quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

MEUS COANIVERSARIANTES (2025)

 Feliz aniversário para vocês, meus companheiros de Data (30 DE JANEIRO)...

PHIL COLLINS

JIRO DAN

GENE HACKMAN

CHRISTIAN BALE

Quem sabe, num improvável  crossover, o Lex Luthor ficaria tão incomodado com o Ultraman (Jack) quanto com o Superman e o Batman observaria de longe sempre se preparando para o pior...

"E o Phil?"

Bem, ele poderia conjurar a formação clássica do Genesis no seu auge para executar a música de tal encontro...

"Mas, Castanha, se eles tocassem Supers Ready... A seção final..."

Sim, não haveria então mais necessidade de luta e Jack voltaria para a sua casa na Terra da Luz (na Nebulosa M78), Luthor seria incapaz de compor algo tão sublime, ficaria em crise terminal tentando arrancar fios de cabelo inexistentes e seria internado no Arkham Asylum sob os cuidados de uma certa doutora Harleen Frances Quinzel (PHD).

"E o Batman?"

Mesmo com chuva e na escuridão da noite veríamos a milhas de distância UMA lágrima solitária do Cavaleiro das Trevas quando o Peter Gabriel cantasse esta estrofe:

'...Can't you feel our souls ignite?
Shedding ever-changing colours
In the darkness of the fading night
Like the river joins the ocean
As the germ in a seed grows
We have finally been freed to get back home...'

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

SEVERANCE S2 (2025)

----------
 
SEVERANCE

----------

EPISÓDIOS

S2.E01 ∙ Hello, Ms. Cobel [***]
S2.E02 ∙ Goodbye, Mrs. Selvig [***]
S2.E03 ∙ Who Is Alive? [***1/2]
S2.E04 ∙ Woe's Hollow [****]
S2.E05 ∙ Trojan's Horse [***]
S2.E06 ∙ Attila [***]
S2.E07 ∙ Chikhai Bardo [****]
S2.E08 ∙ Sweet Vitriol [**]
S2.E09 ∙ The After Hours [***] 
S2.E10 ∙ Cold Harbor [****]

----------

REVIEW

A segunda temporada de Severance, lançada pela Apple TV+ em janeiro de 2025, consolida a série como o projeto mais ambicioso e coerente da carreira de seu criador, Dan Erickson, e de seu principal diretor e produtor executivo, Ben Stiller. Para Erickson, a temporada representa a maturação de uma premissa conceitual que já era marcante em sua filmografia anterior, aprofundando a sátira à cultura corporativa e os dilemas existenciais com uma complexidade narrativa que evita as armadilhas comuns a séries do gênero "puzzle-box" (*). Para Stiller, cuja trajetória alterna comédias ácidas e dramas introspectivos, esta temporada é a síntese de seu interesse pela estilização visual e pelo humor absurdo aplicados a uma narrativa de suspense psicológico de alto escalão. A produção chega após uma pausa de quase três anos, um intervalo que, longe de esfriar o interesse, amplificou a expectativa e permitiu um refinamento considerável. Dentro do panorama televisivo de 2025, marcado por uma saturação de conteúdos de franquias e uma demanda por narrativas originais, a temporada se destaca como um trabalho que eleva a discussão sobre a desumanização do trabalho, a fragmentação da identidade e os limites éticos da tecnologia de forma tão pertinente quanto a primeira, refletindo ansiedades contemporâneas sobre autonomia e controle em uma sociedade cada vez mais digitalizada e monitorada.

(*) (Evita armadilhas como: (i) Colocar mitologia antes dos personagens , (ii) Negligenciar resolução emocional , (iii) Tratar o mistério como um fim em si mesmo etc. ... Severance faz como bem fizeram Twin Peaks e The Leftovers antes dela, por exemplo.)

A narrativa da segunda temporada avança diretamente a partir do cliffhanger explosivo da primeira, com os "innies" do departamento de Refinamento de Macrodados tendo experimentado brevemente o mundo exterior graças ao Protocolo de Hora Extra. Agora, Mark Scout (Adam Scott) está obcecado em resgatar Gemma, sua esposa "falecida" que agora vive como a conselheira de bem-estar senhorita Casey (Dichen Lachman) no subsolo da Lumon. Helly R. (Britt Lower) enfrenta a crise de descobrir que sua "outie" é Helena Eagan, a herdeira destinada a comandar a corporação que oprime sua existência interna. Irving (John Turturro) sofre com a lembrança de seu romance com Burt (Christopher Walken), agora aposentado, enquanto Dylan (Zach Cherry) luta para conciliar a devoção à família que descobriu ter com a lealdade aos colegas. A tensão central reside no projeto "Cold Harbor", uma iniciativa obscura da Lumon que requer a participação conjunta de Mark e Gemma e promete revelar os objetivos finais da empresa. A estrutura episódica, que alterna focos em personagens específicos e inclusive apresenta capítulos totalmente dedicados às versões "innie" ou "outie", é utilizada para dissecar os temas principais: a luta pela autonomia pessoal frente a sistemas de controle total, a natureza da consciência e a pergunta sobre se os "innies" possuem alma e direito à autodeterminação. Os conflitos dos personagens são, portanto, duplos: internos, na batalha por uma identidade coerente, e externos, na resistência contra a máquina opressora da Lumon, que agora se mostra ainda mais expansiva e sinistra com a introdução de novos departamentos e figuras de autoridade, como a extremamente jovem e inquietante gerente Miss Huang (Sarah Bock).

Episódios destaques:

Woes Hollow é um fantástico episódio com quebra de formato em que os quatro "innies" regulares fazem uma espécie de retiro a trabalho porém ao ar livre e sozinhos a beira de um lago congelado (!). Nele Irving desmascara Helena Eagan  que estava se passando pela sua "innie" desde o início da temporada. Isso vai precipitar a aposentadoria do "innie" de Irving e futuramente o seu reencontro no mundo real com Burt.

No monumental Chikhai Bardo, talvez o melhor episódio da série até aqui, finalmente conhecemos via flashback a trágica história do relacionamento de Mark e Gemma, um grande amor abalado pelas dificuldades em procriar e que termina com a "morte" dela (pelas vis manobras da Lumon)...  No presente, Gemma vive num subsolo da companhia como hospedeira de diversos "innies" (todos diferentes da senhorita Casey) em múltiplos bizarros cenários de pesquisa interconectados com o trabalho interno de Mark na empresa (!).

No estupendo Cold Harbor,  último da temporada, Mark conclui a sua tarefa enquanto Gemma desmonta um berço sem resposta emocional (**) (o que concorda com os planos da Lumon)... E numa reviravolta tantalizante o Mark "innie" salva Gemma e retorna para a sua Helly (!).  

(**) Ecoando o ocaso do relacionamento dos dois... Ligando as duas cenas temos a canção I'll be seeing you... Esta Castanha adorou!

A realização técnica desta temporada é um instrumento fundamental para concretizar sua atmosfera de estranhamento e seus dilemas psicológicos. A direção, dividida entre Ben Stiller, Uta Briesewitz e Samuel Donovan, mantém o ritmo meticuloso e a sensação de claustrofobia onírica, utilizando planos sequência tensos e enquadramentos assimétricos que reforçam a desconexão entre os mundos interno e externo. A fotografia de Jessica Lee Gagné, Suzie Lavelle e David Lanzenberg cria um contraste visual palpável: o interior da Lumon é um labirinto de brancos frios e luzes fluorescentes, enquanto o mundo exterior é retratado com uma paleta de cores outonais e cinzentas, porém não menos opressiva. A montagem, com transições "glitch" e sobreposições sutis, materializa visualmente a fragmentação da memória. As atuações alcançam níveis excepcionais de complexidade. Adam Scott delineia com precisão cirúrgica as nuances entre a vulnerabilidade de Mark "innie" e a dor contida de Mark "outie". Britt Lower executa a difícil tarefa de criar duas personagens antagônicas – a rebelde Helly e a calculista Helena – com convicção e profundidade emocional. Tramell Tillman, como o gerente (da Lumon) Seth Milchick, rouba cenas com uma mistura de charme teatral e ameaça latente. A trilha sonora eletrônica e minimalista de Theodore Shapiro completa o ambiente, pontuando a tensão e a absurdidade com sons mecânicos e temas melancólicos que ecoam a desconexão dos personagens.

Em conclusão, Severance, segunda temporada, sob a batuta criativa de Dan Erickson e Ben Stiller, não apenas cumpre as altas expectativas geradas pela primeira temporada, mas as supera em ambição e profundidade emocional. O veredicto final sobre seus temas é sombrio porém claro: a busca por integridade em um mundo que privilegia a fragmentação é uma batalha árdua, e a humanidade pode ser a última fronteira contra a lógica despersonalizante do capitalismo tecnológico. Para os personagens principais, a temporada termina com avanços custosos e recuos agonizantes, deixando-os – e ao público – num limbo de esperança cautelosa. O impacto desta temporada consolida Severance como uma das séries mais importantes de sua geração, um farol de originalidade e inteligência narrativa que desafia a audiência a refletir sobre a própria natureza do trabalho, da identidade e da liberdade. Sua influência já pode ser sentida no debate cultural e estabelece um padrão elevadíssimo para a televisão de ficção científica e thriller psicológico, assegurando seu lugar no cânone televisivo contemporâneo enquanto aguardamos, com expectativa renovada, o desfecho prometido na terceira temporada.

----------



SEVERANCE S1 (2022)

----------
 
SEVERANCE

----------

EPISÓDIOS

S1.E01 ∙ Good News About Hell [***]
S1.E02 ∙ Half Loop [***]
S1.E03 ∙ In Perpetuity [***]
S1.E04 ∙ The You You Are [***]
S1.E05 ∙ The Grim Barbarity of Optics and Design [***]
S1.E06 ∙ Hide and Seek [***]
S1.E07 ∙ Defiant Jazz [****]
S1.E08 ∙ What's for Dinner? [****]
S1.E09 ∙ The We We Are [****]

----------

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

CONCLAVE (2024)

------------
------------

CONCLAVE (2024) [120'] [2.39:1] [★★★]

Conclave surge num panorama cinematográfico de 2024 marcado por profundas interrogações sobre o destino das instituições tradicionais, estabelecendo-se como um thriller de câmara que revisita os mecanismos do poder eclesiástico através de uma lente decididamente contemporânea. Edward Berger, diretor alemão que ascendeu ao estrelato internacional com a visceralidade de sua versão para o clássico All Quiet on the Western Front, empreende aqui um movimento aparentemente contraditório, mas profundamente revelador de suas inquietações autorais: se na trincheira da Primeira Guerra ele dissecava os estertores da máquina bélica e seu efeito desumanizador, nos corredores vaticanos de Conclave ele mantém o mesmo impulso analítico, mas transferindo o campo de batalha para o território da alma e da consciência individual. A obra diferencia-se de seus trabalhos precedentes justamente por operar na chave da contenção expressiva, onde os conflitos se travam em silêncios e olhares furtivos, numa mudança de registro que paradoxalmente reforça sua assinatura autoral mais característica: a precisão quase cirúrgica para dissecar sistemas de poder em franco processo de erosão interna. O diretor demonstra ainda uma versatilidade notável ao transitar do épico bélico para o drama intimista sem perder de vista sua obsessão fundamental, qual seja, a fragilidade das estruturas humanas quando confrontadas com suas próprias contradições. Lançado num contexto global de questionamento das lideranças tradicionais e de ascensão de discursos extremistas em diversas democracias ocidentais, o longa encontra ressonância imediata nas discussões contemporâneas sobre os limites entre fé e política, tradição e necessidade imperiosa de renovação, construindo pontes sutis mas identificáveis entre o microcosmo vaticano e as tensões que atravessam as sociedades seculares contemporâneas.

A trama desenrola-se nos dias imediatamente subsequentes à morte do Papa, quando o recluso e atormentado Cardeal Lawrence, interpretado por Ralph Fiennes com uma contenção que beira o ascetismo, é incumbido da tarefa hercúlea de supervisionar o conclave que escolherá o novo líder da Igreja Católica Apostólica Romana. O que se segue é um mergulho progressivo nos bastidores desse processo milenar, onde a espiritualidade apregoada dá lugar a um jogo de poder tão complexo e multifacetado quanto qualquer disputa política nos parlamentos seculares, revelando que a púrpura cardinalícia não torna seus portadores imunes às paixões mais terrenas. Lawrence, que carrega o peso de uma fé vacilante e de dúvidas existenciais jamais inteiramente resolvidas, logo descobre que está mediando não apenas almas teoricamente voltadas para o transcendente, mas ambições desmedidas e projetos de poder perfeitamente delineados: de um lado, o progressista Cardeal Bellini, a quem Stanley Tucci confere uma sofisticação cansada e uma relutância que esconde feridas antigas; de outro, o conservador radical Tedesco, encarnado por Sergio Castellitto com uma intensidade que oscila entre o fanatismo e a sinceridade desconcertante; além do nigeriano Adeyemi, vivido por Lucian Msamati, e do canadense Tremblay, interpretado por John Lithgow com a maleabilidade típica de quem transita entre facções com desenvoltura. A chegada do enigmático Cardeal Benitez, figura interpretada por Carlos Diehz com uma serenidade que progressivamente se revela enganadora, introduz uma variável inesperada no tabuleiro: nomeado in pectore pelo Papa falecido e vindo diretamente de uma zona de conflito no Afeganistão, Benitez carrega consigo a experiência do sofrimento real, aquela que os outros cardeais apenas teorizam em seus discursos. Conforme as votações se sucedem na Capela Sistina, num ritual repetitivo que a montagem transforma em progressivo crescendo de tensão, escândalos emergem como bombas de efeito moral cuidadosamente cronometradas: descobre-se que Tremblay foi demitido por corrupção antes mesmo da morte do Pontífice, enquanto Adeyemi é desmascarado por um relacionamento passado com uma irmã, do qual resultou um filho mantido em segredo por décadas. A tese central do filme vai se revelando nessa progressiva desconstrução da fachada de santidade, expondo a fragilidade essencialmente humana por trás das vestes sagradas e dos títulos pomposos, culminando na noite anterior à eleição decisiva, quando um atentado terrorista em Roma força os cardeais a posicionarem-se publicamente, abandonando a retórica abstrata para confrontar a dor concreta. É nesse caldeirão de tensões acumuladas que Benitez emerge como figura de conciliação improvável, sendo eleito Papa sob o nome de Inocêncio, numa reviravolta que parece satisfazer os anseios por renovação. No entanto, a verdadeira revelação, aquela que redefine retroativamente todo o percurso narrativo, ocorre em particular: confrontado por Lawrence sobre consultas médicas nunca realizadas e documentos que contradizem sua biografia oficial, o novo pontífice confessa sua condição intersexo, afirmando-se como criatura de Deus em sua totalidade paradoxal, e nesse gesto de transparência radical devolve ao atormentado Lawrence a centelha de fé que ele julgava irremediavelmente perdida nos labirintos da dúvida e da desilusão institucional.

A realização técnica de Conclave constitui um verdadeiro estudo de caso sobre como a linguagem audiovisual pode amplificar tensões dramáticas sem jamais recorrer ao espetáculo gratuito ou à pirotecnia vazia, operando antes por acumulação sutil e contaminação progressiva dos elementos formais. Berger, em parceria com o diretor de fotografia Stéphane Fontaine, constrói uma estética rigorosamente baseada no enquadramento simétrico e na iluminação que evoca deliberadamente a pintura sacra do Renascimento, com seus claros-escuros dramáticos e sua solenidade compositiva, mas subverte constantemente essa solenidade com uma montagem que introduz ruídos visuais e cortes secos nos momentos de maior agonia psicológica dos personagens, criando um desconforto que se transmite ao espectador quase por contágio epidérmico. A câmera frequentemente isola Lawrence em meio à multidão de cardeais, utilizando a profundidade de campo para acentuar seu isolamento existencial mesmo quando fisicamente rodeado por dezenas de figurantes, num recurso que remete à tradição do expressionismo mas atualizada por uma sensibilidade contemporânea. A trilha sonora composta por Volker Bertelmann, o mesmo parceiro de Berger em All Quiet on the Western Front, merece análise detida: ao mesclar elementos sacros tradicionais com dissonâncias eletrônicas e texturas sonoras industriais, ela cria uma atmosfera de permanente desconforto que traduz com precisão a agonia interna dos personagens, funcionando como contraponto irônico à beleza plástica das imagens e lembrando-nos constantemente que sob a superfície harmoniosa fervilham contradições insolúveis. As atuações constituem o pilar mestre sobre o qual se sustenta todo o edifício narrativo, com Ralph Fiennes entregando um Lawrence de contenção exemplar, cujos conflitos interiores são comunicados por microexpressões faciais e silêncios mais eloquentes que qualquer discurso, numa performance que exige do espectador atenção redobrada aos detalhes mínimos. Stanley Tucci traz para Bellini a sofisticação cansada de quem já testemunhou inúmeras disputas e perdeu a ilusão de que a verdade triunfa por seus próprios méritos, enquanto Isabella Rossellini, mesmo em cenas quantitativamente limitadas como a Irmã Agnes, rouba a atenção sempre que surge em quadro ao personificar a observação silenciosa dos bastidores do poder, aquela que tudo vê mas nada pode interferir abertamente. Carlos Diehz, como Benitez, carrega o peso da revelação final com uma serenidade que beira o transcendente, construindo seu personagem de modo que a surpresa final pareça, em retrospecto, perfeitamente orgânica e inevitável, enquanto Sergio Castellitto oferece o contraponto explosivo como o tradicionalista Tedesco, equilibrando-se na corda bamba entre o vilão caricato e o porta-voz sincero de uma visão de mundo em extinção. A direção de arte merece igualmente encômios pela recriação obsessivamente detalhada dos espaços vaticanos, transformando a Capela Sistina não em mero cenário pitoresco, mas em personagem silencioso que testemunha séculos de história e parece observar, impassível, a pequenez dos dramas humanos que se desenrolam sob seus afrescos imortais, estabelecendo um contraste poderoso entre a permanência da arte e a transitoriedade das ambições individuais.

Ao final da jornada, Conclave oferece um veredicto menos contundente sobre a Igreja enquanto instituição divina do que sobre a Igreja enquanto construção essencialmente humana, falível em sua própria natureza e contraditória em sua própria constituição, propondo uma reflexão que transcende o âmbito eclesiástico para interrogar qualquer sistema de poder baseado na pretensão de infalibilidade. O diretor Edward Berger conduz sua narrativa para uma conclusão deliberadamente ambígua, que desafia o espectador a reconsiderar significados estabelecidos de pureza doutrinária e vocação religiosa, recusando o conforto de resoluções fáceis. Se o filme parece, em determinados momentos de seu percurso, caminhar para uma crítica previsível da hipocrisia eclesiástica e dos escândalos que pontuaram a história recente da instituição, a revelação final do Cardeal Benite(*) redireciona drasticamente o foco para uma reflexão teologicamente mais sofisticada: a verdadeira crise da fé contemporânea não reside primariamente nos escândalos financeiros ou na corrupção moral, mas na recusa obstinada em aceitar a diversidade intrínseca da criação como manifestação legítima do divino, na incapacidade de reconhecer que o sagrado pode habitar formas que escapam às categorias estabelecidas. A decisão final de Lawrence de proteger o segredo do novo papa e, nesse ato de cumplicidade, retomar seu próprio caminho espiritual interrompido, representa a tese central da obra: a fé que sobrevive à dúvida e resiste ao escândalo é qualitativamente mais autêntica que a certeza inabalável mas acrítica, assim como a instituição capaz de abraçar sua própria complexidade mostra-se mais resiliente que aquela que insiste em dogmas incompatíveis com a experiência vivida. Na filmografia de Berger, Conclave consolida sua reputação como diretor capaz de transitar entre gêneros e escalas de produção mantendo uma assinatura autoral focada na dissecação minuciosa de protagonistas posicionados à beira do abismo existencial, confrontados com escolhas que transcendem o âmbito pessoal para adquirir dimensão simbólica. Embora não alcance o impacto visceral e sensorial de seu antecessor imediato, o filme afirma-se como um thriller intelectual de sofisticada arquitetura, utilizando os corredores labirínticos do Vaticano como metáfora espacial para os labirintos da alma humana em sua eterna busca por sentido, num momento histórico em que as antigas certezas desmoronam e a própria noção de verdade se fragmenta em narrativas concorrentes.

(*) Continuamos ambivalentes com relação a sequencia final. Parece uma passo desnecessariamente além do restante tanto tematicamente quanto na construção mecânica de mistérios a serem resolvidos... Entendemos essa decisão (ambos os lados dela) por parte dos realizadores mas divergimos deles mesmo quanto a sua existência.

------------

PRÊMIO IFEELYOUNG2025

---

Luiz Castanheira premia anualmente os filmes e/ou episódios de seriados de ficção especulativa (do ano anterior) que "...dialogam diretamente com o seu EU de 7 anos"... O nome do prêmio se refere a uma fala do personagem James T. Kirk do filme The Wrath of Khan de 1982.

Os três finalistas de 2025 (Ouro - Prata - Bronze) são: X-MEN97 S1 (Episódio: 01x05 "Remember It") ,  DANDADAN S1 (Episódio: 01x07 "To a Kinder World") , "NOSFERATU 2024".

"NOSFERATU 2024"

DANDADAN S1 (Episódio: 01x07 "To a Kinder World")
 
X-MEN97 S1 (Episódio: 01x05 "Remember It")
 
Observação: O vencedor do prêmio em 2024 foi o filme: "GODZILLA MINUS ONE 2023".

Observação: Algum episódio de Frieren S1 exibido já em 2024 poderia ter sido indicado. Mas ainda não conhecíamos tal anime.

---

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

OSCAR PRINCIPAL EM LÍNGUA NÃO INGLESA (VERSÃO 2025)?

---

Com a indicação de I'm Still Here surge a pergunta: que outros filmes dominantemente em língua não inglesa também já foram indicados ao Oscar Principal?

I'm Still Here

Eis a listagem atualizada (notando que existem outros indicados, inclusive no presente Oscar, com uma mistura de línguas porém com o inglês ainda dominante):

1938 Grand Illusion
1969 Z
1972 The Emigrants
1973 Cries & Whispers
1995 The Postman
1998 Life is Beautiful

Cries & Whispers
 
2000 Crouching Tiger, Hidden Dragon
2006 Babel
2006 Letters from Iwo Jima
2012 Amour
2018 Roma
2019 Parasite {ÚNICO VENCEDOR ATÉ AGORA}
2020 Minari
2021 Drive my Car
2022 All Quiet on the Western Front
2023 Anatomy of a Fall
2023 Past Lives
2023 The Zone of Interest
2024 Emilia Pérez
2024 I'm Still Here

Crouching Tiger, Hidden Dragon

Parasite

The Zone of Interest
 
Notem que o número desses filmes indicados cresce muito (no século XXI) com a extensão do Oscar Principal para até 10 indicados (referência: 2009) e a grande expansão do número de membros (votantes) da Academia.

Conclusão: O longa de Salles e cia. realiza um feito presentemente ainda não tão comum (e historicamente raro)... A primeira indicação Brasilis na categoria principal do Oscar. Bravo!

(Entretanto a indicação de atuação em língua não inglesa é historicamente muito mais comum comparativamente, não apenas em tempos recentes... Incluindo múltiplas vitórias... Existem vitórias até em linguagens de sinais.)

É a segunda indicação nacional para Atriz e a quinta indicação para Filme Internacional... O Brasil nunca venceu um Oscar mas outros brasileiros já foram indicados e mesmo levaram a estatueta para casa... Fora as coproduções com outros países.
 
Um caso muito curioso é o de Orfeu Negro de 1959, um filme Francês de Marcel Camus, em Português com atores brasileiros e rodado no Rio de Janeiro. O filme é baseado na obra de Vinícius de Moraes e conta ainda com música de Jobim e Bonfá. O filme é muito bem listado até hoje e na época venceu Cannes e o Oscar de Filme Internacional... Entretanto ele também é acusado desde então de retratar a realidade brasileira como uma fantasia exótica, repleta de estereótipos de toda espécie...

Black Orpheus

---

QUEM VAI GANHAR O OSCAR 2025?

---

Primeiro relacionamos os 10 filmes indicados na categoria Principal... Depois adicionamos (reforçando) dentre esses os (5) que foram indicados também a Direção e dentre esses últimos  adicionamos (reforçando) os (3) que foram indicados também a Montagem... Depois adicionamos (reforçando) as indicações de atuação aos já adicionados por Direção... Cada indicação, como tabulado acima, vale um ponto, exceto Montagem que vale dois pontos na nossa contagem. Observem:

Anora + DIREÇÃO + MONTAGEM + ATRIZ + ATORC

The Brutalist + DIREÇÃO + MONTAGEM + ATOR + ATORC + ATRIZC

A Complete Unknown + DIREÇÃO + ATOR + ATORC + ATRIZC

Conclave {}

Dune: Part Two {}

Emilia Pérez + DIREÇÃO + MONTAGEM + ATRIZ + ATRIZC

I’m Still Here {}

Nickel Boys {}

The Substance + DIREÇÃO + ATRIZ

Wicked {}

-

Então ficamos com a seguinte aposta:

#01 The Brutalist [7 pontos]

#02 Anora [6 pontos]
#02 Emilia Pérez [6 pontos]

#03 A Complete Unknown [5 pontos]

#04 The Substance [3 pontos]


-

(EDITADO 09/02/2025: A campanha de Emilia Pérez foi para o toilette... Anora ganhou força recentemente com vitórias seguidas no CCA , DGA e principalmente no PGA... Se Anora vencer o SAG dificilmente perderá o OSCAR... Vamos aguardar!)
 
-
 
ANORA

THE BRUTALIST

A COMPLETE UNKNOWN

THE SUBSTANCE

 ---

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

STAR TREK: SECTION31 (2025)

Expectativa: LIXO!

Realidade: Algo que contém uma nave de lixo e que transcende (ATÉ ESPIRITUALMENTE) A MINHA PIOR EXPECTATIVA!!!
 
MICHELLE YEOH
 
Spoilers Free #01: Talvez o mais justo resumo (sem spoilers!) seja a velha máxima do projeto que foi "desenvolvido" e "transformado" e "reescrito" por tanto tempo que nada de relevância artística lhe restou. Particularmente risível é o tom caótico da produção (e daí a total falta de controle sobre o processo de imersão do espectador) que mistura extremo sadismo com tentativas de humor infantil, algo que aqui reafirmos: TENTATIVAS ALÉM DO TÍPICO HUMOR FAMILIAR E/OU HUMOR DOS 4 QUADRANTES!!!

Spoilers Free #02: Outra coisa é como notamos INTENCIONALMENTE escondidos os elementos tradicionais de Star Trek como se fosse uma tentativa de apartar este filme do cânone oficial. De escondê-lo até.

Spoilers Free #03: Para os não iniciados, o filme é bem genérico e auto-contido. MY trabalha em dois universos aqui, já tendo trabalhado em infinitos no seu filme ganhador do Oscar (alguns desavisados podem até achar que é alguma espécie de marca registrada) e o filme está repleto de letreiros que ajudam na orientação do espectador (e que o dividem em três nomeados segmentos).

*
*
*
*
*

SPOILERS TOTAIS A PARTIR DESTE PONTO!!!

*
*
*
*
*

Seguem abaixo as anotações feitas em tempo real sobre o filme... O instante no filme em que cada avaliação parcial e cumulativa foi feita consta a esquerda de cada comentário.

10:20 => Os créditos da Paramount+ já soam bregas e sem imaginação... Até aqui (em flashbacks do Universo do Espelho) é um genérico mais violento da linha Jogos Vorazes (e uma introdução de um interesse romântico trágico para a Imperatriz no Universo do Espelho: SAN) (tem até uma frase assinatura para os dois... É ver para crer!)... Parece existir uma vibe meio racista contra asiáticos neste filme (no mínimo a óptica política é desastrosa!)... A missão fornecida ao time ALFA da S31 (vejam só: pelo Controle!) é bem no estilo M:I (o presente clichê dos vídeos documentais saídos de episódios é bem engraçado)... Eles precisam recrutar a Imperatriz para ajudar em uma ameaça de escopo universal (ela se encontra em uma espécie de estação posando como uma "madame" ou "chefa local" ou algo assim).

18:28 => Nessa estação... Trilha sonora sofrível e (novamente) bem brega... Olatunde em sua pior forma, totalmente perdido... (Zooms agulhados imperam sem trégua, por exemplo) O cara de Silo está perdido aqui? (Common é você?) ... Alien Botafogo atualizado? ... MY já começou a canastrar comendo globos oculares (sério que fez isso e determina a contínua canastrice de todo o elenco) ... Quanta breguice... (CONTRA) Apresentação dos personagens com voice overs e stills, óbvio clichê de filmes de missão e aqui elevado a categoria de tortura, a Imperatriz aponta: um Camaleóide de nome Quasi , uma Deltana abertamente manipuladora de nome Melle , um cara com UMA INFINITAMENTE RIDÍCULA roupa mecânica de Centurion (daquele desenho da HB) de nome Zeph , um Vulcano Sátiro (com sequelas de Pon Farr aparentemente e gargalhando loucamente) e uma humana (segundo a Imperatriz) com um pau entrando pelo ** e saindo pela boca (Santa pornochanchada Batman!)... O tal "Common" pergunta:  "Vamos Philipa, uma última missãozinha para você se livrar do seu contratinho com a Paramount+..." ... Então ela aceita a proposta da S31 para a surpresa de ninguém.

30:07 => Como o "Traje de Zeph" parece barato assim como toda essa produção... O Zeph é alguma espécie de "TRANS", um cara que se identifica como máquina? WTF!? ... O Vulcano é sobra de um filme do MIB? ... O Vulcano é de fato (vejam só) um androide pilotado por uma nano-criatura de nome Fuzz (respirem que tem mais!) ... A Deltana seduziu o nano-alguma-coisa, isso é algum comentário social? ... A tal garota do tal pau é a Rachel Garrett por falar nisso... O Camaleóide parece um cruzamento do Tracy Morgan com o Neil De Grasse Tyson (que reconhecemos da série Veep)... E tinha um plano B sem a Imperatriz que eles explicam também... E não estou mentindo quanto a isso... A cápsula do nano-cara sai voando também... WTF!? Já falei que o tom dessa desgraça é completamente descontrolado (típico de um roteiro que foi reescrito até a morte... Literalmente!)? ... Lembram o cara de Silo? É fake também! Na realidade ele é um tal de Alok e é o líder de missão da S31... Eles vão tentar roubar o MacGuffin Destruidor Total (MDT para encurtar) de um alien ridículo que visita a estação e carrega o MDT a tiracolo (!?)... Eis que a Imperatriz aplica (uma tentativamente cool) tecnologia de faseamento em que ela fica em fase com o MDT e o combo fora de fase com o resto do universo... Eis que aparece o Black Noir de The Boys com a mesma tecnologia de faseamento (E sim eu senti falta de salamandras e de jogos de amarelinha nesse momento)  (E pensando bem será o Fuzz um riff na ideia de Spocks Brain?)  ... Imperatriz e Black Noir caem na porrada faseados pela posse do MDT em algo tentativamente cool... Só que não! ... E agora eis que surge a principal pergunta até aqui: Andorianos não tem pênis? ... Pensando bem essas lutas com faseamento parecem uma tentativa de emular as lutas corpo a corpo de DUNA (de uma forma bem estúpida por falar nisso)... A Deltana virou purpurina literalmente frente ao feiser do Black Noir Faseador. As reações dos demais atores são amadoras frente a essa morte... Olatunde é um demônio!

50:00 => Vão ligando/desligando os faseadores enquanto a luta se desenvolve, procurando o cool e consistentemente achando outra coisa... Olatunde começou a girar o negócio... WTF!? ... Não existem teletransportes nesse universo para pegar o MDT? ... A black box estava dentro da silver box. O black noir fugiu com a blackbox... FlashBack Infernal do Universo do Espelho para explicar a BlackBox... Esse holograma de dragão como vestuário da Imperatriz é inacreditável (lembrando o velho mantra: "produtor nunca deve ouvir ator")... Bem, para quem ainda tinha alguma dúvida: A Imperatriz É Eeeeevvviilll!!! ... Ela criou a arma do juízo final para acabar com todos os juízos finais (o MDT que tem o tamanho de um aquário pequeno)... E o Alok abre o coração para ela e diz que é um black-super-soldier estilo Capitão América do século XX... Digo, ele é um Black-Augmented estilo Khan do século XX ... [As referências aos Guardiões da Galáxia são constrangedoras. Um verdadeiro martírio!]  [Deu saudade de Farscape que é bem melhor!]  [A cartada do roteiro do infiltrado no grupo chegou a roubar as minhas forças. Juro!]

01:08:27 => O tal traíra ainda desconhecido explodiu com a nave deles e o transmissor principal de superfície e eles estão ilhados num planeta ermo... (limitados valores de produção e a falta de imaginação de Olatunde beiram o ofensivo nesse tal planeta) ... Zeph é o traíra? Zeph morreu! WTF!? Garrett o matou? Zeph se matou? JESUS, o nano-cara matou o Zeph controlando a parte mecânica de Zeph enquanto o seu corpo Vulcano estava em piloto automático! WTF!? ... Yup! Corrida de vagões com o nano-cara + o seu corpo vulcano + o corpo do agora defunto Zeph brigando com os demais exceto Garrett... Garrett antes disso se libertando das algemas resume a tosquice de todo o filme... O Camaleóide salvou o black khan virando uma teia de aranha (ou algo assim)... É ver para crer... A imperatriz continua brigando com todo mundo que sobrou sobre o vagão e para surpresa de ZERO PESSOA, o vilão no final das contas era o amigo dela do universo do espelho: SAN... San tem uma nave e salva o vulcano , o Fuzz e o MDT, deixando a Imperatriz no planeta... Os Terranos vão detonar o MDT e invadir por uma convergência de tempestades iônicas (ou algo assim)... Tem até cronometro!

1:28:16 => Eis que Alok tem um dispositivo  para reativar a nave lixeira local (e não estou brincando quanto a isso!)... Poderia ter feito como em um tokusatso (quero dizer a Imperatriz chutando o tal dispositivo no seu slot para funcionar e clamando em bom sotaque do Japão): "O´Brien Kick!"... Caminhão de lixo? De fato, me lembrou daquele sonhado reboot da velha série "Quark" do qual eu sempre falo (risos)... O interior da nave de San me lembrou de Farscape (!) de algum modo (no seu interior vemos a Imperatriz e Alok brigando com San e o Vulcano em automático enquanto Fuzz sai em sua navezinha para atacar a nave lixeira com Garrett e Quasi)... Os desenhos das naves são tão absurdos que parece que vemos uma batalha entre abstrações... Sabia que faltavam as labaredas de Olatunde que agora abundam (risos)... (Pensando bem tinham labaredas aleatórias no planeta ermo também) (risos) ... Hora de jogar as armas no chão e cair na porrada (Mirror Universe Style!)... O MDT fala! A Desgraça FALA! WTF!? ... Garret tenta fazer arma com lixo, mais especificamente com uma boneca que fala no vácuo do espaço e tem uma fonte de energia radioativa... McGyver teria orgulho.... A boneca no meio do entulho liberado por Quasi acerta em cheio o alvo (a navezinha do Fuzz)... San morre e o nosso universo é salvo (o do Espelho eu tenho as minhas dúvidas!) (ÚLTIMA FORMA: Parece que o MDT de alguma forma explodiu e selou a passagem ENTRE os universos, mesmo sendo essa um fenômeno periódico)... Eles (da produção) deveriam ser fuzilados por usar a fanfarra de Courage para marcar o clímax dessa montanha de esterco fedido...

(EDITADO: Revendo o episódio entre um ronco e outro... Surgiram mais dúvidas... Como San sabia que a Imperatriz não havia morrido na primeira temporada de Discovery e em quais coordenadas UNIVERSOXTEMPOXESPAÇO ela estaria? Como ele conseguiu rastreá-la em meio as peripécias do Red Angel + Controle + Salto para o século 32 + Guardião da Eternidade (!!!!!) + Vinda para o início do século 24? ETC. Ou tudo ou boa parte foi obra do guardião?)
 
Voltaram a tal estação... Jamie Lee Curtis agora é Borg (com maquiagem digital já que ela não é trouxa nem nada)... Ou algo parecido... Ela é a Controle vejam só! ... Os quatro estão salvos e um novo androide Vulcano nano-pilotado se junta a eles (pilotado pela esposa traída do Fuzz e não estou brincando quanto a isso!) ... A estação entra em dobra no final levando todas as naves atracadas junto ou foi só sacanagem mesmo? 
 
FIM.

P.S.: Ira Behr vai mandar uma mensagem sacaneando o Graig Sweeney depois dessa desgraça!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

GARY MOORE (1974-1984)

----------

Nosso breve comentário sobre um dos mais subestimados guitarristas de todos os tempos...

GARY MOORE 2008

O nosso recorte clássico do guitarrista Gary Moore (já falecido)...
 
1974 Thin Lizzy Night Life [***]
1976 Colosseum II Strange New Flesh [***1/2]
1977 Colosseum II Electric Savage [***1/2]
1977 Colosseum II War Dance [***1/2]
1979 Thin Lizzy Black Rose [****]
1980 Gary Moore LIVE at the Marquee Club [***1/2]
1983 Gary Moore Rockin' every night LIVE [***1/2]
1984 Gary Moore We Want Moore LIVE! [***1/2]

-

THIN LIZZY (01) (*):

Phil Lynott – bass guitar, vocals, acoustic guitar
Scott Gorham – guitars, backing vocals
Brian Robertson – guitars
Brian Downey – drums, percussion

(*) Gary Moore só aparece nesse álbum no solo de guitarra da faixa "Still in Love with You".

-

COLOSSEUM II (02-04):

Mike Starrs - vocals (02)
Gary Moore - guitars, vocals
Don Airey - Fender Rhodes piano, grand piano, Hammond organ, Minimoog, ARP Odyssey, Solina String Ensemble, Clavinet
Neil Murray - bass (02)
John Mole - bass (03-04)
Jon Hiseman - drums, percussion

-

THIN LIZZY (05):


Phil Lynott – vocals, bass guitar, twelve-string guitar
Scott Gorham – lead guitar, guitars, backing vocals
Gary Moore – lead guitar, guitars, backing vocals
Brian Downey – drums, percussion

-

GARY MOORE:

06:


Gary Moore – guitar, backing vocals
Kenny Driscoll – lead vocals
Don Airey – keyboards
Andy Pyle – bass
Tommy Aldridge – drums, percussion

07:

Gary Moore – guitars, lead vocals on tracks "2", "3" and "7", backing vocals
John Sloman – lead vocals on tracks "1", "3", "4" and "6", backing vocals, keyboards
Don Airey – keyboards
Neil Murray – bass
Ian Paice – drums, percussion

08:

Gary Moore – lead vocals, lead guitar, producer, backing vocals on "2"
Neil Carter – keyboards, rhythm guitar, backing vocals, lead vocals on "2", harmony vocals on "9"
Craig Gruber – bass, backing vocals
Ian Paice – drums and percussion on tracks "4-8" , "10"
Bobby Chouinard – drums on tracks "1-3" , "9"
Jimmy Nail – backing vocals on track "10"

-

O nosso (aparentemente estranho) recorte procura capturar o melhor de Moore no contexto do FUSION com o COLOSSEUM II (1976-1977) e ainda tocando PESADO (e AO VIVO) no início da sua CARREIRA SOLO (1980-1984)... Isso sem esquecer dos seus tempos fragmentados no THIN LIZZY (como no clássico álbum Black Rose de 1979)... A percepção de que Moore era um "mero guitarrista de blues" vem da equivocada maneira que o próprio artista insistiu em focar a sua carreira a partir do final dos anos de 1980 (em retrospectiva essa decisão prejudicou o seu legado e o tornou um guitarrista severamente subestimado)... 
 
Entre suas maiores virtudes destacamos: grande técnica (muitas pessoas desconhecem o quanto a sua técnica de palhetada alternada era desenvolvida no contexto do fusion setentista por exemplo); expressividade, emoção e principalmente INTENSIDADE (ele era 'mais intenso do que os intensos" e isso se aplicava a cada aspecto do seu tocar) ; ecletismo (capaz de misturar: melodias celtas , hard rock , jazz-rock (fusion) , heavy rock , blues  e até música clássica)  ;  tom de guitarra espetacular e facilmente reconhecível ; ser capaz de improvisar composições completas etc.

Observação: Não se esqueçam de conferir as diversas canções instrumentais de guitarra do seu repertório, tais como as belíssimas: "The Loner" , "Still Got The Blues" (NA REALIDADE ESSA COM VOCAIS TRADICIONAIS) , "The Prophet" , "The Messiah Will Come Again" etc.

----------

QUEEN (1973-1978)

----------

1973. Queen I [***1/2]
1974. Queen II [****]
1974. Sheer Heart Attack [****]
1975. A Night at the Opera [****]
1976. A Day at the Races [***1/2]
1977. News of the World [***]
1978. Jazz [***]

PESSOAL:

Brian May – guitars, vocals, keyboards, occasional bass guitar.
Roger Taylor – drums, vocals, percussion, guitars, keyboards, occasional bass guitar.
Freddie Mercury – vocals, piano, keyboards, occasional guitar.
John Deacon – bass guitar, guitars, keyboards, backing vocals.
 
Observação: O Queen só voltaria a lançar um genuinamente bom álbum com Innuendo de 1991 (e daí nunca mais).

----------

METALLICA (1983-2023)

-----

1983. Kill 'Em All [****]
1984. Ride the Lightning [****]
1986. Master of Puppets [****]
1988. And Justice for All [****]
1991. Metallica [***]

1996. Load [*]
1997. Reload [*]
2003. St. Anger [ZERO]
2008. Death Magnetic [***]
2016. Hardwired... to Self-Destruct [**1/2]
2023. 72 Seasons [**]

PESSOAL:

James Hetfield – vocals, rhythm guitar
Lars Ulrich – drums
Kirk Hammett – lead guitar
Cliff Burton – bass (01-03)

Jason Newsted – bass (04-07)
Bob Rock – bass (08)
Robert Trujillo – bass (09-11)
 
-

Não é difícil de notar o desinteresse crescente pela banda ao longo do tempo.

-----

DAVID LYNCH (1977-2017)

----------
 

1977     Eraserhead [****] GF1000
1980     The Elephant Man [****]
GF1000
1984     Dune [***] GF2000
1986     Blue Velvet [****] GF1000
1990     Wild at Heart [****] GF1000
1992     Twin Peaks: FWM [****] GF1000
1997     Lost Highway [****] GF1000
1999     The Straight Story [****] GF1000
2001     Mulholland Drive [****] GF1000
2006     Inland Empire [****] GF1000

Também são obrigatórias as Séries de TV: Twin Peaks (1990-1991) 
GF1500 e Twin Peaks: The Return (2017)  GF1000.

----------