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Sendo um gênero tão difícil e com o qual sou tão exigente, não é surpresa constatar que assisto apenas a quatro comédias hoje em dia (sendo todas vindas do Premium Cable Americano):
Weeds (SHOWTIME) trata dos amorais esforços de uma viúva para sustentar os dois filhos, com a súbita morte do marido. Sua principal ocupação é o tráfico de drogas, mas na quarta temporada ela chegou a se envolver até com tráfico de armas e pessoas. Charmosa sobrevivente, Nancy Botwin (vivida com maestria pela fantástica Mary-Louise Parker) já foi literalmente com o diabo para cama para se manter no negócio. A medida que a necessidade foi apertando ela dormiu com traficantes rivais, um agente casado e corrupto do DEA (com o qual ela se casou!) e até mesmo o prefeito (e "chefão do crime") de Tijuana (do qual está grávida!). Não bastassem as amoralidades de Nancy, o resto do elenco de personagens é ainda mais "rico" neste sentido. O show é um contínuo manifesto contra o conformismo e a mesmice e retorna em meados de 2009 com a sua quinta temporada.
Em Californication (SHOWTIME), David Duchovny está infinitamente confortável no papel de um escritor mulherengo (com frequentes bloqueios de escrita) em Los Angeles (o infame Hank Moody). Péssimo (ex) marido/namorado para Karen (Natascha McElhone) e pai para Becca (Medeleine Martin), Moody passou o tempo (nestas duas primeiras temporadas) tentando impedir o casamento de Karen (não que tenha solidificado um novo relacionamento com ela após conseguir!), tendo um livro seu roubado na cara de pau por uma menor de idade (que se torna um grande sucesso, por falar nisto) com quem ele teve sexo anteriormente (!) e mesmo escrevendo uma biografia para um grande produtor de rock que acaba morrendo de overdose. Martin é o grande trunfo da série, tornando uma personagem que poderia ser francamente unidimensional em uma usina de pathos e mesmo maturidade em meio ao absurdo universo que está inserida. A série retorna para a sua terceira temporada no segundo semestre de 2009.
Entourage (HBO) trata do dia a dia pessoal e profissional de um jovem astro em Hollywood (parcialmente inspirada na carreira do ator Mark Wahlberg, produtor executivo da série) e da sua titular entourage (composta pelo seu irmão mais velho e mais dois amigos de infância). Aparentemente um descendente espiritual do clássico moderno The Player, de Robert Altman, o programa é extemamente cínico em relação aos bastidores da indústria do cinema, contando com um verdadeiro arsenal de participações de celebridades, vivendo versões extremas delas mesmas ou não. Dentre os sempre eficientes atores regulares fica o destaque para Jeremy Piven como o "infinitamente intenso" agente Ari Gold. A série retorna para a sua sexta temporada no verão americano de 2009 (entre junho e agosto).
Flight Of The Conchords (HBO) retrata as inúmeras desventuras de uma dupla folk (uma versão estilizada da própria dupla da vida real, a qual vive ela mesma) da Nova Zelândia tentando o sucesso em New York. Dizer que a existência dos dois protagonistas é patética pode ser bem resumida no fato deles terem apenas uma única fã (literalmente!) e serem representados por um funcionário do consulado da Nova Zelândia no meio do expediente (!?). Como era de se esperar nestes termos, praticamente não os vemos se apresentando, exceto pelos vários números musicais presentes, que existem fora do universo da série e que servem (geralmente) como comentários sobre o mesmo (tomando o lugar da voz interior de um personagem, como um sonho, uma alucinação etc.). A série retornou para a sua segunda temporada em 18 de janeiro de 2009.
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