador Argall assassinado por Thadeus, a chegada de Thragg ao poder e a sua ordem do Expurgo (luta generalizada até a morte dentro de toda a população Viltrumita até que apenas os mais fortes ficassem de pé)... De volta ao presente, ocorre o confronto mais esperado, Thadeus e a sua guarda de honra versus Thragg e a sua guarda de honra na órbita de Viltrum (e mais ninguém em todo o planeta). O destaque absoluto vai para os impressionantes feitos físicos de Thragg (com o seu delicioso visual "Gay Raiz", estilo Freddie Mercury bigodudo somado ao do movimento do Bairro Castro, com saias e um inacreditável sobretudo de peles!) que não decepciona nem ao fã mais exigente... Percebendo que nenhuma condição apaziguaria Thragg, Nolan (junto com Thadeus, Mark e o Space Racer) realiza uma manobra de cair o queixo, desestabilizando o núcleo do planeta e destruindo Viltrum. Thragg furioso com isso mata facilmente Thadeus na sequência mas poupa os Graysons se dando conta de que apenas um punhado dos seus resta no cosmos e parte junto com seus últimos tenentes (Piedade, empatia ou uma capacidade de enxergar além do momento presente para eventualmente garantir a sobrevivência da sua espécie?)... Algum tempo depois o triunvirato Grayson se recupera (dos seus terríveis ferimentos) em Talescria. Eis que Mark finalmente tem um insight sobre o paradeiro dos últimos Viltrumitas: "Eles estão na Terra!"
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4X08: O quarto ano de Invincible (do protagonista homônimo vivido por Steven Yeun) chegou ao seu término com um episódio que subverteu todas as expectativas construídas ao longo de uma temporada marcada por combates de escala cósmica e pela devastação física e emocional de seus protagonistas. Don't Leave Me Hanging Here não é um desfecho repleto de explosões e mutilações, mas sim um epílogo silencioso e assombrado que se concentra inteiramente nas repercussões psicológicas da Guerra Viltrumita. Após a destruição do planeta Viltrum e o confronto catastrófico com o Grande Regente Thragg (Lee Pace) no episódio anterior, a narrativa se desloca do campo de batalha interestelar para o solo aparentemente pacato da Terra. A tensão, contudo, não se dissipa; ela se internaliza, manifestando-se de forma brutal na mente fragmentada de Mark Grayson. O episódio opera como um acerto de contas, forçando os personagens a encararem o peso das escolhas feitas durante a guerra e o vazio existencial deixado por ela. Enquanto a série historicamente reservava seus finais para clímax de ação visceral, a quarta temporada opta por uma pausa reflexiva, utilizando o retorno de Mark, Nolan Grayson (J.K. Simmons) e Zoe / Tech Jacket (Zoey Deutch) não como um prenúncio de novo confronto, mas como o estopim para uma crise de saúde mental que redefine o heroísmo dentro do universo de Invincible. A genialidade do roteiro reside em transformar a ameaça invisível de Thragg em um catalisador para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático de Mark, um tema que permeou toda a temporada, mas que aqui atinge seu ápice, preparando o terreno para uma negociação de paz tão aterrorizante quanto qualquer guerra.
A espinha dorsal dramática do episódio repousa sobre a deterioração psicológica de Mark Grayson, cujo Transtorno de Estresse Pós-Traumático deixa de ser um subtexto para se tornar a força motriz da narrativa. Desde os momentos iniciais, o espectador é tragado para dentro dos pesadelos vívidos e das alucinações acordadas do protagonista, que vê Thragg e os viltrumitas remanescentes assassinando sua mãe, Debbie Grayson (Sandra Oh), sua namorada, Eve Wilkins (Gillian Jacobs), e seu mentor, Cecil Stedman (Walton Goggins), com a mesma brutalidade gráfica que testemunhou em batalhas reais. A distinção narrativa se dá pela inteligência com que a série diferencia esses temores: enquanto as visões anteriores de Mark envolviam ameaças conhecidas ou confrontos diretos, o medo real que o paralisa aqui é a incerteza da localização dos inimigos. Os viltrumitas estão incógnitos, e essa ausência de informação prova ser uma tortura muito mais sofisticada do que os pesadelos de sangue. A trama valida essa angústia quando, durante um voo solitário para clarear a mente, Mark finalmente encontra Thragg não como uma miragem, mas como uma presença física e real. O vilão, contudo, não deseja lutar; ele apresenta um ultimato de frieza calculada. Restam apenas trinta e sete viltrumitas, e Thragg propõe que eles vivam secretamente entre os humanos, usando a população da Terra para procriar e reconstruir lentamente o império, assim como Nolan fizera para gerar Mark. A ameaça é clara: qualquer interferência da Coalizão resultará na morte de bilhões. É uma inversão genial da dinâmica de poder: Mark, o herói, é forçado a concordar com uma ocupação silenciosa para evitar um genocídio. Esta situação real, com os viltrumitas ocultos na sociedade, é infinitamente mais perturbadora do que qualquer invasão declarada, pois coloca o protagonista em uma posição de impotência cúmplice, corroendo sua identidade de Invincible por dentro.
Paralelamente à agonia de Mark, o episódio tece com maestria os arcos de Debbie Grayson e Eve Wilkins, culminando em momentos de rara vulnerabilidade. O reencontro entre Debbie e Nolan é carregado de uma fúria justificada e uma tristeza antiga. Nolan tenta articular seu arrependimento e sua jornada de redenção, mas é recebido pela muralha de dor de uma mulher que foi enganada e abandonada. A chave para a aproximação não é o amor romântico reacendido, mas a preocupação maternal com Oliver (Christian Convery), o filho adotivo híbrido que permanece ferido e em recuperação em Talescria. Após romper definitivamente seu relacionamento com Paul (seu colega da imobiliária), Debbie toma a decisão pragmática e emocional de acompanhar Nolan de volta ao espaço, não para perdoá-lo, mas para estar ao lado do filho que precisa dela. Esta resolução é adulta e desprovida de idealizações, refletindo a complexidade das relações danificadas pelo trauma. No entanto, o ápice emocional (vejam só!) do episódio e da temporada pertence à conversa entre Mark e Eve. Em meio ao turbilhão de alucinações do protagonista, Eve o confronta com uma verdade devastadora. Enquanto ele estava ausente lutando no espaço, ela descobriu uma gravidez e, diante do medo paralisante de criar um filho sozinha em um mundo sob constante ameaça viltrumita, optou por interromper a gestação. A menção sutil de Eve sobre estar mais gordinha em uma cena anterior adquire um peso trágico retrospectivo, ligando as mudanças em seu corpo à dor silenciosa que carregou sozinha. A revelação não é explorada de forma sensacionalista; pelo contrário, é um retrato cru e honesto do fardo de ser parceira de um herói. Mark, devastado, não a recrimina, mas internaliza a culpa por tê-la deixado enfrentar aquele momento sem apoio. A animação, com seu traço característico, sustenta essa cena com closes expressivos e um trabalho vocal impecável de Yeun e Jacobs, enquanto a trilha sonora de John Paesano sublinha a melancolia sem jamais cair no melodrama. A distância, no espaço, Allen (Seth Rogen) enfrenta seu próprio dilema ao assumir a liderança da Coalizão de Planetas. A transição é turbulenta, e o legado de Thaedus se revela uma bomba-relógio moral. Em uma mensagem póstuma, Thaedus instrui Allen a utilizar uma versão aperfeiçoada do Vírus Flagelo, uma arma biológica capaz de exterminar os viltrumitas remanescentes, mesmo que isso signifique a aniquilação de Mark, Nolan e (talvez!) de toda a humanidade, cujo DNA é (extremamente!) compatível. O segredo coloca Allen em rota de colisão com seus amigos, estabelecendo um conflito ideológico devastador para as temporadas futuras.
Don't Leave Me Hanging Here é, sem dúvida, o desfecho mais maduro e corajoso que Invincible já produziu, ele é uma proposta potente para, a partir de agora, a série jogar no time do alto drama... Ao recusar o espetáculo da violência em favor do peso silencioso das consequências, o episódio não apenas encerra a quarta temporada com maestria, como redefine os parâmetros da série para o futuro. O impacto sobre o restante da temporada é profundo: ele ressignifica a vitória pírrica da guerra, mostrando que a sobrevivência veio ao custo (ao menos por enquanto) da sanidade de Mark e da liberdade velada da Terra. A decisão de Mark de acobertar a presença dos viltrumitas o transforma em um guardião de um segredo que o corrói, isolando-o ainda mais de Cecil e dos aliados que poderiam ajudá-lo (como isso irá se desenvolver?). Olhando para além deste ano, o episódio planta as sementes para uma quinta temporada de tensão insuportável. A coexistência forçada com Thragg e seus soldados, escondidos à vista de todos, promete uma atmosfera de paranoia constante. Mais urgente, porém, é o dilema imposto a Allen: ele possui a chave para a erradicação total da ameaça viltrumita, mas talvez ao custo de um holocausto que ceifaria seus amigos mais próximos e uma civilização inteira. A revelação de que Nolan sabe da existência do vírus, mas desconhece a ordem final de Thaedus para usá-lo, adiciona uma camada extra de complexidade e potencial para um confronto familiar dilacerante. O que podemos esperar da série a partir de agora é uma guerra travada não nos céus, mas nas consciências de seus heróis. A jornada de Mark rumo à terapia, timidamente sugerida no episódio, será vital para sua capacidade de liderar. O futuro de Invincible não está mais em quão forte ele pode bater, mas em quão firme ele pode resistir ao peso de suas próprias escolhas e das vidas que repousam sobre seus ombros. A série enfim nos deixa pendurados, exatamente como o título promete, a beira de um abismo de incertezas morais.
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