terça-feira, 29 de junho de 2010

Doctor Who 2005 (2010)

Doctor Who 2005 (2010)

Eis que chega ao fim a quinta temporada da versão atual do ícone britânico, claramente preocupada em estreitar os laços entre os seus personagens, preparando-os, junto com a sua audiência, para os eventos (mais do que sugeridos) que com certeza virão em 2011.

O destaque absoluto vai para o penúltimo episódio do ciclo, The Pandorica Opens, algo fora das escalas de tão bom. Apesar de irregular em qualidade, a ambiciosa temporada, costumeiramente indo e vindo entre os temas de percepção e realidade, preparou com estrondoso êxito a sua conclusão, prometendo ainda mais um prêmio Hugo para o seu novo produtor executivo, o genial Steven Moffat.

The Pandorica Opens é tão densamente tramado e possui tanta imaginação que temos a impressão de ter assistido a um filme de duas horas e não a um episódio regular de TV. Temos Van Gogh, Churchill, Liz X, River Song e o planeta mais antigo do universo, só no teaser! Sem mencionar uma legítima legião romana, stonehenge, a titular Pandorica e uma aliança das principais raças da série presentes para aprisionar o seu principal inimigo (o Doutor) na dita caixa. Tal reviravolta, além de deliciosamente irônica em retrospecto, confirma que existe uma terceira força manipulativa em ação, o tal "silêncio", o qual provoca a destruição da TARDIS, logo em seguida, levando toda a realidade com ela. A resolução do extremo cliffhanger jazia então na seguinte fala anterior do Doutor para Amy:

"People fall out of the world sometimes,
but they always leave traces.
Little things we can't quite account for.
Faces in photographs, luggage, half eaten meals... rings...
Nothing is ever forgotten, not completely.
And if something can be remembered
...
It can come back."

O final de temporada, The Big Bang, é competente como resolução do extremo cliffhanger estabelecido, porém um tanto simplista e confuso (o Doutor e Amy são salvos na base de paradoxos extremamente artificiais, por exemplo). O título e as circunstâncias apontam para um imenso botão de reset, o qual é obviamente tanto inevitável, quanto melodramático, com o Doutor pilotando a Pandorica no coração da explosão da TARDIS, o que recria uma realidade, uma que nunca o conheceu...

Curiosamente, o segmento não termina ai (algo que faz tremenda diferença). Na sequência, acompanhamos o Doutor voltando no tempo dentro da nova realidade, revisitando momentos chaves da série, o que explica o motivo das anomalias seguirem sempre Amy, pelo tempo e pelo espaço. Assim prosseguindo, em reverso, até o dia em que Amelia (Amy quando criança) dormiu esperando por ele. Ele conta uma crucial história a beira da sua cama, se despede e a pequena acorda. No dia do casamento de Amy e Rory (originalmente o dia do final da realidade), Amy e os presentes (incluindo agora os seus pais, presentes na nova realidade) começam a se lembrar do Doutor, ao mesmo tempo que a TARDIS aparece bem no meio do salão.

"It's funny.
I thought if you could hear me,
I could hang on somehow.
Silly me.
Silly old Doctor.
When you wake up,
you'll have a mum and dad...
And you won't even remember me.
Well, you'll remember me a little.
I'll be a story in your head.
But that's OK.
We're all stories in the end.
Just make it a good one, eh?
Cos it was, you know.
It was the best.
A daft old man
who stole a magic box
and ran away.
Did I ever tell you that I stole it?
Well, I borrowed it.
I was always going to take it back.
Oh, that box, Amy.
You'll dream about that box.
It'll never leave you.
Big and little at the same time.
Brand new and ancient.
And the bluest blue ever.
And the times we had, eh?
Woulda had...
Never had.
In your dreams,
they'll still be there.
The Doctor and Amy Pond.
And the days that never came..."

A renovação da "chefia" fez bem a desgastada atração. Novos atores, personagens, novos cenários da TARDIS e agora até uma nova realidade, trouxeram um frescor renovado ao programa. Sem problemas no elenco, os novos personagens emergem (especialmente se TODAS as suas memórias foram preservadas/recuperadas) meio que como veteranos ao final do ciclo e os poderes de Amy (fruto, agora sim, de um paradoxo deveras esperto) devem ser parte importante do que virá, ficando duas claras perguntas para o ano que vem:

- O que é o "Silêncio"? Um inimigo do passado do Doutor, alguém totalmente novo ou algo completamente diferente? Quais são os seus objetivos (sendo que recriar a realidade parece ser uma boa aposta)?

- Qual é de fato a história de River Song e do Doutor?

Até o especial de Natal 2010...

P.S.: Os melhores episódios (inclusive quanto aos valores de produção) desta quinta temporada foram, sem surpresas, aqueles escritos por Moffat. Além de The Pandorica Opens, um outro óbvio destaque foi o episódio The Beast Below.

Doctor Who 2005 (2010)

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