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---------- 04X010 Tomorrow's Enterprise ----------
INTRODUÇÃO
Esta quarta temporada das aventuras de Pike e cia. chega ao seu fim recheada: (i) de big swings (um sabor dos high concepts de outrora agora com ênfase em uma variação brusca de gênero, episódio a episódio, e que rotineiramente prioriza as convenções da vez sobre o entendimento acumulado da identidade de uma franquia de 60+ anos) e (ii) de call aheads (noções dentro dos episódios que apontam o que um personagem será e/ou estará fazendo no período da TOS, sendo ele um personagem da TOS ou não)... O mais grave é que eles parecem ter sempre uma versão rústica do big swing e do call ahead para cada segmento, porém parecem produzir apenas um rascunho de roteiro e já encaminham essa versão para produção, sem necessários refinamentos e polimentos... O resultado líquido de tudo isso feriu de morte a série SNW e o seu legado.
Então, sem mais delongas, bem vindos ao review...
"TODOS OS BONS SWINGS..."
O título Tomorrow's Enterprise (além de remeter a um famoso/celebrado episódio da TNG) parecia sugerir alguém vivo que não deveria estar e uma trama de linha temporal modificada que deveria ser então resetada com uma "morte" trágica (justo do alguém fornecido pelo setup)... Esse, como tanto gosta de dizer esta Castanha, é o: Star Trek Plot Twist. ... Mas esse não foi o caminho adotado aqui.
A mais clara influência de fato presente é a do episódio final da TNG... Mas, infelizmente, em comparação, este aqui é no máximo uma versão de baixo custo daquele. Uma espécie de [Não importando a quantidade de Viagra disponível.]: "Todos os bons Swings... (Devem acabar um dia.)"
(No fim do dia, parece ser um roteiro da quinta temporada para a Uhura que eles "anabolizaram" para servir de 4X10... Um episódio comum "aumentado" para fazer o papel de season finale... Por isso que existe uma falsa culminância do plano original "equação + diamante" e o estabelecimento de um revezamento dos doutores médicos por exemplo... Supomos que eles salvaram coisas não usadas aqui para o 5X06, o qual de fato é o episódio final da série e que chega em 2027... Por isso (e não somente por isso) que esse episódio é um tanto esquisito... Supomos...)
Ficamos então com uma versão simplória de All Good Things com duas Uhuras defasadas temporalmente de um ano se comunicando (pelo fone de ouvido) (*) ao invés de um único Picard com a consciência saltando entre três distintos momentos (especialmente escolhidos para serem) significativos e separados por décadas... Isso é só um exemplo do abismo de carpintaria dramática entre as duas obras... Indo além, o episódio faz comentários meta linguísticos sobre AGT como a sua insistência com o jogo de pôquer e Kirk discutindo se deve estar mais ou menos próximo dos seus comandados (o que soa deveras desconectado).
(Em All Good Things, ocorre uma emocionante culminância pois o episódio, apesar dos percalços entre os personagens, especialmente na sua porção futura, agrega completamente as ações de todos nas três linhas temporais em torno do seu protagonista. Aqui Uhura faz as coisas meio que nas sombras. O que faz as tripulações das duas naves parecerem meio patetas.)
O centro emocional do episódio nunca chega de forma clara, causando sonolência ao espectador. A promessa de salvamento de Scotty é estabelecida de forma confusa e é apoiada em uma caprichosa/incompreensível mecânica temporal para funcionar (E o que Uhura estava fazendo sozinha numa nave auxiliar nos limites de um buraco negro?) (Sem falar na forma que esse episódio trata a Física em geral!).
(Podemos acreditar que de fato aconteceu alguma coisa ruim com Laan após o reset da linha temporal com a sobrevida de Scotty?)
(O namoro de Uhura e Scotty não sai de lugar algum, além de de um filme ruim, se constituindo em um desenvolvimento estranhíssimo, especialmente após o investimento da série no emparelhamento de Scotty e Ortegas. Obviamente tal relacionamento amoroso abrupto não poderia servir de lastro dramático para o presente episódio.)
A falta de atitude de ambas as tripulações frente a INEXPLICÁVEL permuta física das Uhuras é inacreditável, mas o pior ainda estava por vir...
Depois de uma pífia e confusa investigação (Por exemplo, a escultura na parede é uma espécie de Pedra de Roseta?), eis que descobrimos que as tais luzes cantoras são parteiras (!) e as duas anomalias espaço temporais são uma espécie de vaginas espaciais (!) e de algum modo estão conectadas (!). Descobrimos ainda que os pulsos são contrações (!) de um bebê espacial (!) que por algum motivo transcendental está em posição pélvica (!)...
(E notem como Chapel tira instantaneamente os drones do bolso, aparentemente também no passado, e temos que esquecer da trama do "anti pulso" até ali.)
E obviamente as duas Uhuras tem que se juntar para "virar o bebê" e permitir o nascimento, em uma espécie de manipulação sem fio do abstrato (uma vez que não existem informações sobre coisa alguma aqui). Algo virtualmente impossível de se conectar emocionalmente.
E, sem surpresas, os super seres envolvidos, que partilham inúmeras características com os Profetas de Bajor, apertam um literal botão de reset sobre tudo que ocorreu, preservando apenas as memórias das duas Uhuras. E é assustador como esse recurso de apagamento de memória tem sido usado em SNW.
(Os seres da semana são poderosos demais, o que faz da "ajuda" das Uhuras algo deveras artificial. O salvamento de Scotty também não tem uma conexão direta com os atos das duas, o que só piora as coisas.)
(A omissão, sobreposta ao ponto do inaudível frente a uma música, do nome dos alienígenas, segue a atitude brincalhona com relação a Trelane. O que querem dizer com tudo isso?)
(A reversão do filme para ilustrar tal reset e a montagem final do jogo de pôquer e da refeição compartilhados parece ser um artefato de quando o segmento ainda era o fim da série e não apenas o fim da quarta temporada.)
Sem um bom roteiro não existe catarse/culminância e o final (apesar dos belos visuais) é desprovido de sentido e de significado... O Swing da vez é modesto (em comparação) e não deve incomodar por si só aos fãs mais tradicionais... E o Call Ahead para os primeiros dias da Enterprise de Kirk é também discreto e pouco impactante (a já grande familiaridade da audiência com essa versão de Kirk não ajuda esse ponto). Reescritas (e problemas de bastidores) são uma possibilidade mas é digno de nota a TOTAL ausência daqueles "momentos de arrepios" que episódios de linha temporal alterada costumam trazer... Um confuso e absolutamente medíocre esforço.
(*) Para quem quiser investir mais nos aspectos de swing do episódio olhe aqui .
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