domingo, 31 de março de 2024

RITCHIE BLACKMORE (1970-1978)

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01 - (1970) Deep Purple - In Rock [****]
02 - (1971) Deep Purple - Fireball [***]
03 - (1972) Deep Purple - Machine Head [****]
04 - (1972) Deep Purple - Made In Japan - Live [****]
05 - (1973) Deep Purple - Who Do We Think We Are [**1/2]
06 - (1974) Deep Purple - Burn [***]
07 - (1974) Deep Purple - Stormbringer [**1/2]
08 - (1975) Deep Purple - Made In Europe - Live [***1/2]

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09. (1975) Rainbow - Ritchie Blackmore's Rainbow [***]
10. (1976) Rainbow - Rising (1976) [****]
11. (1977) Rainbow - On Stage LIVE 76 [****]
12. (1978) Rainbow - Long Live Rock ' n ' Roll [***]

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Baterias: Ian Paice (01-08).
Teclados: Jon Lord (01-08).
Guitarras: Ritchie Blackmore.
Baixos: Roger Glover (01-05) ; Glenn Hughes (06-08).
Vocais: Ian Gillan (01-05) ; David Coverdale & Glenn Hughes (06-08).

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Vocais: Ronnie James Dio (09-12).
Guitarras: Ritchie Blackmore.
Baterias: Gary Driscoll (09) , Cozy Powell (10-12).
Teclados: Micky Lee Soule (09) , Tony Carey (10-11) , David Stone (12).
Baixos:  Craig Gruber (09) ,  Jimmy Bain (10-11) , Bob Daisley (12).

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JUDAS PRIEST (1974-2024)


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01 - (1974) Rocka Rolla [***]
02 - (1976) Sad Wings of Destiny [****]
03 - (1977) Sin After Sin [****]
04 - (1978) Stained Class [****]
05 - (1978) Killing Machine [***1/2]
06 - (1979) Unleashed In The East [****]

07 - (1980) British Steel [***1/2]
08 - (1981) Point of Entry [*]
09 - (1982) Screaming for Vengeance [***1/2]
10 - (1984) Defenders of the Faith [***1/2]
11 - (1986) Turbo [*]
12 - (1987) Priest... Live! [**]
13 - (1988) Ram It Down [**]

14 - (1990) Painkiller [****]

15 - (1997) Jugulator [***]
16 - (1998) 98 Live Meltdown [***]
17 - (2001) Demolition [*]
18 - (2003) Live in London [*]

19 - (2005) Angel of Retribution [**]
20 - (2008) Nostradamus [**]
21 - (2014) Redeemer of Souls [**]
22 - (2018) Firepower [***1/2]
23 - (2024) Invincible Shield [***1/2]

VOZ: Rob Halford [01-14][19-23] ; Tim Owens [15-18].
GUITARRA: K.K. Downing [01-20] ; Richie Faulkner [21-23].
GUITARRA: Glenn Tipton.
BAIXO: Ian Hill.
BATERIA: John Hinch [01] ; Alan Moore [02] ; Simon Phillips [03] ; Les Binks [04-06] ; Dave Holland [07-13] ;  Scott Travis [14-23].

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sexta-feira, 22 de março de 2024

SAVATAGE (1983-2001)

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ÁLBUNS:


1983 Sirens [**1/2]
1985 Power Of The Night [**1/2]
1986 Fight for The rock [*]

1987 Hall Of The Mountain King [***1/2]
1989 Gutter Ballet [***1/2]
1991 Streets: A Rock Opera [***1/2]
1993 Edge Of Thorns [***1/2]

1994 Handful Of Rain [***]
1995 Dead Winter Dead [***1/2]
1997 The Wake Of Magellan [****]
2001 Poets and Madmen [****]

PESSOAL:

- Jon Oliva: Vozes & Teclados (01-11). 
Exceção: Não toca em 07! 
Exceção: Toca todos os instrumentos (exceto os solos de guitarra) em 08!

- Zachary Stevens: Vozes (07-10).
- Criss Oliva: Guitarras SOLO (01-07).
- Alex Skolnick: Guitarras (08).
- Al Pitrelli: Guitarras SOLO (09-11).
- Chris Caffery: Guitarras (05) , Guitarras (09-11) , Guitarras SOLO (11).
- Keith Collins: Baixos (01-02).
- Johnny Lee Middleton: Baixos (03-).
- Steve Wacholz: Baterias (01-08).
- Jeff Plate: Baterias (09-11).

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segunda-feira, 18 de março de 2024

THE ZONE OF INTEREST (2023)

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The Zone of Interest (2023)[105'][1.78:1][****]

Jonathan Glazer, cineasta britânico formado no teatro e nos videoclipes, construiu uma filmografia marcada pela parcimônia e pela recusa em se repetir. Desde sua estreia com o explosivo Sexy Beast, passando pelo melancólico e incompreendido Birth, até a experiência sensorial de Under the Skin, Glazer sempre demonstrou fascínio por personagens à deriva, isolados em bolhas emocionais, e por uma estética que privilegia a sugestão em detrimento da explicação . Em A Zona de Interesse, o diretor leva essas obsessões ao paroxismo ao aplicá-las ao contexto histórico mais documentado e traumático do século XX. Se antes a alienação era existencial, aqui ela se torna moral e cotidiana. Diferentemente de seus filmes anteriores, que ainda guardavam estruturas narrativas recognoscíveis, esta obra opera por acúmulo de detalhes banais, por repetição e pela recusa absoluta em mostrar o horror de maneira direta, criando uma experiência que desafia a categorização. O projeto levou dez anos para ser concretizado, período durante o qual Glazer realizou extensa pesquisa nos arquivos do Museu de Auschwitz, buscando reconstituir com precisão a vida doméstica dos perpetradores a partir de testemunhos de sobreviventes e de pessoas que trabalharam na residência dos Höss . Lançado em 2023, num mundo ainda convulsionado por conflitos identitários, crises migratórias e a normalização de discursos de ódio em diversas democracias, o filme ressoa como um aviso incômodo: o mal não habita apenas mentes monstruosas, mas se aninha confortavelmente no coração do lar, da família e da eficiência burocrática. Glazer, ao filmar o comandante de Auschwitz em seu jardim, não está apenas olhando para o passado; está perguntando, com uma câmera fixa e um ouvido atento, o que estamos normalizando hoje enquanto regamos nossas próprias flores, recusando a confortável ideia de que somos diferentes deles .

A trama, livremente inspirada no romance homônimo de Martin Amis, mas ancorada em figuras históricas reais após Glazer perceber que os personagens ficcionais o distanciavam do que verdadeiramente importava, acompanha o cotidiano do comandante Rudolf Höss (Christian Friedel) e sua família na casa dos sonhos que construíram ao lado do muro de Auschwitz . Enquanto Hedwig (Sandra Hüller), sua esposa, cultiva com orgulho um jardim exuberante, recebe amigas para café e veste casacos de pele confiscados das prisioneiras provenientes do "Kanada" — o depósito de bens roubados dos deportados — o espectador é assaltado por uma paisagem sonora aterrorizante que emana de trás do muro: tiros esporádicos, gritos abafados, o rugido constante dos fornos crematórios e o apito dos trens que chegam com novas levas de vítimas . O principal conflito dramático surge quando Höss é promovido e recebe a ordem de se transferir para Oranienburg, deixando a propriedade. Hedwig, que construiu ali o que chama de seu "paraíso", se recusa terminantemente a sair, pressionando o marido a implorar aos superiores para que ela e os filhos possam permanecer . A visita da mãe de Hedwig, que foge durante a noite horrorizada ao testemunhar de perto a realidade do campo, expõe ainda mais a monstruosidade da indiferença familiar. Paralelamente, inseridas em uma cinematografia térmica e noturna que registra calor em vez de luz, vemos uma jovem polonesa (inspirada em Aleksandra Bystroń-Kołodziejczyk, uma resistente real que Glazer conheceu pessoalmente quando ela tinha noventa anos) arriscar a vida todas as noites para deixar maçãs para os prisioneiros nos canteiros de obras... Os temas principais aqui são a burocratização da morte e a desumanização como pilar do bem-estar privado, exemplificados na figura de Rudolf, que aprova a construção de novos crematórios com a mesma frieza com que lê histórias para os filhos antes de dormir e, ao notar restos humanos no rio onde as crianças brincavam, preocupa-se mais em repreender os subordinados pela negligência do que com as vidas ali extinguidas .

A realização técnica de A Zona de Interesse é um exemplo paradigmático de como a forma pode não apenas servir ao conteúdo, mas constituí-lo. Glazer e o diretor de fotografia Łukasz Żal optaram por um estilo visual que o diretor descreveu como uma espécie de "Big Brother na casa nazista": câmeras fixas estrategicamente posicionadas em até dez pontos da residência, operando simultaneamente e sem qualquer equipe visível no set, permitindo que os atores improvisassem e experimentassem sem saber se estavam sendo filmados em close ou plano aberto . A imagem é quase clínica em sua observação da vida doméstica, utilizando apenas iluminação natural ou prática para evitar qualquer estetização de Auschwitz . Mas é na trilha sonora, concebida pelo sound designer Johnnie Burn, que o verdadeiro filme se desenrola. Burn passou um ano compilando um dossiê de seiscentas páginas sobre eventos relevantes em Auschwitz, testemunhos de sobreviventes e um mapa detalhado do campo para recriar com precisão documental a paisagem auditiva, incluindo a distância e os ecos apropriados dos sons de maquinário industrial, fornos crematórios, tiros da época, cachorros e até vozes humanas de dor — estas últimas inspiradas em gravações de protestos parisienses para simular as vítimas francesas que chegavam ao campo . O som é acusmático, ou seja, ouvimos sem ver a fonte, o que obriga nossa mente a completar as imagens do horror, tornando-nos cúmplices involuntários da imaginação do sofrimento alheio. As atuações de Friedel e Hüller são assustadoramente contidas, evitando qualquer maneirismo de vilania; são pessoas reais em sua trivialidade e falta de autoconsciência moral. A montagem de Paul Watts, diante de mais de oitocentas horas de material bruto, justapõe o idílio e o terror com sutileza cruel, enquanto as incursões da música experimental de Mica Levi surgem como choques abstratos que fraturam a superfície lisa do realismo, lembrando-nos que estamos diante de uma anomalia cinematográfica .

Em seu arremate, A Zona de Interesse oferece um dos momentos mais perturbadores do cinema recente ao transportar o espectador, sem aviso, para o Auschwitz museu dos dias de hoje. Vemos funcionários da limpeza varrendo o chão do que antes era uma câmara de gás e limpando vitrines que exibem montanhas de sapatos e malas das vítimas . Este coda final, que ecoa a imagem de Höss descendo as escadas em um vômito seco de angústia momentos antes, sugere que a "banalidade" pode ter dois lados: a rotina do crime e a rotina da memória. Jonathan Glazer, em seu discurso ao receber o Oscar, deixou claro que o filme não é sobre "olhem o que eles fizeram", mas sobre "olhem o que nós fazemos", alertando contra a apropriação do Holocausto para justificar ocupações e conflitos contemporâneos que produzem vítimas inocentes . O veredicto final do filme sobre seus personagens é o mais cruel possível: eles não são monstros trágicos, mas pessoas medíocres cujo maior pesar é terem que abrir mão do jardim, cuja humanidade foi deformada pela recusa em reconhecer a humanidade alheia . Ao fazer isso, Glazer impacta sua própria obra ao expandir seu universo temático para o campo da ética coletiva, mostrando que sua arte, antes vista como formalista e fria, pode ser o veículo mais potente para um humanismo às avessas. A Zona de Interesse não nos oferece catarse, mas um espelho. E o que vemos nele, por mais que tentemos limpar, nunca desaparece completamente, pois como o diretor mesmo afirmou, trata-se de reconhecer nossa semelhança com os perpetradores, não com as vítimas, e resistir à desumanização que ainda nos cerca.

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