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EPISÓDIOS
01 - Goodbye Cruel World [**1/2]
02 - Life in the Fast Lane [*]
03 - Long Way from Home [*]
04 - Dont Stop the Dance [**1/2]
05 - Pretty Vacant [*]
06 - Heaven is a Place on Earth [*]
07 - Almost Blue [**1/2]
08 - Unforgettable Fire [**1/2]
09 - Death on Two Legs [**1/2]
10 - I can't tell you why [**]
11 - Running with the Devil [***]
12 - Close to the Edge [**]
13 - The World is Yours [**]
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ACASTANHADAS
A primeira temporada de Lazarus (2025), a tão aguardada volta do aclamado diretor Shinichiro Watanabe, é uma decepção profunda que tropeça no vão entre sua ambição colossal e uma execução notavelmente medíocre. A premissa, embora cativante, afunda sob o peso de suas próprias contradições: em um futuro próximo, o cientista Dr. Skinner anuncia que seu remédio milagroso, o Hapna, matará toda a humanidade em três anos, e a equipe de elite Lazarus tem um mês para caçá-lo e conseguir a cura. Este cenário apocalíptico urgente, no entanto, é sabotado por uma narrativa indulgentemente lenta, que dedica tempo excessivo a perseguições vazias e diálogos filosóficos desconectados da emoção real dos personagens, enquanto a ameaça global iminente parece uma mera reflexão tardia. A sensação predominante é a de se observar um cão correndo em círculos, perseguindo o próprio rabo em episódios que vão de lugar nenhum a lugar algum.
Os personagens, infelizmente, são veículos funcionais e sem carisma para esta trama errante. O protagonista brasileiro Axel Gilberto, basicamente definido por seu parkour, é o epítome desse problema. Suas cenas de fuga, que deveriam ser o ápice da ação coreografada por Chad Stahelski (John Wick), são frequentemente prejudicadas por um hibridismo visual bizarro e mal integrado entre animação 2D e elementos 3D, resultando em uma fluência artificial que quebra a imersão e destoa do estilo visual geral. O resto da equipe Lazarus passa pela tela como sombras de conceitos, carecendo da profundidade e do magnetismo que definiram os anti-heróis de Watanabe no passado; não há um Spike Spiegel ou um Faye Valentine aqui, apenas esboços promissores que a narrativa apressada e sobrecarregada se recusa a desenvolver. O vilão Dr. Skinner, por sua vez, se perde em monólogos grandiosos que, em vez de torná-lo uma figura complexa, o reduzem a um artifício de roteiro.
A produção em si é uma coleção de escolhas questionáveis. A direção de arte é deslumbrante SIM, mas frequentemente se parece com uma versão requentada do universo de Cowboy Bebop, priorizando a estética sobre a substância da história. A trilha sonora, assinada por Kamasi Washington, Bonobo e Floating Points, é NOVAMENTE um primor técnico, mas soa indulgente e desconectada quando aplicada a cenas que não conseguem sustentar seu peso emocional. A lógica narrativa é frágil, com a equipe de cinco especialistas globais agindo mais como turistas perdidos do que como última esperança da humanidade, e uma sensação geral de "jeitão de coprodução americana" permeia a série, diluindo a identidade única que se espera de Watanabe em favor de um scifi genérico de streaming.
O que está por vir, após um final previsível que basicamente reseta o jogo, é a promessa de uma segunda temporada que terá a difícil tarefa de justificar essa introdução arrastada. A série precisará abandonar urgentemente a verborragia existencial vazia, dar alma a seus personagens de madeira e entregar uma trama que, de fato, corresponda à urgência mortal de sua premissa. Até lá, Lazarus permanece quase que como um monumento à expectativa frustrada, um projeto que tinha todos os ingredientes para a excelência – um diretor lendário, um coreógrafo de ação de elite e um conceito forte – mas que falhou espetacularmente em combiná-los em algo que fosse além de um exercício de estilo frio e esquecível. Para fãs do gênero, é uma curiosidade dispensável; para fãs de Watanabe, é uma dolorosa lição de que nem mesmo os mestres estão imunes a tropeços.
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