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EPISÓDIOS
01 "Like, This Is the Legend of the Giant Snake" [***]
02 "The Evil Eye" [***1/2]
03 "You Won't Get Away with This!" [***1/2]
04 "That's, Like, Way Deadly" [***1/2]
05 "We Can All Stay There Together!" [***]
06 "We Became a Family" [***1/2]
07 "Feeling Kinda Gloomy" [***]
08 "You Can Do It, Okarun!" [***1/2]
09 "I Want to Rebuild the House" [***1/2]
10 "The Secret Art of Being Attractive" [***]
11 "Hey, It's a Kaiju" [***]
12 "Clash! Space Kaiju vs. Giant Robot!" [***1/2]
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ACASTANHADAS
Com a confiança de quem sabe que o público já está rendido ao seu caos particular, a segunda temporada de Dandadan chega ao fim não com um ponto final, mas com uma vírgula gorda e um beijo inesperado. A Science Saru entrega uma sequência que, se não possui o fator novidade da estreia, solidifica a mitologia e expande o elenco com a mesma energia cinética de uma guitarra de power metal. É uma temporada de afirmação, que equilibra a introspecção forçada de seus heróis com batalhas que desafiam a lógica e a gravidade, mas que ocasionalmente tropeça no próprio ritmo alucinado. A trama retoma exatamente do cliffhanger anterior, levando Momo, Okarun e o recém-chegado Jiji para a enigmática Casa Maldita, localizada em uma vila de águas termais dominada pela sinistra família Kito. Este arco inicial, que compõe a espinha dorsal dramática da temporada, é o mais denso emocionalmente. A ameaça não é apenas um Yokai genérico, mas a personificação do ódio de uma criança que foi sacrificada para apaziguar um deus serpente, o Tsuchinoko. A revelação de que o Evil Eye é na verdade um espírito vingativo formado pela dor de infantes sacrificados ao longo dos séculos adiciona uma camada de tragédia que segue passos análogos aos da história da Acrobática Silky da primeira temporada (e que é o ponto alto daquela). Após a intensa batalha psicodélica para conter a fúria do espírito, o tom muda. Somos apresentados aos excêntricos Exorcistas Rockeiros, os Hayashi Performers, cujo ritual de purificação se transforma em um show de rock que é ao mesmo tempo absolutamente ridículo e visualmente genial (atraindo o mundo espiritual como audiência). É aqui que Jiji (o agora hospedeiro do Yokai) decide não exorcizar o Evil Eye, mas sim acolhê-lo, compreendendo sua solidão, e este momento define o tom da temporada (exatamente na sua metade)(06), pois Dandadan não se interessa em destruir seus monstros, mas sim em ressignificá-los como parte de uma família disfuncional.
(O episódio 08 traz: um ponto de virada no amadurecimento de Okarun e na relação da sua forma Yokai com a de Aira. Fora toda a imaginação envolvida na ameaça dos espíritos dos músicos clássicos.)
O arco final introduz Kinta Sakata (10-12), o Otaku autoproclamado gênio (e intrigado com o aparente sucesso de Okarun com as meninas) que utiliza a tecnologia alienígena nanoskin para materializar seus delírios de grandeza, transformando a casa dos Ayases (agora reconstruída em nanoskin) em um mecha gigante, o Grande Buda Kinta (!). A batalha desse mecha contra o Kaiju Espacial (que havia aparecido inicialmente como uma das infames "Jóias de Família") é uma carta de amor explícita a cultura pop japonesa (ainda que meio rasa narrativamente), culminando na revelação de que o monstro era na verdade uma armadura pilotada por uma garota alienígena (no melhor estilo EVA de Evangelion adaptado ao uma roupa com zíper (!)). O beijo desta misteriosa menina em Okarun, testemunhado por Momo, recria a dinâmica do triângulo amoroso (ecoando o final do piloto!) e prepara o terreno para o próximo arco. Se a primeira temporada foi sobre a descoberta do outro e dos próprios sentimentos, a segunda é sobre a manutenção desses laços sob pressão. A relação entre Momo e Okarun atinge um patamar de maturidade delicioso (cheia de momentos fofos), com Okarun, antes um completo alienado social, demonstrando uma coragem emocional que finalmente rivaliza com suas transformações físicas. A cena em que ele se oferece para dormir ao lado de Jiji no banheiro, apenas para garantir que o amigo não entre em contato com água fria e desperte o espírito Evil Eye, é um exemplo tocante de como a série constrói masculinidade e amizade sem cair em caretice. A direção de Fuga Yamashiro e Abel Góngora merece aplausos, pois a liberdade estilística da Science Saru permite que a animação distorça, respire e exploda conforme a narrativa exige. O episódio do exorcismo rockeiro é um case de como usar a música e a mudança de ritmo visual para contar uma história, enquanto a luta final contra o kaiju abraça a grandiosidade com referências otaku que funcionam como uma celebração.
No entanto, a segunda temporada sofre de uma ligeira síndrome do mais do mesmo (ainda que seja muito sólida), onde o fator surpresa que fez de Dandadan um fenômeno se dilui um pouco quando percebemos a fórmula se repetindo: apresentação de um problema aparentemente insolúvel, introdução de um coadjuvante excêntrico e resolução via poder da amizade e imaginação. O arco do Kaiju, embora visualmente espetacular, sofre com uma montagem temporal confusa, com flashbacks inseridos de forma abrupta que quebram o ímpeto narrativo. Além disso, a decisão de compilar os primeiros episódios em um filme para cinemas, intitulado Dandadan Evil Eye, pode ter prejudicado a respiração da temporada, tornando os episódios iniciais tão frenéticos e compactados que parecem mais um clímax do que uma construção, deixando pouco espaço para o mistério respirar antes de partir para a próxima loucura (de todo modo o arco inicial é o principal e cheio de qualidades). Ainda assim, a segunda temporada de Dandadan é um prato cheio para quem já estava comprado pela proposta, entregando tudo que promete: ação insana, humor nonsense e um coração gigante. Não é tão revolucionária quanto a de estreia, mas é competente em expandir o universo sem perder a sua essência. O beijo da nova antagonista em Okarun não é apenas um cliffhanger barato, é a senha para o que virá, e considerando que o anime parou no capítulo 71 do mangá, a terceira temporada tem tudo para adaptar o arco dos Globalistas, uma saga que promete virar o jogo e colocar toda essa bagunça sob ameaça extraterrestre em escala planetária. Se você achou que o caos estava no controle, prepare-se, porque a invasão está apenas começando.
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