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EPISÓDIOS
EPISÓDIOS
E01 ∙ To Me, My X-Men [***]
E02 ∙ Mutant Liberation Begins [***1/2]
E03 ∙ Fire Made Flesh [***]
E04 ∙ Motendo & Lifedeath I [**]
E05 ∙ Remember It [****]
E06 ∙ Lifedeath II [**1/2]
E07 ∙ Bright Eyes [***1/2]
E08 ∙ Tolerance Is Extinction I [***1/2]
E09 ∙ Tolerance Is Extinction II [***1/2]
E10 ∙ Tolerance Is Extinction III [***1/2]
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E02 ∙ Mutant Liberation Begins [***1/2]
E03 ∙ Fire Made Flesh [***]
E04 ∙ Motendo & Lifedeath I [**]
E05 ∙ Remember It [****]
E06 ∙ Lifedeath II [**1/2]
E07 ∙ Bright Eyes [***1/2]
E08 ∙ Tolerance Is Extinction I [***1/2]
E09 ∙ Tolerance Is Extinction II [***1/2]
E10 ∙ Tolerance Is Extinction III [***1/2]
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REVIEW
X-Men '97, especificamente a primeira temporada da animação de 2024, é uma façanha criativa que supera a reles nostalgia, erguendo-se acima de uma mera conclusão temática e emocional para a série clássica dos anos de 1990. Sob a criação e escrita principal de Beau DeMayo e a supervisão direcional de Jake Castorena, a produção canaliza a experiência de produtores veteranos como Brad Winderbaum e os consultores originais Eric Lewald, Julia Lewald e Larry Houston. Para DeMayo, a série representou um marco autoral, definindo um tom narrativo ousado e adulto, antes de sua saída da Marvel Studios. A temporada não apenas respeita a continuidade canônica da animação original—retomando a história um ano após a partida do Professor X—mas a eleva, introduzindo uma serialização complexa e um ritmo cinematográfico adequado à era do streaming. Lançada em um contexto global de polarização social e debates acirrados sobre direitos e pertencimento, X-Men '97 reafirma com urgência a potência da alegoria mutante, explorando temas de luto, tolerância, extremismo e resiliência com uma profundidade rara em séries do gênero, dialogando diretamente com as angústias do século XXI. A série demonstra como revivals podem ser mais que exercícios nostálgicos, servindo como pontes narrativas entre gerações e como comentário social agudo.
A narrativa da primeira temporada se desdobra a partir de uma premissa audaciosa: com o Professor Charles Xavier (voz de Ross Marquand) ausente, seu último testamento nomeia o arquirrival Magneto (voz de Matthew Waterson) como novo líder dos X-Men. Este ato desencadeia uma crise de identidade na equipe, já fragilizada, e serve como catalisador para uma trama de escalada apocalíptica. A temporada entrelaça arcos pessoais dramáticos—como a gravidez de Jean Grey (voz de Jennifer Hale) e a complexa relação de Vampira (voz de Lenore Zann) com Gambit (voz de A.J. LoCascio) e Magneto—com uma conspiração genocida orquestrada por Mister Sinister e a entidade cibernética Bastion. Os temas de legado, sacrifício e o custo da coexistência são explorados de forma crua, culminando em eventos traumáticos como o ataque a Genosha, que abalam profundamente os personagens e redefinem suas motivações. O conflito central de Ciclope (voz de Ray Chase)—dividido entre a liderança, a paternidade e o luto—e a jornada de Tempestade (voz de Alison Sealy-Smith) para recuperar seus poderes e sua essência, exemplificam a busca da série por significado frente a perdas devastadoras. A narrativa não tem medo de desmontar certezas e apresentar consequências permanentes, um risco narrativo que a distingue de muitas produções atuais.
A realização técnica é meticulosamente dedicada a servir essa narrativa carregada de emoção. A animação, produzida por Studio Mir e Tiger Animation, realiza um equilíbrio magistral: moderniza o estilo icônico dos anos 90 com linhas mais limpas, cores vibrantes e sequências de ação fluidas e dinâmicas, mantendo ao mesmo tempo a "sensação" e a estilização da obra original. A direção de episódios, assinada por Jake Castorena, Chase Conley e Emi Yonemura, varia entre a épica grandiosidade dos confrontos e a intimidade dos momentos dramáticos, utilizando uma montagem precisa que amplifica o impacto emocional de revelações e tragédias. O elenco vocal é notável, com retornos triunfais como Cal Dodd (Wolverine) e Lenore Zann entregando performances carregadas de experiência, enquanto novas incorporações como Ray Chase e Matthew Waterson impõem presença e complexidade. A trilha sonora dos Newton Brothers, que reinventa os temas musicais clássicos, atua como um potente condutor de nostalgia e pathos, selando a fusão perfeita entre o passado e o presente da série. A atenção aos detalhes, desde o design de personagens até a coreografia de lutas, consolida um produto de altíssima qualidade que respeita a inteligência e o vínculo emocional do público.
Em conclusão, a primeira temporada de X-Men '97, concebida por Beau DeMayo e realizada sob a direção de Jake Castorena, é um sucesso retumbante que transcende o rótulo de revival. O veredicto final sobre seus temas é de uma esperança ferida, mas persistente: a luta contra o ódio é cíclica e custa vidas preciosas, mas a comunidade e os ideais de Xavier permanecem como farol (ainda que severamente desafiados). Para personagens como Ciclope, Jean Grey e Vampira, a temporada é uma provação transformadora que redefine seus lugares no mundo. O impacto da série é duradouro, reivindicando o poder narrativo dos X-Men para uma nova geração, influenciando o panorama da animação adulta e oferecendo um poderoso espelho alegórico para nosso tempo. X-Men '97 não apenas honra seu legado, mas coroa-o com uma das narrativas de super-heróis mais ousadas e emocionalmente ressonantes produzidas recentemente, provando que histórias sobre aceitação e resistência nunca perdem a relevância.
PARÁGRAFO BÔNUS: O episódio "Remember It" (dirigido por Emi Yonemura e escrito por Beau DeMayo) não é apenas o ápice dramático da primeira temporada, mas um ponto de inflexão que redefine a série, transformando-a de uma competente continuação em uma narrativa ousada e madura. Estruturado como uma tragédia shakespeariana, o episódio contrasta a frágil euforia da cerimônia de adesão de Genosha às Nações Unidas—um marco simbólico de aceitação mutante—com o horror genocida do ataque coordenado dos Sentinelas Prime. Esta dicotomia é explorada meticulosamente através das relações pessoais dos personagens: o triângulo amoroso entre Vampira, Gambit e Magneto atinge seu clímax com uma dança carregada de tensão não dita, enquanto Ciclope e Jean Grey lidam com as sequelas do clone Madelyne Pryor e Wolverine confronta seus próprios sentimentos reprimidos. No entanto, a promessa de um futuro seguro para os mutantes é brutalmente aniquilada em uma sequência de horror e ação visceral (observada pelo vigia Uatu, atestando a importância cósmica do evento). O sacrifício heróico de Gambit—que, carregando o "Wild Sentinel" com sua energia cinética, pronuncia ao morrer a icônica linha "The name's Gambit, mon ami... Remember it!"—e a aparente morte de Magneto, que murmura palavras de conforto em alemão para uma criança aterrorizada, são momentos de puro impacto emocional que ressoam como um luto coletivo. A cena final, com Vampira segurando o corpo sem vida de Gambit e lamentando "I can't feel you", é um golpe devastador que encapsula a perda da conexão física e emocional, o preço último do trauma. O episódio, aclamado como "televisão obrigatória" e uma "obra-prima sombria", prova que X-Men '97 estava disposta a "quebrar alguns brinquedos" para contar histórias poderosas, elevando a série de uma homenagem nostálgica a um drama sério e consequente sobre trauma, preconceito e resiliência. O evento de Genosha deixa uma sombra permanente sobre a temporada, motivando as ações dos personagens e estabelecendo as sementes para futuros arcos, incluindo o retorno iminente de Apocalypse sugerido na cena pós-créditos do episódio final. "Remember It" é um estudo de caso em como produzir um episódio de evento que é, simultaneamente, um clímax narrativo catártico e um novo ponto de partida traumático, cujas repercussões ecoam muito além de seus créditos finais.
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