sexta-feira, 29 de junho de 2007

As palavras de Isaac...

As palavras de Isaac...

A minha mais importante frase no momento (e talvez o definitivo mantra deste diário) é a seguinte:

"Quanto mais tu conheceres o passado menos te impressionarás pelo presente."

[Frase geralmente atribuida a Sir Isaac Newton, possivelmente referindo-se diretamente ao gênio de Arquimedes.]

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Este foi realmente o meu lema na recente revisão (revisão esta que me levou a um melhor entendimento sobre o tema, melhor até do que eu jamais poderia imaginar mesmo em meus mais insanos devaneios) das grandes séries SCIFI na TV. Tal revisão foi concluida só lá por dezembro de 2006.

Se uma nova visão sobre séries já velhas conhecidas desde a infância (por exemplo da primeira temporada da versão original de The Outer Limits), agora de um espectador muito mais maduro e especialmente cuidadoso com a perspectiva histórica de cada item se mostrou deveras chocante, que dirá de séries que simplesmente não conhecia (além do tradicional "já ouvi falar", é claro).

Conhecer (finalmente) uma série como Blake's 7 foi extremamente assustador, pois a "demolição de verdades absolutas" a que ela me submeteu foi por vezes avassaladora. E aprendi muito com isto. Dizem que você só realmente aprende alguma coisa quando é arrancado da sua zona de conforto e tem que lidar com isto. Este foi certamente o meu caso (em um processo em que o citado mantra foi absolutamente fundamental, tanto para cavar a terra, quanto para compreender o contéudo do baú nela enterrado).

(Ao assistir pela primeira vez a B7, tantas foram as surpresas, que nem mesmo o cliff-hanger do final de The Best Of Both Worlds I de A Nova Geração escapou de ver desvendado um seu claro antepassado histórico. Deveras revelador, sem dúvida alguma!)

Outras foram as surpresas, as quais também ganharão estas páginas em seu devido tempo:

- o pioneirismo em séries sobre paranóia (e invasões alienígenas) visto em Quatermass;

- a série mais cult de todos os tempos (e pioneira em estruturação): The Prisoner;

- a brutal originalidade, crueza e convicção em Yamato e Gundam;

- A desconcertante sofisticação de Ghost In The Shell e Evangelion;

- e talvez a série que mais deixe boquiaberto a todos pela falta de conhecimento anterior sobre a mesma: The Legend Of The Galactic Heroes.

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Ao mergulhar agora no universo dos grande filmes do Cinema (começando também pelo gênero SCIFI por simplicidade e praticidade) de todos os tempos, não poderia ser diferente e mantenho o mesmo mantra, pois afinal (e com o perdão do óbvio clichê): "em time que está ganhando não se mexe". Só lamentando não poder estar avançando muito neste sentido por falta de tempo e (ou) organização. Dai uma lista (como aquela publicada a respeito das séries SCIFI televisivas) ainda vai demorar um pouco. De fato, até certa altura as coisas iam caminhando bem, até simplesmente emperrarem e não engrenarem mais.

Fiz então de marco inicial (como dito) o Cinema SCIFI e a conhecida lista da OFCS como referência básica (e até certo ponto o arquivo do tradicional prêmio Hugo de ficção científica). É claro que não vou me preocupar em re-examinar filmes que já assisti várias vezes e não gostaria de guardar para a posteridade (obviamente toda a informação em primeira mão já me é disponível). Ver inúmeras vezes um mesmo filme e ainda assim querer tê-lo sempre disponível para uma próxima vez é um teste e tanto de valor (talvez o mais importante inclusive).

Em todo o processo anterior das séries SCIFI televisivas, sempre me vi preocupado em estar ficando "muito mole" e muito "bonzinho" com os produtos de entretenimento em geral. Então decidi ser muito mais agressivo (para falar a verdade esta renovada atitude já havia sido lançada na música, antes mesmo da revisão das séries SCIFI, o que recupera ai uma trajetória pessoal de mais de 26 anos, que agora faz mais sentido do que nunca).

Decretei de pronto que os filmes de Jornada Nas Estrelas não eram relevantes enquanto cinema de qualidade (dai os tirei da minha "lista interna") e fiz o mesmo com os filmes da "trindade" Lucas-Spielberg-Zemecks (diretos, indiretos e em espírito). Tais coisas simplesmente não me interessam mais (algumas nunca me interessaram, nunca me disseram absolutamente nada). Quero coisas novas e alternativas feitas hoje ou décadas atrás tanto faz.

Os filmes SCIFI trouxeram comparativamente (até o momento) menos surpresa do que quando do exame das séries SCIFI, talvez ou por eu já estar mais preparado ou por ainda me faltar a descoberta de alguns "elos perdidos" (grande parte do divertimento com a tarefa está justamente neste tipo de "revelação").

O fascínio maior é (tentar) construir árvores de influência considerando a cronologia da coisa (ao contrário, por exemplo, dos simplórios rankeamentos que ocorrem com tamanha frequencia por ai). A dificuldade aqui neste último ponto é definitivamente maior do que com as séries SCIFI televisivas e tem sido fonte de alguma frustração até o momento. Espero desatar tal "nó" (especialmente no que se refere a produção dos primeiros quarenta anos do século vinte) em breve.

A lista da OFCS ainda jaz aqui em forma residual, com alguns filmes que ainda não consegui obter, apenas um de fato não vi, o que é muito bom sinal, e outros que ainda estou na dúvida de simplesmente descartar ou obter e possivelmente reconsiderar. Como ainda tenhos alguns títulos bastante populares na lista, concluo que não estou ainda tão "carrasco" quanto gostaria, deve ser a idade avançada. Mas, honestamente, ao final do processo, quase nenhum destes deve restar.

Aproveitei para investir (e tal avaliação com certeza já consegui fazer, pelo menos) mais a fundo em um bando de caras que sempre considerei afins ao gênero (entre outras esquisitices é claro). Para os interessados, eles formam um quarteto: um Stan, um Andrei e dois caras chamados David (deixo para o leitor descobrir os sobrenomes).

Um mergulho no mundo do anime (na parte de Cinema, complementando a parte de TV) também foi deverás fascinante e esclarecedor. Continuando, sempre buscando por alternativas e pontos de maior ressonância pessoal e procurando fugir a todo custo das convenções que as pessoas parecem necessitar (e as vezes mesmo, tristemente, até para entender o que enxergam em tela) em tais produtos de entretenimento.

Mesmo com o trabalho declaradamente inacabado cabem citar algumas obras (já selecionadas para a lista final) compreendidas de "Le Voyage Dans la Lune" até "Children Of Men", passando por: "Metropolis", "Things to Come", "Forbidden Planet", "La Jetee", "Last Year at Marienbad", "Dr.Strangelove", "La Planete Sauvage", "Brazil", "Akira", "Ghost In The Shell", "Abre Los Ojos", "PI", "Donnie Darko", "Eternal Sunshine Of The Spotless Mind" etc.

Tais obras já dão a idéia antecipada do escopo e da variedade da relação última pretendida. Ainda que não se possa fazer agora uma publicação de boa fé, já são claros alguns padrões históricos: como as referências originais de certos sub-gêneros, filmes que parecem ser refeitos de tempos em tempos (!), filmes que são refeitos de tempos em tempos (?!), claros reflexos de época (com e sem uma fatal datação), os mais singulares, os mais influentes etc.

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O ato final (e um que eu honestamente considerava já presente, mas com os atrasos virou um cada vez mais distante futuro) para mim nesta "pequena aventura" é o dos melhores filmes de todos os tempos (em geral).

Usarei como referência um site que recomendo fortemente ( o They Shoot Pictures: http://www.theyshootpictures.com/ ), cuja abordagem centrada em diretores casa perfeitamente sobre o meu entendimento de tal arte. A maior parte da informação lá presente está apresentada na forma de rankeamento. Ignorem tal abordagem e usem somente os nomes citados. O site é de fato extremamente util. A multitude de informações utilizadas nas suas diversas compilações é incrivelmente abrangente e literalmente caótica e a emergência de tantos claros padrões em tamanho caos é igualmente fascinante e satisfatória a nível pessoal.

O site traz:

I) Uma lista dinâmica dos cem melhores diretores de Cinema de todos os tempos:


II) Uma lista dinâmica dos cem melhores filmes de Cinema de todos os tempos:


(Nesta página tem os 25 primeiros e você seleciona no alto dela pelas outras páginas que trazem os demais filmes.)

III) Uma lista dinâmica com os 250 melhores filmes de Cinema do século 21 (ou do "novo milênio" se preferirem):


(Nesta página tem os 50 primeiros e você seleciona no alto dela pelas páginas que trazem os demais filmes. Perfeita para dar presentes. Podem me acreditar!)

(Esta última página me deu inclusive a idéia de chamar todo novo filme que eu gostar de "clássico do novo milênio". Cinismo pouco é bobagem, é claro...)

O site traz ainda uma infinidade de informações do passado e do presente, muito bom mesmo.

Tomando a lista dos cem melhores filmes (deste Site) como base (além dos principais trabalhos dos diretores velhos favoritos - os quais são todos citados, sem exceções, na correspondente lista) irei investigar o melhor do Cinema de todos os tempos. Possivelmente nunca irei ficar satisfeito com os meus achados em tal mamutesca tarefa, mas tal jornada por si só é muito mais interessante do que praticamente qualquer novo filme feito dentro do sistemão típico da presente (e fatalmente futura) Hollywood (e dos sistemas que a imitam, que não são poucos infelizmente). Esta tarefa eu já considero impossível em termos práticos, mas mesmo assim irei ao menos tentar pelo aprendizado, divertimento e fascinação, mas NUNCA tentarei fazer uma lista das melhores séries de TV em geral, nem imagino como começar e tenho sérias dúvidas do que posso retirar concretamente em qualquer nível de tal experiência.

Deixo o convite para que visitem o passado, o qual é para a sétima arte especialmente, muito mais interessante do que o presente de um modo geral. Mesmo com a visão mais superficial possível, a reciclagem de idéias chegou ao ponto da total indigência. As platéias estão sendo treinadas em tal ritual e estão pedindo por mais. Talvez seja uma situação terminal de fato. Talvez seja mais do que nunca a hora de dar uma chance ao passado para tentar uma alternativa futura. E, por agora, brindar as grande realizações de outrora.

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Newton foi de fato um profeta em muitos sentidos, mas talvez nem mesmo ele fosse capaz de imaginar a arrepiante noção de que alguns poucos séculos depois (da época em que viveu) a definição formal de número real (e o nascimento da Análise Matemática como a conhecemos hoje) fosse finalmente obtida com rigor compatível ao legado de Arquimedes e pasmem usando uma idéia (em última instância) equivalente a teoria das proporções de Eudóxio, um Matemático mesmo anterior ao famoso "cara da alavanca". Talvez a frase de Newton seja "um pouco" mais geral do que ele própria sonhara.

As palavras de Isaac...

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