sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Caprica e outras histórias

Caprica e outras histórias

Como diria um velho ditado cardassiano: "Na falta de inspiração, entreviste a si mesmo."

O que esperar de Battlestar Galactica: Blood & Chrome?

Tá com um jeitão de Spartacus: Blood & Sand (risos). Estou esperando por um "grande orçamento", no melhor estilo Sanctuary. Não que o problema seja necessariamente o orçamento. As séries britânicas Misfits e Being Human são superiores a qualquer coisa do atual lineup do canal SYFY, que audaciosamente vai fazer um remake americano (sic!) da última. Só rindo mesmo.

Ron Moore, aparentemente influenciado pela temática steampunk da ultima turnê da banda canadense Rush (Oh boy!), resolveu dar um reboot em Wild Wild West, vamos ver como será, principalmente, o tom da atração (será uma dramédia?).

Enquanto isto, o David E. Kelley (meu antigo favorito e sinônimo de dramédia) está preparando uma série sobre a Wonder Woman (!?). Obviamente Diana vem para a América e se torna um advogada (risos)... Já pensaram na esposa de Kelley, Michelle Pfeiffer, morena e como Hipólita?

O que dizer da cancelada Caprica?

A questão é que a série já nasceu complicada; a vaga noção de Dallas SCIFI de Ron Moore ficou um tempão no limbo até que um conceito independente de Remi Aubuchon foi fundido ao que Moore tinha na época, o que acidentalmente (ou teria sido por pressão dos financiadores?) tornou a série muito mais próxima de BSG2003 do que Moore pensara inicialmente, algo bastante perigoso se levarmos em conta que BSG2003 nunca foi uma série fechada desde o início. Uma das muitas óbvias armadilhas criativas aqui.

Moore e Aubuchon mal tocaram o dia a dia da série além do piloto e pasaram "a sala" para Jane Espenson que, com o devido respeito, está longe de ser uma showrunner confiável e o mesmo pode ser dito do seu sucessor, Kevin Murphy. Com um conceito pouco claro para início de conversa e a falta de uma visão consistente, a série sofreu bastante (artisticamente falando) após o piloto, mostrando-se irregular em todos os aspectos da sua produção a partir de então. Definitivamente a máxima da "Série muito boa para o público disponível (TM)" não se aplica aqui.

Se compararmos a clareza da premissa de BSG2003 (uma necessidade artística legítima, por parte de Ron Moore, de "desenvolver certo a premissa de BSG1978") e a consistência de apresentação que série adotou desde o início (em grande parte devido a competência artística e mesmo gerencial do seu ÚNICO showrunner, o próprio Moore), a diferença é mais do que ABSURDA!!!.

(O Jammer fala sobre o final de Caprica aqui .)

E Blood & Chrome?

Esta nova série, com um título eminentemente gay e com kaboons aparentemente garantidos em profusão (os fanboys deverão adorar), já nasce morta, em mais uma tradicional e DESCARADA "apertação de teta" por parte do canal SYFY.

Ron Moore já pulou fora faz tempo disto tudo, pouco se envolvendo com a marca além do piloto de Caprica e procurou (vejam só!) "tocar", de algum modo, mais um série da qual gostava enquanto moleque. Nestas horas é muito fácil distinguir o verdadeiro artista de todo o resto (Michael Taylor, David Eick, Bradley Thompson, David Weddle... Estou olhando para vocês!).

Stargate Universe (SGU) também será cancelada em breve?

As expectativas artísticas aqui são infinitamente menores do que na franquia de BSG2003, mas ainda assim o canal SYFY deu a mesma liberdade de conteúdo a SGU que deu a Caprica. Com a sua introdução, a franquia do portal sofreu uma mudança DRÁSTICA de estética (tendo como referência a série Firefly) e de tom, agora muito mais sóbrio, naturalista e mesmo contemplativo. Sem grandes mudanças na equipe de produção, com tantas restrições auto-impostas e sem muita intimidade (ou mesmo capacidade!) na escrita de drama humano, SGU sofre muito para achar um público. Um cancelamento é mesmo uma óbvia possibilidade (Será que vem ai uma série Stargate: Blood & Naquadah?).

É uma pena que os fãs scifi típicos de hoje em dia pensem tão pouco do gênero, aparentemente mais afeitos a reciclagem e a lugares comuns do que a serem desafiados por idéias novas e conceitos de nicho. Quando eu tinha sete anos de idade, conheci um série que me ensinou, desde então, sempre a buscar AUDACIOSAMENTE o novo, não eternamente almejar a mais do mesmo. Tenho lido posts de fãs (?) de Caprica e SGU; chega a dar vergonha. Os de SGU são particularmente deprimentes, onde os fãs (?) aguardam pacientemente os análogos das coisas que já aconteceram nas séries anteriores (SG1 e SGA), como indicadores positivos de qualidade. Só revirando os olhos mesmo...

Querer mais SG1 e SGA é alguma espécie de perversão (SÃO 214 eps + 2 filmes + 100 eps PELO AMOR DE DEUS!!! ), tem que ser, não vejo outra possível explicação. Querer mais do mesmo que SG1 e SGA não é menos doentio.

Bastam 17 episódios para você nunca mais ser esquecido, 52 para você influenciar todas as séries scifi espaciais que vieram depois de você e não mais do que 60 para ser a melhor série de tv do todos os tempos. A qualidade que conta. Deixar uma marca no gênero, ser única. Esta é a assinatura do verdadeiro artista.

E o resto do line-up do canal SYFY?

Séries como Eureka, Haven, Warehouse 13 e Sanctuary não produzem uma nota sequer de genuína emoção, não desafiam a tua inteligência, a tua visão de mundo. Parece haver um acordo tácito do tipo: "Se você me tirar da minha zona de conforto eu mudo de canal!"

Tais séries são o equivalente scifi do brigadeiro sem açucar!

E o SCIFI americano fora do SYFY?

-- Até agora a série The Event (NBC) se mostrou mais próxima a série 24 do que a qualquer outra (os elementos scifi são mínimos e geralmente sob controle). Considero uma produção absolutamente mediocre, mas honesta até este ponto (sem muita expectativa de melhora significativa, infelizmente).

(O excelente Željko Ivanek deve ser o ator de personagem mais conhecido do grande público na atualidade. O cara é virtualmente onipresente (risos)... E a atriz Paula Malcomson vai pelo mesmo caminho.)

(Não posso evitar de pensar no futuro scifi televisivo, quando uma série scifi, como Caprica, realiza a trama "igreja + braço armado (terrorista)" e outra não scifi, Sons of Anarchy, faz o mesmo, exatamente na mesma época, no mesmo esquema de canal básico a cabo americano e, pasmem, MUITO melhor (isto sem contar com as jaquetas e as motos legais... eh! eh! eh!). Difícil mesmo não pensar a respeito, especialmente considerando que Malcomson está nas duas histórias (risos)... )

-- A série No Ordinary Family (ABC) é bastante parecida com as do lineup básico do canal SYFY, quanto a ser absolutamente inofensiva. Tem um bom e carismático elenco, mas é visível a falta de ambição, beirando ao simplório.

-- "V2009" (ABC) retorna em janeiro (de 2011) para o seu inescapável cancelamento. Difícil ver outra alternativa, frente a tão frágil execução da clássica premissa (Jammer fala sobre "V2009": aqui .)

-- Fringe (FOX) é a melhor série scifi americana do momento (algo que diz muito a respeito das séries concorrentes). É uma série competente, mas referencial demais e consistentemente incapaz de realizar, como regra e a cada último ato de episódio, todo o pathos que até constrói muito bem até ali. Noble é sempre o seu grande trunfo, simpatizo com a produção pela presença de Ash e Zach como roteiristas, mas nunca vai ser uma série que realmente me diga alguma coisa, seja por bruta inspiração, seja por reverberação dramática. E... Fiquem ligados no facão do canal FOX.

-- Medium já deveria ter sido cancelada. Já gostei muito da série, mas a transferência da NBC para a CBS nunca deveria ter acontecido (e nem me perguntem pelas séries da CW). True Blood (HBO) teve uma terceira temporada bastante fraca (mesmo para os mediocres padrões da atração), mas a ruindade até que me fez algum bem, pois devo confessar que ri muito com o festival de idiotices (aliás, mais do que posso dizer a respeito da imensa maioria das séries acima mencionadas).

E fora da América?

Creio estar vivendo uma fase britânica (Doctor Who, Being Human, Misfits etc.), mas sei que mais dia, menos dia, vai aparecer um anime que vai simplesmente me tirar de órbita (como foi, por exemplo, Planetes).

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