sexta-feira, 10 de abril de 2026

THE BOYS S5 (2026)

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EPISÓDIOS

01  Fifteen Inches of Sheer Dynamite [***1/2]
02 Teenage Kix [***]
03 Every One of You Son of Bitches [***]
04 King Of Hell [**]

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5X01 e 5X02: A dobradinha de estreia da quinta e última temporada de The Boys, que reúne os episódios Fifteen Inches of Sheer Dynamite e Teenage Kix, entrega um coquetel molotov de brutalidade gráfica, sátira política cortante (já virtualmente sem filtros) e desolação emocional que, embora carregue o peso inevitável da repetição estrutural e uma ligeira fadiga típica de ciclos derradeiros, compensa com sobras ao elevar exponencialmente as apostas por meio de baixas dilacerantes e uma sensação onipresente de que ninguém emergirá incólume do confronto terminal contra a tirania divinizada de um Homelander mais instável, paranoico e letal do que em qualquer ponto anterior da série... A narrativa retoma os acontecimentos doze meses após o caos do finale passado, arremessando o espectador de imediato para dentro de uma distopia americana (à imagem de Homelander) onde os integrantes remanescentes da equipe titular — Hughie Campbell, Mother's Milk e Frenchie — definham nos recém-instituídos "Freedom Camps" ("Campos de Liberdade") da Vought, enquanto um Billy Butcher devastado pela progressão do Tumor cerebral e consumido por um ódio que o metamorfoseia na versão mais perigosa e moralmente cinzenta de si mesmo, orquestra uma evasão frenética ao lado de Starlight (Annie January), cuja cruzada pessoal gira em torno de expor a farsa midiática (por exemplo) do sequestro do Voo 37 (além do excruciante e permanente sacrifício psicológico de ser a face pública da oposição a Homelander), e de uma Kimiko que, finalmente vocalizando (!) seus traumas em um discurso dilacerante, completa o núcleo de resistência externa. O primeiro episódio atinge seu clímax catártico em uma das sequências de ação mais tensas e de maior custo dramático da série, pontuada pelo sacrifício redentor de A-Train (que garante a fuga do trio!), cuja morte às mãos de um Homelander publicamente humilhado e psicologicamente fragmentado — que gargalha enquanto o rotula de "loser" em seu estertor final — não apenas confere à trama um luto genuíno e um senso de urgência renovado, mas redefine os contornos da vilania ao escancarar a fragilidade narcísica do antagonista... Já Teenage Kix, longe de ser um mero epílogo, opera como um contraponto mais cadenciado porém igualmente perturbador, focando na logística macabra da resistência refugiada em uma escola abandonada; é aqui que testemunhamos a aplicação inconclusiva e eticamente tortuosa do vírus letal desenvolvido para o genocídio dos Supers sobre a cobaia de pele pétrea conhecida como Rock Hard, experimento que expõe fissuras talvez irreconciliáveis entre um Hughie apegado aos resquícios de sua humanidade e uma Starlight disposta a sacrificar milhares para salvar bilhões (ela inclusa!), ao mesmo tempo em que a narrativa introduz a influência nefasta do pastor-super Oh-Father (Daveed Diggs) na manipulação teocrática das massas e culmina na ressurreição imprevista (via Homelander!) de Soldier Boy (Jensen Ackles), que, após ser aparentemente neutralizado pelo patógeno, recobra os sentidos ao fim do episódio para injetar uma variável de caos imprevisível e tensões edipianas no tabuleiro. O retorno do pai biológico de Homelander, mais ranzinza e anacrônico do que nunca, não só complexifica a dinâmica de poder como estabelece uma disputa de egos que promete implodir os Seven por dentro, enquanto Butcher, confrontado com a ineficácia parcial de sua arma biológica, mergulha ainda mais fundo no abismo da vingança niilista. A dupla de estreia, portanto, pavimenta com sangue, tripas e dilemas morais intransponíveis o terreno para um acerto de contas final onde o choque entre a desumanização fascista de Vought e a chama agonizante da esperança — talvez agora representada exclusivamente pela obstinação de Hughie em não se tornar um monstro — pavimenta a estrada para um banho de sangue cada vez mais gráfico e um legado de devastação absoluta.

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5X03: O terceiro capítulo da quinta temporada de The Boys, intitulado Every One of You Sons of Bitches, aprofunda a ferida do trauma intergeracional com uma brutalidade que recusa qualquer alívio. A trama acelera a corrida pelo V1, a versão original do Composto V (que pode tornar Homelander imune ao vírus e mesmo "imortal" como Soldier Boy), ao mesmo tempo que reposiciona Stan Edgar nos bastidores e exibe a integração de Soldier Boy aos Sete em meio a um espetáculo de propaganda grotesca. Contudo, o cerne dramático reside no embate entre Ryan e Homelander, uma sequência de espancamento paterno filmada como tortura íntima, onde a força descomunal do filho apenas sublinha a vulnerabilidade emocional de quem jamais foi verdadeiramente acolhido... Em paralelo, Hughie enfrenta o peso da culpa ao ser confrontado por Maverick, filho de Translucent, um jovem invisível que desconhece o papel do rapaz no assassinato do pai e que acaba tragicamente ceifado por engano durante uma refrega com Cindy, uma agente telecinética a serviço de Homelander. Enquanto isso, Zoe, órfã de Victoria Neuman, foge do bunker invadido de Edgar (que é sequestrado na confusão pelo The Deep) e (aparentemente) rompe o ciclo de vingança ao encontrar seu verdadeiro pai, o cientista Sameer Shah, no laboratório do vírus dos The Boys, optando pela reconstrução de um futuro, longe dali, em vez da perpetuação do ódio  (mas não sem antes, revoltados com tanta mentira, destruírem tudo no laboratório!)... Nesse cenário de escombros morais, Starlight decide se distanciar do grupo ao perceber que sua presença e os alvos que carrega expõem Hughie a um risco letal iminente (Ele apenas por um milagre não morreu no lugar de Maverick!), uma escolha que fragmenta ainda mais a resistência e sublinha a solidão de quem luta num mundo onde os laços afetivos se tornaram sinônimo de vulnerabilidade.

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5X04:  Nesta semana, The Boys cometeu um episódio bastante fraco, repleto de vícios de escrita que já não pertencem a boas séries do gênero faz algumas décadas. O maior problema aqui é a falta de verossimilhança (beirando o pleno colapso da apresentação dramática em si): onde Homelander e Soldier Boy são simplesmente incapazes de detectar a presença dos rapazes fazendo alarde dentro da instalação em primeiro lugar e, por outro lado, eventualmente a turma de Butcher cia. nada fazer perante os dois primeiros brutalmente fragilizados (Algo que aliás beira o inacreditável vide o contexto!)... E o mais infame de tudo é Butcher receber de graça a informação de que a radiação afeta gravemente os Supers (Especialmente por ninguém pensar nisso antes!)

[E o que dizer de todo o setup para o spin off cinquentista Vought Rising feito aqui? Santa falta de urgência Seu Kripke!]

E ainda:

* O clichê covarde da entidade que inibe o melhor julgamento coletivo e faz os rapazes quase se matarem é visível de longe (E com o Frenchie inacreditavelmente DOBRANDO tal anúncio todos os passos ao longo do caminho!)... E  como a tal entidade estar conectada ao Soldier Boy estilhaça a suspensão de descrença aqui!

A trama lateral na casa do pai biológico de Starlight é muito ruim (amadorística até!), parecendo existir apenas para a heroína não exterminar os seus companheiros durante a crise do conflito induzido na instalação (Isso sem falar no também "estratégico" sumiço do Ryan ainda todo machucado). 

O pouco que se salva aqui vem dos vassalos (E alguns futuros traidores!) do Homelander na Vought procurando lidar com as últimas demandas do Super em se tornar divino e em como vender isso para o grande público. Ainda assim, a sátira e a escatologia já se apresentam mais transparentes do que o recomendado para o bom drama televisivo.

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